Canon EF 50mm f/1.2L USM

A top 50mm da Canon

Tempo estimado de leitura: 06 minutos e meio.

Novembro/2014 – A 50mm f/1.2L USM é a “prima rica” das primes full frame padrão de grande abertura Canon. Enquanto a 50mm f/1.4 USM faz parte da linha intermediária com construção medíocre e a 50mm f/1.8 II é a objetiva de entrada com operação tosca, a f/1.2L é a top com motor ring USM e corpo com weather sealing; motivos para ser a favorita entre os profissionais. Mas como ela está sozinha no mercado, única f/1.2 AF, é de estilo tipicamente Canon que esteja parada no tempo. Opticamente devo admitir: esta é uma objetiva cara que francamente deveria entregar algo mais. Enfim ela chegou no vlog do zack por causa da construção e foco silencioso, e é a minha 50mm mais usada. Será que poderá ser a sua também? Vamos descobrir. Boa leitura! (english)

CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Canon EF 50mm f/1.2L USM

Em 590g de 8 elementos em 6 grupos, a f/1.2L USM é a 50mm mais robusta que já usei na vida. Ela é enorme e pesada para a especificação, e isto ajuda a impressão de solidez. Também é mais grossa do que comprida, equilibrando bem o centro de gravidade próximo da câmera para um conjunto firme nas mãos, sem puxar para frente ou para trás como outras concorrentes ainda maiores. A Sigma 50mm f/1.4 DG HSM, por exemplo, com seu projeto oversized puxa até a gigante D800E para a frente, enquanto a Canon f/1.2L mantém um grip preciso nas EOS Canon full frame.

Canon EF 50mm f/1.2L USM

O design é simples com um tubo interno que desliza sem expandir o tubo externo, colaborando ainda mais para a durabilidade mecânica do projeto. Fica difícil pensar como este sistema desalinharia mesmo sob impactos do dia a dia. Do lado de fora os únicos controles estão na chave AF/MF do motor USM e o anel de foco manual, que suporta o full time manual para correções a qualquer momento. E a janela de distância mostra uma escala em pés e em metros do elemento interno de foco, com marcações hiperfocais de f/8 até f/16 (abertura mínima). É um projeto classicão da Canon entre as escolas da 35mm f/1.4L USM, que veio antes e tem partes de metal, e a 24mm f/1.4L II USM, que veio depois e é toda de plástico como esta 50mm f/1.2L USM.

Canon EF 50mm f/1.2L USM

Do lado de dentro o motor ultrasonic é o destaque do modelo com focagem silenciosa e rápida, novidades que a f/1.2 trouxe para substituir a exótica 50mm f/1L USM anterior. Aquela era uma lente fly-by-wire como a 85mm f/1.2L II USM atual, com foco super devagar devido a precisão de tanta abertura, e incapaz de satisfazer jornalistas e esportes. Nesta geração de 50mm o AF é esperto e preciso principalmente com o ponto central de qualquer Canon EOS. Praticamente em todos os meus clicks com a 5D Mark II o foco foi exato, invariável, confiável, mesmo na rua para fotos espontâneas. E ele é super quieto, na minha opinião das USM mais quietas da linha EF.

Canon EF 50mm f/1.2L USM

Enfim na frente a Canon recomenda filtros de ø72mm para completar o weather sealing, já que há um espaço entre os tubos interno e externo. E atrás há a borracha ao redor do mount de metal para selar o equipamento do lado da câmera. Não encontrei informações de vedação no anel, janela e switch AF/MF, mas é de se esperar que estejam lá. É das lentes mais gostosas de usar por causa destas características mecânicas, e o grande motivo dela estar na série L. De projeto óptico, como veremos a seguir, ela é especial sim; mas pelo preço deveria entregar mais.

QUALIDADE DE IMAGEM

“Reflexos2” em f/5.6 1/60 ISO100.

“Reflexos2” em f/5.6 1/60 ISO100.

Com a fórmula óptica baseada num simples projeto duplo-Gauss e um elemento asférico de alta precisão (por causa do tamanho), não é de se estranhar que a 50mm f/1.2L USM tenha virtualmente o mesmo desempenho bruto que as outras 50mm intermediárias. A própria EF 50mm f/1.4 USM usa o mesmo projeto, com excessão do elemento asférico; e a Nikkor AF-S 50mm f/1.4G também compartilha da mesma lógica; todas duplo-Gauss com focagem interna. Ficaram de fora na versão L as tecnologias Canon como coating Super Spectra (para aumentar o contraste) e vidros ED (ou até fluorite) para maior clareza, ideias que outras fabricantes já começaram a entregar.

“Anhalten” em f/4.5 1/90 ISO400.

“Anhalten” em f/4.5 1/90 ISO400.

Não que a 50mm f/1.2L USM seja ruim, bem longe disto. Em aberturas próximas da máxima como f/1.8 e f/2, a resolução é impecável no quadro todo e não vemos problemas com vazamento de luz ou falta de nitidez. O contraste funciona depois dos arquivos prontos editados e as cores são excelentes, visualmente um passo a frente das versões f/1.4 e f/1.8 que são pobres. E subindo até f/8 vemos arquivos perfeitos em qualquer sensor full frame da Canon.

“PED//bike” em f/2.8 1/350 ISO50; de longe dá para ver na grade do chão o CA axial.

“PED//bike” em f/2.8 1/350 ISO50; de longe dá para ver na grade do chão o CA axial.

Crop 100%, contornos verdes no desfoque do segundo plano.

Crop 100%, contornos verdes no desfoque do segundo plano.

“Kaporal” em f/2.8 1/4000 ISO800.

“Kaporal” em f/2.8 1/4000 ISO800.

Crop 100%, detalhes e contraste perfeitos.

Crop 100%, detalhes e contraste perfeitos.

“Dufour” em f/2.8 1/750 ISO800, distância clássica para fotografia de rua.

“Dufour” em f/2.8 1/750 ISO800, distância clássica para fotografia de rua.

“Travessia” em f/8 1/45 ISO100, composições dinâmicas numa objetiva standard.

“Travessia” em f/8 1/45 ISO100, composições dinâmicas numa objetiva standard.

Em abertura máxima a profundidade de campo beira alguns milímetros em distâncias modestas de trabalho, para o efeito do desfoque no primeiro e segundo plano, que é o principal recurso a ser explorado por quem compra uma lente destas. O foco fica só no olho do seu sujeito enquanto o restante do rosto desaparece, revelando fotos íntimas, detalhes mínimos, muito interessantes para esconder defeitos na pele, facilitando o trabalho de pós produção ou diferenciando a imagem em alguns clicks do portfolio. Ao lado da 85mm f/1.2L II USM, são arquivos exclusivos, difíceis de reproduzir com outras objetivas, já que o f/1.4 produz o desfoque e a profundidade de campo diferentes.

“Taças” em f/1.2 1/60 ISO400; abertura máxima usada meramente para efeitos especiais.

“Taças” em f/1.2 1/60 ISO400; abertura máxima usada meramente para efeitos especiais.

Crop 100%, difícil dizer onde está o ponto focal, profundidade de campo é curtíssima.

Crop 100%, difícil dizer onde está o ponto focal, profundidade de campo é curtíssima.

“Puppet” em f/1.8 1/180 ISO800; DoF curta isola o sujeito do fundo.

“Puppet” em f/1.8 1/180 ISO800; DoF curta isola o sujeito do fundo.

“Pombas” em f/2 1/3000 ISO200, mas dependendo das distâncias, efeito não fica tão pronunciado.

“Pombas” em f/2 1/3000 ISO200, mas dependendo das distâncias, efeito não fica tão pronunciado.

Crop 100%, tanta luz e obturadores rápidos podem congelar os sujeitos.

Crop 100%, tanta luz e obturadores rápidos podem congelar os sujeitos.

“Alça” em f/2 1/180 ISO800.

“Alça” em f/2 1/180 ISO800.

Distorções como aberrações cromáticas laterais e de eixo também são excepcionalmente bem controladas.O segundo plano precisa de muito contraste para gerar bolhas de luz coloridas em pontos de luz, e o desempenho é superior a 85mm f/1.2L II USM, já que os elementos de vidro são menores, mais fáceis de produzir. Mas há mudança de cores durante o dia, em elementos preto e branco. Já a geometria é perfeita em todo o range de foco e objetos retangulares não ganham formas bizarras, diferente das zoom. E até a vinheta é modesta em qualquer abertura, sendo mais fácil de reproduzir via software do que de conseguir diretamente na lente.

“Sr.” em f/3.5 1/45 ISO100, geometria intacta de paredes e linhas arquitetônicas.

“Sr.” em f/3.5 1/45 ISO100, geometria intacta de paredes e linhas arquitetônicas.

Crop 100%, detalhes em texturas.

Crop 100%, detalhes em texturas.

“SPA” em f/5.6 1/125 ISO100, weather sealing é exigência para fotografar nas ruas de Hong Kong.

“SPA” em f/5.6 1/125 ISO100, weather sealing é exigência para fotografar nas ruas de Hong Kong.

Crop 100%, nitidez excelente em letras de painéis.

Crop 100%, nitidez excelente em letras de painéis.

“Bank of China” em f/6.7 1/250 ISO400, outro exemplo do valor do weather sealing.

“Bank of China” em f/6.7 1/250 ISO400, outro exemplo do valor do weather sealing.

Crop 100%, resolução alta para quem está do outro lado da rua.

Crop 100%, resolução alta para quem está do outro lado da rua.

Devo assumir que meu acervo de imagens com esta lente não explora de fato os limites da abertura máxima. São fotografias de rua com f/2.8 para cima, e nestas situações a operação de foco rápido, weather sealing para enfrentar as chuvas de Hong Kong, e o desfoque excelente mesmo fora da abertura máxima valeram bem mais como recursos do que firúlas ópticas. Mas considerando os resultados depois de impressos em ampliações gigantes, a EF 50mm f/1.2L USM realmente mostra porque ainda está no meu kit: as fotos são fantásticas, suaves, precisas.

“Reflexos” em f/6.7 1/250 ISO400, diversos sujeitos viram exemplo de desempenho óptico na rua.

“Reflexos” em f/6.7 1/250 ISO400, diversos sujeitos viram exemplo de desempenho óptico na rua.

Crop 100%, detalhe do canto inferior esquerdo, perfeito.

Crop 100%, detalhe do canto inferior esquerdo, perfeito.

“8888” em f/2 1/125 ISO100, parece no meio do dia, mas esta foto em f/2 é no começo da noite.

“8888” em f/2 1/125 ISO100, parece no meio do dia, mas esta foto em f/2 é no começo da noite.

“PEDXING” em f/4 1/45 ISO320, mesmo fora da abertura máxima é fácil isolar o sujeito.

“PEDXING” em f/4 1/45 ISO320, mesmo fora da abertura máxima é fácil isolar o sujeito.

Crop 100%, detalhes finos em fios de cabelo…

Crop 100%, detalhes finos em fios de cabelo…

VEREDICTO

A 50mm f/1.2L USM faz parte de uma linha profissional da Canon, e acredito que os recursos de construção e resultados fotográficos serão aproveitados só por quem trabalha diariamente com o equipamento. A operação é muito mais confiável que as outras 50mm EF (a única com weather sealing), o motor ring-type USM é quieto e rápido, e opticamente ela às vezes entrega vantagem nos arquivos com baixa profundidade de campo e desfoque suave. Mas o preço infelizmente é para poucos e depende de cada fotógrafo a decisão de optar por uma objetiva que fará todos os trabalhos muito bem; ou se é melhor guardar o dinheiro no bolso e aturar a operação as irmãs mais simples. De qualquer maneira, quem exige do equipamento já tem a resposta: vá de série L!