Sony A6500

Complicada e imperfeitinha

Abril/2017 – A A6500 é uma inusitada câmera mirrorless (“sem espelho”) E-mount da Sony. “Inusitada” porque ela chega poucos meses depois do lançamento da A6300, talvez a câmera mais desejada de 2016, e já trás dois novos significativos recursos para a linha Alpha APS-C: o “SteadyShot INSIDE”, que é um estabilizador de 5-eixos, para evitar fotos borradas sob pouca luz e ajudar na gravação de vídeos, quando a câmera é segurada nas mãos; e a tela LCD traseira sensível ao toque, indispensável na era dos smartphones. Uma linha pensada em fotografar ação, a A6500 trás também o front-end LSI (“large scale integration”), que une de maneira eficaz o processador de imagem BIONZ X ao sensor de imagem EXMOR, e permite uma operação mais robusta, com longas sessões de disparo (o buffer está 4X maior) e também de gravação de vídeos 4K. Apesar da A6500 manter o mesmo sistema de foco “4D focus” com 425 pontos phase e algoritmo preditivo, e o mesmo imager de 24MP 6000×4000 com fiação de cobre, de leitura rápida, a A6500 está melhor preparada para trabalhos pesados, coisa que o modelo anterior falhava em entregar. Por US$1398 só o corpo, A6500 é US$400 mais cara que a A6300 de US$998, mas será que vale a pena o investimento nesta Sony, agora que ela encosta no preço de uma Fujifilm top (X-T2); ou de uma DSLR rápida (Canon EOS 7D Mark II)? Vamos descobrir! Boa leitura. (english)

CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Sony A6500

Em 11.8 x 5 x 6.6cm de 453gr com bateria e cartão de memória, a Sony A6500 é praticamente do mesmo tamanho da A6300, apesar de ter ganhado o módulo estabilizador interno, montado ao redor do sensor. Como as full frames A7II (normal, R e S) cresceram em relação as A7 originais, quando ganharam o SteadyShot INSIDE em 2015, eu esperava a mesma lógica na A6300>A6500, mas ela não procedeu. Ambas são feitas ao redor de um bloco de magnésio sólido, muito superior a outras mirrorless por aí (aguardem o review da Canon EOS M5), e a sensação de durabilidade aumentou na nova A6500: a Sony declara ter reforçado ainda mais a base da baioneta E-mount, e declara também ter implementado um obturador mais durável, taxado em pelo menos 200.000 ciclos (quando usada a primeira cortina como obturador eletrônico). Francamente parece que a Sony estava “mirando” numa Canon EOS 7D Mark II ou numa Nikon D500 quando construiu a A6500, e todas estas câmeras estão preparadas para fotografar ação, além das fotos do dia-a-dia.

Sony A6500

Sendo do mesmo tamanho da A6300, nas mãos a experiência da A6500 também é a mesma. Toda a orientação dos controles está para a mão direita, ao redor da empunhadura desenhada no corpo, apesar dela ainda não permitir uma operação “de uma mão só”; faltam mais dials para permitir isso. Assim como na A6000 e na A6300, a A6500 tem o painel de cima “liso”, com discos rentes ao bloco, sem protuberâncias como nas Fujifilm, o que aumenta a durabilidade já que nenhuma peça receberá força num eventual impacto. Enquanto o uso dos “discos rentes” da Sony ainda seja questionável, já que sobra apenas a área “para fora” do corpo para girá-los, pelo menos os “dentes” de atrito foram refeitos no modelo novo, com um padrão “XXX” cortado no metal; as A6000/A6300 tem uma textura vertical “|||” mais escorregadia. Mas o que perdemos em usabilidade nós ganhamos em portabilidade, e nenhuma APS-C é tão compacta, e oferece tantos recursos.

Sony A6500

Do lado direito, o diminuto apoio para a mão é confortável, uma surpresa vindo da Sony. Enquanto nas A7II (todas) o grip direito é pequeno demais para suportar a câmera e as objetivas grandes do formato FE full frame, na A6500 ele é largo e moldado para suportar praticamente todos os dedos, sem folgas: o indicador em cima, perto do disparador que está maior; os dedos médio e anular na frente, ambos totalmente dobrados, com firmeza contra o polegar traseiro; sobrando o dedo mínimo, que apoia o corpo embaixo. O grip é suficiente para suportar as levíssimas objetivas APS-C do E-mount, e bota inveja nas magrelas Fuji X-Pro 2 e X-T2, que tem grips externos como acessórios. Apesar de ainda não ganharmos um disco embutido, diagonal, dentro do grip como na A7II, pelo menos o botão customizável C1 da A6300 foi alocado para cima do corpo, junto de um novo irmão gêmeo C2; como nas A7II. Neles é possível configurar quase qualquer ajuste da câmera, acelerando a operação do foco, troca de qualidade dos arquivos e até envio destes por Wi-Fi.

Sony A6500

Atrás a A6500 continua dominada pela tela traseira de 3” com aspecto 16:9, item que talvez flerte com os limites da nossa paciência, considerando o preço e geração da câmera. Além desta tela ter uma resolução duvidosa para 2017 (são 921K pontos, longe de um “Retina”, e o mesmo da A6000 de US$598, lançada em 2014), o painel é pequeno demais para fotos que usam a proporção 3:2. Então as imagens parecem “fotinhos”, o que prejudica a experiência. E isso deve ser repensado no futuro das A6#00: vendo outros lançamentos da própria Sony, em especial as Cyber-shot RX1R II e RX100 Mark IV/V, um painel de proporção 3:2 é possível se o viewfinder eletrônico for retrátil, em cima, liberando toda a área traseira para uma tela maior. Como a RX100 usa um sensor de 1” e a RX1 usa um full frame, dá para sonhar com uma A6#00 APS-C de design semelhante, uma vez que a Sony já está nos “cobrando” por isso. Eu sei que parece “mimimi” de querer sempre mais novidades, mas entrará na conta da recomendação da câmera que já está na 3ª geração: a A6500 é ainda mais cara, mas entrega o mesmo LCD da A6000/A6300, todas com usabilidade “apertada”.

Sony A6500

Ao lado direito da tela, a Sony continua na A6500 o mesmíssimo layout da A6300, que havia ganhado a “chave” AF/MF – AEL com botão ao meio, emprestada das A7II. Os botões incluem um disco central traseiro, com clicks para quatro direções e um botão central; um botão “Fn”  que ativa um menu rápido, em overlay, sobre qualquer estado da câmera; “playback” e “menu” do mesmo lado dos demais botões (viu, X-Pro 2 e X-T2?), além de lixo (C3) e um flash descentralizado, que fica fechado rente ao corpo. Há ainda um botão de gravação de vídeo (REC) moldado no gatilho traseiro para o dedão, que continua um mistério: ninguém entende como usá-lo e nem por quê a Sony coloca-o ali, onde fica desconfortável. Pelo menos eles parecem ter implementado melhorias na construção da A6500, com botões mais resistentes, mais “pra fora” do corpo e fáceis de apertar.

Sony A6500

Do lado esquerdo a Sony esconde sob uma porta razoavelmente frágil as mesmas conexões da A6300. São eles os plugues HDMI, USB e entrada para microfone, ainda sem uma saída “monitor” para fones de ouvido; imperdoável para uma câmera que se diz híbrida para vídeos. Enquanto a saída HDMI fornece um feed sem compressão 8-bit 4:2:2 (algumas Panasonic já estão nos 10-bit), a USB permite além dos dados do cartão de memória, o carregamento da bateria da câmera; uma mão da roda em tempos de portas USB para todos os lados. Embaixo, a bateria NP-FW50 é a mesma entre todas as A6#00, e rende cerca de 400 fotos com a tela LCD traseira (350 com o viewfinder); ou 105 minutos de vídeo. Ela vai no mesmo gabinete do único slot de cartão de memória SD UHS-I, atrás de numa porta redesenhada, mais robusta que a A6300, apesar de não vermos borrachas de vedação como algumas DSLR. Infelizmente não foi desta vez que vimos um sistema de slots duplos de cartão SD, como nas duas Fujifilm atuais, e nem a implementação da BUS USB3.0, com cartões UHS-II. Espero que seja a última geração a ter esta limitação.

Sony A6500

No geral a A6500 é um refinamento da A6300, que por sua vez era um refinamento da A6000, todas mirrorless APS-C voltadas para fotografar com velocidade; apesar da Sony não deixar isto claro nem na organização dos botões, nem na implementação do 4K na A6300 (ela virou “híbrida”, se perdendo entre favorita no mercado de vídeo). Enquanto os dois modelos são bem construídos e de fato peças a frente do restante do mercado mirrorless, a Sony ousa com um ciclo de lançamento rápido entre produtos razoavelmente incompletos; problema que não temos nas outras fabricantes. Desta forma, a diferença no preço de cada A6#00 terá de se justificar nos recursos, para cada tipo de trabalho, e não somente no apelo de “novidade”. A decisão de compra vem daí: escolher o modelo mais recente e mais “completo”, com a chancela de ser substituído em poucos meses? Ou optar pelo mais sensato para o trabalho? Talvez a Sony justifique nas melhorias de cada geração, e talvez A6500 finalmente entregue a APS-C Alpha definitiva. Talvez.

O DESTAQUE – VELOCIDADE DO NOVO FRONT-END LSI

“Ironman” com a A6500 + E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/1000 ISO800 @ 210mm; 30 arquivos raw sequenciais, menos da metade do buffer.

“Ironman” com a A6500 + E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/1000 ISO800 @ 210mm; 30 arquivos raw sequenciais, menos da metade do buffer.

Enquanto a A6300 já era uma câmera rápida, a A6500 “constrói” em cima desta velocidade com um novo sistema “front-end LSI” (large scale integration), que faz a ponte entre o sensor de imagem EXMOR e o processador BIONZ X, aumentando a velocidade de processamento e diminuindo a temperatura do conjunto. Por causa dele, a A6500 está ainda mais apta a “aguentar o tranco” de processos intensos (disparo contínuo, gravação 4K), tudo sem mudanças no design, por exemplo maior, para dissipar calor. Na prática a experiência é largamente a mesma da A6300, com um ciclo de ligar/desligar entre 2-3 segundos, o que é uma surpresa pela adição do SteadyShot INSIDE: ele atrasava o boot da A7II, comparada a A7 original, mas isso não aconteceu na transição da A6300 para a A6500. Depois de ligada, a A6500 está um pouco mais veloz para ativar menus e disparar o obturador, este que parece estar sempre pronto para a próxima foto, desde que a câmera encontre o foco da objetiva (falaremos sobre o AF mais tarde). Enquanto a A6500 ainda não se compara a experiência de uma DSLR, que fica sempre em “stand-by” sem ativar nada (nem tela LCD, nem sensor), para uma Sony a A6500 está razoável, sem grandes chances em momentos decisivos.

Crop 100%, embora a chance de acerto do foco automático tenha sido baixa (mais sobre ele em seguida), todas as capturas são raw .ARW.

Crop 100%, embora o acerto do foco automático tenha sido baixo (mais sobre ele em seguida), todas as capturas foram em raw .ARW.

Quando ligada e com o foco pronto, o destaque de todas as A6#00 sempre esteve na velocidade de disparo contínuo. Uma experiência antes dedicada as DSLR topo de linha, que chegavam aos 10 quadros por segundo apenas a câmeras voltadas ao mercado profissional, agora a velocidade é padrão em qualquer mirrorless high-end, levando a fotografia de ação para todos. Enquanto a taxa de disparo é a mesma das outras A6000/A6300, com um modo “Hi” de 8 quadros por segundo sem interromper a pre-visualização e com o foco automático, e outro modo “Hi+” de até 11fps ainda com AF mas apenas com a revisão do quadro anterior (que até aumenta a sensação de movimento, na minha opinião), é no buffer muito maior que a A6500 se destaca. São até 107 quadros raw, quase 4X mais que os 22 quadros da A6300; valor comparável apenas ao topo do APS-C da Nikon (D500). Embora o acesso aos menus “trave” até que a câmera termine de escrever no cartão de memória, questionável para 2017, o menu-rápido do botão “Fn” funciona antes do próximo disparo. A BUS do cartão de memória não aumentou, ainda limitado ao UHS-I de até 90MB/s (as Fuji com UHS-II vão até 312MB/s), mas a Sony A6500 é de longe uma das câmeras mais “densas” em buffer e velocidade de disparo já testadas por aqui, ao lado apenas da Nikon D500; fantásticas!

OS DUVIDOSOS 01 – VIEWFINDER E E NOVO LCD TOUCH

Sony A6500 EVF

Depois de ligada e como uma câmera mirrorless, a experiência da A6500 é genuinamente eletrônica. Diferente das DSLR em que você tem um viewfinder óptico através de prismas e espelhos, para uma experiência orgânica, fluída, imediata entre você e o sujeito, nas mirrorless a falta do espelho se traduz num equipamento eletrônico, obrigatoriamente operado por telas (exceto as Leica e Fuji X-Pro). Apesar de você poder ter a experiência do viewfinder nas mirrorless, e você também poder ter a experiência do Live View nas DSLR, não se enganem: os dois estilos são essencialmente diferentes de trabalhar, e uma mirrorless nunca será tão fluída quanto uma câmera com visor óptico de verdade. Na A6500 a Sony repete os mesmos painéis da A6300, com um viewfinder OLED com 2.360.000 pontos e cobertura 100% da imagem, brilhante, nítido e colorido, com opção de taxa de atualização para até 120 quadros por segundo; e um painel LCD traseiro de apertadas 3” em 16:9, com míseros 921.000 pontos que, além de virar 90º para cima ou 45º para baixo, trás uma adição cada vez mais comum: a sensibilidade ao toque dos dedos.

Sony A6500 LCD TOUCH

A experiência com o viewfinder eletrônico (EVF) da A6500 é a mesma da A6300: parte boa, parte ruim. A parte boa é que a Sony não economizou na tecnologia, com um painel OLED de 2.360.000 pontos de 0.39” extremamente denso (imagine todos estes pontos numa telinha menor que a unha do seu dedão), com o alto contraste que já conhecemos no OLED (quem já usou algum celular “Galaxy S#” da Samsung, sabe como é), e as cores super saturadas, na frente de qualquer LCD. Embora a ampliação seja relativamente pequena (1.07x equivalente a 0.7x de uma DSLR, o mesmo que uma APS-C de entrada), longe da imersão que a Fujfilm faz com a X-T2 (ampliação 0.77x), a tela da Sony é muito boa. Há opções de display que mostram tanto coisas básicas como os pontos de foco, orientação da câmera e alertas, quanto coisas sofisticadas como histogramas, peaking (para foco manual) e também ajustes de brilho automático, ativação automática (basta colocar o olho lá e a tela liga), e até de tom. No dia-a-dia, este EVF é a melhor parte da experiência da A6500.

Sony A6500 EVF

Por outro lado, a parte ruim é que a renderização da imagem continua eletrônica, longe de um viewfinder óptico de verdade; e isso pode ser um problema. Por exemplo, o modo de visualização do Live View da Sony ou dá prioridade aos ajustes de exposição (Live View Display: Setting Effect ON), ficando muito escuro ou muito claro entre as exposições (afinal, você tem de ajustar manualmente); ou ele dá prioridade a fotômetro da câmera (Setting Effect OFF), o que pode deixar as sombras apagadas, em cenas muito claras. É bem diferente de um viewfinder óptico “natural”, que mostra a realidade como ela é, sem processamento. Também, a opção de taxa de atualização 120fps reduz pela metade a resolução do preview, que já não é muito bom nem no modo padrão 60fps. Não é difícil vermos artifícios tipo aliasing (linhas serrilhadas) e moiré (cores falsas, piscantes), em detalhes finos, que são uma distração quando deveríamos estar avaliando o foco e a composição da cena. Então apesar de ganharmos regalias nas informações extras, a A6500 continua ainda com uma experiência muito eletrônica, idêntica a A6300 do ano passado.

Sony A6500 EVF MOIRÉ

Já a tela LCD traseira parece inofensiva, e ainda trás uma novidade importante a linha Alpha: ela é sensível ao toque. Mas, de novo, assim como na A6300, o LCD revela a alma mesquinha da Sony: a tecnologia do painel é ultrapassada, com apenas 921.000 pontos num arranjo RGBW (red, green, blue, white, que a Sony chama de White Magic, mais brilhante que o normal), com cores pobres, lavadas, de baixo contraste, num espaço grande demais, que impacta na resolução, impossível de confirmar o foco antes (ou depois) de clicar a foto; péssimo! Ainda, a proporção 16:9 é apertada nas 3” diagonais, transformando em “fotinhos” as imagens do sensor nativo 3:2, incompatíveis com a concorrência (Fuji e Canon tem LCDs 3:2). Pensando na 3ª geração da A6#00 e por US$1398, a tela da A6500 é inaceitável, ainda mais vindo da Sony, expert nestes painéis.

Sony A6500 LCD PIXELS

Mas nada supera os níveis de “tosquisse” que a Sony conseguiu atingir com a implementação da sensibilidade ao toque. Sim, não há palavra melhor: TOSQUISSE. Fazia tempo que eu não usava uma monitor sensível ao toque tão ruim (nem num celular, nem num caixa eletrônico, nem numa máquina de vendas de bilhetes do metrô…), e é cara de pau da Sony implementá-lo em 2017. Primeiro, a única utilidade do toque na tela LCD é para operar o foco automático. Nada de mexer nos menus (Nikon também é culpada na D500), nada de “fluir” o playback na hora de rever as fotos (mudar de quadro, dar zoom com os dois dedos)… NADA! O que estamos acostumados há dez anos no iPhone, com menus “elásticos” e operação fluída, a Sony ignora na A6500. Segundo, mesmo para operar o foco automático, a “resposta” do painel é ruim. Quando não há lag (tempo entre você apertar e a câmera entender o toque) há imprecisão, e impressiona em 2017: diz o ditado que “nada é tão ruim que não possa piorar”, e a Sony seguiu a risca na A6500.

Sony A6500 LCD TOUCH

As funções do foco automático por toque são complicadas. Por exemplo, “de fábrica” a A6500 não vem programada para tocarmos na tela e ela seguir o sujeito escolhido; isto só é possível no modo Lock-On, que por sua vez é travado ao centro e dependente de um botão. Ou seja, nada de escolher um sujeito “na tela” e mudar a composição; a A6500 não “seguirá” a pessoa pelo quadro. Outro problema acontece quando estamos com a câmera “nos olhos”, fotografando pelo EVF, e usando a segunda função do LCD sensível ao toque: o “touch pad” para a seleção de área de foco. A ideia é “emular” um “manche” para mudarmos os pontos de foco (como o direcional do dedão, em câmera maiores), copiando Olympus/Panasonic/ e Canon (na EOS M5) com um “touch pad” virtual, ao alcance do dedão. Mas como o painel demora para aceitar e entender os toques, o atraso na área de seleção é evidente, a função mais atrapalha do que ajuda. No final eu preferi desligar o painel sensível ao toque, indo na contra-mão de uma das principais novidades da A6500.

O DUVIDOSO 02 – FOCO “4D FOCUS”

Sony A6500 EVF

Escolhido o modo que você queira usar a A6500 (pelo viewfinder ou pela tela LCD traseira), na hora de focar a foto outras limitações podem aparecer no modelo. Enquanto no review da A6300 eu tive uma experiência razoavelmente positiva com a objetiva E 16-50mm f/3.5-5.6 PZ OSS, praticamente instantânea para focar e fotografar paisagens estáticas, e com a 55-210mm f/4.5-6.3 OSS, restritamente usada para seguir sujeitos vindo em direção a câmera, foi puxando a A6500 aos limites da baixa profundidade de campo com a E 50mm f/1.8 OSS, fotografando um final de tarde com baixo contraste no telephoto, ou repetindo os testes de foco contínuo, agora com vários sujeitos no quadro, que a A6500 revelou a alma mirrorless pouco confiável, lembrando meus tempos de Cyber-shot F717; quando eu migrei para uma Canon EOS 20D, lá em 2004.

Sony A6500 EVF

O sistema de foco da A6500 é exatamente o mesmo da A6300: são 425 pontos de detecção phase (sensíveis a distância), embutidos em quase toda a área do sensor de imagem, e 169 áreas de detecção de contraste (mais precisas), que teoricamente tornam estas câmeras em recordistas no número de pontos de foco; as Canon e Nikon topo de linha DSLR não passam dos 61 pontos. Mas o problema é que a Sony ainda não conta com pontos phase avançados, sejam do tipo cross-typehigh-precision ou sensíveis a EVs negativos para pouca luz; além de ainda não oferecer nenhum tipo de ajuste sobre o algoritmo de predição (como a Canon faz com o “Locked-on” e “Responsive” no tracking). São cinco modos para escolher basicamente três opções de focagem: “single”, em que a câmera foca uma vez só; contínuo, em que a câmera mede constantemente a distância do sujeito; auto, que seleciona sozinho entre os dois modos anteriores; dinâmico, que permite o uso do foco manual em conjunto do foco automático e; manual, que usa somente o anel da objetiva.

Sony A6500 AF

Créditos: Sony UK.

Ao invés de pontos, nós exclusivamente escolhemos uma área em que a câmera procurará o foco: “wide”, que busca no quadro inteiro o sujeito a ser focado, com opções de detecção de rostos e até o olho do sujeito, apesar de não oferecer informação sobre a prioridade da seleção, seja sobre as cores ou a distância do sujeito (na Canon e na Nikon, estas são as diretrizes principais do algoritmo de foco automático); zona, que limita o espaço de busca do sistema em 60% do quadro, útil para isolar uma pessoa só em esportes; centro, auto-explicativo; “Flexible Spot: M”, com uma área menor que o modo “centro”, e flexível para qualquer lugar do quadro; Expand Flexible Spot”, que usa os pontos adjacentes ao “Spot” para aumentar as chances de focagem; e o “Lock-on AF: Expand Flexible Spot”, em que selecionamos uma área inicial a ser seguida pelo AF, baseada nas cores, e que a câmera seguirá sempre que o botão estiver acionado. E é quando começamos a misturar os dois, função & área de focagem, que as limitações da Sony A6500 começam.

Sony A6500 AF

Por exemplo, vamos partir do básico “single + wide”, em que a câmera se comportará como qualquer smartphone buscando o foco em todo o quadro, uma única vez. Ao tentar fotografar uma simples flor em destaque na frente de uma árvore, A6500 deu prioridade a árvore de maior contraste atrás; apesar da flor ser obviamente de outra cor e estar bem a frente da árvore atrás. Como a A6500 não dá prioridade aos pontos phase, sensíveis a distância, ela confirma o foco em qualquer lugar que já tenha contraste; difícil de prever de fato aonde a câmera focará: no mais próximo, ou no maior contraste? Outro problema aconteceu numa situação ainda mais simples: uma paisagem no final de tarde. Neste caso o recomendado é usar apenas a área central do quadro, para evitar que a câmera foque fora do infinito, porém em montanhas de baixo contraste, tentando capturar uma camada de luz atrás da outra, a A6500 se recusou a focar: os pontos phase e o sistema de contraste são pouco sensíveis, e câmera “buscou” o foco sem travar (nem disparar).

“Pássaro” com a A6500 + E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/400 ISO250 @ 210mm; pássaros entre galhos são difíceis para as “áreas AF” da Sony, grandes demais.

“Pássaro” com a A6500 + E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/400 ISO250 @ 210mm; pássaros são difíceis para as “áreas AF” da Sony, grandes demais.

Em modos mais sofisticados, como os de foco contínuo, mais problemas acontecem. Por exemplo para seguir sujeitos no quadro, usando qualquer um dos modos de seleção do ponto (wide, zone etc), enquanto a A6500 tenha certa facilidade em encontrar e seguir rostos, ela os perde com a mesma facilidade. Como não há um fotômetro “inteligente” assistindo o 4D Focus, tecnologia usada pela Canon e pela Nikon com módulos sensíveis até o infra-vermelho, além da Sony não oferecer qualquer ajuste sobre o algoritmo de predição do foco, a A6500 não se compara as DSLR que “travam” no sujeito a qualquer custo, e não os perde. Também, os modos avançados de trackingLock-On e até de prioridade dos olhos (Eye Focus) são dependentes de botões, e você não pode deixá-los ligado o tempo todo, como nas Fuji até básicas (tipo a X-A2). Não adianta “apertar e esperar que as coisas funcionem”; você deve ativá-las antes. Então embora a Sony esteja experimentando com o foco preditivo, ela entrega só metade do hardware, sem pensar de fato em assistentes que garantam uma experiência elegante e confiável, como as DSLR fazem.

Sony A6500 AF

Note como o algoritmo de focagem perde o rosto do sujeito e muda para o retrovisor da bicicleta.

Quando os planetas se alinham e você tem certeza da situação (e do sujeito) que vai fotografar, aí sim a A6500 (assim como a A6300) pode brilhar. Com objetivas nativas do E-mount, sob bastante contraste e boas condições de luz, a Sony consegue travar o foco quase instantaneamente ao apertar do botão, o que é vastamente superior a maioria dos smartphones atuais, dando outra cara para snapshots do dia-a-dia. Com sujeitos com o rosto claro (sem óculos, capacete, etc), sem intromissão de outros sujeitos (que passem na frente) e em movimento, o “4D Focus” (eixos X, Y e Z, além do tempo) pode competir pau-a-pau com o AF SERVO da Canon, ou o AF-C/3D Tracking da Nikon, para “prever” e fotografar ações simples: pessoas andando na rua, esportistas em cima de bicicletas… A A6500 consegue seguí-los e calcular o próximo ponto de foco em tempo real, para sequências completas em foco, de vários clicks em raw (graças ao buffer robusto); desde que eles estejam claros e ninguém passe na frente. Portanto embora imperfeito e complicado, o “4D Focus” é um avanço na direção certa, mas ainda precisa aumentar a confiabilidade para ser recomendado.

O DUVIDOSO 03 – STEADYSHOT INSIDE

Sony A6500

Outra adição interessante a A6500 é a implementação do módulo de estabilização do sensor; o tal “SteadyShot INSIDE”. A ideia é construir o sensor de imagem sobre uma plataforma móvel, controlada por giroscópios e motores, capazes de compensar os movimentos da câmera (causados pelas mãos do fotógrafo), e garantir capturas nítidas, seja sob pouca luz, com obturares lentos; ou durante a gravação de vídeos, sem o tripé. São 5 eixos de medição, dois plano-bidimensionais (esquerda/direita, cima/baixo), e três roto-tridimensionais (eixos X, Y e Z), apesar da compensação ser exclusivamente bidimensional (“lado e outro”, nada de “girar” o sensor). O  módulo pode ser ativado com qualquer objetiva, inclusive as não-nativas do E-mount, adaptadas, com ajustes de compensação da distância focal, excelente para dar nova cara a aquelas primes antigas em takes feitos com a mão. E com objetivas Sony “OSS” (OpticalSteadyShot), a promessa é de até 5-stops de compensação, com câmera e lentes trabalhando em conjunto. Na prática tudo funciona, mas de maneira tipicamente Sony: sem garantias se vai funcionar mesmo, com bons resultados.

Enquanto durante o modo de foto o estabilizador funcione muito bem, facilmente compensando de fato os 5 stops que a Sony declara com objetivas OSS (E 50mm f/1.8 OSS e E 55-210 f/4.5-6.3 OSS testadas), o maior problema deste módulo é durante a gravação de vídeos; potencialmente afetando os usuários mais interessados nele. Sim, vocês já sabem o que eu vou falar: o SteadyShot INSIDE da Sony sofre com “puladas” sob movimentos de panning e durante a troca de foco, sem entregar de fato uma estabilização suave, confiável, profissional. O mercado de vídeo ainda (ainda!) experimenta com equipamentos destinados a fotografia, culpa da Canon e a introdução do EOS Movie em 2008 (5D Mark II), e não são todas as fabricantes que conseguem entregar o hardware totalmente híbrido, que funciona para vídeo e para fotos (que são coisas bem diferentes). Então não espere ainda o SteadyShot INSIDE da A6500 substituir o seu steadycam ou tripé, e deixe como decisão secundária sobre a compra: o estabilizador é questionável para vídeos.

O “BACANOSO” 04 – VIDEO 4K

Sony A6500

Para os interessados em gravar vídeos, a A6500 continua a agressividade da Sony no mercado fotográfico híbrido, tecnicamente entregando a câmera mais avançada da história, nesta faixa de preço. A resolução vai até 2160P (3840×2160) em 24fps no modo S35mm com leitura completa do sensor 6K, reduzido ao 4K por pixelbinning (incrível!), ou 30fps em modo crop 1:1 (corte de 1.23x). Em 1080P (1920×1080) ela vai até 60fps em modo S35mm, ou 120fps com crop 1.14x; neste caso com velocidade variável de 2, 4, 8, 15, 30, 60 e 120fps; todos gravados até 100mbps (12.5MB/s) em codec X-AVC S, empacotados num .MP4 com áudio Linear-PCM. O processador BIONZ X oferece curvas log de gamma e de cores idênticas as filmadoras profissionais da Sony (aquelas de US$35.000), com S-log3 e S-gammut 2 que preservam até 14 stops de dynamic range; embora questionáveis no codec atual 8-bit. Ainda por cima podemos gravar dois arquivos simultâneos, um 4K e um 1080P, por exemplo para compartilhar em redes sociais (pelo Wi-Fi da câmera), ou com a sua linha de edição, enquanto o 4K original recebe tratamento de cor; além da saída HDMI sem compressão em 8-bit 4:2:2, ativa mesmo durante a gravação interna ao cartão SD. Há pouco o que reclamar dos modos de vídeo da A6500, apesar das limitações, digamos, físicas.

Vamos falar da parte boa. A resolução dos arquivos de vídeo 4K da A6500 são incríveis pelo preço e portabilidade. Aqui testada com a objetiva E 50mm f/1.8 OSS, uma prime de grande abertura e usada geralmente dois, três stops fechada, no pico da resolução, o vídeo da A6500 é o mais detalhado já testado pelo blog do zack. Sim, são mais detalhes que Canon EOS 5D Mark IV, Nikon D500 e Fujifilm X-T2; todas mais caras que a A6500 (e nem me fale da A6300). Mesmo com os perfis padrão desligados, que são agressivos no sharpening artificial do sensor, esta maquininha é incrível para filmar paisagens ricas em texturas de pedras, galhos e folhas; incrível para filmar a pele de modelos, atrizes ou apresentadores (todos devidamente maquiados); incrível para filmar produtos e vê-los em painéis UHD compatíveis. Se a sua exigência é por resolução e nitidez, seja por um pedido do cliente hoje, ou para preparar o portfólio para a resolução de amanhã, não pense duas vezes: estas duas Sony mirrorless (A6300 e A6500) são imbatíveis para resolução.

“Monument Valley” com a A6500 + E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm, Creative Style “Standard” e Picture Profile “Off”; clique para ver maior.

“Monument Valley” com a A6500 + E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm, Creative Style “Standard” e Picture Profile “Off”; clique para ver maior.

“Bryce Point” com a A6500 + E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm, Creative Style “Standard” e Picture Profile “Off”; clique para ver maior.

“Bryce Point” com a A6500 + E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm, Creative Style “Standard” e Picture Profile “Off”; clique para ver maior.

“Casca” com a A6500 + E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm, Creative Style “Standard” e Picture Profile “Off”; clique para ver maior.

“Casca” com a A6500 + E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm, Creative Style “Standard” e Picture Profile “Off”; clique para ver maior.

A parte ruim é que a A6500 ainda não contorna as leis da física (rs…), e os mesmos problemas de superaquecimento e rolling shutter da A6300 não foram resolvidos. A temperatura é esperada para takes muito longos: no manual de instruções a Sony recomenda gravações de no máximo 20 minutos, apesar da A6500 ir até os 29:59. Uma nova função permite deixar a câmera ligada mesmo sob altas temperaturas, “Auto Pwr OFF Temp. High”, mas apesar do novo front-end LSI e da tela LCD com brilho reduzido, a A6500 pode ficar quente demais depois de longas sessões de 4K. Francamente, para gravar neste nível de tempo, compre uma filmadora de verdade. O rolling shutter também é esperado para uma máquina híbrida, e acontece sob muita ação. Ele é levemente reduzido no modo 4K30P, que lê o sensor por crop, num espaço menor que o S35mm do 4K24P, mas continua lá em carros passando na rua, hélices de helicópteros e pannings eufóricos. O SteadyShot INSIDE até ajuda a evitar o “efeito gelatina” das gravações feitas na mão, mas ele não compensa o que está na frente da câmera. Para fotografar ação, escolha outra filmadora.

Sony A6500

Outra parte questionável é na maior novidade da A6500: o tal SteadyShot INSIDE. Enquanto o módulo estabilizador pareça de fato ligado, compensando tremidas grosseiras das mãos, a frequência da compensação não acompanha nem os movimentos, nem a velocidade do obturador; muito menos a resolução do 4K. Os vídeos continuam com uma leve “tremidinha” quando você assiste em telas de alta resolução, inclusive com objetivas OSS que deveriam oferecer 5-stops de compensação. É bem diferente da Canon e as objetivas Image Stabilizer, que ficam absolutamente estáticas em qualquer câmera, inclusive não nativas do EF, e difícil de recomendar como diferencial sobre a A6300. Também, durante movimentos de panning, o estabilizador muda de velocidade quando chegamos nos limites do quadro, sem suavidade, “pulando” de um lado para o outro. De novo, é diferente de sistemas mais recentes e “elegantes”, que parecem quase estabilizados por uma grua. Então este SteadyShot está incompleto comparado ao restante do mercado, e a Sony precisa melhorá-lo para ser levada a sério.

A operação das gravações de vídeo é largamente a mesma da hora de tirar fotos. O controle da exposição pode ser totalmente manual, totalmente automatizado, ou parcial (você escolhe ou a velocidade do obturador Tv, ou a abertura da objetiva Av), e os ajustes são rápidos: basta apertar o REC em qualquer momento, que a câmera começa a filmar. O foco contínuo é a única opção automática (não há foco single), e oferece opções de velocidade de transição (Slow, Normal e Fast) e sensibilidade (Standard ou Responsive), além de usar o toque na tela para escolher a área a ser focada (com a opção “Lock-on AF”); ou deixar a própria câmera seguir rostos (por exemplo para gravar um vlog sozinho). Os pontos de foco phase ficam ativos durante a gravação, e a A6500 raramente “caça” pelo foco correto, pelo menos sob bastante luz e com o sujeito bem claro, apesar de não se decidir entre qual rosto seguir num grupo de pessoas; nem mesmo as que estão mais próximas. Ainda, a tela LCD fica com o brilho reduzido em modo 4K, atrapalhado o uso.

Sony A6500

(OPINIÃO) – O que nos leva a pergunta: dá para trabalhar com uma A6500? Sim, desde que você saiba o que está fazendo. O papo do superaquecimento é até cômico vindo “da internet”: quem trabalha com cinema sabe como “a coisa” funciona (deixe uma ARRI ou RED sob o sol, e veja), e proteger o equipamento do calor é essencial. São sensores gigantes com processadores poderosos, “rodando” num espaço pequeno, e com bateria… A câmera vai esquentar se você usá-la por muito tempo. O importante é que os arquivos de vídeo são muito bons, apesar do SteadyShot pouco útil. A A6500 é interessante para 1) quem está aprendendo ou 2) tenha o orçamento curtíssimo; e precisa do 4K HOJE. A Canon não pretende trazer o 4K para as DSLR APS-C tão cedo, e as outras “mirrorless 4K” são mais caras. As A6300 e A6500 são as melhores opções para quem precisa da resolução hoje, e dá para recomendar se você souber usá-la.

QUALIDADE DE IMAGEM

“Beija-flor” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/400 ISO2000 @ 210mm; todas as fotos com a A6500; arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Beija-flor” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/400 ISO2000 @ 210mm; todas as fotos com a A6500; arquivos raw disponíveis no Patreon.

Repetindo o mesmo sensor EXMOR CMOS de 24MP da A6300, a A6500 tem virtualmente a mesma qualidade de imagem. O chip, que foi uma atualização em relação a A6000 (apesar dos mesmos 24MP), conta com uma fiação de cobre mais fina que o convencional, o que aumenta a área sensível a luz, e aumenta a velocidade de leitura; embora não se compare a tecnologia BSI (back side illuminated) da fullframe A7RII. Para quem fotografa em raw a performance é exatamente a mesma, que liderava o mercado APS-C lá atrás, em meados de 2016; antes da Nikon D500 (superior) chegar no meio do ano. Emboras as duas câmeras não se comparem em resolução (24MP vs. 20MP), filtro low-pass (ausente na D500) e preço (US$1996 na Nikon), a Sony ainda é muito competente na capacidade de renderizar detalhes, no dynamic range em ISOs baixos, e no controle das cores em ISOs altos (sombras ruins só a partir de 12.800); características bem a frente da Canon que usa ainda outra tecnologia (Dual Pixel). O front-end LSI promete também maior poder de processamento para saídas JPEG, embora o BIONZ X ainda pareça agressivo no redutor de ruídos. No geral temos uma APS-C com performance de full frame de alguns anos atrás.

“Galho” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/1.8 1/2500 ISO100; a profundidade de campo curta de uma objetiva de grande abertura, mesmo no APS-C.

“Galho” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/1.8 1/2500 ISO100; a profundidade de campo curta de uma objetiva de grande abertura, mesmo no APS-C.

Sob ISOs baixos, o sensor da A6500 é incrível para gerar arquivos detalhados e com dynamic range de sobra, para ajustes razoáveis. A visualização 100% das fotos de 6000×4000 são “divertidas” na tela do computador, revelando todas as texturas de pedras, areia, objetos; aqui testadas com a prime E 50mm f/1.8 OSS, extremamente nítida. Embora a maioria destes pixels “vá embora” com a as “saídas web” hoje em dia (Facebook, Instagram), é interessante ver como chegamos neste patamar de qualidade, num produto tão acessível. Também é nestes ISOs baixos (até 400) que a A6500 mantém o maior dynamic range do sensor, com ajustes de luzes e sombras em exposições complicadas, sem perda de qualidade. Aqui manipuladas no Adobe Camera Raw, é possível brincar de “HDR” de um click só, compensando 100% dos shadows e blacks, revelando outra exposição em áreas de sombras. Enquanto os ruídos apareçam e as cores vão pro saco em compensações tão grosseiras, é uma e tranquilidade para trabalhar. Em ISOs baixos a A6500 é uma excelente APS-C.

“Monument Valley II” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/7.1 1/400 ISO100.

“Monument Valley II” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/7.1 1/400 ISO100.

Crop 100%, incrível resolução do sensor de 24MP, junto de uma objetiva prime.

Crop 100%, incrível resolução do sensor de 24MP, junto de uma objetiva prime.

“Sedimento” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/7.1 1/320 ISO100.

“Sedimento” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/7.1 1/320 ISO100.

Crop 100%, detalhes finos permitem impressões imensas, de alta qualidade.

Crop 100%, detalhes finos permitem impressões imensas, de alta qualidade.

“Casca II” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/5.6 1/320 ISO100, Shadows +80 e Blacks +80 no Adobe Camera Raw.

Crop 100%, apesar da correção grosseira, as cores se mantém intactas e com poucos ruídos.

“Pessoinha” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/8 1/125 ISO100, Shadows +100 e Blacks +100 no Adobe Camera Raw.

Crop 100%, já em correções extremas, os ruídos coloridos aparecem; mas a performance é muito boa para um APS-C.

Crop 100%, já em correções extremas, os ruídos coloridos aparecem; mas a performance é muito boa para um APS-C.

Aumentar o ISO além de 800 começa a mostrar ruídos artificiais do sensor, parecidos com os grânulos aleatórios das antigas películas, bonitos de ver depois das impressões. Eles são mais visíveis em áreas de sombras, ainda mais se precisarmos recuperá-las no tratamento raw, mas não chegam a destruir uma captura; se ela for reduzida para saída web, por exemplo, nem dá pra ver os pontos. Passar de ISO2000 já começa a flertar com perda de qualidade nas cores e nos detalhes muito finos, apesar de manter uma captura fiel a cena, ainda passível de publicação em qualquer meio. E passar do ISO3200 já beira o limite do praticável para qualidade bruta de imagem: as sombras ganham uma textura grossa, e as cores fogem da realidade, ficando lavadas e pedindo tratamento intenso. Embora nenhuma foto seja realmente impublicável até ISO12.800, quando as sombras ganham tons roxos, estes são valores pouco utilizados; no meu teste de um mês com a A6500, eu não precisei de nada além de ISO3200, usado numa foto inclusive bem sem graça. Para exposições interessantes, trabalhando bem com a luz e a objetiva, a A6500 funciona bem.

“S” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/100 ISO3200 @ 55mm.

“S” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/100 ISO3200 @ 55mm.

Crop 100%, valores altos do ISO são bastante ruidosos, com perda de detalhes apesar das cores razoáveis.

Crop 100%, valores altos do ISO são bastante ruidosos, com perda de detalhes apesar das cores razoáveis.

“Botões” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/400 ISO6400 @ 210mm.

“Botões” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/400 ISO6400 @ 210mm.

Crop 100%, ISO800 mal mostra ruídos em zonas de luz ou sombra, com cores saturadas.

Crop 100%, ISO800 mal mostra ruídos em zonas de luz ou sombra, com cores saturadas.

“Ironman II” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/1000 ISO800 @ 210mm.

“Ironman II” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/6.3 1/1000 ISO800 @ 210mm.

Crop 100%, ISOs altos podem ser usados para garantir alta velocidade do obturador durante o dia, com pouco impacto nos detalhes.

Crop 100%, ISOs altos podem ser usados para garantir alta velocidade do obturador durante o dia, com pouco impacto nos detalhes.

As cores da Sony que são sempre uma incógnita: dá para viver com elas, ou realmente não se comparam com Canon e Nikon (que eu já acho bem ruinzinha)? Depende do gosto do freguês. Para paisagens, a Sony funciona com verdes intensos em matas e folhas, que saem saturados sob a luz do sol. Os azuis variam muito dependendo da cena, indo do claro-piscina ao petróleo no céu saturados, quando na realidade as cores eram bem menos “intensas”, diferentes dos azuis naturais. O amarelo custa a aparecer sem grandes compensações do computador, impactando nos tons de pele de retratos. Então é uma questão de gosto: todas as cores da Sony, para mim, parecem “eletrônicas”, “puxadas” para o neon, faltando de fato um look reconhecível, que domine o quadro todo como a Canon faz com os vermelhos e Fuji faz com o lilás. São nuances difíceis de avaliar, já que o olhar de cada um é… de cada um. Mas para mim, as cores da Sony são eletrônicas.

“Piscina” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/7.1 1/100 ISO100 @ 55mm; azul neon da Sony.

“Piscina” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/7.1 1/100 ISO100 @ 55mm; azul neon da Sony.

“Pôr-do-sol” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/5.6 1/500 ISO100; azul petróleo no céu, bizarro!

“Pôr-do-sol” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/5.6 1/500 ISO100; azul petróleo no céu, bizarro!

“Sombra” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/7.1 1/80 ISO100.

“Sombra” com a E 50mm f/1.8 OSS em f/7.1 1/80 ISO100.

“Flor” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/10 1/400 ISO640 @ 210mm.

“Flor” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/10 1/400 ISO640 @ 210mm.

O BIONZ X da A6500 é responsável pelo processamento JPEG e 4K, com vários perfis para fotos (Creative Style) e vídeos (Picture Profile). E com o novo “front-end LSI”, a Sony promete maior poder de processamento, que melhora a qualidade de imagem. O padrão de fábrica “Standard” é “esperto” com a nitidez acentuada em todos os valores de ISO, que lembra inclusive câmeras sem o filtro low-pass; que não é o caso da A6500. As fotos saem com detalhes “destacados” entre zonas de luz e sombra, semelhantes ao “Sharpening: 50” do pacote de Adobe, que é bem alto. Há opções de “otimização” de sombras e highlights (DRO, dynamic range optimizer), que ajudam em exposições complicadas, especialmente contra a luz, com resultados naturais direto no JPEG. Mas é na agressividade do processamento contra os ruídos, que o modo de saída raw ajuda a manter detalhes sob ISOs altos. A Sony insiste em apagar qualquer sinal de chroma em conjunto com o luma noise, levando embora detalhes de pêlos e texturas, principalmente em retratos. Então é bom desligá-lo na câmera e tratar depois no computador, embora mesmo na opção “OFF” a A6500 aplique uma leve redução. Mas no dia-a-dia os JPEG são bons: o front-end LSI de fato faz diferença.

“SII” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/100 ISO320 @ 55mm.

“SII” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/100 ISO320 @ 55mm.

Crop 100%, o BIONZ X, agora com o front-end LSI, está impecável para gerar JPEGs perfeitos direito da câmera.

“Teletubbies” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/160 ISO160 @ 83mm.

“Teletubbies” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/160 ISO160 @ 83mm.

Crop 100%, enquanto os arquivos raw sejam excelentes para manipular, os JPEG da A6500 mantém bons detalhes e nitidez.

“Camadas” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/200 ISO100 @ 111mm.

“Camadas” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/200 ISO100 @ 111mm.

Crop 100%, note como o BIONZ X “luta” para reduzir os ruídos, que são visíveis apenas no tratamento raw.

“Ferro” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/30 ISO400 @ 55mm.

“Ferro” com a E 55-210mm f/4.5-6.3 OSS em f/8 1/30 ISO400 @ 55mm.

Crop 100%, o perfil padrão é muito bom para manter detalhes nítidos, direto da câmera.

Por fim, para vídeos, o BIONZ X também entrega resultados variados. Se você não mexer nada na câmera e filmar diretamente em Creative Style “Standard” e Picture Profile “Off”, os arquivos de vídeo são extremamente nítidos e vívidos, com contraste razoavelmente baixo porém “fácil” de “estourar” os highlights (clipping) em zonas de muita luz. Pare extrair todo o dynamic range do sensor o melhor é usar um dos Picture Profiles embutidos, com opções PP1 (Movie Gamma), PP2 (Still Gamma), PP3 (ITU709 gamma), PP4 (ITU709 color), PP5 (Cine1 gamma), PP6 (Cine2 gamma), PP7 (S-Log2 gamma), PP8 (S-Log3 gamma e S-Gamut3.Cine color), PP9 (S-Log3 gamma e S-Gamut3 color); estes últimos três somente a partir do ISO800 nativo. Recomendo testar cada perfil antes de gravações importantes (não vá usar um perfil flat sem saber o que de fato ele faz; documentação aqui e aqui), e testá-las com o seu fluxo de trabalho, para os melhores resultados.

“SP” com a E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm f/2 1/30 ISO3200, NR: “Off”, Creative Style “Standard” e Picture Profile “Off”; clique para ver maior.

“SP” com a E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm f/2 1/30 ISO3200, NR: “Off”, Creative Style “Standard” e Picture Profile “Off”; clique para ver maior.

“SPII” com a E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm f/2 1/30 ISO12800, NR: “Off”, Creative Style “Standard” e Picture Profile “PP7”; clique para ver maior.

“SPII” com a E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm f/2 1/30 ISO12800, NR: “Off”, Creative Style “Standard” e Picture Profile “PP7”; clique para ver maior.

“SPIII” com a E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm f/2 1/30 ISO12800, NR: “Off”, Creative Style “Standard” e Picture Profile “PP7”; clique para ver maior.

“SPIII” com a E 50mm f/1.8 OSS em 2160P24 S35mm f/2 1/30 ISO12800, NR: “Off”, Creative Style “Standard” e Picture Profile “PP7”; clique para ver maior.

VEREDICTO

A Sony A6500 é um passo a frente da A6300, que já tentava muito no corpinho mirrorless compacto, e entregava um produto razoavelmente incompleto, pedindo melhorias de todos os lados. Enquanto algumas delas a Sony entregou no modelo novo (construção melhor, tela sensível ao toque, front-end LSI com maior processamento e menos calor), infelizmente eles não resistiram em tentar ainda mais no mesmo espaço; falhando novamente em entregar uma APS-C definitiva. A A6500 continua complicada, longe do alcance dos amadores, e ainda não preenche o mercado “low-cost completão”, confiável, que alguns profissionais poderiam abraçar. Enquanto o disparo rápido é interessante, o foco automático ainda é duvidoso ao exigir contraste demais em cenas estáticas, ou perder o sujeito com facilidade no modo contínuo. O 4K é interessante mas a câmera ainda pode esquentar sob longas sessões de vídeo, e o estabilizador interno não funciona como deveria. E o sensor de imagem é mais do mesmo: líder em detalhes nos 24MP do APS-C e os JPEG internos direto da câmera, mas atrás da Nikon D500. Por US$1398 a A6500 é um upgrade justo a A6300, não tão cara quanto as tops APS-C Fuji X-T2, EOS 7D Mark II ou Nikon D500, e nem deixando a desejar em recursos. A A6500 não é a APS-C definitiva mas, enquanto ela não chega, boas fotos!