Canon EF 8-15mm f/4L USM

A Fisheye para todos os formatos

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Julho/2016 – A 8-15mm f/4L USM é a segunda objetiva com distorção Fisheye oficial da Canon para o mount EF. Substituindo a antiga 15mm f/2.8 Fisheye de 1987, este modelo anunciado em 2012 perde um stop completo na abertura, mas ganha a enorme flexibilidade do zoom, indo até os 8mm no sensor full frame. Nesta especificação uma imagem 180º circular é projetada no filme ou no sensor, para um look único que infelizmente está marcado como principal uso do modelo; a primeira vista pouco prático para a maioria dos kits. Só que não: se usada em 10mm no APS-C e 13mm no APS-H, ela tem a mesma cobertura completa e Fisheye dos 15mm no formato maior, na verdade sendo muito mais flexível do que parece. Aqui testada na EOS M, foi diversão garantida nas ruas. Mas será que vale o preço de US$1249 da série L? Vamos descobrir! Boa leitura. (english)



CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Canon EF 8-15mm f/4L Fisheye USM

Em 8.9 x 7.7cm sozinha, ou 11.2 x 9.3cm montada com as tampas (parasol + frontal e traseira), tudo em 540g, a EF 8-15mm f/4L USM é a menor objetiva da série Luxury da Canon. Maior que a antiga 15mm f/2.8 Fisheye prime (6.1 x 7.3cm de 330g), a zoom recebeu nova roupagem e operação muito mais resistentes para profissionais, valendo a pena logo de cara para quem trabalha o tempo todo com o equipamento. Do lado de fora o acabamento é de plástico texturizado num tubo único sólido (interno de metal), bem mais resistente que a vintage fixa que tinha um parasol não removível de metal na frente, que amassava. Na zoom o lens hood plástico pode ser encaixado a gosto, e nele vai a nova tampa do tipo click, também mais prática que a antiga all-metal. Só pela construção os US$1249 já valem a pena, como esperamos do topo da linha Canon.

Canon EF 8-15mm f/4L Fisheye USM

Nas mãos o design é interessante porque, apesar de zoom e suave como qualquer série L, tudo é miniaturizado para encaixar na especificação curta dos 8-15mm. Atrás o anel de zoom é metálico e emborrachado, com um giro de cerca de 80º; rápido para ir de uma ponta a outra, porém com pressão suficiente para não sair sozinho do lugar. A espessura de apenas 1.6cm pode parecer ruim para um anel tradicional, mas a ideia aqui não é “dar um zoom” o tempo todo como estamos (mal) acostumados nas objetivas variáveis. A ideia é colocar na posição própria para cada formato e esquecer lá, seguindo as marcações gráficas para a cobertura completa dos quadros APS-C e H, ou usando o limitador físico dos 10mm só para o APS-C. É tudo rápido e prático de usar, parecendo mais com uma “prime flexível” do que uma zoom para “fechar” o quadro nos sujeitos distantes.

Canon EF 8-15mm f/4L Fisheye USM

Na frente o anel de foco manual é uma delícia de usar, com uma borracha alta sobre uma peça metálica, totalmente precisa e totalmente desnecessária. Isso porque o motor interno de foco automático foi atualizado para o USM do tipo ring, silencioso e rápido; um belo upgrade a Fisheye f/2.8 que usava um micro motor barulhento (que inclusive está quebrado na minha cópia). Mas o foco é redundante no grande angular, uma vez que a profundidade de campo é longa praticamente o tempo todo. De qualquer maneira a Canon não deixou a operação da série L de fora, suportando o full time manual (use o anel a qualquer momento) e incluíndo até uma janela de distância com marcações em pés e em metros (além do infra-vermelho). É o mesmo acabamento de outras topo de linha evidenciando que, quando não temos limite no orçamento, tudo é possível de projetar.

Canon EF 8-15mm f/4L Fisheye USM

Infelizmente o elemento frontal é incompatível com filtros e a projeção de 180º, impossível de usar inclusive com o parasol nos 8mm do full frame. Então atrás, dentro do mount, há um espaço para fixar géis de 3.1 x 3.1cm, que ficam bem em cima do elemento traseiro, este que desliza para dentro/fora dependendo da posição do zoom. Para finalizar a construção da série L, vemos ainda uma borracha de vedação na baioneta de montagem, e outros anéis de proteção são declarados ao redor do corpo, embora o tubo externo e o elemento da frente mostrem um espaço entre eles. Enfim é a mesmíssima experiência suave a precisa da série L que vemos até a super zoom EF 200-400mm f/4L IS USM, mas aqui em apenas 9cm num upgrade a vintage Fisheye f/2.8. Apesar do preço a Canon entrega um produto perfeito, indispensável para kits profissionais.



QUALIDADE DE IMAGEM

“Financial District” em f/5.6 1/320 ISO100 @ 10mm; todas as fotos com a Canon EOS M, arquivo raw disponíveis no Patreon.

“Financial District” em f/5.6 1/320 ISO100 @ 10mm; todas as fotos com a Canon EOS M, arquivo raw disponíveis no Patreon.

Com um projeto óptico totalmente novo de 14 elementos em 11 grupos (eram 9el em 7gr na prime), com vidros UD, asféricos e cobertura SWC (que aumenta o contraste, reduz reflexos internos), por incrível que pareça a performance óptica da zoom EF 8-15mm f/4L Fisheye USM é a mesma da antiga prime 15mm f/2.8. Isto é: resolução intacta de ponta a ponta do quadro; contraste perfeito não importa a situação de luz; e um show de aberrações cromáticas laterais, esta últimas que não foram corrigidas no modelo novo. E, francamente, eu nem estava esperando isso. Considerando os avanços dos processadores DIGIC, que corrigem CA lateral em tempo real, ou os softwares de pós-processamento que o fazem num único click, apesar do problema, a vantagem do zoom é muito bem-vinda, abrindo espaço para os formatos menores (APS-C e H) no Fisheye.

“Financial District II” em f/5.6 1/250 ISO100 @ 10mm.

“Financial District II” em f/5.6 1/250 ISO100 @ 10mm.

O maior “problema” de fato são as linhas coloridas em contornos de alto contraste nas bordas. Com qualquer pós-processamento “criativo”, aumentando a saturação ou levando ao limite o dynamic range dos arquivos, as linhas magentas e verdes aparecem em peso fora do eixo da imagem, exigindo correção via software ou pelo processador da câmera. Honestamente eu nunca vi uma Fisheye livre destas aberrações, e considerando que a Canon é uma zoom, dá para aturá-las se você souber “limpar” os arquivos. Sim, eu estava esperando que elas fossem menores do que a antiga 15mm f/2.8, especialmente no full frame. Mas não foi desta vez: se você já tem a versão vintage e está feliz com ela, não faça o upgrade para a novo modelo; as fotos serão idênticas.



“Nave” em f/5.6 1/125 ISO100 @ 10mm.

“Nave” em f/5.6 1/125 ISO100 @ 10mm.

Crop 100%, nas bordas as linhas coloridas em contornos fortes é resultado da aberração cromática lateral, antes e depois da correção.

“Totvs” em f/6.3 1/25 ISO100 @10mm.

“Totvs” em f/6.3 1/25 ISO100 @10mm.

 Crop 100%, porém no centro o problema não acontece; é só bem nas bordas mesmo.

Crop 100%, porém no centro o problema não acontece; é só bem nas bordas mesmo.

“Listras” em f/4 1/500 ISO400 @ 10mm.

“Listras” em f/4 1/500 ISO400 @ 10mm.

Crop 100%, linhas arquitetônicas, gráficos e árvores contra a luz mostrarão com certeza o CA lateral nas bordas.

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“Times Square” em f/7.1 1/60 ISO100 @ 10mm.

Crop 100%, note o contorno colorido nas camisetas brancas, “criação” da aberração cromática da objetiva.

De destaque nós temos a resolução intacta de ponta a ponta do quadro, um salto significativo as Fisheye “low cost” que vemos por aí. É gritante a diferença da zoom EF L para a Samyang 8mm T3.8 que vimos no ano passado, ambas testadas na EOS M, com detalhes perfeitos nas bordas da Canon que não apareciam na prime coreana. Este é o principal motivo de tê-la no kit, para a mesma performance “L” que estamos acostumados no sistema EOS: facilidade no uso, solidez para a vida toda, e arquivos prontos para impressão gigante. O contraste também é alto e perfeito, não importa a situação, outra vantagem às low cost que “explodem” com spots fortes como lâmpadas. Mesmo no f/4 as linhas são definidas na Canon, que é feita com vidros de altíssima qualidade.

“Teto” em f/4 1/40 ISO800 @ 10mm.

“Teto” em f/4 1/40 ISO800 @ 10mm.

Crop 100%, mesmo na abertura máxima a performance é altíssima, causando moiré no APS-C de 18P da EOS M.

Crop 100%, mesmo na abertura máxima a performance é altíssima, causando moiré no APS-C de 18P da EOS M.

“Jardim” em f/5.6 1/80 ISO400 @ 10mm.

“Jardim” em f/5.6 1/80 ISO400 @ 10mm.

Crop 100%, a resolução no Fisheye é altíssima (note as linhas finas do acabamento do pilar), incomum para este tipo de imagem.

Crop 100%, a resolução no Fisheye é altíssima (note as linhas finas do acabamento do pilar), incomum para este tipo de imagem.

“Fulton Center” em f/5.6 1/160 ISO400 @ 10mm.

“Fulton Center” em f/5.6 1/160 ISO400 @ 10mm.

Crop 100%, a resolução é perfeita nos limites do quadro, e o contraste também, mesmo contra a luz.

Crop 100%, a resolução é perfeita nos limites do quadro, e o contraste também, mesmo contra a luz.

“Chambers St. Station” em f/6.3 1/100 ISO400 @ 10mm.

“Chambers St. Station” em f/6.3 1/100 ISO400 @ 10mm.

Crop 100%, perfeição em gráficos e contornos; compare isso aquela Samyang 8mm T3.8. :-)

Crop 100%, perfeição em gráficos e contornos; compare isso a Samyang 8mm T3.8. :-)

Outras vantagens da performance alta são a ausência completa de saggital coma flare, perfeito para astrofotografia; as cores equilibradas com o restante da linha Canon; e os reflexos internos bem resolvidos com o coating Subwavelength Structure. Com um quadro tão amplo, é comum as fontes de luz aparecerem na imagem, o que pode causar problemas com flaring e ghosting em peças piores acabadas. Mas na EF L nada acontece: as imagens são limpas e claras, uma reprodução perfeita do que estava na frente da câmera. É ideal para fotografar desde ação durante o dia, com o sol iluminando o sujeito, até eventos a noite, com spots intensos no quadro. É bem melhor que a óptica low cost de uma GoPro, que não se sai tão bem em casos extremos de luz.



“Voo” em f/7.1 1/500 ISO100 @ 10mm; cores neutras e fáceis de manipular das Canon EF.

“Voo” em f/7.1 1/500 ISO100 @ 10mm; cores neutras e fáceis de manipular das Canon EF.

“Sol” em f/4 1/160 ISO200 @ 10mm; exemplo de flaring e as estrelas da abertura circular.

“Sol” em f/4 1/160 ISO200 @ 10mm; exemplo de flaring e as estrelas da abertura circular.

“Grand Central” em f/4 1/5 ISO100 @ 10mm.

“Grand Central” em f/4 1/5 ISO100 @ 10mm.

Crop 100%, limite do quadro com sinais leves de saggital coma flare, apesar do CA lateral.

Crop 100%, limite do quadro com sinais leves de saggital coma flare, apesar do CA lateral.

“Concourse” em f/4 1/60 ISO800 @ 10mm.

“Concourse” em f/4 1/60 ISO800 @ 10mm.

Crop 100%, contraste intacto apesar das fontes de luz intensas, mesmo na abertura máxima.

Crop 100%, contraste intacto apesar das fontes de luz intensas, mesmo na abertura máxima.

VEREDICTO

Enfim a Canon EF 8-15mm f/4L Fisheye USM é o que esperamos da série L: construção de ponta, operação perfeita e óptica excelente. Não há nada de errado com ela e nem adianta recomendá-la, quem precisa mesmo do look “distorcido” no sistema da Canon, já sabe que é a única opção. O que justifica o preço alto é o zoom e a possibilidade de usá-la em qualquer formato. Embora o look circular 180º em 8mm no full frame esteja atrelado ao modelo, sinceramente este é o pior uso do modelo. Pense mais na sua APS-C em 10mm e a qualidade de imagem (ou velocidade de disparo) que uma GoPro não faz. Ou no APS-H em 13mm (uma 1D Mark IV usada, que tal?). E mesmo no full frame em 15mm, o upgrade é substancial a vintage (construção, operação, AF). Não há nada de novo na EF 8-15mm Fisheye USM, somente a qualidade esperada da série L. Boas fotos!