Fujifilm XC 16-50mm f/3.5-5.6 OIS II

A zoom acessível para o Fuji X-mount

Setembro/2016 – A XC é a linha “de entrada” da Fujifilm para o X-mount. Sem a construção de metal e as funções avançadas das XF [como anéis de abertura (R), motores lineares (LM), proteção aos elementos (WR)], as XC são as opções de baixo custo da Fujinon, pensadas nos kits mais simples. Composta por apenas duas zoom, 16-50mm e 50-230mm, ela tem o range completo equivalente aos 24-350mm do formato full frame, num kit de menos de 600gr. A Fuji, porém, não descuidou da fórmula óptica. Nesta 16-50mm, por exemplo, são 12 elementos em 10 grupos, três asféricos e um de baixa dispersão, que deixam no chinelo até alguns projetos da Canon série L. Mas o preço é curioso: por US$399 fora de um kit, ela se torna um investimento “sério” para qualquer fotógrafo. Será que vale o “premium” que a Fuji cobra? Vamos descobrir! (english)



CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Fujifilm XC 16-50mm f/3.5-5.6 OIS II

Em 62.6 x 65.2mm fechada, de 195gr de uma construção totalmente feita em plásticos, o que chama atenção na XC 16-50mm é a leveza, própria para levar para passear. Embora pareça negativa a escolha dos materiais simples, a Fuji conseguiu elaborar uma mecânica robusta e ergonômica, difícil de ver no mercado APS-C. Por exemplo a câmara única de zoom não balança quando estendida, com operação suave e resposta “emborrachada”, sem aquela impressão “seca” que vemos em lentes mais baratas. O design sem botões é pensado na simplicidade do uso, com funções automatizadas, o que colabora com menos peças para quebrar. E o acabamento nas cores preta ou prata combina com qualquer câmera do X-mount, da mais básica X-A2 até as mais avançadas X-Pro 2 e X-T2, caso o fotógrafo venha a fazer o upgrade do corpo no futuro.

Fujifilm X-A2

Nas mãos a operação é suave e ergonômica, dadas as dimensões diminutas e a maestria da Fuji em lidar com a construção em plásticos. Perto do mount um anel fixo serve de apoio na hora de montá-la na câmera, sem girar em falso como outras objetivas zoom pequenas. No meio o anel de zoom tem 23mm e não é emborrachado, mas tem grooves cortados no plástico, que dão tração suficiente para ir dos 16mm aos 50mm em cerca de 60º. O movimento em sentido horário é mecânico e não tem variação na pressão, mais um exemplo da atenção da Fuji para com a ergonomia. E na frente o anel de foco manual é do tipo fly-by-wire, típico desta categoria porém com usabilidade duvidosa. Como ele usa o motor para movimentar o foco, não há precisão. Efeitos de focus pull, por exemplo, são impossíveis com a nova X-T2 e a gravação de vídeos 4K.

Fujifilm XC 16-50mm f/3.5-5.6 OIS II

Do lado de dentro a Fujifilm inclui uma nova implementação do OIS, mais eficaz em comparação a versão I, e o micro motor de foco automático, ambos totalmente silenciosos. O primeiro é muito bom para o dia-a-dia, compensando por pelo menos 3-stops o movimentos das mãos. Apenas lembre de tirar vantagem do OIS na câmera. Na X-A2 você precisa ditar para o “Auto ISO” a velocidade mínima do obturador; ela não compensa sozinha a estabilização da objetiva. E durante a gravação de vídeos ele também faz um ótimo trabalho: o quadro não “pula” nos limites da compensação, nem faz barulhos na captação interna de som da câmera. O auto-foco também funciona bem mas dependerá das capacidades de cada máquina (por contraste ou phase). Na X-A2 ele foi razoável com bastante luz: apertou, focou em menos de 1 segundo. Mas nada de pensar em seguir sujeitos em movimento, já que esta câmera não faz um modo tracking de verdade.

Fujifilm XC 16-50mm f/3.5-5.6 OIS II

Enfim na frente os filtros de ø58mm são acessíveis, simpáticos para explorar as capacidades de um polarizador ou ND graduado. Eles vão numa rosca de plástico que, por sua vez, está dentro de um trilho externo para o para-sol, incluído na caixa; o uso de um não exclui o outro. Atrás o mount também de plástico força a barra da Fuji em cobrar US$399 pela XC 16-50mm, mas pelo menos o último elemento de vidro é estático, uma solução que evita entrar poeira na câmara de zoom. No geral tudo é simples e funcional do lado de fora , e do lado de dentro não há nada de errado nem no AF, nem no OIS, nem no diafragma circular de sete lâminas. Considerando a operação suave, dá pra engolir os US$399 no preço avulsa. Mas é num kit que ela realmente brilha. Junto da X-A2, as duas saíram por apenas US$549; uma barganha por uma zoom que funcionará bem em todas as câmeras do X-mount, inclusive num futuro upgrade de corpo, feita para a vida toda.



QUALIDADE DE IMAGEM

“Fulton” em f/7.1 1/900 ISO400 @ 32.5mm; todas as fotos com a Fuji X-A2; arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Fulton” em f/7.1 1/900 ISO400 @ 32.5mm; todas as fotos com a Fuji X-A2; arquivos raw disponíveis no Patreon.

Com uma fórmula óptica de 12 elementos em 10 grupos, três peças asféricas, uma de baixa dispersão e cobertura EBC, a XC 16-50mm f/3.5-5.6 OIS II vai além das objetivas de kit em distância focal e performance óptica. E os resultados são interessantes: nos 16mm o ângulo de visão é consideravelmente mais amplo que as 18mm tradicionais, para composições ainda mais dramáticas. E a nitidez geral é muito boa, com alta resolução e contraste a par das fixas. Mas há um segredo: assim como na Sony E1650PZ, há um perfil de correção embutido inclusive nos arquivos raw, que esconde os limites de distorção geométrica e vinheta do projeto, cada vez mais comuns nas objetivas mirrorless com distância focal grande angular. Porém a XC continua acima da média, já que perfil nenhum criará mais detalhes, coisa que esta fórmula faz de sobra no dia-a-dia.

“Grand Central” em f/5 1/60 ISO500 @ 34mm.

“Grand Central” em f/5 1/60 ISO500 @ 34mm.

Não há nada de errado em forçar a correção eletrônica dos arquivos na câmera. Isso não deixa de lado a proeza de projetar uma 16-50mm “de kit” com imagens perfeitas, com resolução intacta do centro as bordas; incomum nesta faixa de preço e tamanho. No pós-processamento quase não precisamos mexer no contraste das fotos, que é excelente independente da situação de luz. E em todo o range zoom, inclusive na abertura máxima, os detalhes são visíveis em 90% do quadro. De fato a Fuji XC 16-50 está a frente das concorrentes, graças as três peças asféricas e a projeção uniforme da imagem no sensor grande APS-C, perfeita para cenas detalhadas de cidades, modas, produtos e até paisagens. É uma peça de kit mas que funcionará em qualquer tipo de trabalho.



“Chinatown” em f/6.4 1/250 ISO200 @ 50mm; linhas retas perfeitas graças a compensação digital.

“Chinatown” em f/6.4 1/250 ISO200 @ 50mm; linhas retas perfeitas graças a compensação digital.

Crop 100%, mas detalhes impressionam nas bordas, dignas da fórmula óptica especializada.

Crop 100%, mas detalhes impressionam nas bordas, dignas da fórmula óptica especializada.

“Lower Manhattan” em f/6.4 1/800 ISO200 @ 40.2mm.

“Lower Manhattan” em f/6.4 1/800 ISO200 @ 40.2mm.

Crop 100%, detalhes de sobra para impressões imensas, vindas de uma objetiva de kit.

Crop 100%, detalhes de sobra para impressões imensas, vindas de uma objetiva de kit.

“4th Way” em f/7.1 1/280 ISO200 @ 50mm.

“4th Way” em f/7.1 1/280 ISO200 @ 50mm.

Crop 100%, um quadro cheio de informações para a fotografia de rua.

Crop 100%, um quadro cheio de informações para a fotografia de rua.

Fechar a abertura não tem qualquer impacto na resolução. Tanto na profundidade de campo, que já é longa nos f/3.5-5.6, quanto na performance óptica (com pico logo em f/5.6), o controle do f/stop serve apenas para ajustar a exposição. A abertura circular das sete lâminas curvas também tem pouco impacto na aparência do desfoque, que só é visível em distâncias muito curtas de foco. Aqui outra característica da XC 16-50mm II também chama a atenção: a distância mínima de foco de 15cm é o suficiente para ampliação 0.2x, ideal para selfies ou fotografar pratos de comida. As 18-55mm geralmente tem foco mínimo de 25cm, mas a XC1650 vai além, revelando a alma jovem da Fuji para bloggers, como uma companhia para fotos que seriam clicadas com o smartphone.



“Dragão” em f/5.6 1/60 iSO500 @ 50mm; abertura máxima.

“Dragão” em f/5.6 1/60 iSO500 @ 50mm; abertura máxima.

Crop 100%, reprodução de detalhes é fiel em qualquer f/stop, distância focal e distância de foco.

Crop 100%, reprodução de detalhes é fiel em qualquer f/stop, distância focal e distância de foco.

“Dragão II” em f/6.4 1/60 ISO800 @ 38.7mm.

“Dragão II” em f/6.4 1/60 ISO800 @ 38.7mm.

Crop 100%, fechar a abertura não tem qualquer impacto na quantidade de detalhes do arquivo.

Crop 100%, fechar a abertura não tem qualquer impacto na quantidade de detalhes do arquivo.

“Hello!” em f/6.4 1/60 ISO640 @ 50mm.

“Hello!” em f/6.4 1/60 ISO640 @ 50mm.

Crop 100%, detalhes no limite do sensor de arranjo Bayer da Fuji X-A2.

Crop 100%, detalhes no limite do sensor de arranjo Bayer da Fuji X-A2.

Aberreções cromáticas são invisíveis graças a correção obrigatória dos arquivos; um passo a menos no pós-processamento. As cores e o desfoque trabalham bem com o “Film Simulation” das X-cam. Tons são “densos” com uma explosão de cores definidas em blocos sólidos, graças a alta resolução. É impressionante como direto da câmera as fotos saem “sedutoras” em comparação as DSLR de outras marcas, e essa fama da Fuji se repete até na objetiva mais básica. E caso o “efeito bokeh” seja do seu estilo, ele também funciona bem no formato APS-C. Seja no grande angular em composições de perto, ou no final do standard (50mm) para retratos, apesar da abertura f/3.5-5.6 a 16-50mm não nega as vantagens do sensor “grande”, com desfoque suave.

“Mastra” em f/7.1 1/80 ISO200 @ 26.9mm; cores incríveis do APS-C.

“Mastra” em f/7.1 1/80 ISO200 @ 26.9mm; cores incríveis do APS-C.

Crop 100%, detalhes em texturas de ambientes urbanos.

Crop 100%, detalhes em texturas de ambientes urbanos.

“VW” em f/6.4 1/110 ISO400 @ 32.5mm.

“VW” em f/6.4 1/110 ISO400 @ 32.5mm.

Crop 100%, tons profundos e contraste afiado da fórmula Fujinon.

Crop 100%, tons profundos e contraste afiado da fórmula Fujinon.

“I S2 NY” em f/5.6 1/60 ISO400 @ 45.2mm.

“I S2 NY” em f/5.6 1/60 ISO400 @ 45.2mm.

Crop 100%, inacreditável reprodução de detalhes na abertura máxima.

Crop 100%, inacreditável reprodução de detalhes na abertura máxima.

VEREDICTO

A XC 16-50mm f/3.5-5.6 OIS II é a realização da Fuji até no orçamento mais apertado. Uma objetiva básica mas que entrega “algo mais”, sem grandes firúlas técnicas. Tudo o que ela faz, ela faz bem: operação suave, difícil de ver até em zooms mais caras; corpo compacto, sem o non-sense de peças que abrem/fecham; e funções simples mas eficazes, como um OIS que você nem lembra que está lá, e um AF silencioso que funciona. E aí as fotos explodem na tela com cores e resolução de sobra, difíceis de avaliar 1) por causa da compensação eletrônica dos defeitos e 2) pela lógica de preço e tamanho; é incomum tanta qualidade vinda de uma peça de kit. Então é fácil recomendá-la mesmo avulsa por US$399. Se uma grande angular-standard para passear for o que você precisa, esta diminuta XC renderá boas fotos em qualquer Fujifilm X-cam. Bom divertimento!