Canon EOS 5DS

Primeiras impressões…

Dezembro/2016 – A Canon EOS 5DS é a DSLR do formato 135 (full frame) com mais megapixels do mercado. Lançada em fevereiro de 2015, ela tem um sensor CMOS com 50.6MP efetivos, que gera arquivos com a dimensão 8.688 x 5.792; 9% maiores que a Sony A7RII (42MP), e 19% maiores que a Nikon D810 (36MP). Uma opção para fotógrafos de paisagens, produtos e retratos de alcançarem a resolução antes reservada aos médio formatos digitais, a 5DS é essencialmente uma EOS 5D Mark III de alta resolução, uma vez que compartilha da mesma plataforma e controles, que tantos fotógrafos Canon amam. Porém a fabricante não deixou de atualizá-la para acompanhar o chip novo, com dois processadores DIGIC6, mais rápidos para lidar com tantos pixels; implementando o sistema de espelho motorizado, emprestado da 7D Mark II e pela primeira vez no full frame, para reduzir vibrações e garantir capturas nítidas; e usando o fotômetro de 150.000 pontos, também da 7DII, para cálculos consistentes nas exposições, além de auxiliar o tracking do módulo de foco.

Canon EOS 5DS

Uma câmera que faz a ponte entre a 5D Mark III e a 5D Mark IV, a 5DS é um equipamento dedicado a quem faz impressões grandes. Com tantos pixels, faz pouco sentido usá-la para saída web ou prints menores que o A1, então a decisão de compra vem logo a partir daí: se você coloca as suas fotos no papel, e bem grande, esta é a melhor DSLR do mercado. Ela chega no vlog do zack com 2 anos de atraso, exatamente para darmos tchau a plataforma da 5DIII, que foi um corpo que eu “pulei” em favor da EOS 6D, que fazia mais sentido para levar nos reviews do canal (ela é mais leve e menor). Mas agora com o review iminente da 5D Mark IV, eu decidi explorar o que a Canon oferecia na 5DIII, e também colocar a prova na 5DS, o sensor de maior resolução dentre as DSLR; encarem este texto como um review para as duas. Por US$3699 você leva resolução de sobra para impressões, com a simplicidade de uso e qualidade de operação que estamos acostumados na linha 5D. Afinal, o que a Canon mudou nestes três anos entre 5D Mark III e S? E o que dá pra fazer com 50.6MP? Vamos descobrir em mais um review do blog do zack. Boa leitura. (english)



CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Canon EOS 5DS

Em 15.2 x 11.7 x 7.6cm de 845g de um corpo com estrutura de magnésio (chassi interno e placas externas), borrachas nas áreas de contato das mãos e botões plásticos de alta qualidade, a 5DS é virtualmente a mesma câmera da 5D Mark III, que por sua vez continuava a tradição de durabilidade e ergonomia da 5D Mark II. Um corpo grande para usar com objetivas topo de linha, a 5DS preza pela rigidez estrutural, sem nenhuma parte oca ou estalos quando levantamos até as objetivas mais pesadas. Você sente nas mãos que a placa frontal, a placa superior (que engloba o viewfinder), e a placa traseira são todas feitas de metal gelado, e esta câmera durará anos de trabalho pesado. As portas são bem construídas, de plástico rígido e com molas para abrir, ambas com vedações visíveis contra água e poeira. E todos os botões são de plástico, também com borrachas internas de vedação. A Canon atualizou em relação a 5D Mark III apenas a montagem da placa do parafuso de tripé, com mais roscas de suporte, e a nova pintura metálica, que “brilha” mais que as outras; parece que tem glitter na tinta, para um efeito premium, distinto na família 5D.

Canon EOS 5DS HANDS

Nas mãos a ergonomia é evidentemente a mesma, o que pode ser uma coisa boa e uma coisa ruim. A parte boa é que a 5DS é uma transição “fácil” para quem vem da 5D Mark III, já que não há nada de novo para aprender. São os mesmos botões, sulcos para os dedos e controles que estamos acostumados nas Canon grandes, para tirar da caixa e começar a trabalhar. Ela é grande para equilibrar com as objetivas também grandes da série L, e muito mais confortável que as mirrorless de outra fabricantes, sem sentido no combo “câmera pequena, objetiva grande”. Mas a parte ruim é que a 5DS está essencialmente “datada” em comparação as outras DSLR da Canon, como a 7D Mark II, que é inclusive mais antiga (2014), e a novíssima 5D Mark IV, lançada em 2016, já que não trás nada de novo. A maior ausência está nos novos “controles rápidos” de modo de seleção de pontos AF, que a Canon coloca no dedão, destacados em vermelho: um disco com mola ao redor do joystick da 7DII, e um botão de movimento diagonal na 5DIV; super intuitivos. Então a 5DS parece uma oportunidade perdida da Canon, sem ideias novas, apenas uma reciclagem da Mark III.

Canon EOS 5DS AF LEVER

Sendo um corpo grande, a Canon separa os controles em duas zonas, uma de disparo/exposição, geralmente usados “às cegas”, com a câmera a altura dos olhos; e outro de playback/ajustes, com a câmera “fora dos olhos”. Na mão direita a lógica para fotografar começa com a programação da exposição, que é feita por dois discos verticais, um ao alcance do dedo indicador, na frente, e outro ao alcance do dedão, atrás. Eles se misturam entre obturador/abertura (modo M) ou exposição e compensação da exposição (Av e Tv), e são intuitivos, fáceis de usar. Na hora do disparo da foto, o botão no indicador tem dois estágios, o primeiro programável para AE+AF ou somente AE, e o segundo para expor o quadro. Um destaque deste segundo estágio é que o movimento é bem mais profundo que o de costume, feito para evitar vibrações na hora do click. É o mesmo “toque” emborrachado e silencioso da EOS 6D, mas muito mais profundo que as 5DIII/5DIV/7DII; o que inclusive leva tempo para se acostumar. Eu que fiz o review da 5DS ao mesmo tempo da 5D Mark IV, sempre estranhava o “afundo” do disparador da “S”; se você não apertar até o fim, ela não dispara.

Canon EOS 5DS

Ao lado do disparador, um botãozinho M-Fn é o único do tipo click em todo o corpo, e vem de fábrica programado para “ciclar” entre os modos de seleção de pontos do módulo de foco. Ele trabalha em conjunto com os “botões de cotovelo” atrás da câmera, para o dedão, que controlam intuitivamente a objetiva (AF-ON), o fotômetro (AE-L) e o módulo de foco (este junto do M-Fn da frente). Eles também são intuitivos no momento decisivo antes de disparar a câmera, e estão opostos ao joystick traseiro para o dedão. Este joystick serve tanto para mudar os pontos de foco (são oito direções + centro), quanto para navegar pelos menus da 5DS, e é uma pecinha plástica emborrachada, com clicks, parecida com a da 5D Mark II antiga. Ela tem um sulco para a palma do dedão, e contornos plásticos duros para dar aderência aos movimentos. Com a câmera aos olhos, você vai “pelo dedão” mudando os pontos de foco no viewfinder, sem perder de vista do sujeito. É basicamente a mesma forma de fotografar em todas as EOS profissionais, intuitiva e ágil.



Canon EOS 5DS

Ao lado oposto destes botões de cotovelo, ainda a direita, começamos os controles “fora do olho”, usados quando a câmera está apoiada nas duas mãos. O primeiro deles é a chavinha de seleção do modo Live View, que tem um botão central, START/STOP. No modo foto, este botão levanta o espelho e vemos uma previsão exata do sensor no LCD traseiro (Live View), como a câmera de um smartphone. É muito útil para fotografar produtos, paisagens e arquitetura, dada a precisão do enquadramento. E no modo vídeo é este botão que, como o nome diz, inicia ou interrompe a gravação. Ao lado da tela, o diminuto botão “Q” ativa um menu rápido (quick) e programável, com ajustes de exposição, metering, formato de gravação etc, e é quase redundante se considerarmos os botões de cima, para o indicador. São eles WB/fotômetro, DRIVE/AF, compensação do flash/ISO (este com uma resposta tátil diferente, com uma bolinha), que mostram os ajustes na LCD de cima. Ou seja, são duas maneiras de ajustar: ou pelo LCD superior, por exemplo quando a câmera está num tripé, abaixo do fotógrafo; ou pelo LCD traseiro, com a câmera a altura do fotógrafo.

Canon EOS 5DS

Voltando para trás, o enorme dial principal da Canon está ao alcance do dedão, e é usado durante o playback para mudar as fotos, com um giro; ou para ajustes silenciosos durante a gravação de vídeo. Nada está indicado no hardware (pintado ou gravado na borracha), mas este dial na verdade é um “touch pad”, ativado pela função “Silent Control” no menu vídeo. Ele é sensível ao toque em 4 direções, para mudar os ajustes de exposição sem fazer barulho durante a captura. Ao centro, o botão SET é o mesmo que um “ok” na Canon, e serve para confirmar os ajustes nos menus. Durante a decisão da exposição, porém, ele pode ser programado para diversas funções, na minha opinião a mais útil como “compensação da exposição” no modo manual (M). Neste caso, você pode usá-lo em conjunto com o Auto-ISO para 1) decidir manualmente o obturador e a abertura, 2) deixar a câmera decidir o menor ISO possível e 3) ativar a compensação da exposição, que outrora seria feita pelo menu (afinal os dois discos já estariam em uso). É uma boa opção para o SET, já que a Canon se recusa a implementar um botão +/- de compensação nas EOS grandes.

Canon EOS 5DS

Do lado esquerdo está a segunda zona de controles, também feita para ser operada com a câmera fora dos olhos. Em cima a Canon coloca o disco de seleção de modo, simplificado para um fluxo de trabalho “profissional”. São apenas os modos A+, P, Tv, Av, M, B e três customizáveis, que deixam de fora o “cena” ou “flash desativado” das EOS intermediárias. Este disco é “gordo” e emborrachado, e tem um botão central de trava, que deve ser apertado para liberar o giro. Ele é bem firme de usar, e diferente das 1D, que perdem por completo este dial no lugar de um botão MODE do outro lado. Ao lado da tela LCD, uma coluna de cinco botões dá acesso ao playback, zoom, delete/lixo, playback comparativo (lado a lado) / acesso direto ao Picture Style, e um RATE, para dar nota (estrelas) as fotos. E em cima, auto explicativos, estão os de MENU e INFO, este segundo que “cicla” informações na tela LCD traseira: duas telas de exposição, uma sobre as posições Custom e outra de nível eletrônico. Repito, é tudo óbvio e fácil de usar, como estamos acostumados com as EOS.

Canon EOS 5DS

Na lateral esquerda da 5DS, para o fotógrafo, estão as portas de comunicação, que revelam a 1ª diferença ideológica do modelo em comparação a 5D Mark III. Enquanto as entradas de microfone, saída sync PC para flash, controle remoto e HDMI são idênticas entre as câmeras, a 5DS ganha um plug USB 3.0 no lugar do “USB 2.0 + saída para fones de ouvido” da Mark III; e também perde a saída “limpa” na HDMI. A Canon deixa bem claro o que cada modelo servirá na linha EOS: uma full frame híbrida para vídeos (Mark III/IV), e outra dedicada a alta resolução (5DS). Parte graças ao suporte dos novos processadores DIGIC6 a USB 3.0, o curioso é que a Canon não aumentou a BUS dos cartões de memória, que vão do outro lado. Assim como a Mark III, a 5DS suporta apenas os Compact Flash tipo I, compatível com o UDMA 7 (167MB/s máximo), e os SD UHS-I (104MB/s máx.); bem atrás dos CFast 2.0 (até 600MB/s) da 1D-X Mark II, também dual DIGIC 6+, ou dos SD UHS-II das mirrorless mais novas (até 312MB/s). Ou seja, embora o volume de dados tenha aumentado, a Canon se recusou a mudar a BUS de memória da 5DS, que fica parada na tempo da Mark III.

Canon EOS 5DS

Enfim, embaixo, a EOS 5DS aceita as mesmas baterias LP-E6N, taxada em “apenas” 700 fotos; menos que os 900 clicks da 5D Mark III. Lembrem, porém, que esta é apenas uma estimativa, que varia bastante dependendo da utilização do LCD traseiro. Numa tarde eu consegui menos de 400 fotos com uma carga, quando usei bastante o Live View; e noutra, 800, sem usar o LCD traseiro. É muito mais que qualquer mirrorless ou médio formato, e abre espaço para ainda mais fotos. De qualquer maneira, a 5DS aparentemente consome mais energia sim, e não recomendo ir viajar sem levar o carregador, como outras DSLR. Na frente a baioneta de montagem EF é rígida e tem um botão imenso para liberar a objetiva. E em cima, a 5DS aceita os flashes EX da Canon, que vão numa sapata de metal. Está tudo no lugar de sempre, como esperamos da linha EOS 5D.

Canon EOS 5DS

A Canon EOS 5DS passa a impressão premium que esperamos de um máquina além dos US$3000, e foi criada para durar a vida toda. O módulo do obturador, por exemplo, está taxado em pelo menos 150.000 clicks antes da começar a falhar, o que é muito na frente de qualquer médio formato. Este é daqueles “tanques” para aguentar foto-jornalismo de guerra (palavras do fabricante), o dia-a-dia no estúdio ou trilhas pesadas, sem incomodar o fotógrafo na mochila. Na linha Canon EOS, o full frame só fica melhor na construção da 1D-X, que custa o dobro e entrega menos da metade da resolução. Ou nos novos recursos da recém-lançada 5D IV, que leva a linha 5D para frente com o Dual Pixel, apesar de ter parado nos 30MP. Mas como veremos a seguir, a 5DS ainda vale na linha atual, mesmo compartilhando da construção da 5D III de 4 anos atrás.

DESTAQUES – VELOCIDADE

“Ray-Ban” com a EOS 5DS + Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/1000 ISO400 @ 347mm.

“Ray-Ban” com a EOS 5DS + Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/1000 ISO400 @ 347mm.

Crop 100%, detalhe (primeiro quadro) de uma captura sequência a 5 quadros por segundo, a 50.6MP.

Crop 100%, detalhe (primeiro quadro) de uma captura sequência a 5 quadros por segundo, a 50.6MP.

Apesar de compartilhar da mesma plataforma da 5D Mark III, praticamente tudo mudou dentro da 5DS. A começar com o par de processadores DIGIC 6 (era só um DIGIC 5 na Mark III), a 5DS é uma câmera rápida, mesmo com os 50.6MP e os arquivos JPEG de 20MB, ou raw com de 50-80MB. Com um tempo de boot de menos de 0.05 segundos, shutter lag de 59ms e disparo de até 5 quadros por segundo, ela consegue ser mais rápida que a 5D Mark III para ligar e processar os arquivos na camera. A vantagem disto é que, pela primeira vez, os 50MP estão disponíveis para fotografar ação e retratos dinâmicos, já que nenhum médio formato vai além dos 3 quadros por segundo, ou encosta na tecnologia da Canon para focar automaticamente. Embora em modo contínuo a 5DS não aguente longas sequências sem parar, com memória interna (buffer) para somente 14 arquivos raw (são 510 (!) JPEG, porém), com cartões Compact Flash UDMA 7, ela é ágil, sem engasgar no dia a dia. É um produto revolucionário pela velocidade, uma vez que abre novas possibilidades aos fotógrafos que dependiam de alta resolução, antes presa em câmeras lentas.



DESTAQUES – ESPELHO MOTORIZADO

Canon EOS 5DS MIRROR BOX

Uma coisa que aprendemos com o APS-C e com a Nikon D800, é que estas câmeras de altíssima “densidade” (a quantidade de pontos por área do sensor) jogam fora aquela “regra” sobre a velocidade do obturador mínima = distância focal, para evitar fotos borradas. Qualquer “respiro” do fotógrafo e a foto sairá sem nitidez, uma vez que tantos pontos “ampliam” também os movimentos. Tal velocidade e resolução, então, dependem de novas tecnologias, para 1) evitar vibrações em excesso do conjunto e 2) garantir capturas nítidas, dado o tamanho diminuto de cada pixel. Portanto a Canon revisou o conjunto espelho + obturador, para ser mais suave.

Emprestado da EOS 7D Mark II, o sistema de espelho e amortecedores são motorizados na 5DS, pela primeira vez numa full frame Canon. Eles ajustam a velocidade do ciclo de disparo, reduzindo os impactos das peças móveis, diferente das SLR antigas em que todo o conjunto de exposição (espelho + obturador) era disparado por molas. Na era da película isto não era um problema, já que raramente víamos a exposição “pixel a pixel”, na tela do computador. Mas no digital isso começou a ser um problema, ainda mais nas câmeras de alta resolução. A 5DS resolve de maneira eficaz e elegante, uma vez que o barulho do conjunto também é muito menor. É possível fazer exposições em 1/4 a velocidade recomendada, junto com as objetivas estabilizadas, sem tripé.

“Bonjour” com a EOS 5DS + Canon EF 16-35mm f/4L IS USM em f/8 1/10 ISO100 @ 16mm.

“Bonjour” com a EOS 5DS + Canon EF 16-35mm f/4L IS USM em f/8 1/10 ISO100 @ 16mm.

Crop 100%, exposições lentas, sem tripé e totalmente nítidas, apesar dos 50.6MP; cada LED do painel é reproduzido.

Crop 100%, exposições lentas, sem tripé e totalmente nítidas, apesar dos 50.6MP; cada LED do painel é reproduzido.

Uma função exclusiva da 5DS, porém, é a capacidade de “atrasar” o ciclo de “levantar espelho > expor a foto > baixar espelho”, para ajudar ainda mais na captura de alta resolução. Enquanto qualquer SLR pode facilmente manter o espelho levantado para evitar vibrações (mirror lock-up), a Canon foi um passo além e permitiu associar a função com um timer, que pode ser ajustado tão pouco quanto 1/8 de segundo, automatizando o processo foto a foto. É bem mais útil que o mirror lock-up sozinho, já que o viewfinder fica “bloqueado” por um breve momento. Unido ao modo DRIVE “Silent”, e também possível durante o Live View, ele “atrasa” propositadamente o disparo até que se dissipem as vibrações. Isso facilita a captura nítida, por exemplo de fotografia macro.

Canon EOS 5DS

E pela primeira vez na linha 5D, um intervalômetro vem embutido nos menus da 5DS. Com ele é possível criar time-lapses, aquelas sequências de fotos que encurtam um longo espaço de tempo, com clicks programados em intervalos pré-determinados, sem a presença do fotógrafo ou a compra de um disparador externo. A configuração é feita na tela principal da câmera, num menu próprio, diferente de algumas câmeras que associam esta função com o modo DRIVE. Os arquivos em alta resolução podem ser salvos direto no cartão de memória, e ultrapassam a dimensão 8K, para serem manipulados no computador depois. Ou usados na câmera, para criar vídeos 1080P.

DESTAQUES – LCD E VIEWFINDER

Canon EOS 5DS

Como era de se esperar de uma DSLR full frame e além dos US$3000, a “experiência” com a tela LCD e o viewfinder da Canon EOS 5DS também é fantástica. A tela LCD é do tipo Clear View II, com 1.04M pontos e 3.2”, a mesma da EOS 5D Mark III. O painel TFT é mais próximo do plástico protetor externo, tratado contra reflexos, então o contraste é altíssimo. Vindo de uma EOS 6D, que tem o Clear View “I”, o salto na fidelidade das cores é grande. E o viewfinder é do tipo “Intelligent II” (era I na Mark III), que mostra novas informações de operação do foco automático, balanço do branco, drive, nível eletrônico, num LCD que fica sob o penta-prisma de cobertura 100%. Este cristal dá uma ampliação de aproximadamente 0.71x na imagem, com uma visão imersiva da cena, fácil de compor. No dia-a-dia os dois são um prazer de usar: o viewfinder grande e espaçoso, fiel a vida real graças a peça óptica; impossível nas mirrorless; e o LCD nítido, calibrado para as cores da Canon.

DESTAQUES – 61-POINT RETICULAR AF

Canon EOS 5DS

Servindo também com um review da 5D Mark III, a EOS 5DS recebeu o mesmo sistema de foco automático de 61 pontos, apresentado lá em 2012. Um módulo emprestado da topo-de-linha 1D-X, a novidade era o excesso de pontos, perfeitos para seguir sujeitos em movimento ou flexibilizar a composição, atendendo vários tipos de fotografia num equipamento só. Os menus AI SERVO AF III permanecem os mesmos na 5DS, com programações de sensibilidade, velocidade de mudança de pontos e algoritmo preditivo, inclusive com 6 casos pré-programados para agilizar a operação. Porém, apesar dos mesmos 41 pontos cross-type, 5 pontos dual cross-type de alta precisão, 60% de cobertura horizontal e sensibilidade a -2EV da Mark III, a 5DS recebeu um grande aliado no AF: a associação ao fotômetro de 150.000 pontos da EOS 7D Mark II, muito mais avançado que as “63 zonas de dupla camada” da EOS 5D Mark III, que parece jurássica em comparação.



DESTAQUES – iSA 150K RGB+IR METERING

O metering de 150.000 pontos é praticamente uma “filmadora” dentro da máquina fotográfica. Montado em cima do penta-prisma do viewfinder, ele consegue “ver” com riqueza de detalhes o que está na frente da câmera, e fornece mais informações ao computador de medição, para cálculos mais precisos. Não somente este metering “vê”, como poeticamente ele também “sente”: sensível ao espectro infra-vermelho, o fotômetro é capaz de distinguir entre as cores normais e os tons de pele, liberando um modo na 5DS que não há na 5D Mark III: o EOS iTR (intelligent tracking) AF. Com esta opção ligada, a 5DS praticamente nunca perde o sujeito humano de vista, perfeito para selecionar os pontos de foco sozinho, em qualquer lugar do quadro. Além das informações de distância e cor, o algoritmo também pode “perceber” as pessoas, garantindo o foco nelas.

Canon EOS 5DS

Por outro lado, o EOS iTR ainda não funciona como o Nikon 3D Tracking, este pensado para substituir a técnica do focar-e-recompor, muito útil para fotografar retratos e produtos. Na Canon o iTR dá maior prioridade a distância do sujeito, informação que vem do módulo phase, e então associa as cores do metering para mudar os pontos de foco. Na Nikon, o 3D Tracking é ao contrário, dando maior atenção as cores e menos a distância, inclusive não recomendado para fotografar ação. Então é a mesma dúvida que eu fiz sobre a 7D Mark II: apesar do fotômetro de alta resolução, a Canon ainda não acompanha sujeitos somente no eixo X e Y no viewfinder. Para isso a Canon recomenda usar o Live View, que usa o sensor de 50MP de pixels para seguir uma cor só.

Canon EOS 5DS

Além disto, o metering atualizado trás outra função ausente na 5D Mark III: a detecção automática de flicker na iluminação, para exposições mais uniformes sob luz eletrônica. O flicker é quando a frequência da rede elétrica local e das lâmpadas não “casam” com o ciclo de leitura da câmera, resultando em faixas menos escuras no quadro. É comum em estádios, ginásios e salas de eventos, e pode destruir uma foto, pela exposição não uniforme. O metering da 5DS consegue “ver” a cena e medir a frequência do flicker, e atrasar o disparo da câmera, a fim de sincronizá-lo com o ambiente. O resultado são fotos perfeitas sob qualquer situação, e outra adição bem-vinda a linha 5D.

MENÇÃO HONROSA – EOS MOVIE 1080P30


Apesar de obviamente voltada a fotografia, já que a Canon deliberadamente tirou a saída “limpa” da porta HDMI sem overlays, e também a saída para fones de ouvido, para monitorar o áudio; por incrível que pareça as capacidades de vídeo da 5DS merecem alguma menção, ainda mais vindo de uma página que historicamente se recusa a recomendar as DSLR EOS para a gravação de vídeos. Magicamente a 5DS repete a qualidade do vídeo da 5D Mark III: 1080P30 com resolução justa, a frente das outras EOS da mesma geração, e livre de aliasing e moiré, que eu vivo reclamando da Canon. Eu digo “magicamente”, porque o salto na resolução da 5DS obriga a Canon a fazer o maldito “line skipping” (pular linhas), que gera os artifícios na imagem. Enquanto o sensor da 5D Mark III foi projetado em 22MP justamente para chegar a um 1080P por pixel binning, outro processo que junta quatro pixels em um só, a mesma conta não fecha nos 50.6MP da 5DS. Mas magicamente ela não sofre destes problemas, e é possível recomendá-la para vídeos Full HD.

“Yick Fat” com a EOS 5DS + EF 16-35mm f/4L IS USM em ALL-I 1080P30 Av f/6.3 @ 16mm (clique para ver maior)

“Yick Fat” com a EOS 5DS + EF 16-35mm f/4L IS USM em ALL-I 1080P30 Av f/6.3 @ 16mm. (clique para ver maior)

Não, ainda não temos zebras, peaking ou grandes assistências durante a captura; nem a Mark III tinha. Também não ganhamos uma tela retrátil como a D750. Mas uma adição interessante, por outro lado, é a tentativa da EOS 5DS em focar continuamente (SERVO) no modo vídeo, que não existe na Mark III. A Canon aposta na alta performance do DIGIC 6 para focar durante a gravação de vídeo, feito “na marra”, por contraste, sem Dual Pixel ou pontos phase embutidos no sensor. E sinceramente? Funciona! Enquanto a 5DS não vai acompanhar jogadores de futebol em campo, ela é capaz de acompanhar mudanças sutis de enquadramento em depoimentos, inclusive dando preferência ao rosto do sujeito. É uma novidade curiosa, já que eles tiraram recursos importantes (saída limpa no HDMI), e incluíram coisas novas (AF SERVO). É o jeito EOS Movie de ser.

O QUE FALTA?

CANON_EOS_5DS_22

Impossível passar batido o fato da 5DS não trazer alguns dos recursos da linha EOS, apesar de ser um lançamento de 2015, mais nova que outras DLSR Canon. Em relação a 7D Mark II (2014), por exemplo, a 5DS não trás o GPS integrado (apresentado na 6D), um módulo de foco de 65 pontos, com cobertura muito mais ampla do quadro (80%, embora APS-C) e o anel de dedão para seleção de modo do foco, muito mais rápido de usar. Sobre a EOS 6D (2012), falta na 5DS o Wi-Fi integrado, para controles a distância e o Live View sem fio, e a sensibilidade do foco automático até -3EV. E ao lado da novíssima EOS 5D Mark IV, a ergonomia e os recursos principais (interface touch, sensor Dual Pixel, vídeo 4K, 100% wireless) deixam a 5DS muito para trás, inclusive dificultando o uso das duas num mesmo kit. Eu que fiz os reviews ao mesmo tempo, notei como é difícil ir do Live View sensível ao toque da 5D Mark IV, de volta a interface de botões da 5DS; ou mesmo o design do corpo, mais ergonômico na câmera mais nova. Então a Canon perdeu algumas oportunidades na 5DS, apesar do pacote bem feito. Rumores sugerem que veremos uma 5DS Mark II mais cedo que o de costume, com o corpo da Mark IV e talvez com um sensor novo. Mas são apenas rumores…

QUALIDADE DE IMAGEM

“Ching Chung Koon” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/15 ISO640 @ 16mm; alguns arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Ching Chung Koon” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/15 ISO640 @ 16mm; alguns arquivos raw disponíveis no Patreon.

Antes de falarmos sobre a qualidade de imagem da 5DS, vale comentar que ela não está sozinha na linha 5D para a alta resolução. Um segundo modelo, 5DSR, é a mesma câmera da 5DS, mas com um conjunto de filtro low-pass “auto-cancelável” na frente do sensor, para aumentar o micro-contraste. Uma estratégia semelhante a usada pela Nikon na geração das D800 e D800E, ambas de operação idêntica, a versão “E” também vinha com o filtro low-pass “cancelado”, e que foi completamente retirado na geração seguinte, a D810. Uma coisa a se notar, porém, é que os dois processos são distintos: filtro low-pass “auto-cancelável” (D800E/5DSR) e filtro low-pass “não presente” (D810) são coisas diferentes. E como vocês podem imaginar, retirar completamente o filtro é mais eficaz para aumentar a resolução percebida. Lado a lado, eu não notei a 5DSR muuuito mais nítida que a 5DS, que é mais barata e sofre com menos moiré. Portanto, optei pela 5DS.



“Lanternas” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/15 ISO200 @ 16mm.

“Lanternas” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/15 ISO200 @ 16mm.

Com um sensor CMOS de formato 135 (“full frame”) de 50.6MP, que gera arquivos 8688×5792 de 50.3MP a 14-bit gravados em raw no formato comprimido CR2 da Canon, a cerca de 50-80MB cada, as 5DS/5DSR são as DSLR de formato “3:2” de maior resolução do mercado. Na frente até das DSLR de médio formato Pentax 645Z e Phase One IQ250, que usam imagers da Sony, de formato 4:3 e geram arquivos menores no eixo X (8256×6192), as 5DS/R são um grande avanço ao formato 135 “full frame”. Um chip da mesma geração da 7D Mark II, a Canon declara que as duas compartilham das mesmas tecnologias, gapless com 16 canais duplos de leitura, apresentados na 1D-X (2011); mas aqui usadas uma para velocidade e Dual Pixel (7DII), e a outra para resolução (5DS). Portanto os resultados são praticamente os mesmos entre as câmeras: nitidez padrão do arranjo Bayer; dynamic range típico das Canon EOS, com recuperação sem banding de sombras; e arquivos limpos até ISO800, com perda de detalhes além do 3200. As cores que fazem a fama da Canon, continuam intactas, pela primeira vez nos 50MP, para prints imensos e por um preço acessível.

“De cima” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/5 ISO1250 @ 16mm.

“De cima” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/5 ISO1250 @ 16mm.

Eu nem preciso dizer que a capacidade de registrar detalhes da 5DS é impressionante, na frente de qualquer outra full frame do mercado. Em cenas urbanas, não vemos apenas todos os tijolos na fachada dos prédios; vemos as variações de tom do cimento entre os blocos. Em paisagens, não são os vincos de uma montanha; são animais soltos em terrenos aparentemente vazios. Em fotografia de produto, são as texturas dos metais, plásticos e borrachas, antes invisíveis. Enquanto os ISO baixos 100 e 400 são os mais recomendados para extrair a resolução bruta do sensor, sem influência dos ruídos nos detalhes, é interessante ver como o sensor os mantém até ISO3200, desde que o sujeito esteja bem iluminado. Por exemplo fotografia de esportes durante o dia, quando usamos ISOs altos (1000-2000) para compensar a velocidade do obturador, a 5DS registra sem problemas as texturas de pele e fios de cabelos, com uma malha fina de ruídos.

“Manhattan” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/8 1/250 ISO400 @ 150mm.

“Manhattan” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/8 1/250 ISO400 @ 150mm.

Crop 100%, cada tijolinho do prédio a distância.

Crop 100%, cada tijolinho do prédio a distância.

“Mountain Goat” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/125 ISO1250 @ 150mm.

“Mountain Goat” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/125 ISO1250 @ 150mm.

Crop 100%, sim, há um bode perdido ali.

Crop 100%, sim, há um bode perdido ali.

“Tokina 11-20” com a EF 100mm f/2.8L IS USM em f/5.6 1/80 ISO400.

“Tokina 11-20” com a EF 100mm f/2.8L IS USM em f/5.6 1/80 ISO400.

Crop 100%, detalhes antes invisíveis nas fotografias de produto.

Crop 100%, detalhes antes invisíveis nas fotografias de produto.

“Ciclista” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/1000 ISO2500 @ 600mm.

“Ciclista” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/1000 ISO2500 @ 600mm.

Crop 100%, mesmo em ISO2500, os detalhes são incríveis na 5DS, desde que haja luz.

Crop 100%, mesmo em ISO2500, os detalhes são incríveis na 5DS, desde que haja luz.

O dynamic range dos arquivos também é bom, na mesma geração da EOS 7D Mark II. Não há banding em compensações justas de +1 ou +2EV de exposição no Adobe Camera Raw, e os ruídos coloridos só aparecem além dos +3EV, exclusivamente nas sombras. Os highlights são preservados para recuperação até -2EV, permitindo devolver detalhes a céus estourados ou lâmpadas em clicksindoor, que também recuperam os tons mais quentes das luzes. Não, o sensor não se compara aos EXMOR da Sony, que toleram incríveis +-5EV de compensação sem qualquer perda de qualidade, empregados nas câmeras da linha Alpha ou nas Nikon D8##. Por outro lado nenhuma delas chega aos 50MP, e a decisão de compra pode partir daqui: ou você precisa da resolução bruta, para impressões gigantes e dynamic range suficiente para as correções do dia-a-dia, ou você se contenta com os 42MP de uma A7RII/a99II, com a flexibilidade extra no pós-processamento.

”Montana” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM C em f/7.1 1/125 ISO400 @ 150mm; Exp. +0.30, HLi. -60, Shad. +100, Blacks +100.

Crop 100%, ruídos evidentes na recuperação extrema do software.

Crop 100%, ruídos evidentes na recuperação extrema do software.

”Sunset” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/125 ISO100 @ 150mm; Exp. +2.50, HLi. -32, Shad. +52.

Crop 100%, detalhes recuperados sem banding nas sombras, numa exposição aparentemente escura.

Crop 100%, detalhes recuperados sem banding nas sombras, numa exposição aparentemente escura.

”Lanternas II” com a EF 16-35MM f/4L IS USM em f/4 1/20 ISO160 @ 16mm; Exp. +1.25, HLi. -32, Shad. +28, Blacks +1.

Crop 100%, praticamente nada de ruídos em recuperações entre ISO100 e 400.

Crop 100%, praticamente nada de ruídos em recuperações entre ISO100 e 400.

”Dojo” com a EF 16-35MM f/4L IS USM em f/8 1/125 ISO100 @ 16mm; Exp. +1.00, HLi. -73, Shad. +51, Blacks +29.

Crop 100%, nada de banding nas recuperações da 5DS, como acontecia na 1D-X e na 7D Mark II.

Crop 100%, nada de banding nas recuperações da 5DS, como acontecia na 1D-X e na 7D Mark II.

Ruídos em valores altos do ISO são visíveis, de novo, com a mesma performance da 7D Mark II. E é aqui que mora o paradoxo da qualidade de imagem da 5DS: ela é full frame, mas não se comporta como tal. Como os pixels são pequenos para a alta resolução no formato, e a Canon não melhorou a tecnologia da 7D Mark II, que por sua vez veio da 1D-X, a 5DS fica limitada sob pouca luz. Mas para resolução e nitidez máxima, em nenhuma câmera é recomendado ISOs muito altos, além do 800; então não faria sentido encarar a 5DS com este propósito. Então logo nestes valores baixos, uma “malha” de grânulos cria uma textura sobre os arquivos da 5DS, visível principalmente na tela do computador, quando olhamos os arquivos pixel a pixel. Por outro lado, o interessante é que os detalhes não são tão impactados, permitindo sim trabalharmos em ISOs mais altos. Por exemplo dentro de um templo Man-Mo em Hong Kong, sem tripe (é proibido) e com a objetiva EF 16-35mm f/4L IS USM, estabilizada, foi possível registrar todos os detalhes do teto escuro, apesar do ISO alto.

“Bizão” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/320 ISO1600 @ 600mm.

“Bizão” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/320 ISO1600 @ 600mm.

Crop 100%, mesmo com o ISO1600, durante o dia não há ruídos nem perda de resolução, detalhes perfeitos.

Crop 100%, mesmo com o ISO1600, durante o dia não há ruídos nem perda de resolução, detalhes perfeitos.

“Incenso” com a EF 16-35MM f/4L IS USM em f/4 1/20 ISO1600 @ 17mm

“Incenso” com a EF 16-35MM f/4L IS USM em f/4 1/20 ISO1600 @ 17mm

Crop 100%, a graduação de tons é muito suave mesmo em zonas de ruídos.

Crop 100%, a graduação de tons é muito suave mesmo em zonas de ruídos.

“Yi Tai Temple” com a EF 16-35MM f/4L IS USM em f/4 1/15 ISO2000 @ 17mm.

“Yi Tai Temple” com a EF 16-35MM f/4L IS USM em f/4 1/15 ISO2000 @ 17mm.

Crop 100%, apesar dos ruídos, não vemos tons de magenta em ISOs altos, exceto os que já estavam na cena.

Crop 100%, apesar dos ruídos, não vemos tons de magenta em ISOs altos, exceto os que já estavam na cena.

“Ciclista” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/1000 ISO1600 @ 324mm.

“Ciclista” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/1000 ISO1600 @ 324mm.

Crop 100%, ISO1600 durante o dia, livre de ruídos e cheio de detalhes nos 50.6MP.

Crop 100%, ISO1600 durante o dia, livre de ruídos e cheio de detalhes nos 50.6MP.

O processamento JPEG da 5DS também recebeu atenção da Canon, para utilizar a resolução extra do chip, mesmo por quem não usa o raw no fluxo de trabalho. Um novo perfil de Picture Style “Fine Detail”, apresentado neste modelo, otimiza a nitidez percebida nas fotos, junto de novos parâmetros de força, clareza e limite. O valor “força” pode ser configurado de 0 a 7, e foca nos contornos dos elementos, com linhas mais ou menos claras. O “clareza” lida com a espessura destas linhas, que podem ser mais grossas (+5) ou finas (1). E o limite, como o nome diz, dita qual é o valor de contraste que câmera deverá usar para detectar as linhas. No valor 1, somente linhas com pouco contraste recebem o tratamento de nitidez, como o cimento dos tijolos de um prédio. No +5, somente linhas de alto contraste, como os contornos de uma janela, serão processados. Isto pode ser útil também em retratos, uma vez que a pele humana, sem linhas firmes, não ganhará aquela aparência artificial de arquivos ultra nítidos. E tudo isso acontece até 5fps, a 8688×5792!

Canon EOS 5DS

“Bizões” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/200 ISO400 @ 403mm.

“Bizões” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/200 ISO400 @ 403mm.

Crop 100%, o processamento da câmera consegue manter os detalhes, apesar de ainda ser agressivo contra os ruídos.

 “Margem” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/8 1/500 ISO800 @ 600mm.

“Margem” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/8 1/500 ISO800 @ 600mm.

Crop 100%, a Canon prefere manter os ruídos coloridos, mas limar o ruído de sinal.

“Mata” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/8 1/160 ISO3200 @ 150mm.

“Mata” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/8 1/160 ISO3200 @ 150mm.

Crop 100%, o perfil Fine Detail faz um bom trabalho mantendo detalhes de galhos e folhas.

Por fim as cores que fazem a fama da Canon não poderiam faltar nos arquivos da 5DS, que são sempre um show a parte em comparação a outras fabricantes. Vindo de reviews da Sony (A6300), Fuji (X-Pro 2 e X-T2) e Nikon (D500), é sempre um prazer voltar a Canon, que entrega as cores mais perfeitas direto da câmera; especialmente no full frame. Todas as fotos tem um aspecto mais quente nos tons das luzes, perceptível a qualquer hora do dia, do lado de dentro ou do lado de fora. Numa tarde em Manhattan, é interessante ver como a 5DS “vê” aquela cidade tipicamente “cinza”, mas com tons levemente laranja-rosados no concreto, no lugar do azul-cinzento da Sony. Em ambientes frios, como o Glacier National Park em Montana, a 5DS “vê” um final de tarde mais puxado para o roxo, no lugar do azul índigo da Fuji X-T2. Sob o pôr-do-sol, fica ainda mais clara a tendência da Canon em privilegiar os vermelhos e amarelos, vistos na folhagem do outono norte americano. Mas foi realmente nos templos de Hong Kong, taoístas ou budistas, que a 5DS entregou a alma asiática: tons de vermelho, azul e verde são “puros” na tela do computador (R:100, G:100, B:100), ainda mais quando usamos objetivas da série L, projetadas para saturação máxima.

“Mata II” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/200 ISO200 @ 180mm; reprodução natural de tons sob o sol.

“Mata II” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/200 ISO200 @ 180mm; reprodução natural de tons sob o sol.

Crop 100%, cores em cada pixel, sempre cheios de detalhes.

Crop 100%, cores em cada pixel, sempre cheios de detalhes.

“Folhas” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/250 ISO100 @ 600mm; tons quentes no final do dia.

“Folhas” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/6.3 1/250 ISO100 @ 600mm; tons quentes no final do dia.

“Pôr-do-sol” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/200 ISO320 @ 421mm; saturação no lugar certo, graduação perfeita a distância.

“Pôr-do-sol” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/200 ISO320 @ 421mm; saturação no lugar certo e graduação a distância.

“Dusk” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/80 ISO320 @ 150mm; frio e quente no mesmo ambiente.

“Dusk” com a Sigma 150-600mm f/5-6.3 DG OS HSM Contemporary em f/7.1 1/80 ISO320 @ 150mm; frio e quente no mesmo ambiente.

“Sala 3” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/20 ISO125 @ 19mm.

“Sala 3” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/20 ISO125 @ 19mm.

Crop 100%, os “reds 100%” da Canon, com reprodução perfeita de detalhes ao redor.

Crop 100%, os “reds 100%” da Canon, com reprodução perfeita de detalhes ao redor.

“1000 budas” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/8 1/20 ISO125 @ 24mm.

“1000 budas” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/8 1/20 ISO125 @ 24mm.

Crop 100%, cada pixel colorido, com decodificação perfeita do arranjo Bayer.

Crop 100%, cada pixel colorido, com decodificação perfeita do arranjo Bayer.

“Venda” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/20 ISO125 @ 19mm; exposição complicadíssima com luz fria + difusor vermelho.

“Venda” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/20 ISO125 @ 19mm; exposição complicadíssima com luz fria + difusor vermelho.

Crop 100%, os detalhes de um arquivo de 50.6MP.

Crop 100%, os detalhes de um arquivo de 50.6MP.

“Entrada” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/8 1/15 ISO640 @ 16mm.

“Entrada” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/8 1/15 ISO640 @ 16mm.

“Ching Chung Koon II” com a EF 16-35mm f/4L IS USM em f/4 1/20 ISO400 @ 16mm.

Crop 100%, detalhes que outras câmeras não conseguem registrar, como correntes finas ao fundo.

Crop 100%, detalhes que outras câmeras não conseguem registrar, como correntes finas ao fundo.

VEREDICTO

A Canon EOS 5DS é a câmera definitiva para quem faz impressões grandes. Mantendo a ergonomia e usabilidade de uma das câmeras mais populares da história, a EOS 5D Mark III, a Canon melhorou o que podia para acomodar o sensor novo de 50.6MP que, mesmo dois anos após o lançamento, continua sendo o de maior resolução no formato. Enquanto ela não está sozinha no mercado, a 5DS é a única a oferecer um pacote completo num ecossistema completo, e por um preço relativamente baixo, ainda não alcançado pela concorrência. Ela percorre o mesmo caminho revolucionário da 5D original, que colocou na mão dos fotógrafos entusiastas o sensor full frame. O caminho da 5D Mark II, com 21MP e vídeo Full HD, que fundou o mercado de DSLRs híbridas e a produção de vídeo de muita gente. O caminho da 5D Mark III, que trouxe o módulo de 61-pontos de foco da 1D-X e a performance sob pouca luz. E agora traça o caminho das impressões gigantes, antes reservadas ao médio formato. Ela é revolucionária por definição, como toda 5D. Boas fotos!