Fujifilm X-T2

Obra-prima da ergonomia

Outubro/2016 – A Fuji X-T2 é o segundo modelo topo de linha da família de câmeras Fujifilm com o X-mount. Ao contrário da X-Pro 2 com “estilo rangefinder“, a série T trás um design mais conhecido como máquina fotográfica, com pegada protuberante para a mão direita e viewfinder central. Os discos físicos de controle manual, a construção de metal com acabamento de alta qualidade, e as especificações high-end são comuns nos modelos, porém a experiência de fotografar é totalmente diferente entre eles. Portanto a Fuji inclui regalias na X-T, como mais pontos de foco automático, maior velocidade de disparo, gravação de video 4K (a primeira vez numa câmera X-Trans) e a tela que “sai do corpo”, apesar do preço menor (US$1599) neste modelo mais “potente”. Mas será que ele vale o status de “flagship” ao lado da X-Pro 2? Vamos descobrir! Boa leitura. (english)



CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Fujifilm X-T2

Em 132.5 x 91.8 x 49.2 mm de 507gr de um corpo essencialmente de metal, a X-T2 é uma câmera grande para os padrões “mirrorless” (sem espelho), o que pode ser bom e ruim. A parte boa é que de fato ela é uma câmera confortável de usar, com grip generoso para a mão direita e área de sobra para apoiar embaixo; de longe o mirrorless mais confortável que eu já usei. Mas o ruim é que ela perde o apelo do tamanho ”sem espelho”, e questiono por que a Fuji não cria logo pelo menos um sistema tradicional SLR (single lens reflex), para usarmos as excelentes objetivas Fujinon. Eles já tem uma APS-C mirrorless de qualidade (X-Pro 2), e agora até uma médio formato sem espelho (GFX). Talvez o mercado absorva um terceiro mount Fuji “full frame SLR”, com a vantagem do viewfinder óptico junto dos dials físicos, e a construção excelente das câmeras Fujifilm. 

Fujifilm X-T2

Nas mãos a pegada da X-T2 é confortável, com “grip” para os dedos na frente, peça totalmente ausente na escorregadia X-Pro. O dedo indicador cai perfeitamente sobre o disparador de dois estágios em cima, este com uma mola suave para subir e descer, porém de clicks precisos na hora de focar e/ou disparar. Ao redor, a chave liga/desliga é das mais suaves que já usei, fazendo toda a diferença no dia-a-dia com a câmera. Quem liga e desliga as mirrorless para economizar bateria, se sentirá feliz com esta chave perfeita. Ainda, o dedo indicador pode deslizar uma roda horizontal embutida no corpo da câmera, na frente, usada por exemplo para passar as fotos para frente/trás durante o playback. E ainda há um botão programável para até 22 funções em cima, também ao alcance do dedo indicador e confortável de usar. O botão de gravação de vídeos, que existia em cima da X-T1, sumiu, e agora temos de girar o anel DRIVE para o modo movie, o que pode demorar.

Fujifilm X-T2

Atrás o destaque vai para a engate do dedão direito, protuberante e bem desenhado; difícil de encontrar nas mirrorless pequenas. Ele permite o uso confortável da X-T2 com uma mão só, deixando o dedo indicador livre para operar os controles descritos acima. Quando o dedão está livre, por exemplo com a câmera apoiada também na mão esquerda, ele fica perto de mais um dial horizontal embutido, programado de fábrica para dar zoom durante o playback; e com um click programável para outras 22 funções. Dois botões LOCK estão um de cada lado deste disco: AE a esquerda, e AF a direita, para operar o fotômetro e o foco independente do disparador da foto. Um botão Q (quick) padrão da Fuji ativa um menu rápido com ajustes de qualidade de imagem, white balance etc. E o mini-direcional para seleção do ponto de foco veio emprestado da X-Pro 2 (é novidade em relação a X-T1). Ele agiliza a troca de pontos AF sem tirar os olhos do viewfinder, como nas DSLR grandes; o que pode ser muito para fotografar ação sem perder o sujeito de vista.

Fujifilm X-T2

De resto, atrás, os controles são padrão na maioria das digitais hoje. Um direcional para navegar os menus ao redor do botão OK e um DISP para ligar/desligar as informações da tela LCD estão ao alcance do dedão; e os botões de playback e lixo estão do lado esquerdo, exigindo o controle da câmera com as duas mãos. A única reclamação é que estes botões são pouco pequenos para quem usa a câmera por exemplo com luvas, mas a resposta tátil é precisa, com um click fácil de sentir. Do lado esquerdo, a traseira é dominada pela tela LCD de 3.0” e 1.04 milhões de pontos, curiosamente atrás da X-Pro 2 em qualidade (são 50% mais pontos na Pro 2), porém com movimentos de até 90º para cima e 45º para baixo. Há até um modo “retrato” com inclinação de 60º para o lado direito, menos útil que as telas que “giram” para a frente. Ainda não há sensibilidade ao toque, questionável para 2016, mas não faz falta dada a oferta de botões.



Fujifilm X-T2

No centro o destaque da série X-T é o viewfinder eletrônico com ampliação 0.77x; grande para os padrões APS-C mas sinceramente uma decepção como “destaque” do modelo. Eu sempre ouvi falar bem deste viewfinder, e de fato ele é bom: colorido, grande e “imersivo”, próximo da experiência das DSLR full frame “de entrada” (pense nas EOS 6D ou Nikon D600 em tamanho). Mas a imagem continua eletrônica, como era de se esperar, e reflete o perfil de cores da Fuji, que é longe da realidade. Ainda por cima, apesar dos 2.36 milhões de pontos (relativamente padrão nos EVF hoje em dia), há defeitos de aliasing (serrilhados) e moiré (cores falsas) na renderização da imagem. Ele pode ser usado com uma taxa de atualização de até 100fps em modo Boost (a Sony A6300 vai até 120fps), mas a experiência no geral é “razoável”. Na minha opinião esta é a principal vantagem da X-Pro 2, que tem o viewfinder óptico híbrido e dá uma nova dimensão as mirrorless.

Fujifilm X-T2

Em cima, a alma das Fuji X-cam “grandes” está na variedade de discos físicos. São dois, um de cada lado do viewfinder, altos e de pegada confortável: a esquerda com ISO e a direita com obturador, e cada um deles com ainda uma chave seletora embaixo; DRIVE no ISO e metering no obturador. A parte mais interessante é o botão central de trava em cada um, que permite ou liberar os discos para girar com clicks, ou travar no valor escolhido; você não precisa “segurar” o botão para girá-los. É uma forma bem mais intuitiva de entrar nos modos “priority” de uma roda PASM, peça que a X-T2 não tem. Ainda a direita, há um disco de compensação da exposição (+-3EV), que exige o indicador e o dedão para girar; ele é bem duro, o que evita ajustes acidentais. A sapata hot-shoe vai em cima do viewfinder e está alinhada com o eixo do sensor, para aceitar os flashes externos. Um flash básico EF-X8 vem incluído na caixa, com guia 8, já que não há flash integrado na X-T2.

Fujifilm X-T2

Na frente nós temos a chave seletora de foco automático/manual, uma mão na roda para ligar/desligar o AF das objetivas eletrônicas “X” da Fujifilm (elas não tem botões para isso). Nesta chave também acionamos o modo de foco contínuo, que veremos a seguir. Um terminal flash sync vem em cima. Do lado esquerdo as conexões HDMI, USB3.0, remote e entrada para microfone estão organizadas atrás de uma porta bem construída. E do direito, dois slots SD UHS-II permitem usar cartões rápidos, uma enorme vantagem para lidar com os arquivos raw de cerca de 50MB da X-T2 (é só 1 slot rápido na X-Pro 2). Embaixo a bateria NP-W126S é taxada em 340 fotos com o LCD (ou 330 com o EVF), e vai sob uma porta selada. Aliás, todas as portas da X-T2 tem selos de borracha contra água e poeira, e a Fuji declara compatibilidade com as objetivas WR (“weather resistance”). São 63 pontos de vedação espalhados, embora eu não recomende testá-los. :-)

Fujifilm X-T2

Enfim a X-T2 é mais uma câmera bem feita da Fuji, com a vantagem do “jeitão” de máquina fotográfica tradicional, sem deixar os discos manuais de fora. Ela é bem construída e a ergonomia é p-e-r-f-e-i-t-a, pensada nas objetivas zoom grandes da Fujinon, enquanto a X-Pro 2 é pensada nas primes. Como câmera mirrorless ela é a mais ergonômica do mercado APS-C, fácil de usar tanto para fotografia comum, quanto para profissionais que buscam uma opção as tradicionais Canon ou Nikon. Porém, comparada as DSLR, ela não faz nada de diferente considerando a ergonomia, exceto talvez por estes discos físicos; e até faz menos se pensarmos na ausência do viewfinder óptico. Portanto este é o meu problema com o modelo. Não vi na X-T2 a mesma “experiência de fotografar” da X-Pro 2 com o “estilo rangefinder”, e questiono o seu papel na linha APS-C X-Mount.

OS DESTAQUES – VELOCIDADE E AF

_DSF0446 X-T2 XF18-135mmF3.5-5.6R LM OIS WR 1-1000 sec at f - 5.6 ISO 1600 110 mm

A Fuji X-T2 trás compartilhado da X-Pro 2 o novo processador X-Processor Pro, para velocidade na operação; e o sistema de foco automático com pontos phase embutidos no sensor, para fotografar ação. O primeiro garante a mesma resposta rápida do modelo Pro 2: intervalo de menos de meio segundo para ligar/desligar; aquisição de foco automático de até 0.08s (é 0.06s na X-Pro 2); disparo rápido de até 8 quadros por segundo (com extensão de 11 quadros com o battery grip em modo “Boost”, e até 14 em modo de obturador eletrônico); e processamento rápido de raw + JPEG, com buffer para pelo menos 27 arquivos raw sem compressão (ou 33 com compressão ou 83 em JPEG; valores que podem subir com o uso de cartões SD UHS-II). A X-T2 é uma câmera rápida como a X-Pro 2, e o upgrade ao X-Processor Pro já vale a pena em relação a geração passada X-T1.

“Sunglasses” com a XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR em f/5.6 1/1000 ISO1600 @ 110mm.

“Sunglasses” com a XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR em f/5.6 1/1000 ISO1600 @ 110mm.

Porém a Fuji implementou um sistema de foco automático ainda mais extenso na X-T2, com mais pontos phase e ajuste avançado no algoritmo preditivo, função inexistente na X-Pro 2. O sistema híbrido conta com 325 pontos de foco, sendo 169 deles com detecção phase em aproximadamente 50% do quadro (na Pro 2 são 273 pontos e “apenas” 77 phase, em 40% do quadro), com seleção automática da câmera entre o phase e o contraste. Há ainda opções de casos de aceleração, movimento lateral e sensibilidade, como conhecemos nas DSLR “profissionais”. E na prática tudo funciona: embora não seja mais capaz nem mais rápido que a X-Pro 2, a X-T2 é mais uma mirrorless apta a fotografar esportes, com um sistema AF que realmente calcula o ponto na hora do disparo.

Fujifilm X-T2

E ainda as vantagens do sistema AF são a sensibilidade até -3EV, para fotografar praticamente no escuro, e a função de detecção de olhos e rostos; que agradarão fotógrafos por exemplo de eventos sociais, com atenção ao sujeito. A X-T2 não tem qualquer dificuldade em procurar rostos na cena, e, principalmente, levar a objetiva até o ponto correto em alta velocidade, no escuro. Com a zoom XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR, que não é uma objetiva de grande abertura para trabalhar sob pouca luz, a X-T2 fez um bom trabalho fotografando ação na rua, à noite. Embora eu prefira uma DSLR que use obrigatoriamente o sistema phase no modo de fotografia com o espelho, a Fujifilm promete que a X-T2 dá preferencia aos sensores phase (rápidos) do que a medição por contraste (mais lenta), e no geral a câmera parece tranquila em focar com agilidade sob situações difíceis.



O NOVO – VIDEO 4K

Fujifilm X-T2

Novidade na linha Fujifilm X e também nas câmeras com o sensor X-Trans, é a capacidade da X-T2 em gravar vídeos até a resolução 3840x2160P30 (4K). A aquisição do vídeo é até exótica: uma área central de 1.17x (crop) do sensor usa 1.8x a resolução do 4K (5120×2880) para então reduzir os vídeos a gravação final interna no cartão SD, com até 100Mbps de bitrate e sem problemas de moiré e/ou aliasing. Até o 1080P é sofisticado: uma leitura 3000×1687 do sensor é reduzida então para 1920×1080 em 24, 25, 30, 50 ou até 60 quadros por segundo, também gravado a 100Mbps, garantindo qualidade também ao formato HD. Portanto a X-T2 trás à modernidade a gravação de vídeo nos sensores X-Trans, coisa prometida na X-Pro 2 mas não entregue pela Fujifilm.

Porém, como de costume nas câmeras “híbridas” de fotografia + vídeo 4K desta geração, só a resolução 4K não garante vídeos necessariamente melhores. O problema mais grave é que o perfil de cores e contraste da Fuji é agressivo demais no “estilo” da imagem, e senti que os arquivos ou “estouram” demais nos highlights, sem qualquer detalhe em áreas de muita luz (tipo o céu); ou as cores saem completamente fora da realidade, apesar dos ajustes de shadows e highlights nos menus da câmera. Isso até poderia ser resolvido pelo perfil “F-Log” que a Fuji implementou no processador “Pro”, mas esta opção está limitada a saída HDMI 8-bit 4:2:2; ridículo. Além disto, questiono até se o bitrate de 100Mbps é adequado para o 4K, uma vez que alguns quadros mostram artefatos na compressão de movimentos. Então os vídeos na X-T2 precisam ser levados “a sério” com um gravador externo, e perdemos o apelo já pouco compacto do modelo. 

“Glacier N'tl Park” com a Fuji X-T2 + XF 18mm f/2R em 4KP30, PROVIA/Standard -2 Highlights; note o céu estourado (clique para ver maior).

“Glacier N’tl Park” com a Fuji X-T2 + XF 18mm f/2R em 4KP30, PROVIA/Standard -2 Highlights; note o céu estourado (clique para ver maior).

“Glacier N'tl Park” com a Fuji X-T2 + XF 18mm f/2R em 4KP30, PROVIA/Standard +2 Shadows; sem estourar o céu, há pouca informação nas sombras (clique para ver maior).

“Glacier N’tl Park” com a Fuji X-T2 + XF 18mm f/2R em 4KP30, PROVIA/Standard +2 Shadows; para não estourar o céu, matamos as sombras (clique p/ maior).

“Earthquake Lake” com a Fuji X-T2 + XF 18mm f/2R em 4KP30, PROVIA/Standard; 100Mbps são insuficientes para o 4K (clique para ver maior).

“Earthquake Lake” com a Fuji X-T2 + XF 18mm f/2R em 4KP30, PROVIA/Standard; 100Mbps são insuficientes para o 4K (clique para ver maior).

Outra limitação, embora fácil de contornar, é o teto de 10 minutos contínuos na gravação 4K; muito provavelmente uma maneira de evitar super aquecimento. Então depoimentos longos, gravações de videolog ou qualquer uso que exija mais de 10 minutos ininterruptos (por exemplo num drone) estão de fora. E por fim não há saída de fone de ouvido embutido no corpo, imperdoável para uma câmera grande e com pretensões de “cinematografia”. Magicamente estas duas limitações podem ser resolvidas com a adição do grip para bateria VPB-XT2, um acessório de U$329 que adiciona: a saída para fones, alguns botões verticais e aumenta a gravação de vídeo para até 30 minutos; uma cara de pau sem tamanho da Fujifilm para arrancar mais dinheiro de quem opta pelo X-mount. É difícil de acreditar que o grip seja responsável pelo resfriamento da X-T2 e liberar a gravação 4K até 30 min., e já entramos na casa dos US$1928 (câmera + grip) para fazer o mesmo da Sony A6300.

Além de caro, o battery grip não estava disponível no momento da criação deste review. [créditos: B&H Photo]

Além de caro, o battery grip não estava disponível no momento da criação deste review. [créditos: B&H Photo]

Enfim, o vídeo 4K da X-T2 é uma adição bem-vinda (sempre é), mas longe de ser motivo para recomendar o modelo. A resolução aumenta mas a qualidade não. A performance em ISOs altos também não ganhará nenhum prêmio em comparação as full frame da geração passada (tipo Sony A7S). O X-Mount ainda não tem adaptadores eletrônicos para objetivas Canon (as mais populares do mercado). E apesar da Fuji tentar vender o X Processor Pro com a simulação de película (Film Simulation) como uma vantagem da X-T2, o que ele faz na prática são vídeos de aparência questionável, e dynamic range limitado. Então considerando por exemplo a Sony A6300 por US$998, menos da metade da X-T2 (US$1599) + VPB-XT2 (US$329), e que faz mais coisas na gravação (1080P120, S-Log3), recomendo avaliar com cuidado se a X-T2 vale para o vídeo 4K.

O QUESTIONÁVEL – VIEWFINDER OLED

Fujifilm X-T2

Um último comentário pessoal sobre uma característica importante da X-T2 é a experiência do visor eletrônico, tido como um dos melhores do mercado e, francamente, bem “comunzão” considerando o que eu já usei por aí. Vamos deixar bem claro que de fato ele é grande para o padrão mirrorless: com meia polegada na tela OLED de 2.36 milhões de pontos, e ampliação óptica de 0.77x, ele está a 23mm do olho (em relação a borracha externa) e é confortável. Repito, a experiência é próxima as full frame de entrada (6D e D610), com uma sensação “imersiva” na cena, que facilita a composição. Como a tela é eletrônica, modos diferentes de display podem ser usados como FULL (usa toda a área do OVF), NORMAL (reduz o quadro para o centro, mais fácil de ver a cena como um todo, ótimo para esportes) e DUAL (para assistência do foco manual).

Fujifilm X-T2

Os modos FULL, NORMAL, DIGITAL SPLIT e DUAL do viewfinder da Fuji X-T2.

Já no hardware, desculpem-me, mas a Fuji não fez nada de muito diferente do restante do mercado. “A tela é grande e a ampliação também”. Mas nada que a Sony não tenha feito nas Alpha A7 (todas), que tem o mesmo tamanho de tela (0.5”) e quantidade de pontos (2.36M) desde o primeiro modelo. A ampliação na Sony é menor em 0.71x, mas isso porque a tela está a 27mm do olho (é 23mm na X-T2); portanto a experiência é a mesma. Na A6300 a tela é menor em 0.39”, mas a ampliação é de 1.07x; portanto a sensação de imersão também é praticamente a mesma. E nenhum destes OLED tem uma renderização realmente natural. É fácil ver os pixels e as aberrações cromáticas, dada a ampliação, além do perfil de cores ser longe do natural. Então comparada a X-Pro 2, que trás um viewfinder óptico híbrido, eu opto pela experiência mais orgânica da X-Pro 2.



QUALIDADE DE IMAGEM

“Via Láctea” com a XF 18mm f/2R em f/2 13’ ISO3200; todos os arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Via Láctea” com a XF 18mm f/2R em f/2 13’ ISO3200; todos os arquivos raw disponíveis no Patreon.

Com virtualmente o mesmo sensor de imagem CMOS APS-C X-Trans III da Fuji X-Pro 2, que causou uma impressão positiva naquele review do começo do ano, eu nem preciso comentar que a X-T2 lidera o segmento APS-C em qualidade de imagem. As duas dão saída a arquivos 6000×4000 raw sem compressão de cerca de 50MB, com o arranjo de cores inovador da Fuji e a ausência completa do filtro low pass, para maior resolução percebida. E o resultado é fantástico: os arquivos são fáceis de manipular, para correção de exposição ou efeitos criativos de cor; a performance em ISOs altos é excelente até valores já altos como ISO3200; e os arquivos JPEG direto da câmera podem usar uma das simulações de película da Fuji, além do efeito grânulo mais realista que já vi numa digital. A X-T2, ao lado da X-Pro 2, são essencialmente diferentes do restante do mercado APS-C em qualidade de imagem, e talvez seja o argumento decisivo para justificar o investimento na Fuji.

“Tronco” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/480 ISO200.

“Tronco” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/480 ISO200.

Em ISO200, o valor mais baixo permitido na X-T2 quando o formato de saída raw está ativado, a resolução do X-Trans III impressiona pelos detalhes e clareza dos arquivos. Ultrapassando com folga qualquer câmera semelhante de 24MP e arranjo de cores Bayer comum, inclusive aquelas sem filtro low pass, full frame ou APS-C, a Fuji se apresenta como uma alternativa a quem faz prints gigantes, sem depender de uma câmera cara ou de formato especial. A resolução é tão alta que alguns sites fazem até comparações absurdas com sensores de muito mais pixels (exageradas, na minha opinião), mas esta geração mais recente da Fuji de fato “se garante” quando o assunto é resolução. Você estará mais limitado pela óptica da objetiva do que pela qualidade do X-Trans.

“NYC” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/600 ISO200.

“NYC” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/600 ISO200.

Crop 100%, detalhes do sensor sem o filtro low pass.

Crop 100%, detalhes do sensor sem o filtro low pass.

“NYC II” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/450 ISO200.

“NYC II” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/450 ISO200.

Crop 100%, cenas urbanas ou natureza são reproduzidos nos mínimos detalhes.

Crop 100%, cenas urbanas ou natureza são reproduzidos nos mínimos detalhes.

“Glacier Caynon” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/60 ISO200.

“Glacier Caynon” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/60 ISO200.

Crop 100%, o limite para os detalhes estará nas capacidades ópticas da objetiva.

Crop 100%, o limite para os detalhes estará nas capacidades ópticas da objetiva.

“Trilha” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/125 ISO200.

“Trilha” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/125 ISO200.

Crop 100%, todos os galhos nas árvores são reproduzidos nos mínimos detalhes.

Crop 100%, todos os galhos nas árvores são reproduzidos nos mínimos detalhes.

O dynamic range em ISOs baixos também está a par dos chips mais recentes no formato APS-C. São informações de sobra nas sombras sub-expostas, que podem ser recuperadas no tratamento raw, com impacto discreto nos ruídos. Não há sinal de banding ou bolhas coloridas em cinzas que não receberam luz na hora da exposição, e fica fácil manipular os arquivos criativamente a partir de um único click. Os highlights, porém, são mais difíceis de recuperar. Por isso recomendo sub-expor o quadro em situações mais complicadas de iluminação. Mas obviamente há uma vantagem em gravar os arquivos raw em comparação os JPEG direto da câmera, uma vez que a Fuji opta por uma curva mais dramática de contraste no X Processor Pro, não importa a simulação de película.



“Massacre” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/160 ISO200.

Crop 100%, impacto nas sombras é mínimo, com poucos ruídos.

Crop 100%, impacto nas sombras é mínimo, com poucos ruídos.

“North Grand Canyon” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/300 ISO200.

Crop 100%, os detalhes são preservados até em áreas sub-expostas, num click único.

Crop 100%, os detalhes são preservados até em áreas sub-expostas, num click único.

“Juke” com a XF 18mm f/2R em f/3.6 1/100 ISO200.

Crop 100%, recuperação extrema (+40 Shadows, +77 Blacks) não mostra bolhas coloridas.

Crop 100%, recuperação extrema (+40 Shadows, +77 Blacks) não mostra bolhas coloridas.

“Juke II” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/120 ISO200.

Crop 100%, efeitos criativos com a luz podem ser conseguidos num único arquivo, com qualidade.

Crop 100%, efeitos criativos com a luz podem ser conseguidos num único arquivo, com qualidade.

ISOs mais altos já relevam os limites do formato APS-C e, embora os arquivos sejam razoáveis até valores bem exóticos (pense 6400 para cima), neste caso as vantagens do full frame continuam visíveis. O X-Trans III vai limpo até ISO3200, possibilitando por exemplo registros das estrelas (astro-fotografia) sem empregar câmeras maiores. Mas valores absurdos como ISO10.000 em seguida (ela vai até nativamente até ISO12.800) mostram ruídos que interferem nos detalhes, coisa que eu não vejo tanto nas EOS 6D ou Sony RX1R. De qualquer maneira, quem trabalha com as objetivas corretas, como as de grande abertura sob pouca luz, ou precisa compensar a abertura de uma telephoto longa para registrar esportes, jamais estará limitado pela performance da Fuji X-T2.

“SP” com a XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR em f/5.6 10’ ISO200 @ 18mm.

“SP” com a XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR em f/5.6 10’ ISO200 @ 18mm.

Crop 100%, sequência de ISO, note como os detalhes só somem em valores extremos (clique para ver maior).

Crop 100%, sequência de ISO, note como os detalhes só somem em valores extremos (clique para ver maior).

“Bairro” com a XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR em f/5.6 15’ ISO200 @ 46mm.

“Bairro” com a XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR em f/5.6 15’ ISO200 @ 46mm.

Crop 100%, detalhes permanecem nas zonas expostas, com ruídos apenas nas sombras.

Crop 100%, detalhes permanecem nas zonas expostas, com ruídos apenas nas sombras.

“Via Láctea” com a XF 18mm f/2R em f/2 13’ ISO3200.

“Via Láctea” com a XF 18mm f/2R em f/2 13’ ISO3200.

Crop 100%, os ruídos são “mudos” contra as estrelas expostas.

Crop 100%, os ruídos são “mudos” contra as estrelas expostas.

Por fim as cores da Fuji são fáceis de manipular no Adobe Camera Raw / Lightroom, com azuis densos em exposições do céu, e verdes “amarronzados” nas folhas das árvores. Mas o destaque mesmo é a opção de simulação de película nos arquivos JPEG processados direto da câmera, que traz ao digital os mais de 80 anos de experiência da Fuji com películas, em perfis eletrônicos, fáceis de aplicar. São quatro tipos compartilhados com a X-Pro 2: PROVIA, Velvia, ASTIA e o novo ACROS (preto e branco), que resultam nos melhores arquivos JPEG direto da câmera que temos no mercado. É muito interessante ver a aparência das fotos de uma Fuji sem grandes sessões de Photoshop, o que conclui a recomendação do modelo a quem está interessado em fotografar.

“Dana” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/1800 ISO200; antes e depois da conversão no computador.

“Apgar” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/750 ISO200; conversão para Film Simulaton Velvia.

“St. Mary” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/80 ISO200; conversão para Film Simulation ASTIA.

“Grand Teton” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/125 ISO200; conversão para Film Simulation Classic Chrome.

“O deserto” com a XF 18mm f/2R em f/5.6 1/1000 ISO200; conversão para Fim Simulation ACROS.

VEREDICTO

A Fujifilm X-T2 chegou no vlog do zack com muito a provar. Compartilhando do mesmo processador e sensor da X-Pro 2, que eu adorei no começo do ano, a T2 teria de se justificar: nos recursos mais sofisticados, como mais pontos de foco automático e gravação de video 4K; a ergonomia melhor, visto que ela é grande e tem “cara” de máquina fotográfica; e no tal viewfinder OLED, que eu escuto tanto falar. E em parte ela superou minhas expectativas: de fato é a mirrorless mais gostosa que já usei, embora isto dependa de uma característica na contra-mão das câmeras sem espelho; ela é grande! A operação também é fluída, com controles táteis confortáveis, boot e disparo rápidos, e a certeza na qualidade de imagem que a Fuji garante desde o primeiro X-Trans.

Fujifilm X-T2 X-Pro 2

Mas as “novidades” tecnológicas da X-T2 não valem tanto quanto a “experiência fotográfica” da X-Pro 2, e ela se aproxima demais de um “produto eletrônico”; e isto é um problema. Como “eletrônico” ela não faz muito mais que outras APS-C do mercado (hello, Sony A6500!) e ainda por cima custa caro. Então é uma recomendação difícil considerando apenas o vídeo 4K e os pontos de foco automático, coisas que as câmeras mais baratas fazem igual ou melhor hoje. A X-T2 vale pela ergonomia, mas até aí a X-T1 também. E a qualidade de imagem é a mesma da X-Pro 2 de seis meses atrás. Não há nada de errado com ela, mas se você quer genuinamente uma experiência diferente de fotografia, recomendo dar uma olhada na irmã mais velha, X-Pro 2. E boas fotos!