Manfrotto BeFree

O seu companheiro de aventuras! :-D

Os tripés são uma parte essencial do “kit para boas fotos” de qualquer fotógrafo. Eles oferecem um apoio firme para a câmera permitindo exposições mais longas e ISOs reduzidos = menos ruídos. É uma ferramenta indispensável para trabalhos com alta qualidade, como fotografia de produtos, arquitetura, retratos ou fotografia de rua; os resultados do tripé sempre aparecem nas fotos.

Manfrotto BeFree tripod

Os tripés do vlog do zack: o Manfrotto BeFree deste artigo, e o Manfrotto 055XPROB + cabeça 501HDV, heavy duty na produção de vídeos.

O problema é que, perdoem o trocadilho, na hora de comprar um tripé de qualidade nós devemos avaliar um “tripé de qualidades” para decidir o modelo: construção (peso e tamanho), rigidez (para aguentar a câmera) e preço (para caber no orçamento). Os topo de linha, grandes, pesados e rígidos são caros mas atendem os trabalhos com maestria. Mas podem ser complicados de carregar e pesam no bolso, muitas vezes tirando o prazer de trabalhar. E os tripés de entrada, acessíveis, baratos, leves, não oferecem a mesma rigidez e podem mais atrapalhar que ajudar.

Manfrotto BeFree tripod

O Manfrotto BeFree atende os fotógrafos que precisam de um tripé leve (1.4kg) e compacto (fechado ele tem 40cm!), mas que não querem abrir mão da rigidez e qualidade de construção, nem pagar muito por isto. Em US$199 pela versão em alumínio (testada), ele teoricamente segura câmeras de até 4kg e vem com uma cabeça do tipo bola incluída, presa por parafuso 3/8”. Ainda com um design especial para dobrar, fechar e entrar numa mochila (incluída), ele é ideal para ficar o dia todo com você em viagens, na rua, no trabalho… Será que funciona? Vamos descobrir!


CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Manfrotto BeFree tripod

O BeFree é um tripé com design de “pernas invertidas”. Elas fixam em torno de um miolo estrelado e cada uma tem seu próprio eixo de rotação vertical: para cima ou para baixo. Para cima e com as pernas retraídas, você fecha o tripé com a coluna central no meio, atingindo os diminutos 40cm fáceis de carregar para qualquer lugar. E para baixo elas funcionam no “modo tripé”. Todo este movimento é controlado manualmente e disparado por três engenhosos parafusos rápidos, que são a alma do BeFree. Basta colocá-los na posição desejada que ele fica livre para cima (e fechar), ou preso em dois ângulos: 51º para maior altura ou 25º para maior firmeza.

Manfrotto BeFree tripod

As pernas são simples e tem gatilhos rápidos nos três estágios. Em 51º e extensão máxima por estágio o tripé fica com as alturas: primeiro estágio (todos fechados), 47cm; segundo estágio, 69cm; terceiro estágio, 94cm; quarto estágio, 123cm; e finalmente com o a coluna central em pé, 142cm. É mais que o suficiente para ultrapassar parapeitos ou ficar numa posição confortável de fotografar com o Live View; ou inclinar um pouco pra frente se preferir compor pelo visor óptico. Por outro lado como as pernas de alumínio tem diâmetro fino em ø22.5mm, ø19mm, ø15.5mm e ø12mm respectivamente, e o BeFree não fica estável se você ultrapassar os 4kg máximos que ele segura. Funciona bem com uma compacta avançada ou DSLR full frame + objetiva prime, mas as zoom telephoto grandes já começam a pesar demais, então pense num limite de 200mm f/2.8.

Manfrotto BeFree tripod

Já a coluna central (removível) sobe quase 20cm e é presa por um único parafuso com pegada borboleta. Ele é fácil de girar e tem movimentos curtos para soltar/prender, mas o tamanho diminuto da borboleta pode atrapalhar quem tem mãos grandes. Mas a posição é perfeita para a mão esquerda operá-la, e a direita ficar na única perna coberta por borracha no tripé. Este revestimento está ali para 1) aumentar o grip na hora de posicionar o tripé e 2) manter uma temperatura aceitável de operação do alumínio (ele pode esquentar/esfriar demais dependendo do clima). A coluna não gira para ficar na horizontal e o único movimento é para cima e para baixo; ou muito solto, ou preso. Então não serve para panning durante a gravação de vídeos.

Manfrotto BeFree tripod

No topo a cabeça do tipo bola gira para qualquer um dos lados e pode ficar na vertical, numa posição fixa. A trava também é feita por uma borboleta, mas muito maior e confortável que a anterior da coluna. Pelo menos por enquanto, nos primeiros dois meses de uso tudo, está funcionando perfeitamente, sem fricção, com silêncio total e muito firme em qualquer direção. Um detalhe que não gostei é que o miolo da cabeça fica livre para girar no próprio eixo quando soltamos a borboleta do ângulo, o que deixa a câmera solta. É assim para alinharmos mais facilmente o conjunto todo na hora de fechar. Mas preferia que a cabeça fosse fixa numa posição.


Manfrotto BeFree tripod

Enfim o quick release vem com uma placa proprietária da Manfrotto, não do tipo arca-swiss. Pelo menos elas não são caras. Mas também não gostei deste engate rápido. Primeiro exige duas mãos para liberar/prender a câmera: o dedão para frente numa peça grande, e o indicador para baixo numa espécie de freio de emergência. É muito mais demorado que os arca-swiss e você precisa alinhar tudo antes de soltar a câmera para não deixá-la cair. E segundo você precisa alinhar a placa antes de montar no engate. Na primeira noite de uso, na chuva, levei 15 minutos no escuro tentando descobrir como prender a câmera no tripé porque não tinha visto isto antes. É muito mais complicado que qualquer outro quick release e recomendo ler o manual de instruções.


PERFORMANCE

A principal questão na hora de comprar um tripé é se ele consegue ser firme o suficiente para segurar a câmera no lugar sem tremer, sem as mãos. Se fosse só para dar “uma seguradinha”, qualquer objetiva com estabilizador faria o serviço compensando 3-4 stops; ou seria mais fácil usar os práticos “monopés” que abrem muito mais rápido. Mas eu preciso mais que isto em fotos especiais: pensem 10 segundos de exposição a noite; ou reduzir o ISO para 100 no lugar de 1600 em ambientes fechados. Então procuro um tripé firme com as pernas totalmente abertas.

Canon EF-S 10-18mm f/4.5-5.6 IS STM

“Times Square” em f/22 6” ISO100 @ 10mm; foto com tripé Manfrotto BeFree.

Com uma câmera leve como a Sony Cyber-shot RX1R (482g) o BeFree segura tudo no lugar sem muita ressonância. “Ressonância” é o “vai e volta” da vibração do tripé até ele ficar totalmente estável; que acontece enquanto o material (no caso alumínio) e a construção trabalham contra a inércia para ficar no lugar. Calculei menos de dois segundos na extensão máxima (todas as pernas + coluna central) até a RX1R parar no lugar o que é excelente para trabalhar com o self-timer em 2” tranquilamente. E este tempo cai para quase zero com a coluna fechada, o que é um resultado ótimo para quem usa estas maquinininhas. Só clicar sem se preocupar com fotos borradas.

*Todas as fotos em f/5.6 0.8’ ISO1600, para ilustrar o movimento.

Com a coluna central aberta, o tempo de ressonância do BeFree é pequeno (mas existe) com a leve RX1R; lembre de usar o self-timer para compensar o movimento.

Com a coluna central aberta, o tempo de ressonância do BeFree é pequeno com a leve RX1R; lembre de usar o self-timer para compensar o movimento.

Com a coluna central fechada e uma câmera leve, simplesmente não há o problema.

Com a coluna central fechada e uma câmera leve, simplesmente não há o problema; o BeFree foi feito para isso.

Com outro conjunto maior como a D800E (1.0kg) + AF-S 85mm f/1.4G (660g) e a coluna totalmente estendida, revela a fragilidade das pernocas finas do BeFree. Aqui a ressonância sobe para quase cinco segundos e exige o self-timer na Nikon (ela tem ajustes para 2, 5, 10 ou 20s). É mais que o suficiente para começar a atrasar o trabalho, então se prepare para incluir o tempo nas fotos: fogos, luzes na rua, turistas andando antes de entrar no quadro, todos são considerados com este tempo de ressonância. Com a coluna central fechada ele cai para 1 segundo e agiliza as coisas.

A D800E já apresenta um desafio para o BeFree e a coluna totalmente aberta. Espere pelo menos 3 segundos para tudo estabilizar.

A D800E já apresenta um desafio para o BeFree e a coluna totalmente aberta. Espere pelo menos 3 segundos para tudo estabilizar.

Mas com a coluna fechada e o BeFree estabiliza em meros 2 segundos com a D800E.

Mas com a coluna fechada e o BeFree estabiliza em meros 2 segundos com a D800E.

E por último decidi testar os limites do BeFree com a full frame 5D Mark II (810g) e a top zoom EF 70-200mm f/2.8L IS II USM (1.49kg), e então temos a verdadeiro teste para a coluna central. O tripé simplesmente não fica no lugar com a rosca da própria câmera (uso errado) e conjunto balança em qualquer sinal de vento. É obrigatório prender o colar da objetiva (uso correto) e até fica simpático de usar: super firme com as mãos, substituindo o monopé dependendo do ambiente; e com a mesma ressonância da full frame + prime anterior. São no máximo cinco, seis segundos para tudo ficar no lugar e recomendo o self-time de 10s das EOS para usar com a altura máxima. Este tempo cai para 4 segundos com a coluna fechada, o que é excelente considerando a flexibilidade do BeFree. É rápido de trabalhar e o BeFree parece adequado para amadores.

O mega conjunto 5D+70-200mm é um desafio para esta coluna central do BeFree, mas julgo o resultado “aceitável”. Basta esperar tudo ficar no lugar para fotos genuinamente nítidas.

O conjunto 5D+70-200mm é um desafio para a coluna central, mas julgo o resultado “aceitável”. Basta esperar ficar no lugar para fotos nítidas.

Note com a coluna fechada que o BeFree é muito bom com câmeras mesmo pesadonas; imagino que tranquilamente daria para disparar o obturador no self-timer de 2’ se tivesse sido mais cuidadoso com as mãos.

Com a coluna fechada o BeFree é muito bom com câmeras pesadonas; imagino que daria para disparar o obturador no self-timer de 2’ se tivesse sido mais cuidadoso.

VEREDICTO

O BeFree com suas perninhas finas e peso total de 1.4kg impressiona na hora de carregar e montar. É “o” tripé para viajantes e sem a encheção da dúvida “será que eu levo o tripé comigo?” Leve, ele pode fazer parte do kit tão discretamente quanto um conjunto de objetivas. Mas levanta dúvidas na performance por ser um pouco frágil e simples de usar. O limite de quatro quilos restringe bastante a usabilidade para profissionais, mas ele não foi feito para isto. Mas para amadores avançados (dispostos a pagar os US$199), alunos de fotografia (sem necessidade de algo maior) e o público em geral procurando um bom tripé “iniciante” da Manfrotto, eu recomendo sem dúvidas o BeFree. É fácil de usar, o desenho é inovador, e ele cabe em qualquer mochila. Boas fotos!