Canon EOS 6D

Tipicamente Canon, tipicamente perfeita

Novembro/2014 – A Canon EOS 6D é na opinião do vlog do zack a sucessora espiritual da EOS 5D Mark II. Com a mesma proposta de um sensor full frame num corpo “acessível”, a 6D foi anunciada por US$2099 em 2012, US$500 a menos que o preço de anúncio da 5DII de 2008. Uma diferença enorme aos US$3499 que a Canon pedia pela 5D Mark III no lançamento, já que o upgrade de classe da Mark II para a Mark III foi gigante com os novos recursos: de vídeo, velocidade de disparo e foco automático emprestado da 1D-X; todas funções que ficaram de fora da EOS 6D. (english)

Canon EF 28mm f/1.8 USM Lens EOS 5D Mark II

“Acessível” que também é um posicionamento que eu não concordo. Desconheço quem considere US$2000 um preço de “câmera fotográfica de baixo custo” e nem mesmo a Canon confiou que este título iria colar. Então eles trataram de enfiar diferenciais no modelo a começar pela construção mais leve, sem o bloco de magnésio, só placas na frente e atrás, e colocar duas novidades numa EOS: Wi-Fi e GPS integrados. Quem realmente poderia se beneficiar destas coisas numa DSLR? Estúdios (para tethering sem fio) e viajantes (para enviar as fotos instantaneamente). Está aí o público alvo da nova Canon EOS 6D, uma classe totalmente nova de câmeras da Canon.

Canon EOS 6D, a "nova" (2012) full frame de entrada.

Do lado de dentro ela não deve praticamente em nada a geração atuaI. O processador é o mesmo DIGIC5+ da 5D Mark III e 1D-X, para correções in-camera de aberrações nas lentes, baixo ruído no JPEG em ISO alto, vídeo em formato ALL-i, funções HDR embutidas e até 4.5fps (mais rápida que a 5DII). O sistema de metering é o mesmo da Mark III, com um sensor dual layer de 63 zonas. O módulo de foco é inferior com apenas 11 pontos, mas é o único na linha Canon sensível até -3 ev, mais sensível até que a 1D-X. E o sensor de imagem é uma geração a frente das duas full frame, com a segunda versão do design gapless para praticamente a mesma sensibilidade e dynamic range, apesar do baixo custo. Como será que funciona? Vamos descobrir. Boa leitura!

CONSTRUÇÃO

Canon EOS 6D

Em 755g de 14.5 x 11.2 x 7.1 cm, o que a Canon conseguiu fazer com a EOS 6D é plausível. Temos uma full frame com 20MP, DIGIC5+ e bateria LP-E6 (a mesma das 5DII e III, 7D, 60D e 70D) com o mesmo peso de uma câmera APS-C. Mas o viewfinder gigante continua lá como nas outras full frame (e cobertura de 97%, o mesmo da 5DII), a tela LCD de cima também, e os botões são idênticos aos modelos maiores. E ainda a 6D tem o mesmo nível de weather sealing que a 5D Mark III. Então qual mágica foi essa que a Canon fez para colocar tanta coisa numa full frame tão leve?

Canon EOS 6D

É uma nova era de construção mecânica da fabricante. Enquanto a linha “profissional” sempre se rendeu as vantagens dos blocos de magnésio, a Canon decidiu adotar na 6D apenas partes estruturais em magnésio (tampa da frente com mount EF e painel traseiro) unidas por uma peça de plástico em cima, para recepção das antenas de GPS e Wi-Fi. Com um volume 20% menor que as outras full frame EOS, a 6D trás um novo paradigma de formas e ajustes nas mãos.

Canon EOS 6D

Ela agarra perfeitamente os dedos da mão direita para pegada do corpo e todos os botões de cima ficam ao alcance do dedo indicador. Os botões traseiros da direita ficam ao alcance do dedão e é um grip muito mais gostoso de usar que a “quadradona” EOS 5D Mark II. Mesmo a excelente 5D Mark III parece desnecessariamente grande só para acomodar a tela traseira de 3.2”, enquanto a 6D é menor, objetiva, simples nos comandos para fazer a mesma coisa. Sim, a tela diminui para 3” mas a quantidade de pontos é a mesma, de 1.04 milhões. Infelizmente ela não é do tipo Clear View LCD II como na 5DIII (em que a tela é colada no plástico externo), mas o revestimento de fluorine continua lá para evitar acumulo de gordura na hora de limpar o equipamento com um pano.

Canon EOS 6D

Na frente a Canon continua insistindo em não colocar nenhum botão extra como a Nikon faz nas câmeras maiores da linha “D”. O único botão de preview da profundidade de campo fica sob o mount EF, e ele até é programável. Mas essencialmente você perde uma função básica como o preview da profundidade se mudar a função desde botão. E do outro lado temos o botãozão de soltar a lente. Nem um assistente de foco automático está incluído na 6D; o LED da frente serve apenas para indicar a função do self-timer e na mesma janela fica o receptor de controle remoto. Se parece um layout pobre, é porque é. A linha EOS só trás funções na frente nas top 1D e nem a novíssima 7D Mark II recebeu alguma atenção aqui na frente. Acho que a Canon podia aprender alguma coisa com a D7100, D610 e D810, sobre o que os dedos podem fazer com a câmera.

Canon EOS 6D

Também não há um flash embutido no corpo, coisa que já acostumamos nas full frame Canon. Explicação do fabricante também não há, eles só tem a linha mais extensa de cabeças externas de flash do mercado. Ou seja, fica a dica: compre um flash a parte. Pelo menos o layout em cima é simples e eficaz, com o disco PTAM de um lado, hotshoe completo no centro e top LCD do outro, com a mesma sequência de botões desde a EOS 20D: AF, DRIVE, ISO e metering, todos podem ser ativados sem tirar os olhos do viewfinder. Basta memorizar a sequência de controles e ir usando com a mão direita. O primeiro dial está na frente antes do botão do disparador, como em virtualmente todas câmeras EOS desde 1980, layout depois copiado por todas as outras marcas.

Canon EOS 6D

Canon EOS 6D

Top LCD só aparece em corpos grandes, apesar da 6D ser relativamente compacta.

Canon EOS 6D

Ergonomia do disparador é excelente, como todas outras Canon EOS.

Atrás encontramos uma convergência de ideias da linha APS-C intermediária (60D) e top (7D), e a divergência com a linha 5D para estabelecer uma classe distinta de equipamento. Os botões MENU e INFO estão sobre a tela LCD, para serem usados com a mão esquerda (câmera fora do olho) mas playback e zoom estão do lado direito; vai entender. O “novo” Q (quick), que fez o debut lá na 60D de 2010, parece que acampou sobre o jog rotativo traseiro (ele está lá em todos estes modelos citados), mas o direcional para escolha de pontos de foco que existe na 5D e na 7D mudou para dentro do tal jog, outra ideia que veio da 60D. Sinceramente lá dentro ele poupa espaço do corpo e é bem melhor de usar que o “controlinho” das máquinas maiores. Mas diz a Canon que este “controlinho” é mais rápido e por isso estará reservado apenas as máquinas com vários pontos AF.

Canon EOS 6D

Botões MENU e INFO são do lado esquerdo, para a mão esquerda.

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Botão Q está do lado direito, junto dos de playback.

Canon EOS 6D

Jog tem o direcional ao centro, novidade da 60D (2010).

Canon EOS 6D

Chave do Live View é emprestada da 7D.

Canon EOS 6D

Botões AF-ON etc são idênticos as irmãs maiores.

Um detalhe que infelizmente ficou de fora é a função touch do dial traseiro que existe na 5D Mark III. Naquela câmera ele serve para ajustar algumas funções da câmera de maneira silenciosa, especialmente para não atrapalhar durante a gravação de vídeos. Mas não foi implementado na 6D e acabamos ouvindo os clicks de cada botão toda vez que precisamos ajustar alguma coisa. Mas note: todos os botões da EOS 6D foram revistos para um toque muito mais suave que qualquer outra Canon do mercado, e você sente isto nos dedos. É tudo “borracha com borracha”, sem aqueles solavancos dos clicks de verdade. É muito superior a outras câmeras por aí que associam o design “vintage” com botões duros, difíceis de usar e que não ajudam em nada a vida do fotógrafo. A Canon está mirando para o futuro com a 6D e espero que todos os botões daqui pra frente tenham esta mesma pegada “luxury” (palavra do fabricante); é um prazer de usar.

Screen Shot 2014-11-18 at 7.39.47 PM

Enfim do lado direito os mesmos botões tipicamente Canon estão lá como AF-ON, estrela e seleção de pontos AF, e por último temos a chavinha do Live View para fotos ou vídeos, com o START/STOP no meio (emprestado da 7D). De um lado nós temos as portas HDMI e USB; microfone e controle remoto. E do outro o único cartão SD está sob uma porta protegida contra respingos, bem melhor que a 60D. É tudo simples de usar e uma filosofia descomplicada na linha EOS. O único propósito da Canon parece ter sido o prazer de fotografar com a mesma qualidade de imagem das câmeras maiores. Não parece que tiraram funções para poupar dinheiro, nem incluíram novidades no controle. É a câmera perfeita pra quem sempre teve Canon e quer sair fotografando logo de cara.

Canon EOS 6D

Portas estão todas do mesmo lado, atrás de borrachas.

Canon EOS 6D

Só um slot SD: decisão old-fashion para limitar classes diferentes.

Canon EOS 6D

Detalhe da borracha que completa do weather sealing.

Canon EOS 6D

Bateria é a mesma da 5DII, 5DII e 7D, mas com duração maior para 1090 fotos! Note vedação na porta e no corpo.

OPERAÇÃO – DRIVE

Canon EOS 6D

Sem dúvidas o meu recurso favorito na Canon EOS 6D é o modo silencioso do disparo do obturador. Com um mecanismo completamente novo com motores separados para espelho e cortinas, ela pega emprestada a tecnologia da 5D Mark III para suavidade no primeiro, e a velocidade e precisão da 7D para o segundo. A ideia é que no modo “Silent” o controle do movimento seja diferente do normal diminuindo a velocidade justamente antes do momento do impacto. Isso faz que a câmera perca cerca de 10% da velocidade de disparo continuo, mas fique quase 80% mais silenciosa. É perfeita para exposições, teatro, casamentos, rua; ou seja qualquer lugar que você não quer chamar a atenção. Simplesmente é a câmera SLR mais quieta que eu já usei e não lembro de outro modelo parecido neste ponto. Ponto pra Canon.

Screen Shot 2014-11-18 at 7.36.45 PM

OPERAÇÃO – Wi-Fi

Canon EOS 6D

Outra função interessantíssima mas que alguns deixam passar como besteira é a função Wi-Fi embutida no corpo. Não, o legal não é passar as fotos de 20MP para o celular e postar instantaneamente no Instagram. Mas a função “Remote Shooting” que funciona virtualmente como o tethering do EOS Utility via USB, mas obviamente sem fio. Basta habilitar a função Wi-Fi > Wi-Fi function > Connect to smartphone. E no tablet/celular, Android ou iOS, instalar o “EOS Remote”. Conecte seu device a rede própria criada pela câmera e abra o app.

Canon EOS 6D

Funções Wi-Fi são extensas, com diversos modos de conexão.

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No iPhone, a rede Wi-Fi criada pela própria câmera aparece como opção.

Além do Camera Image Viewing, que descarrega as fotos da câmera para o celular, o Remote Shooting ativa o Live View da 6D e faz streaming do sensor da câmera diretamente para a telona do iDevice. É extremamente prático para quando um cliente acompanha a sessão com você, ele fica com o tablet nas mãos e você fica com a câmera; para quando você não pode ficar perto da câmera, por exemplo em ângulos criativos de igrejas e palcos; ou mesmo para um básico auto retrato, já que todos os controles de exposição, foco e disparo são reproduzidas no celular.

Canon EOS 6D

Esquerda: funções principais do app. Direita: Camera Image Viewing. Abaixo: Remote Shooting.

Canon EOS 6D

Live View faz streaming para o iDevice, e todos os controles estão na mão. Fantástico!

Auto-retrato em f/5.6 1/90 ISO800 @ 70mm; shot foi disparado via Wi-Fi da EOS 6D.

Auto-retrato em f/5.6 1/90 ISO800 @ 70mm; shot foi disparado via Wi-Fi da EOS 6D.

OPERAÇÃO – AF

Canon EOS 6D

Pouco é falado sobre o sistema AF da EOS 6D afinal os 11 pontos phase parecem jurássicos numa era em que 30 ou mais já fazem parte até dos celulares. Porém este é daqueles recursos que não dependem necessariamente da quantidade, e sim da qualidade. Lógico, nada de esperar o mesmo desempenho de uma 1D-X ou 5D Mark III para tracking. Mas a 6D tem um carta na manga que nenhuma outra EOS tem: o ponto central deste novo módulo é sensível até -3 ev, o que basicamente significa que ela vê no escuro. É perfeito para ambientes fechados, festas íntimas e eventos com pouca luz, garantindo pelo menos a tentativa de foco pela câmera.

Canon EOS 6D

“2” em f/2.8 1/120 ISO3200 @ 70mm; foto praticamente no escuro e com foco perfeito.

“2” em f/2.8 1/120 ISO3200 @ 70mm; foto praticamente no escuro e com foco perfeito. Arquivo raw disponível para patrons.

Além disto o modo servo é totalmente programável apesar de não ter um menu exclusivo como o sistema Reticular das máquinas de 61 pontos. Você pode manual mente escolher a velocidade/precisão do foco; a prioridade do movimento (acelerando ou desacelerando); a prioridade do disparo (com a foto em foco ou imediatamente); ou ainda se a câmera manterá a velocidade do disparo ou a precisão no foco. Não é tão sofisticado com as cinco abas de programação AF das 1D-X e 5D Mark III, mas sem dúvidas todas as possibilidades criativas continuam aqui para objetos estáticos ou em movimento, independente da situação.

Canon EOS 6D

OPERAÇÃO – EXPOSIÇÃO MÚLTIPLA

Canon EOS 6D

Uma função emprestada da 5D Mark III por causa do DIGIC5+, e limitada via software para diferenciar as linhas (fuck you, Canon!), é a exposição múltipla presente na 6D. Novidade “vergonhosa” nesta geração EOS, já que a maioria das Nikon D dos últimos cinco anos fazem isso, a exposição múltipla nada mais é que registrar duas ou mais fotos no mesmo quadro, explorando possibilidades criativas com sujeitos diferentes, que ninguém realmente sabe como ficará o resultado. Pra falar a verdade isto não é novidade at all, mas diversas SLR do passado podiam reiniciar o ciclo do obturador sem passar o filme para frente, essencialmente fazendo a mesma coisa. Com o avanço da fotografia digital, esta tarefa ficou condicionada ao PC, já que pode ser feita depois das fotos prontas. Mas recentemente virou tendência nas digitais por causa do compartilhamento imediato das fotos, fazendo sentido embutir na câmera uma função para quando estivermos longe do computador, sedentos para postar a composição no Instagram.

"17-55" em f/5.6 1/500 ISO800; efeito engraçadinho e inútil.

“17-55″ em f/5.6 1/500 ISO800; efeito engraçadinho e inútil. Arquivo raw disponível para patrons.

A programação é super simples: basta ligar (enable) a opção no menu, escolher quantas fotos quer fazer (até 9), e fotografar. A câmera salvará apenas a composição final num arquivo único (inclusive raw) e esta é a grande diferença que a Canon encontrou para limitar as linhas 5D e 6D. Na Mark III, todos os arquivos serão gravados: fotos originais e composição final. Mas na 6D apenas a composição final será salva, jogando fora as fotos originais. Na minha opinião isso limita bastante o uso já que você não poderá usar as exposições para outra composição diferente, coisa que, de novo, a Nikon pode fazer no playback . A Canon até deixa usar uma foto de base (você não precisa começar do zero) mas bloqueia o valor de ISO para ser igual entre todos os cliques. Enfim é uma função besta que está ali só para constar, e se quiser mesmo fazer uma composição de múltiplas exposições, aprenda a fazer depois num software de edição.

OPERAÇÃO – HDR

Modo HDR, outro recurso sofisticadíssimo #sqn com apenas três opções de ajuste.

Outra função graças ao DIGIC5+ é o “processo HDR” direto na câmera. O termo “HDR” vem de “high dynamic range” e hoje virou o “processo” de expor diversos valores da mesma imagem (uma mais escura, uma correta, e uma mais clara), para depois usar o “range” (amplitude) do mais escuro ao mais claro, compondo uma imagem próxima da visão humana com todas as fotos juntas. Se por um lado isto é muito útil para dar uma impressão de realismo as fotos, já que nossos olhos conseguem ver muito além de um sensor digital neste aspecto, os resultados ficam essencialmente artificiais já que estamos acostumado com aquele look mais chapado, de alto contraste.

"M 17-55" em f/8 1/125 ISO400, JPEG direto da câmera, super contrastante.

“M 17-55″ em f/8 1/125 ISO400, JPEG direto da câmera, super contrastante.

O que acontece nas digitais é que elas não conseguem registrar direito valores muito diferentes de luz, por exemplo uma cena a sombra na mesma composição que aparece o céu claro. Ou você “estoura” o céu para iluminar a sombra, ou você não captura o que está na sombra para registrar o céu. Então inventaram este papo de fotografar a mesma cena com valores diferentes, unindo o melhor de cada quadro, colocando um nominho bonito, em inglês, hype, “high dynamic range” – HDR. Eu até concordo que este processo pode ajudar em tipo específicos de fotografia, como produtos em estúdio, arquitetura de interiores, e algumas paisagens complicadas.Mas o look já ficou muito batido por causa do uso diário com sujeitos que não exigem o HDR (principalmente seres humanos), então na minha opinião esta função deve ser evitada.

"M 17-55" em f/8 1/125 ISO400, JPEG direto da câmera em modo HDR. Sombras recuperadas, mas notem as distorções nas cores.

“M 17-55″ em f/8 1/125 ISO400, JPEG direto da câmera em modo HDR. Sombras recuperadas, mas notem as distorções nas cores.

De qualquer maneira ela está lá na 6D de novo limitadíssima porque a saída é exclusivamente JPEG. Se o HDR melhorasse o dynamic range nos arquivos raw, até faria sentido usá-lo o tempo todo. Mas JPEG only é só para quem não sabe fazê-lo manualmente via bracketing. Basta colocar a câmera em saída JPEG que o menu “Modo HDR” será iluminado na quarta aba de ajustes, sob “Exposição múltipla”. Então você pode escolher a variação da exposição até +-3 EV (ou Auto), e a câmera fará as três exposições sozinha, como um bracketing automatizado. Ela pode inclusive alinhas as fotos caso você opere a função sem tripé, e, como no exposições múltiplas, somente a composição final será salva no cartão. Minha recomendação? Aprenda a unir “um HDR” depois num software de edição e fotografe fazendo bracketing.

QUALIDADE DE IMAGEM

“Mup” em f/11 1/15 ISO1600 @ 46mm.

“Mup” em f/11 1/15 ISO1600 @ 46mm; exposição múltipla da EOS 6D. Arquivo raw disponível para patrons.

A 6D é a mais recente full frame da família EOS de SLR digitais e continua com o mesmo look excelente que colocou a Canon no topo do mercado desde o boom das DSLR em meados de 2003. São arquivos extremamente suaves em ISO base 100, com detalhes nítidos em pontos de contraste, ciência perfeita de cores privilegiando amarelos e vermelhos, com arquivos excelentes para impressões direto da câmera. A novidade nos últimos anos tem sido a corrida pelo desempenho em altos ISO entre os fabricantes com arquivos limpos, livres de ruídos em pouca luz, coisa que a Canon também tem entregado mas de uma maneira menos óbvia.

“Homem” em f/2.8 1/90 ISO100 @ 70mm; desempenho suave em ISO base.

“Homem” em f/2.8 1/90 ISO100 @ 70mm; desempenho suave em ISO base. Arquivo raw disponível para patrons.

Não, nós não temos a loucura de Sony e Nikon por valores absurdos de ISO como 409.600 que simplesmente não entregam em cores nem em detalhes. A 6D é taxada em “apenas” ISO 25600 (expansível até 102.400), que é mais que o suficiente para compensar a falta de luz em exposições conservadoras com f/8 em ambientes praticamente iluminados por uma vela. O destaque fica para a descrição do ruído quando não há luz, que não aparece em zonas não expostas.

"Viewfinder" em f/2.8 1/30 ISO12800; onde não há luz, não há ruídos.

“Viewfinder” em f/2.8 1/30 ISO12800; onde não há luz, não há ruídos.

Crop 100%, desempenho é impressionante para este valor ISO.

Crop 100%, desempenho é impressionante para este valor ISO.

Enquanto outros sensores conseguem camuflar o ruído em ISO alto aumentando a aparência dos pontos e interpolando a informação de maneira diferente, o sensor da Canon na EOS 6D simplesmente não captura o sinal em primeiro lugar; resultando em pontos realmente pretos quando não há luz. Ou seja, foi embora aquele tom de magenta em ISO alto que destruía as imagens da 5D Mark II a partir de ISO6400 (ISO3200 nas APS-C), ou de qualquer outro sensor concorrente, e ficamos com contraste perfeito em fotos mesmo no escuro.

"CCBB" em f/8 1/350 ISO12800 @ 24mm; nada de sombras magentas em ISOs absurdos.

“CCBB” em f/8 1/350 ISO12800 @ 24mm; nada de sombras magentas em ISOs absurdos. Arquivo raw disponível para patrons.

Nível de ruídos é extremamente bem controlado quando não há luz. O_o

Crop 100%, nível de ruídos é extremamente bem controlado quando não há luz. O_o

São mais informações por pontos da 6D em ISO alto que qualquer outra câmera com a mesma quantidade de pixels. Conseguimos ver contornos em detalhes que as outras máquinas não capturam, cabelos perfeitos em retratos com longa profundidade de campo em luz natural, até janelas na distância em paisagens a noite com lentes f/8 sem tripé. E, claro, com o destaque principal: aonde não tem luz, não tem ruídos. Excelente para qualquer situação.

"Ferrari" em f/11 1/10 ISO1250 @ 70mm; arquivo limpo em ISO1250.

“Ferrari” em f/11 1/10 ISO1250 @ 70mm; arquivo limpo em ISO1250.

Crop 100%, detalhes e contraste são mantidos em pouca luz.

Crop 100%, detalhes e contraste são mantidos em pouca luz.

Mas não vou voltar atrás no problema crônico das Canon EOS com dynamic range limitadíssimo em comparação aos sensores fabricados pela Sony. Ou você acerta em cheio a exposição, ou esqueça os ajustes via software. O banding, que já foi discutido num vídeo específico no vlog do zack, continua acontecendo em qualquer ajuste via Adobe Camera Raw além +3 ev. de exposição, e se você depende de fotos com grande diferença entre luzes e sombras num único click, esta máquina ainda não é para você. Não é a toa que a Canon enfiou diversos modos HDR embutidos nos menus, desde simples exposições sobrepostas diretas da câmera até um modo “noite” que faz quatro exposições seguidas usando apenas as partes limpas de cada uma.

“Ponte” em f/2.8 1/750 ISO100 @ 65mm; exposição relativamente simples, mas complicada.

“Ponte” em f/2.8 1/750 ISO100 @ 65mm; exposição relativamente simples, mas complicada. Arquivo raw disponível para patrons.

Crop 100%, sinais de banding e ruídos em sombras puxadas via software.

Crop 100%, sinais de banding e ruídos em sombras puxadas via software.

Enfim outro detalhe que notei nos últimos dias com a EOS 6D é que o fotômetro de 63 zonas, dual layer (semelhante a 5D Mark III) não é lá tão simpático com objetos escuros. No modo “Evaluative” (colchetes com ponto no meio), que é associado ao ponto de foco, a câmera joga a exposição lá pra cima para compensar os tons pretos. Ou seja, qualquer linha menos luminosa no quadro e ela era a exposição, estourando as luzes para compensar. Em um caso específico na Pinacoteca do Estado de São Paulo, eu tive de compensar em -2 ev (!) uma composição simples com uma daquelas passarelas pretas que cruzam os prédios, para não estourar a exposição no modo Aperture Priority.

Exposição completamente errada por causa de objetos escuros na cena. O_o

Exposição completamente errada por causa de objetos escuros na cena. O_o

VEREDICTO

Para 99% dos outros trabalhos, bom senso do fotógrafo, e exposições corretas, a 6D é uma das melhores máquinas digitais no mercado hoje e que, ainda bem, orgulhosamente faz parte da linha Canon EOS. São 58 objetivas EF entre zoom, prime, grande angular e super telephoto, para capturar virtualmente qualquer imagem do planeta num corpo facílimo de usar, repleto de recursos, por menos de US$2000. Levou quase dois anos do lançamento deste modelo até o kit do vlog do zack, e só não falo que me arrependo de tanto tempo porque a 5D Mark II era tão boa quanto. Então voltamos aquele argumento. De “low cost” a 6D não tem nada. Ela é a sucessora espiritual da linha 5D. E esta é uma das linhas mais competentes do mercado. Boas fotos!