Panasonic Lumix G Vario 14-45mm f/3.5-5.6 ASPH MEGA O.I.S.

Prova de conceito

Escrito por Marcello Castilho. Ofereço serviços fotográficos em instagram.com/marcellomirandafoto. E anuncie nesta página, veja nosso mídia kit.

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Junho/2019 – A Lumix G 14-45mm f/3.5-5.6 ASPH MEGA O.I.S. é uma de duas primeiras objetivas do formato Micro Four Thirds (MFT) lançadas pela Panasonic em setembro de 2008. Apresentadas logo após o anúncio deste novo sistema baseado em câmeras sem espelho (“mirrorless”), as duas objetivas “14-45mm” e “45-200mm” “Vario G” ofereciam a equivalência dos 28mm aos 400mm (!) do formato 135 (“full frame”) num kit básico; como verdadeiras “provas de conceito” destas novas máquinas 100% eletrônicas. Elas tinham de mostrar: que o MFT era uma alternativa a flexibilidade esperada das câmeras com troca de objetiva, agora num formato menor; que o MFT teria de fato vantagens físicas (tamanho e peso) e operacionais (ergonomia, AF), sem perder a performance das câmeras maiores; e que o MFT entregaria “qualidade de imagem” competitiva, afinal ele tem um sensor relativamente pequeno. Com funções avançadas de foco automático (motor “stepping”); estabilizador de imagem; e fórmula com lentes asféricas, a 14-45mm era a primeira candidata a entregar o sonho das câmeras ultra-portáteis. Será que deu certo? Vamos descobrir! (english)

CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Panasonic Lumix G Vario 14-45mm f/3.5-5.6 ASPH MEGA O.I.S.

Em 60 x 52mm de 195g de principalmente plásticos, a primeira coisa que notamos na Panasonic Vario G 14-45mm de fato é o tamanho; na época a menor zoom com equivalência aos 28-90mm do formato 135 “full frame”, muito menor que as alternativas “18-55mm” usadas pelas câmeras APS-C. A lógica do MFT é simples: um formato quase 35% menor em área do sensor e sem a exigência do espelho físico na câmera, as objetivas são invariavelmente menores e mais leves; embora opticamente tão capazes. Enquanto hoje diversas marcas já tenham algo parecido em tamanho e portabilidade (inclusive em formatos tradicionais como o APS-C das Sony E-Mount, Canon EF-M e Fujifilm X), na época esta Panasonic era uma revolução; como algo tão pequeno poderia ser tão bom? A resposta está na miniaturização das peças, virtualmente idênticas as objetivas tradicionais, apenas num pacote menor. A fabricante também aproveitou a rigidez estrutural dos tubos de menor diâmetro, resistentes, sem desalinhamentos; um novo paradigma no mercado “de entrada”.

Panasonic Lumix G Vario 14-45mm f/3.5-5.6 ASPH MEGA O.I.S.

Nas mãos a operação da 14-45mm também é virtualmente idêntica a qualquer “zoom de kit” das câmeras maiores, apenas menor e mais fácil de usar. Aqui demonstrada com a DMC-GF3, uma típica câmera da linha “de entrada” da Panasonic (sem visor eletrônico a altura dos olhos), por três anos este foi o menor conjunto “zoom 28-90mm” do mercado fotográfico (na verdade, com a DMC-GF1), posto perdido somente após o anúncio da linha Pentax “Q” em 2012 (que usa um sensor de 1/2.3”, ainda muito menor). A operação do zoom da 14-45 G é confortável num anel tátil e emborrachado com cerca de 2.2cm, também muito suave mesmo na minha cópia comprada usada em 2013. Apesar do tubo interno expandir até 3.7cm dos 14mm aos 45mm num giro com cerca de 80º, nada balançar no lugar, graças a estrutura rígida de policarbonato e, como esperado, não há desalinhamento nem vibrações nas peças. Portanto esta seria a base de todas as mirrorless no futuro: objetivas menores e fáceis de usar, mas duráveis para operação do dia-a-dia.

Panasonic Lumix G Vario 14-45mm f/3.5-5.6 ASPH MEGA O.I.S.

Na frente o anel de foco manual indica a primeira tecnologia do lado de dentro, que é o motor “stepping” da operação do foco automático. Como não há espaço para motores magnéticos do tipo “ring”, e nem há exigência de torque alto para movimento de peças de vidro grandes, estes primeiros motores com rodas dentadas miniaturizadas eram suficientes para operar o foco com agilidade e precisão, além da boa velocidade (cerca de 0.2s sob bastante luz); tudo sem vibrações e em total silêncio. Aqui testada com a DMC-GF3 com focagem por contraste a precisão é muito alta, embora limitada ao disparo único; não testei com câmeras dotadas de focagem phase preditiva. E em razão deste motor, outro cortes tiveram de ser feitos: como não há conexão do anel de foco manual com o grupo de focagem, a operação do foco é 100% eletrônica, imprecisa e lenta; ruim para alguns trabalhos de maior precisão. Por exemplo sem janela de distância física na objetiva, fica difícil recomendá-la para os interessados nas gravações de vídeo, como nas câmeras GH4/GH5. E para fotografia de rua o foco manual é lento demais. Então fica o alerta: apesar de flexível e fácil de usar, esta 14-45G é feita para uso preferencialmente com foco automático.

Panasonic Lumix G Vario 14-45mm f/3.5-5.6 ASPH MEGA O.I.S.

Também do lado de dentro a Panasonic incluiu um recurso bem-vindo para ambos mercados, de vídeo e de fotografia intermediária: o estabilizador embutido de imagem, na fórmula da objetiva. Antes um luxo dedicado ao mercado profissional, o sistema “MEGA O.I.S” pega o legado da Panasonic para com o mercado de vídeo e entrega 2-stops de compensação no tempo de exposição; tudo de forma suave e silenciosa. A operação é simples: um botão físico permite o acesso rápido e maneira tátil, interessante quanto precisamos desligá-lo (longuíssimas exposições; trabalho com o tripé); ou ligá-la (fotografia sob pouca luz e com a câmera nas mãos), e tudo parece funcionar como deveria. Sob pouca luz é possível “segurarmos” a câmera até 1/6s em 14mm, ou 1/20s em 45mm, útil para compensarmos a abertura modesta da fórmula variável; f/3.5 em 14-17mm; f/4 em 18-24mm; f/4.9 em 25-34mm; f/5.5 em 35-44mm; e f/5.6 em 45mm. E durante as gravações de vídeo ele é quase obrigatório: silencioso, sem travadinhas e com suporte a movimentos de panning suave; o melhor motivo de tê-la no kit para quem filma no MFT.

Panasonic Lumix G Vario 14-45mm f/3.5-5.6 ASPH MEGA O.I.S.

Enfim na frente a Lumix 14-45mm é uma verdadeira objetiva zoom de kit. Aceita filtros modestos de ø52mm num trilho plástico dedicado, que vai dentro do trilho secundário de parasol H-FS014045; este em formato de pétala e com mais 4.5cm na frente da objetiva. Graças ao motor de foco interno os filtros não giram do lado de fora, permitindo o uso de polarizadores e ND graduados. Atrás o acabamento em metal na baioneta de montagem garante a operação suave e rápida, e do lado de dentro podemos ver os últimos grupos ópticos em movimento “float”, separado dos outros, na operação do zoom (o que indica uma fórmula optimizada para cada distância focal). E enquanto nada seja declarado sobre resistência a poeiras e respingos, ainda não vi nenhum deles do lado de dentro da minha objetiva. No geral o que toda lente do formato MFT entrega é o prazer de usar: pequenas, leves, acessíveis; com a mesma operação das peças maiores dos outros formatos.

QUALIDADE DE IMAGEM

“Esquina” em f/5 1/100 ISO160 @ 14mm, com correção de geometria; todas as fotos com a DMC-GF3.

“Esquina” em f/5 1/100 ISO160 @ 14mm, com correção de geometria; todas as fotos com a DMC-GF3.

Com uma fórmula óptica de 12 elementos em 9 grupos, 1 peça asférica para resolução nas bordas, abertura circular de 7 lâminas e tratamentos químicos anti-reflexo em todos os vidros, a performance óptica da Panasonic 14-45mm G é muito boa; uma das melhores neste segmento. O Micro Four Thirds tem um segredo: sem o legado das câmeras de película, o formato “100% digital” leva em consideração o sensor de imagem plano para objetivas telecêntricas; capazes de manter ordenados os raios de luz até os pixels periféricos do quadro. Portanto a resolução “bruta” visível na maioria das fotos é alta, mesmo em câmeras modestas de 12-16 megapixels. Também este foi o primeiro formato a usar de compensações eletrônicas obrigatórias nos arquivos, para contornar as limitações físicas das baionetas sem espelho; e os arquivos já saem “perfeitos” direto da câmera. Enfim pensando nas dimensões da objetiva e sensor, os resultados agradam; de fato o MFT entrega boa performance nos arquivos, agora no menor pacote possível zoom da linha de entrada.

“Cima” em f/5.6 1/125 ISO160 @ 14mm.

“Cima” em f/5.6 1/125 ISO160 @ 14mm.

Na abertura máxima a resolução da 14-45mm G é exemplar; virtualmente a mesma dos f/stop fechados e em todo o quadro. É resultado do projeto telecêntrico: praticamente todas as objetivas MFT usam de elementos asféricos para garantir detalhes visíveis até o perímetro do quadro, e há pouco impacto na resolução associada a abertura. Então mesmo sob pouca luz e em f/3.5-5.6, é possível registrarmos texturas, paisagens, detalhes finos de fotografia de rua, folhagem em árvores e retratos fiéis mesmo na câmera portátil, até hoje muito mais agradáveis que os smartphones (que nem existiam na época do lançamento do MFT). Outro destaque vai para o projeto zoom com boa performance do grande angular até o telephoto, característica emprestada por outras zoom modernas do mercado “mirrorless”, e há pouco tempo repetida nas DSLR). Portanto fica fácil recomendar a 14-45mm para os mais diversos kits: seja no lugar de um set de objetivas prime, ou como única peça na mochila, há poucos motivos para incentivar um upgrade deste modelo.

“Rua” em f/5.6 1/200 ISO160 @ 34mm.

“Rua” em f/5.6 1/200 ISO160 @ 34mm.

Crop 100%, detalhes de sobra para impressões grandes.

Crop 100%, detalhes de sobra para impressões grandes.

“Perspectiva” em f/5.6 1/400 ISO160 @ 24mm.

“Perspectiva” em f/5.6 1/400 ISO160 @ 24mm.

Crop 100%, nitidez no limite dos 12MP da GF3.

Crop 100%, nitidez no limite dos 12MP da GF3.

“Janelas” em f/5.6 1/320 ISO160 @ 30mm.

“Janelas” em f/5.6 1/320 ISO160 @ 30mm.

Crop 100%, perfeição nos detalhes do kit compacto.

Crop 100%, perfeição nos detalhes do kit compacto.

Fechar a abertura não tem qualquer impacto na qualidade de imagem; aliás, dependendo da resolução da sua câmera, terá impacto negativo em razão da difração. Como o formato MFT é pequeno e o tamanho físico dos pixels do sensor acompanha esta miniaturização, qualquer valor além do f/5.6 já sofrerá com a perda de nitidez. Também outras correções inerentes a geometria do diafragma não são visíveis, como vinheta e aberração cromática lateral, afinal os arquivos inclusive raw recebem compensações eletrônicas obrigatórias na câmera; não poderei opinar sobre defeitos que são corrigidos digitalmente. O que podemos comentar, por outro lado, é sobre a performance do desfoque vindo da abertura circular de 7-lâminas, que é agradável; desde que você trabalhe bem as distâncias de foco. Com o foco mínimo de 30cm e distância focal de 45mm, na abertura f/5.6, é possível desfocarmos o segundo plano com a profundidade de campo curta; bacana para efeitos criativos em retratos ou outros sujeitos pequenos. E enquanto o formato MFT seja o mais limitado para trabalhos com desfoque acentuado, mesmo nesta zoom ele é suave e colorido.

“Flor” em f/5.6 1/30 ISO200 @ 45mm; foco mínimo e desfoque suave.

“Flor” em f/5.6 1/30 ISO200 @ 45mm; foco mínimo e desfoque suave.

“Detalhes” em f/5.6 1/10 ISO160 @ 45mm; profundidade de campo curta.

“Detalhes” em f/5.6 1/10 ISO160 @ 45mm; profundidade de campo curta.

“Lego” em f/5.6 1/40 ISO400 @ 45mm; nitidez no plano focal e desfoque.

“Lego” em f/5.6 1/40 ISO400 @ 45mm; nitidez no plano focal e desfoque.

Por fim as cores da Lumix 14-45mm são agradáveis graças ao tratamento químico das lentes. Tons amarelados nas sombras em dias de sol são fielmente reproduzidos em fotografias de paisagem, junto de verdes e rosa “reais”, sem a aparência eletrônica que vemos em algumas fabricantes. Os retratos também são interessantes com mistura de laranjas e azuis para tons de pele mais escuros e, de novo, “reais”, não tão suaves quanto Canon/Nikon que geram tons puxados para o rosa. A conversão preto e branco também agrada graças ao contraste firme dos vidros tratados, quase livres de reflexos internos, e mesmo contra a luz ou com luz paralela o quadro parece “limpo”; vindo de vidros de alta qualidade. Apesar de efeitos criativos não serem possível com a abertura circular de 7-lâminas, a aparência dos arquivos agrada. Considerando ainda a paridade de cores do formato raw da Panasonic, a degradê de tons puros é ainda mais bonito. Quase lembra um médio formato digital de 16-bit, mas aqui num formato minúsculo, muito bonito de ver.

“Teatro” em f/5.6 1/125 ISO200 @ 14mm; cores agradáveis durante o dia.

“Teatro” em f/5.6 1/125 ISO200 @ 14mm; cores agradáveis durante o dia.

“Barco” em f/5 1/500 ISO160 @ 17m; tratamento químico evita reflexos internos.

“Barco” em f/5 1/500 ISO160 @ 17m; tratamento químico evita reflexos internos.

“Boneca” em f/4.5 1/100 ISO160 @ 14mm; alto contraste no dia-a-dia.

“Boneca” em f/4.5 1/100 ISO160 @ 14mm; alto contraste no dia-a-dia.

“Casa” em f/5 1/25 ISO160 @ 14mm; grande angular com linhas retas.

“Casa” em f/5 1/25 ISO160 @ 14mm; grande angular com linhas retas.

VEREDICTO

A Panasonic Lumix 14-45mm f/3.5-5.6 G Vario MEGA O.I.S. é a típica “zoom de kit” moderna. Com projeto totalmente assistido por computador e inventada para um sistema 100% eletrônico, sem o passado enraizado na fotografia com película, a performance é suficiente para atender 99% dos trabalhos feitos até hoje; tanto para saídas eletrônicas, como websites e redes sociais, quanto impressões modestas, de acordo com a resolução nativa da sua câmera Micro Four Thirds. Uma “prova de conceito” do formato novato em 2008, a missão foi cumprida: uma objetiva simples de usar, com operação idêntica aos sistemas maiores; funções avançadas de foco e estabilização; e fórmula óptica de ponta; tudo no menor pacote possível e por um preço convidativo ao mercado de entrada. Foi o MFT o responsável pela “revolução sem espelho” há mais de uma década, e então o mercado mudou para sempre. A 14-45G é um exemplo do que o futuro da fotografia digital seria, e continua relevante no kit. Monte-a na sua câmera e saia para fotografar, e boas fotos.