Fuji XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR

Recursos em alta, ergonomia em baixa

Setembro/2016 – A Fuji 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR é uma zoom 7.1x para o sistema X-mount. Parte da “família rica” XF de objetivas Fujinon, ela é o ápice do premium no APS-C, cheia de recursos para justificar o preço insano de US$999 no lançamento, hoje em US$699. Grande e pesada, ela vai na contra-mão das câmeras mirrorless compactas, sendo maior até que as objetivas equivalentes nas DSLRs. Porém a construção topo de linha resistente a respingos d’água e poeira (WR vem de “weather resistance”), o motor linear (LM) de foco automático, o anel físico de controle do diafragma (R de “ring”) e o estabilizador de imagem (OIS de “optical image stabilizer”) fazem dela uma ótima opção para o seu kit Fuji-X. Mas será que a performance justifica o preço? E este tamanhão, serve nas compactas do X-mount? Vamos descobrir! Boa leitura. (english)



CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Fujifilm XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR

Em 10 x 7cm fechada e até 15.8cm aberta, de 490g de tubos de plástico e metais, a Fuji XF 18-135mm está mais para uma objetiva grande de DSLR, do que para uma peça pensada nas câmera compactas sem espelho. Grande e desajeitada, ela fica cômica na diminuta X-A2, a máquina de entrada no X-mount, e imagino que ficará ruim também nas outras X-cam, uma vez que todas praticamente não tem o grip da mão direita. Com um tubo robusto que expande dos 18mm aos 135mm sem balançar, ela pelo menos não pesa para a frente, graças ao uso de plásticos de alta qualidade. Mas o acabamento com anéis de metal e pintura preta deixam-na com cara de “objetiva séria”, e levá-la para passear dá uma certa preguiça, por causa do peso e da ergonomia.

Fujifilm XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR

Nas mãos a ergonomia é caótica com as Fuji X, uma vez que nenhuma destas câmeras tem apoio próprio para a mão direita. O generoso anel emborrachado de zoom poderia facilitar a usabilidade com seus 34mm de espessura, se não fosse um detalhe: a minha cópia está extremamente dura para ir de uma ponta a outra, impossível de operá-la sem apertar a câmera com força. Então este é daqueles modelos em que você gira a câmera ao redor da objetiva, já que o apoio está na mão errada. Atrás, perto do corpo, o anel de controle da abertura é até confortável, mas infelizmente este é um ajuste eletrônico, sem qualquer marcação dos f/stop. Portanto o comando deve ser feito com auxílio da tela da câmera, que ainda por cima “reseta” o valor toda vez que você liga/desliga o equipamento. Então se você fotografa muito num f/stop específico, prepare a paciência: toda vez que a câmera reiniciar, você terá de girar o anel para voltar a abertura correta, tirando a agilidade.

Fujifilm XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR

Do lado de dentro os destaques vão para o motor linear de foco, rápido em até 0.1 segundos, e o estabilizador OIS de 5 stops, extremamente eficaz para fotos e vídeos. O primeiro é uma novidade aqui no blog do zack. No lugar de engrenagens ou anéis imantizados que giram, um motor linear (LM) funciona com placas planas, que ditam a posição do foco num movimento linear. É tão rápido e preciso que, até na X-A2 com AF somente por contraste, ele funciona bem sob bastante luz. É apertar o botão que a câmera trava no lugar certo, também sem fazer qualquer barulho. E na frente o anel de foco manual é do tipo fly-by-wire, sem feedback tátil sobre a posição do foco, o que pode ser impreciso, e ainda por cima sem o “full time manual”; ou seja, você tem de programar nos menus da câmera o modo manual. Considerando o tamanho da objetiva, a Fuji poderia muito bem ter feito um anel mecânico, além de uma janela de distância com escalas impressas.

Fujifilm Linear Motor

Os motores lineares da Fuji: o quad-motor da XF90 (esquerda) e os motores das XF18-55/XF18-135mm. [créditos Fujifilm America]

O estabilizador de imagem, por outro lado, é dos melhores que já usei. Com eficácia para até 5 stops, façanha que eu só conhecia na Canon EF 200mm f/2L IS USM de US$5699, ele funciona praticamente sem interferência do/ao fotógrafo, já que é muito discreto. Dois giroscópios analisam os movimentos da câmera a 8.000Hz, e ajustam o sistema óptico a 16.000Hz, o suficiente para fotografar em velocidade de 1/6 nos 135mm. É ótimo para trabalhar sob pouca luz em ambientes fechados, com ISOs baixos apesar da abertura conservadora f/3.5-5.6. E, como na XC 16-50, ele funciona muito bem durante a gravação de vídeos, sem ruídos ou travadas no limite da correção, com transições suaves. O OIS justifica sozinho a compra da zoom XF 18-135mm, como uma adição ao kit mesmo de quem prefere as primes, já que nenhuma fixa XF tem o estabilizador.

Fujifilm XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR

Enfim na frente os filtros de ø67mm vão numa rosca de alumínio anodizado, resistente e rápido de rosquear. O para-sol incluído pode ser encaixado num trilho a parte, e evita reflexos de luzes laterais. Atrás o mount de metal conta com um elemento óptico fixo, que sela a objetiva contra poeira, junto de um anel de borracha entre a objetiva e a câmera. A Fuji declara até 20 pontos de selagem na 18-135mm, compatíveis com as X-T1/2 e X-Pro 2, para fotografar mesmo debaixo de chuva. E até um sistema de respiro para o zoom tem uma saída embaixo, garantindo a operação suave do tubo, sem entrar poeira na câmera. A XF 18-135mm justifica o preço pela construção e os recursos úteis, apesar de ser difícil de aturá-la pela usabilidade e o tamanho. As X-cam ficam melhores com as diminutas primes da linha Fujnon, mas talvez a ideia seja essa: a zoom é tão desajeitada e grande que será a única zoom que você engolirá no kit da sua Fujifilm X-mount.



QUALIDADE DE IMAGEM

“Salva-vidas” em f/6.4 1/240 ISO400 @ 55.6mm; todas as fotos com a Fuji X-A2; arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Salva-vidas” em f/6.4 1/240 ISO400 @ 55.6mm; todas as fotos com a Fuji X-A2; arquivos raw disponíveis no Patreon.

Com um projeto óptico de 16 elementos em 12 grupos, quatro peças asféricas e duas de baixa dispersão, além da cobertura HT-EBC para evitar reflexos, a Fuji XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR é mais um exemplo da herança Fujinon em fabricar objetivas zoom, algumas que custam na casa dos seis dígitos. E a performance é excelente: embora longe das primes equivalentes, ela não fica muito atrás em poder de resolução e renderização de detalhes, boa para impressões gigantes. Os meus únicos problemas com ela são, como na XC 16-50mm, o uso de um perfil eletrônico de correções aplicado automaticamente nas fotos, impossível de avaliar de fato a tecnologia da Fuji. E também os reflexos internos, que podem atrapalhar em fotos contra luz.

Fujifilm XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR

Totalmente aberta e na variedade de distâncias focais, é impressionante como os arquivos saem “limpos” em praticamente todos os quadros da XF18-135mm. É uma mistura de alta resolução e contraste, que rivalizam com as primes em clareza. Não é aquela aparência de “objetiva porcaria”, e vale inclusive para trabalhar. Junto da X-A2 com APS-C de 16MP, as fotos são idênticas as câmeras maiores em detalhes e flexibilidade, interessante vindo de uma câmera compacta. Até a construção robusta colabora para a qualidade de imagem, sem variação na nitidez de um lado para o outro do quadro, coisa que eu tenho percebido nas objetivas simples, que desalinham com facilidade. Então a 18-135 faz um bom trabalho substituindo as primes, com a vantagem do OIS.

“Armação” em f/6.4 1/1000 ISO200 @ 110mm.

“Armação” em f/6.4 1/1000 ISO200 @ 110mm.

Crop 100%, resolução de sobra na zoom, para prints grandes.

Crop 100%, resolução de sobra na zoom, para prints grandes.

“Açores” em f/6.4 1/6400 ISO200 @ 18.5mm.

“Açores” em f/6.4 1/6400 ISO200 @ 18.5mm.

Crop 100%, limite da resolução geralmente está no sensor Bayer da X-A2.

Crop 100%, limite da resolução geralmente está no sensor Bayer da X-A2.

“Solidão” em f/7.1 1/900 ISO400 @ 18.5mm.

“Solidão” em f/7.1 1/900 ISO400 @ 18.5mm.

Crop 100%, projeto zoom rivaliza com as primes em resolução de detalhes.

Crop 100%, projeto zoom rivaliza com as primes em resolução de detalhes.

Fechar a abertura marginalmente melhora a nitidez dos arquivos, mais notado pela profundidade de campo longa do que pela performance óptica do conjunto. É fácil fotografar em f/3.5 e esquecer da profundidade de campo curta, que eliminará os detalhes nas bordas, ainda mais em fotos tridimensionais do dia-a-dia. Arquitetura, paisagens e fotografia de rua exigem abertura menores, então não esqueça de usar os f/stop adequados. Não ví diferença significativa de performance dos 18mm aos 135mm, o que geralmente é uma reclamação neste tipo de objetiva. A maioria delas é “tunada” para trabalhar melhor do grande angular ao standard, com o fim do telephoto menos nítido. Mas isto não acontece no projeto da Fuji. Seja para espaços amplos no finalzinho do grande angular ou em retratos fechados nos 135mm (equiv. aos 206mm), a 18-135mm funciona.



“Solidão II” em f/6.4 1/480 ISO200 @ 18mm.

“Solidão II” em f/6.4 1/480 ISO200 @ 18mm.

“Solidão III” em f/8 1/450 ISO400 @ 116.1mm.

“Solidão III” em f/8 1/450 ISO400 @ 116.1mm.

Crop 100%, os limites dos 16MP da Fujifilm X-A2.

Crop 100%, os limites dos 16MP da Fujifilm X-A2.

“O vento” em f/7.1 1/250 ISO200 @ 34.5mm.

“O vento” em f/7.1 1/250 ISO200 @ 34.5mm.

Crop 100%, grãos de areia renderizados no plano focal.

Crop 100%, grãos de areia renderizados no plano focal.

Como as aberrações laterais e a distorção geométrica são corrigidos automaticamente, nos sobra apenas avaliar as cores a renderização do desfoque. Os tons são bem saturados e fáceis de manipular, padrão nas câmeras da Fuji, com azuis profundos e verdes fiéis a realidade, um passo a frente dos sensores Exmor da Sony. E até o bokeh funciona bem para fotos com baixa profundidade de campo. Apesar dos elementos asféricos, fontes de luz no segundo plano tem graduação suave de tons, sem aquela aparência de tubos de neon. Então mesmo em situações complicadas, com muitos elementos atrás, é fácil isolar o sujeito pela qualidade do desfoque.



“São Pedro de Alcântara” em f/6.4 1/800 ISO400 @ 49.4mm.

“São Pedro de Alcântara” em f/6.4 1/800 ISO400 @ 49.4mm.

Crop 100%, detalhes no miolo do range focal, com foco no infinito.

Crop 100%, detalhes no miolo do range focal, com foco no infinito.

“Cruzes” em f/7.1 1/950 ISO400 @ 43.9mm.

“Cruzes” em f/7.1 1/950 ISO400 @ 43.9mm.

Crop 100%, indícios de CA lateral, apesar da correção eletrônica.

Crop 100%, indícios de CA lateral, apesar da correção eletrônica.

“Abóboda” em f/3.5 1/60 ISO400 @ 18.5mm.

“Abóboda” em f/3.5 1/60 ISO400 @ 18.5mm.

Crop 100%, detalhes na abertura máxima.

Crop 100%, detalhes na abertura máxima.

“Altar” em f/3.5 1/60 ISO400 @ 18.5mm; pior exemplo de flaring, matando o contraste da foto.

“Altar” em f/3.5 1/60 ISO400 @ 18.5mm; pior exemplo de flaring, matando o contraste da foto.

“Formigas” em f/5.6 1/420 ISO400 @ 135mm.

“Formigas” em f/5.6 1/420 ISO400 @ 135mm.

Crop 100%, resolução na abertura máxima e no final do telephoto.

Crop 100%, resolução na abertura máxima e no final do telephoto.

“Cores” em f/5 1/250 ISO400 @ 58.9mm; tons saturados nos arquivos da Fuji X-A2

“Cores” em f/5 1/250 ISO400 @ 58.9mm; tons saturados nos arquivos da Fuji X-A2.

VEREDICTO

No geral a XF 18-135mm f/3.5-5.6 R LM OIS WR é um pacotão de tecnologias da Fuji, como a única zoom que você precisará no X-mount. A construção é razoável e robusta, embora a minha cópia esteja extremamente dura para movimentar o anel de zoom (será levada a assistência por causa disto). O tamanho é a pior parte do projeto, que vai na contra-mão do mirrorless. Maior e mais pesada que as equivalentes até nas DSLR, a ergonomia vai para o saco nas X-cam. Então pense bem antes de comprá-la. Mas opticamente o projeto funciona: são vidros de qualidade e boa resolução/contraste que, unidos a um perfil de correção eletrônica obrigatória nos arquivos, funciona para qualquer tipo de trabalho; desde que não contra a luz. Enfim ela se justifica no OIS em todas as distâncias focais, coisa que as primes e nem os corpos da Fujifilm tem. Se você sente falta do estabilizador, a zoom faz sentido. Se não, deixe-a para outros fotógrafos. Boas fotos!