Nikon D500

A melhor APS-C do mercado

Agosto/2016 – A D500 (english) é a câmera DX mais rápida já lançada pela Nikon. Chegando para competir pau a pau com outras APS-C recentes pensadas em velocidade (7D Mark II, A6300), com 10 quadros por segundo ela ultrapassa os 7fps da D7200, que antes era a “referência amarga” da marca para o topo de linha DX, que não se comparava de fato as outras DSLR (nem as mirrorless) em taxa de disparo. Pegando emprestados recursos da super D5 (como AF e fotômetro), e a ergonomia da antiga D300S (2009), finalmente nós temos uma DX digna, voltada a ação.

Nikon D500 Canon EOS 7D Mark II

Por apenas US$1996 o corpo você leva uma “baby D5” que inclui ainda funções exclusivas para uma DSLR APS-C. Vídeo 4K 2160P, viewfinder com ampliação 1.0x, buffer para 200 arquivos RAW e suporte aos cartões XQD, tudo para torná-la o benchmark do mercado high speed, low cost. Mas será que vale o investimento na APS-C mais cara da década? Vamos descobrir! Boa leitura.

CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO




Nikon D500

Em 14.7 x 11.5 x 8.1cm de 860g, a D500 é um corpo grande para os padrões APS-C. Muito mais confortável que as mirrorless para trabalhar o dia todo com objetivas grandes, essa é a razão de ser de uma DSLR. Um pouco maior que a D750 e menor que a D810, a D500 pega dicas de construção e design das duas e junta com as linhas suaves da nova D5, notadas principalmente no viewfinder menos “cabeçudo”. Duas placas de metal constroem o bloco em cima e atrás, dando rigidez ao corpo, e o miolo feito de um composto com fibra de carbono vai na frente, mantendo a leveza e as funções sem fio da D750. A D500 é uma nova linha construída do zero, com o melhor que já vimos da Nikon até agora antes de subir na D5, voltada de fato para o mercado profissional.

Nikon D500

A ergonomia é francamente a melhor que já usei na Nikon. Como ela não é grande como a D810 e nem fina como a D750, a D500 tem um grip generoso para a mão direita, alto e fundo, com uma curva protuberante atrás, que engata no dedão. Montada com a AF-S 16-80mm f/2.8E VR, que é oferecida num kit, você percebe nas curvas desenhadas na D500 o “abraço” das mãos, com os controles no lugar certo. Pela primeira vez nós temos um botão ISO ao alcance do indicador direito, atrás do disparador e junto da compensação da exposição. Na D810 o ISO está lá do outro lado, ridículo, e na D750 ele nem existe! Vindo de um kit misto com Canon, a D500 é a primeira Nikon confortável de usar, coisa que eu nunca tinha experimentado nas digitais deles.

Nikon D500

Em cima, a esquerda, nós temos um dial híbrido para seleção de DRIVE e quatro botões de difícil acesso. É ruim usá-los porquê você precisa tirar os olhos do viewfinder, já que não há qualquer tipo de resposta tátil impresso neles. Como não há um disco de seleção de modo, como na D750, você escolhe as opções no botão MODE, como na D8#0/D5/EOS-1D. É péssimo porque exclue também os “bancos” para ajustes rápidos como os U1/U2 na D750, ou C1/2/3 nas Canon EOS 5D/7D, e demora bastante para ir de P>A>S>M. Entendo a lógica da Nikon em “copiar” a D5 com uma peça a menos para quebrar, mas neste caso o anel de DRIVE ao redor continua sendo frágil (ele não é escondido como na D5), perdendo o mesmo apelo. Ou seja, nós perdemos as rodas da D750 e a chave seletora da D800/E (para metering, removida na D810), e não ganhamos nenhuma vantagem estrutural.

Nikon D500

Atrás o destaque vai para a tela de 3.2” que, além de sair do corpo e girar 90º para cima e para baixo, é sensível ao toque; um pedido que a EOS 7D Mark II não atendeu em 2014. E este painel é lindo: são 2.36 milhões de pontos (1024×768) com tons quentes e saturados, que respondem ao toque tão rápido quanto um smartphone. A estrutura traseira é ainda mais robusta que a D750, o que pode deixá-lo um pouco duro para sair do lugar. Mas isso é bom: enquanto na FX eu sofria com um painel que saia sozinho da câmera meramente ao apoiá-la na mesa, a D500 fica bem mais comportada e segura, além das bordas serem bem mais arredondadas. Infelizmente não há sensor de brilho automático nem de proximidade como nas Sony Alpha, mas a experiência é muito boa.

Nikon D500

Na mão esquerda nós temos os controles padrão da Nikon. MENU, lixo, playback, ampliação etc estão todos no lugar de sempre, para operação tranquila de quem vem de outra topo de linha da marca. Mas um bônus muito bem vindo (e estiloso) foi emprestado da D5: ao ligar o backlight da tela LCD em cima, os botões esquerdos são retro-iluminados, uma mão na roda para trabalhar em ambientes escuros. E na mão direita, operada pelo dedão, também está tudo no lugar certo, com outra adição notável: um mini-direcional para selecionar os pontos de foco automático, como temos na Canon. Ele duplica a função do direcional traseiro grande, e ainda ganha um botão programável no centro. Evidente, não ganhou a alavanca rápida para seleção de modo “no dedão” da EOS 7DII, mas é um enorme avanço na Nikon. É um controle que falta na D800 e na D750.

Nikon D500

Ao centro o viewfinder óptico é grande e claro; dentre os melhores já vistos numa APS-C. Além da cobertura 100% do quadro, a ampliação é de 1x; especificação que antes era exclusiva a Canon 7D. O campo de visão é claro e nítido, tão grande quanto uma full frame de entrada, e um salto as APS-C mais baratas. A borracha externa é circular e o buraco para os olhos é grande, como nas tops D5 e D810 (nas D600 e D750 é um quadrado menor), e o vidro do lado de fora é tratado com fluorine, para facilitar a limpeza (ótima ideia!). Um overlay eletrônico liga/desliga os pontos selecionáveis de foco e o grid, funções que está se tornando padrão nas DSLR. E a iluminação automática em vermelho permite ver as informações no escuro, inclusive durante a seleção rápida dos pontos. Uma cortina fecha a entrada de luz para evitar interferência em longas exposições.

Nikon D500

A esquerda todas as conexões estão escondidas atrás de portas de borracha. USB3.0, saída para fones de ouvido, entrada para microfone e HDMI estão ao lado de câmera, e na frente a porta de sincronia do flash e o cabo sync de 10-pinos da Nikon lembram o topo da gama (D5, D800; e não existem na D750). A chave seletora de AF/MF engata o motor interno de foco da D500 nas objetivas AF, também um recurso exclusivo dos corpos maiores. Dois botões Pv e Fn estão ao alcance dos dedos da mão direita, programáveis para diversas funções. Curiosamente a Nikon optou por não incluir um flash integrado na D500, a primeira DSLR sem flash fora da linha D#, e diz a lenda que isto ajuda a manter o viewfinder grande (mas na 7DII ele também é grande e tem flash). Ou seja, os controles sem fio dos Speedlights estão de fora, exigindo a compra de pelo menos uma cabeça SB.

Nikon D500

Dentro do grip da mão direita vão os cartões de memória SD com suporte a UHS-II e XQD, e embaixo vai a bateria EN-EL15. Ambos estão atrás de portas bem construídas e vedadas, apesar da cobertura dos cartões balançar um pouco quando aberta (ela é bem alta). Tudo é bem feito e passa a sensação de qualidade como esperávamos dos US$1996 pedidos pelo corpo, e a D500 é robusta apesar da construção “não profissional” com várias placas (só D8#0 e D# são feitas a partir de um bloco único de magnésio). É um convite ao que a Nikon tem de melhor antes de subirmos na D5, como a Canon sempre fez nas EOS 5D e 7D. Espero que as futuras D7#0 e D8#0 peguem algo emprestado da nova linha D500, como a tela LCD robusta e o manetino para seleção de pontos AF.



DESTAQUE – VELOCIDADE E BUFFER

"Biker" com a AF-S 28-300mm f/4.5-5.6G VR em f/5.6 1/1000 ISO1400 @ 300mm; parece vídeo, mas é uma sequência raw de 37 arquivos.

“Biker” com a AF-S 28-300mm f/4.5-5.6G VR em f/5.6 1/1000 ISO1400 @ 300mm; parece vídeo, mas é uma sequência a 10fps e AF-C raw de 37 arquivos.

Com o novo processador EXPEED5 e um obturador rápido para até 10 quadros por segundo, nem precisamos comentar que a D500 foi feita para registrar ação. Esportes, jornalismo, pássaros em voo, qualquer cena que exija taxa de disparo alta será melhor servida pela D500, do que os 6-7 fps que as outras Nikon oferecem. Também com a inclusão do suporte aos cartões XQD, pela primeira vez fora da linha D4/D5, ou mesmo os SD-UHS II pela primeira numa Nikon, não há gargalos para aproveitar a velocidade. Mas a grande novidade é o tamanho do buffer da D500: com cartões XQD 2.0 de alta velocidade (2933x), são possíveis mais de 200 arquivos raw em sequência; impensáveis para os padrões CF e SD da geração passada (bye bye EOS 7D Mark II). E até com os SD-UHS II impressionam: são 120 arquivos .NEF sem compressão (cerca de 44MB cada) antes dela engasgar, para quase 12 segundos de registro a 10 quadros por segundo. W-O-W! 

DESTAQUE – AF DE 153 PONTOS

Nikon D500

Também emprestado da D5 e com modificações mínimas é o módulo de foco automático Multi-CAM 20K. Com uma cobertura praticamente completa no eixo X, ele também tem o maior número de pontos phase já incluídos numa Nikon DSLR: 153 com 99 cross-type. Infelizmente “apenas” 55 dos pontos podem ser escolhidos, o que por um lado facilita o uso. Mas por outro eu realmente questiono se estes pontos estão lá. A Canon usava “pontos escondidos” nas suas DSLR (lembram da 5D Mark II com 6 pontos não acessíveis?), então é difícil entender a lógica do marketing da Nikon em declará-los. Os pontos adjacentes são ativados em modo AF-C, para auxiliar a câmera a seguir o sujeito. E os modos grupo e 3D tracking são assistidos pelo metering, como toda Nikon.

“M6 Grand Coupé” em f/3.3 1/125 ISO400 @ 38mm; focagem precisa sob pouca luz, até -4EV.

“M6 Grand Coupé” em f/3.3 1/125 ISO400 @ 38mm; focagem precisa sob pouca luz, até -4EV.

Novidade no AF porém é a sensibilidade destes pontos: até -4EV, praticamente a luz da lua na areia da praia. Ou seja, mesmo eu que sou viciado em usar um ponto só (central), percebi a vantagem ao trabalhar em espaços escuros, onde a D500 foca sem problemas no ponto certo. E o AF ainda é associado ao metering de 180K pontos, dando preferência a rostos humanos no modo Auto. Não há muito o que comentar além de “funciona”. NENHUMA foto do review saiu fora de foco.

DESTAQUE – VÍDEO 4K 2160P

Nikon D500

Para quem produz vídeos no sistema F-mount, a D500 também é um prato cheio com a inclusão da resolução 4K; a primeira DSLR APS-C na Nikon a suportar os 3840×2160 (4K UHD), apesar de uma “limitação” curiosamente útil. Enquanto na Sony A6300 a leitura do vídeo 4K é feita em todo o sensor APS-C 6K e reduzida para 4K, na Nikon D500 ela é feita por um crop central no sensor, com um fator de corte enorme em 1.5x. Ou seja, além do “meio x” do formato APS-C, você ainda tem “mais meio x” no modo 4K, transformando a 16-80mm do kit numa 36-180mm equiv. ao full frame, comprometendo o grande angular. Mas francamente, o resultado é útil: nas ruas você não precisa levar uma objetiva enorme para ir da “normalidade” ao médio telephoto, beneficiando quem grava head shots, depoimentos etc. É só quem filma arquitetura de interiores deveria se preocupar em investir numa Sigma 8-16mm DC, que terá a equivalência aos 18-36mm do full frame. Por fim a limitação D5 dos “3min em 4K” não está na D500, que vai até 30min de gravação 4K sem parar.

Nikon D500 4K

A qualidade do vídeo 4K é razoavelmente boa. Rodando a cerca de 120Mbit/s, os detalhes são nítidos entre ISO100-1000, perdendo um pouco da definição apenas a partir de ISO2000 em razão da redução de ruídos do EXPEED5 (que pode ser desligada). Um perfil Flat vem configurado de fábrica e mantém bem os tons de cinza nos highlights, apesar de não ser tão extremo quanto o S-Log2/3 da Sony. Mas, de novo, é melhor que seja assim: pelo menos o ISO é livre (na Sony o S-Log limita o ISO em 800-1600), e as cores são bem mais fáceis de tratar no pós-processamento. Há assistentes de highlights, som e o Power Aperture (muda a abertura suavemente), apesar de ainda não contarmos com o peaking para verificar o foco (nem é possível dar “zoom” na imagem). O foco automático pode ser feito em modo AF-F, que dá preferência a rostos ou o que estiver no quadrado da área, que pode ser orientada pela tela sensível ao toque. O foco é feito por contraste e sofre com o vai-e-volta na gravação, inútil para ação. Então a Nikon não se compara as Canon com DualPixel. 

“Chinatown” em 2160P e perfil Flat, detalhes de sobra no 4K em ISOs baixos; clique para ver maior.

“Chinatown” em 2160P e perfil Flat, detalhes de sobra no 4K em ISOs baixos; clique para ver maior.

“Flores” em 2160P e perfil Flat, cores são propositalmente “mudas” no perfil flat, mas fáceis de colorir no software; clique para maior.

“Flores” em 2160P e perfil Flat, cores são propositalmente “mudas” no perfil flat, mas fáceis de colorir no software; clique para maior.

“Times Square” em 2160P em perfil Flat; embora não tão extremo quando o S-Log, o perfil preserva bem luzes e sombras; clique para ver maior.

“Times Square” em 2160P em perfil Flat; embora não tão extremo quando o S-Log, o perfil preserva bem luzes e sombras; clique para ver maior.

Antes e depois do quadro em perfil Flat e processado no computador.

“Grand Central” em ISO11.400 e “High ISO NR: Low”; compensação grosseira demais apaga os detalhes da imagem; clique para ver maior.

“Grand Central” em ISO11.400 e “High ISO NR: Low”; compensação grosseira demais apaga os detalhes da imagem; clique para ver maior.

“SP” em ISO8000 e “High ISO NR: Off”; sem a compensação os ruídos aparecem, mas não são tão feios; clique para ver maior.

“SP” em ISO8000 e “High ISO NR: Off”; sem a compensação os ruídos aparecem, mas não são tão feios; clique para ver maior.

E em 1080P60 outras regalias estão inclusas. A mais interessante é o “Electronic VR”, que usa parte do sensor APS-C para o vídeo, e o restante para estabilizá-lo eletronicamente; como os smartphones sem estabilização mecânica fazem. Funciona muito bem para objetivas prime sem VR, que agora podem ser usadas nas mãos sem aquela tremedeira irritante de vídeos amadores. A qualidade também é justa como no 4K, sem grandes problemas com moiré ou aliasing, apesar do resultado parecer um pouco “suave” direto da câmera (se necessário, aplique alguma forma de sharpening via software). Ainda um modo 1.3x pode ser usado no lugar do quadro inteiro DX, para fechar ainda mais a composição no sujeito. Porém neste caso vale mais a pena gravar em 4K e usar o crop 1.5x do que ficar no 1080P. Enfim a D500 faz em vídeo tudo o que sempre pedimos das DSLR Canon, e é a primeira câmera com espelho realmente boa para capturar na resolução UHD.

QUESTIONÁVEL – FOTÔMETRO 180K RGB

“Times Square II” em f/3.5 1/400 ISO400 @ 48mm; arquivo JPEG escuro, direto da câmera; e o .NEF processado para recuperar as sombras.

Mais um hardware emprestado da D5 é o novo fotômetro com 180.000 pontos por sensor RGB, um passo a frente dos 91.000 das D750/D810, e que na D500 é assistido pelo EXPEED5 (na D5 um CPU dedicado toma conta do metering). Embora as funções padrão estejam lá como detecção de cena no modo Matrix 3D III e reconhecimento facial, infelizmente achei a medição da D500 “luz-o-fóbica”. A qualquer custo ele evita estourar os highlights da cena, deixando escuros a maioria dos quadros mesmo em exposições simples, o que pode ser uma dor de cabeça para quem fotografa só em JPEG. Não, eu não estava usando o modo “Highlight Weighted”, que propositalmente evita luzes estouradas. É no próprio modo “Matrix” que a D500 erra bastante, exigindo ou 1) um dos modos HDR para preservar as sombras; 2) a fotografia em raw para recuperar os arquivos depois. É uma inconsistência na Nikon que não vejo na Canon: a D750 estourava os quadros com qualquer sujeito escuro, e a D500 escurece-os com qualquer ponto de luz mais claro. Fiquem atentos.

QUESTIONÁVEL – WI-FI E SNAPBRIDGE

Nikon D500

Um dos recursos mais controversos da Nikon D500 está na simples função sem fio por Wi-Fi, Bluetooth e NFC. Embora todo o hardware necessário para a conexão esteja presente na câmera, infelizmente a implementação do software é terrível por uma “tecnologia” que eles estão vendendo como SnapBridge. No lugar de uma conexão por “infra-estrutura” em que a câmera oferece uma rede Wi-Fi e qualquer device pode conectar-se a ela, o SnapBridge usa a tecnologia Bluetooth de baixo consumo para estabelecer a conexão com o aparelho, e só depois o Wi-Fi é usado (e se usado) para aumentar a velocidade. O problema é que o SnapBridge 1) é proprietário, e depende da boa vontade da Nikon em atualizá-lo e deixá-lo vivo (quero ver daqui 10 anos…) e 2) praticamente nenhum smartdevice é compatível com o tal Bluetooth “low energy” (BLE) ainda.

Nikon D500 iPhone 5

Apesar da rede Wi-Fi criada pela câmera, ela não é aparece no smartphone; antes você precisa configurá-lo com o SnapBridge.

Ou seja, no lugar de uma conexão simples e rápida como na D750, que é só entrar na rede da câmera e usar o app WMU da Nikon; ou como as Canon EOS com Wi-Fi e o app Camera Connect, na D500 você precisa de hardware e apps indisponíveis. Por exemplo, quer conectá-la a rede do estúdio e baixar os arquivos para o PC? Ela não faz. Quer usar o seu iPhone ou iPad e deixar na mão do cliente? O app ainda (agosto/2016) não está disponível para iOS. Isso tem enfurecido compradores da D500, que pensavam ter uma câmera com “Wi-Fi embutido” quando na verdade ela é “SnapBridge compatible”. A questão é: são os seus devicesSnapBridge compatible”? 

QUESTIONÁVEL – DURAÇÃO DA BATERIA

Nikon D500

E outra “função” que tem levantado dúvidas na D500 é sobre a duração da bateria, taxada em 1240 pela própria fabricante. Enquanto ela usa o mesmo modelo EN-EL15 da D600, D750 e D800, que conseguem em média 700 fotos, eu não consegui nem 600 com a D500 em uma tarde com fotos e vídeos 4K. Mesmo com o “Airplane Mode” ligado e pouco tempo usando os menus, sem dúvidas a Nikon D500 consome mais bateria do que estou acostumado numa DSLR. Não sei se é a gravação de vídeo 4K, notória por “comer” bateria das mirrorless, ou algum problema no EXPEED5. Mas até a Nikon reconheceu que a D500 consome muita energia e ofereceu a troca das baterias se o modelo da EN-EL15 for antigo (o meu não é e mesmo assim consome). Então é outra coisa para ficar atento: esta não é daquelas câmeras para ir viajar um final de semana sem levar o carregador.



QUALIDADE DE IMAGEM

“Beyond” em f/7.1 1/80 ISO200 @ 44mm; arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Beyond” em f/7.1 1/80 ISO200 @ 44mm; arquivos raw disponíveis no Patreon.

Com um novo imager APS-C CMOS de 20.9MP para arquivos 5568×3712, sem filtro low pass para maior nitidez, a D500 usa a geração mais recente de sensor DX da Nikon e, de novo, provavelmente o melhor. Enquanto eu não farei comparações lado a lado com a D7200 e seus 24MP, e alguns sites tem declarado uma leve vantagem na câmera antiga em consideração a performance, o que mais chama a atenção na D500 DX é como ela se comporta da mesma maneira que uma FX. A ausência do filtro low pass deixa os pontos mais nítidos, coisa que não vi na D750. O dynamic range é perfeito como outras Nikon, sem bolhas coloridas quando “puxamos” os arquivos. E o ruído do ISO é muito bonito, além de não influenciar as cores. Sinceramente, é a melhor APS-C que já vi.

“Pretentious shot” em f/6.3 1/400 ISO100 @ 80mm.

“Pretentious shot” em f/6.3 1/400 ISO100 @ 80mm.

Apesar da resolução menor que os 6000×4000 que estamos acostumados nos APS-C recentes, a falta de filtro low pass dá “outra cara” aos arquivos da D500. Aqui testada exclusivamente com a AF-DX Zoom-Nikkor 16-80mm f/2.8-4E VR, que não compete (mas se aproxima muito) com a performance das primes, a Nikon D500 brilha na fotografia de rua. É nítida (sem trocadilhos!) a vantagem de não ter filtro low pass, com todos os tijolos, placas e fios de cabelo de sujeitos distantes visíveis nos arquivos. É tão notável a diferença que eu fui pesquisar sobre a ausência do OLPF: ao ver os arquivos da D500, percebi a nitidez muito maior que a EOS 7D Mark II, apesar daquela câmera ter sido testada com a top EF 70-200mm f/4L IS USM. E na internet entendi o motivo: a D500 é mais uma Nikon sem o filtro low-pass, e faz diferença em cenas detalhadas.

“Broadway” em f/6.3 1/250 ISO100 @ 28mm; a D500 tem “só” 21MP…

“Broadway” em f/6.3 1/250 ISO100 @ 28mm; a D500 tem “só” 21MP…

Crop 100%, mas a resolução percebida é maior que as outras câmeras, já que ela não tem o filtro low pass.

Crop 100%, mas a resolução percebida é maior que as outras câmeras, já que ela não tem o filtro low pass.

“Chinatown II” em f/6.3 1/640 ISO100 @ 62mm.

“Chinatown II” em f/6.3 1/640 ISO100 @ 62mm.

Crop 100%, os arquivos são tão nítidos que letras nas placas à distância são legíveis.

Crop 100%, os arquivos são tão nítidos que letras nas placas à distância são legíveis.

“Urban” em f/6.3 1/640 ISO100 @ 70mm.

“Urban” em f/6.3 1/640 ISO100 @ 70mm.

Crop 100%, dá pra ver as cortinas amassadas no prédio lá longe.

Crop 100%, dá pra ver as cortinas amassadas no prédio lá longe.

“Urban II” em f/5.6 1/40 ISO1600 @ 27mm; ISO limite para resolução máxima.

“Urban II” em f/5.6 1/40 ISO1600 @ 27mm; ISO limite para resolução máxima.

Crop 100%, mesmo em ISO1600 TODOS os tijolos do prédio são visíveis.

Crop 100%, mesmo em ISO1600 TODOS os tijolos do prédio são visíveis.

O dynamic range do novo sensor também está “na prática” a par dos outros Nikon/Sony, gravando informações de sobra nas sombras e highlights. Digo “na prática” porque há uma variação mínima em relação a D7200, exacerbada pelo site preferido dos desocupados, DxO. Na vida real a D500 está anos luz de qualquer Canon, como não poderia deixar de ser, e faz a mesma coisa não das A6300/X-Pro 2 que vimos recentemente; mas a mesma coisa da D750 FX! Em meros testes na rua, sub-expondo as sombras para dar preferência aos highlights, ou mesmo ao contrário, e os ajustes no Adobe Camera Raw são perfeitos, com apenas a adição de ruídos nas sombras; mas não nas cores. Parece bobo ler num texto e ver nos sliders abaixo, mas não é. Um APS-C com a mesma qualidade de um full frame é a primeira vez que eu vejo, e estou tentado a migrar para o DX.

”Zuccotti” em f/6.3 1/60 ISO100 @ 24mm; luzes e sombras recuperadas no .NEF, mas jogadas fora no JPEG da câmera.

”Times Square III” em f/4 1/1250 ISO800 @ 80mm; o fotômetro é bem agressivo para salvar os highlights, mas o raw recupera as sombras.

”Times Square IV” em f/2.8 1/640 ISO800 @ 16mm; depois do tratamento no raw a imagem fica muito mais natural.

”Bandeira” em f/3.3 1/1600 ISO400 @ 38mm; JPEG praticamente jogado fora, mas o .NEF pode recuperar a foto.

A performance em ISOs altos também é interessante porque não é algo que eu me preocupe tanto no vlog/blog do zack. Vocês sabem que eu defendo os grânulos nas imagens, que ficam incríveis nas impressões; e temos até marcas que incluem-nos nas fotos, como as nova Fuji X-Trans III. Mas na D500 os arquivos são limpos até ISO2000, o que é muito impressionante para o APS-C. Parecia “ontem” quando eu não passava de ISO800 na minha EOS 60D, que ganhava tons de magenta nas sombras; ou quando a 7D Mark II perdeu detalhes num retrato no mesmo valor. Mas a D500 tem pelo menos 1 stop e meio de vantagem sobre a Canon, além do boost eletrônico aparentemente ser só a partir de ISO3200 (“ISO invariance”). Até em valores non-sense como ISO11400 os detalhes continuam intactos, e é só lá no máximo ISO51200 ou no ridículo ISO1640000 extendido que, obviamente, perdemos o registro. Pela 3ª no review, repito, a D500 é a melhor APS-C que já usei.



“NY GIFTS” em f/3.2 1/200 ISO800 @ 31mm.

“NY GIFTS” em f/3.2 1/200 ISO800 @ 31mm.

Crop 100%, ISO800 praticamente não inclui mais ruídos que o próprio CMOS já mostra naturalmente.

Crop 100%, ISO800 praticamente não inclui mais ruídos que o próprio CMOS já mostra naturalmente.

“SUBWAY” em f/3.8 1/100 ISO2800 @ 56mm.

“SUBWAY” em f/3.8 1/100 ISO2800 @ 56mm.

Crop 100%, valores mais generosos além de ISO2000 já mostram uma textura sobre a imagem.

Crop 100%, valores mais generosos além de ISO2000 já mostram uma textura sobre a imagem.

“XING” em f/4 1/125 ISO3600 @ 80mm.

“XING” em f/4 1/125 ISO3600 @ 80mm.

Crop 100%, apesar do valor bem alto, há pouca perda de detalhes; note a costura na bermuda cargo, atrás.

Crop 100%, apesar do valor bem alto, há pouca perda de detalhes; note a costura na bermuda cargo, atrás.

“CHILL” em f/3.8 1/100 ISO7200 @ 55mm; valores mais extremos.

“CHILL” em f/3.8 1/100 ISO7200 @ 55mm; valores mais extremos.

Crop 100%, apesar do valor altíssimo, os contornos e cores continuam intactos.

Crop 100%, apesar do valor altíssimo, os contornos e cores continuam intactos.

“Grand Central II” em f/5.6 1/80 ISO11400 @ 46mm; f/5.6 em ambiente fechado!

“Grand Central II” em f/5.6 1/80 ISO11400 @ 46mm; f/5.6 em ambiente fechado!

Crop 100%, apesar de estarmos além de ISO10000, o APS-C da D500 mantém intactos os contornos das letras. O_o

Crop 100%, apesar de estarmos além de ISO10000, o APS-C da D500 mantém intactos os contornos das letras. O_o

O processamento JPEG direto da Nikon D500 não é dos melhores e minha recomendação é usá-lo com cuidado. Em modo BASIC a compressão 1:16 é muito alta e gera arquivos pobres, com cerca de 3MB em resolução máxima, que não se comparam a mesma qualidade de um gerado pelo pacote da Adobe do mesmo tamanho. O problema nem é na redução de ruídos, que se prova relativamente útil em valores altos, mas na compressão que destrói detalhes e inclui artifícios em zonas de alta frequência. Folhas nas árvores, linhas finas em tijolos e até as texturas da pele, junto do ruído do CMOS, ficam caóticas, além da perda de informações nas sombras em prol das luzes dependendo do “Active D-Lighting”. Se o fluxo de trabalho incluir JPEG, como no fotojornalismo, teste todos os ajustes antes de clicks mais importantes; ou migre para o raw com o buffer gigante.

“CHAMPS” em f/5.6 1/60 ISO400 @ 44mm.

“CHAMPS” em f/5.6 1/60 ISO400 @ 44mm.

Crop 100%, note no contorno dos olhos/cabelos e nas costuras das roupas como o engine JPEG da D500 é agressivo.

“Lincoln Center” em f/5.6 1/40 ISO450 @ 26mm.

“Lincoln Center” em f/5.6 1/40 ISO450 @ 26mm.

Crop 100%, as cadeiras atrás dão um bom exemplo de como a D500 lida com linhas finas no JPEG.

“Grand Central III” em f/5.6 1/40 ISO2000 @ 16mm.

“Grand Central III” em f/5.6 1/40 ISO2000 @ 16mm.

Crop 100%, ISOs mais altos também são um desafio para os detalhes nos JPEGs direto da câmera.

“2 BROS PIZZA” em f/3.3 1/60 ISO2800 @ 38mm.

“2 BROS PIZZA” em f/3.3 1/60 ISO2800 @ 38mm.

Crop 100%, o colarinho da camisa xadrez é muito mais nítido no arquivo raw.

Por fim as cores da Nikon D500 pela primeira vez se aproximam da Canon com tons quentes e vivos. O mix RGB na pele tende para o rosa/amarelo, com flexibilidade total para ajustes no raw. Independente do valor do ISO, também podemos saturar os arquivos para imagens de maior impacto, que funcionam bem na saída web. E mesmo em situações complicadas como a noite e em ambientes com luzes mistas, a D500 se sai melhor que qualquer APS-C testada este ano. Num leve passeio em Times Square, com vários painéis eletrônicos e sujeitos, e a Nikon se mostra um passo a frente da Sony A6300, que tendia a puxar as sombras para os verdes; e até melhor que a Fuji X-Pro 2, que leva as sombras mais para o roxo. Só lembro de imagens parecidas, adivinhem, nos full frames da Sony RX1R e A7II, Nikon D750 e Canon 6D. Mas a D500 é APS-C. Fenomenal.

“Auto-Retrato” em f/3.3 1/60 ISO1100 @ 38mm; tons de pele bem reproduzidos sob luz mista.

“Auto-Retrato” em f/3.3 1/60 ISO1100 @ 38mm; tons de pele bem reproduzidos sob luz mista.

“Bumblebee” em f/4 1/250 ISO100 @ 80mm; cores saturadas mas sem estourar no processamento do .NEF da D500.

“Bumblebee” em f/4 1/250 ISO100 @ 80mm; cores saturadas mas sem estourar no processamento do .NEF da D500.

“Gyro” em f/4 1/320 ISO800 @ 66mm; cores intactas sob pouca luz e fontes mistas (note as garrafas de Gatorade).

“Gyro” em f/4 1/320 ISO800 @ 66mm; cores intactas sob pouca luz e fontes mistas (note as garrafas de Gatorade).

“NYC T” em f/4 1/400 ISO800 @ 66mm; os amarelos sempre saturados dos taxis de Nova Iorque.

“NYC T” em f/4 1/400 ISO800 @ 66mm; os amarelos sempre saturados dos taxis de Nova Iorque.

VEREDICTO

Enfim a primeira APS-C da Nikon no kit do vlog do zack causou uma ótima impressão e também não poderia deixar de ser. Por US$1996 só o corpo, a Nikon D500 é a DSLR APS-C mais cara da década e felizmente eles entregam um produto de ponta. Realmente é uma “baby D5”: construção excelente, acabamento de primeira, recursos topo de linha e performance óptica similar ao full frame. Há muito o que se gostar na D500 e ela virtualmente atende TODOS os trabalhos que posso pensar: retratos, eventos, produtos, esportes, ação, até a gravação de vídeos… As únicas reclamações do review inteiro estão na ausência de “posições Custom” no modo de seleção, e na tecnologia SnapBridge; bobeiras que nada tem a ver com “fazer fotos”. Sob qualquer óptica este é o melhor corpo da Nikon que eu já usei, e notem que os outros dois eram full frame. A D500 não é somente a melhor Nikon DX; é uma das melhores câmera do mercado. Boas fotos!