Sigma 35mm f/1.4 DG HSM

Um novo patamar em desempenho óptico.

ASigma 35mm f/1.4 DG HSM foi a maior surpresa de 2012 porque apresentou desempenho óptico de ponta num preço relativamente acessível (US$899) para uma objetiva com esta especificação de luminosidade. Enquanto a consagrada pelo AF Canon EF 35mm f/1.4L USM (1998) custa US$1479 e a duvidosa pela resolução nas bordas Nikon AF-S Nikkor 35mm f/1.4G (2010) custa US$1619, a Sigma é a primeira da restruturação “Global Vision” do fabricante com nova proposta de marketing tanto em comunicação quanto produtos, tudo por um preço competitivo.

Planta contra o pôr do sol, com a EOS 5D Mark II em f/1.4 1/125 ISO320

Planta contra o pôr do sol, com a EOS 5D Mark II em f/1.4 1/125 ISO320

Eu já tenho a EF 35mm f/1.4L USM sem planos para substituí-la. A qualidade das imagens é excelente, a construção a par com a série “Luxury” e ela compartilha filtros de 72mm com várias outras lentes da Canon (enquanto a Sigma é de 67mm); sem falar da velocidade no foco automático, que só lembramos o quanto é rápido nas câmeras EOS até usarmos uma lente third-party. Mas tenho de confessar que a Sigma 35mm f/1.4G DG HSM encontrou um lugar no kit. Ela realmente oferece arquivos com menos distorções e bokeh superior, e quando preciso exatamente disto nas fotos, é esta objetiva que levarei para o trabalho. A Canon pode ficar para todo o restante das situações, que por enquanto é 90% das situações no meu caso.

CONSTRUÇÃO

Sigma 35mm f/1.4 DG HSM

Sigma 35mm f/1.4 DG HSM

Muitos tem procurado alguma razão para reclamar da construção das novas Sigma “Global Vision”, mas eu posso afirmar que não há nada de errado com a 35mm f/1.4 DG HSM. Enquanto este fabricante passou alguns anos pisando na bola no departamento de controle de qualidade, com lentes que descascavam, elementos ópticos que saiam do corpo e motores AF que simplesmente paravam de funcionar, as séries “Art”, “Contemporary” e “Sports” deixaram isto para trás. Enquanto ninguém pode garantir que ela sejam duradouras, afinal estão há apenas dois anos no mercado, estas lentes sem dúvidas são robustas nas mãos e de funcionamento simples, sem grandes sinais de problemas de construção ou projeto.

Sigma 35mm f/1.4 DG HSM Art

Construção bacana num corpo de metal e borrachas de qualidade.

Começamos com um um mount de metal feito de latão e uma peça que parece ser também de metal, antes de chegarmos no anel coberto por borracha com a janelinha de distância. A resposta tátil é muito boa e o produto parece de qualidade, dando firmeza na palma da mão sem escorregar. Aqui encontramos o único botão do equipamento que liga e desliga o sistema AF, que é do tipo HSM. O Hyper Sonic Motor tem o mesmo princípio do USM (Canon Ultrasonic Motor) e SWM (Nikon Silent Wave Motor) e trabalha com pulsos hiper-sônicos no lugar de um sistema tradicional de bobina. A vantagem fica na velocidade, que sempre é alta, e na baixa dispersão da energia, que aqui se traduz em silêncio. Praticamente não dá para ouvi-lo funcionando e oferece o “full-time manual”, isto é, mesmo o botão em modo “automático” permite a operação do anel de foco manual, para correções pelo fotógrafo caso o sistema não consiga atingir o foco certo.

Sigma 35mm f/1.4 DG HSM Art

Detalhe “MADE IN JAPAN”, precisão nos encaixes e operação.

Este anel de foco manual representa o maior avanço no design das lentes Sigma, na minha opinião. Enquanto no passado ele era duro, travado e com bastante atrito (além de usar plásticos ruins), aqui ele é de metal emborrachado e extremamente macio. Alias tem uma pegada melhor que algumas lentes top da Nikon, fabricante que ainda não se “achou” no desenho ideal (e feeling) dos anéis de foco manual na maioria das lentes “G”. Na 35mm f/1.4 DG HSM tudo é macio e sem “jogo”; você mexe para qualquer um dos lados e ele movimenta os elementos internos manualmente, sem atrasos ou falta de precisão. Quando atinge os limites de foco mínimo e infinito ele gira em falso, e um “click” pode ser ouvido.

Sigma 35mm f/1.4 DG HSM Art

Janela de distância facilita a fotografia de rua sem o uso do AF.

Na frente encontramos o trilho para montar o parasol, que é bem duro e difícil de prender, e não funciona tão macio como as tampas, botões e anéis. E antes do primeiro elemento ótico a rosca de ø67mm para filtros, que não gira durante a operação de foco. Infelizmente ela é menor que a maioria das outras lentes f/1.4 que temos por aí. Na Canon L as únicas objetivas que lembro dos 67mm são a EF 100mm f/2.8L IS USM e a EF 70-200mm f/4L USM; grande parte do lineup é 72mm, 77mm e as novas (e caras) com filtros de ø82mm.

 

COMPARADA A CANON EF 35MM F/1.4L USM

Canon EF 35mm f/1.4 L USM Sigma DG HSM

Canon EF 35mm f/1.4L USM e Sigma 35mm f/1.4 DG HSM

Ao lado da Canon EF 35mm f/1.4L USM, a  35mm f/1.4 DG HSM é cerca de 1cm maior e aparentemente mais fina; o que contribui para uma experiência totalmente diferente entre elas. Enquanto a EF L lembra uma objetiva 35mm “gorda” por causa da luminosidade, a DG parece uma lente mais longa por exemplo as 105mm Nikkor. Evidente que é uma questão subjetiva e nada interfere na usabilidade (ou sim?), mas causa estranhamento para quem já estava acostumado na Canon. Eu já deixei a Sigma em casa por este motivo, ela não queria entrar na mesma mochila que a 35mm f/1.4L USM por causa deste 1cm. Sim, eu saio para trabalhar com espaço limitadíssimo.

Canon EF 35mm f/1.4 L USM Sigma DG HSM

A Sigma é maior em 1cm a mais de comprimento. Filtros são maiores na Canon.

O grande triunfo da Canon sempre é no foco automático e a Sigma não deixa de lembrarmos do fato mais uma vez. Embora não seja lento ou impreciso, eu perdi algumas fotos de ação com pouca luz (skatistas descendo a rua) e mesmo em objetos estáticos ela me pareceu inadequada sem alguma assistência por LEDs, que é o caso da EOS 5D Mark II. Durante a usabilidade da EF 35mm f/1.4L USM eu nem me preocupei com isto e dentro de igrejas, ruas a noite ou restaurantes o AF foi extremamente rápido como de praxe. Porém é só usar a Sigma em situações parecidas para lembrar que não estamos mais com uma L no corpo; fiquem atentos fotógrafos de casamento que curtem dança; jornalistas e o povo da rua.

Levou mais de 2 segundos para focar neste animadíssimo poste com a EOS 5D Mark II, em f/1.4 1/125 ISO1250

Levou mais de 2 segundos para focar neste animadíssimo poste com a EOS 5D Mark II, em f/1.4 1/125 ISO1250

Canon EF 35mm f/1.4 L USM Sigma DG HSM

Duas lentes com especificações idênticas, mas a construção é diferente.

No geral sem muito o que reclamar da construção na primeira “Global Vision” Art com especificações rigorosas de luminosidade e controle de qualidade. Conhecemos projetos de preço superior tanto Canon e Nikon que não são tão bem construídos, e a Sigma fica de parabéns por se reinventar e acertar em cheio a maioria dos defeitos do passado. Sem dúvidas  recomendarei um kit destas novas lentes especialmente se começarmos a falar de qualidade de imagem e custo/benefício. Uma grande angular/padrão com abertura máxima f/1.4 virtualmente livre de distorções. Estamos falando de Leica? Canon L? Nikon G ED Nano Crystal Coat? Não, é a Sigma 35mm f/1.4 DG HSM.

QUALIDADE DE IMAGEM

Fotografia de produto sem qualquer sinal de aberrações, ponto forte desta lente com a EOS 5D Mark II em f/1.8 1/30 ISO320

Fotografia de produto, ponto forte desta lente com a EOS 5D Mark II em f/1.8 1/30 ISO320

Crop 100%, zero aberração cromática em f/1.8, espetacular!

Crop 100%, zero aberração cromática em f/1.8, espetacular!

A qualidade de imagem da Sigma 35mm f/1.4 DG HSM é incrível. Supera as outras concorrentes por uma boa margem em resolução, contraste, nitidez; e o bokeh está calibrado para suavidade e cores. O destaque fica na quase ausência de CA lateral e axial, e arquivos notavelmente mais detalhados já a partir da abertura máxima. Parece uma nova maneira de trabalhar uma vez que não precisamos “ficar lembrando” de fechar um pouco a lente para conseguir bons resultados, especialmente nas bordas ou para trabalhos que serão vistos de perto.

Auto-retrato com a EOS 5D Mark II em f/1.4 1/160 ISO160

Auto-retrato com a EOS 5D Mark II em f/1.4 1/160 ISO160

Crop 100%, notem o reflexo da persiana no plano focal.

Crop 100%, notem o reflexo da persiana nos olhos.

Trabalhar em f/1.4 é uma tranquilidade porque a resolução está no quadro todo e defeitos típicos de lentes de grande abertura são menos pronunciados que o comum. Mesmo nas bordas os detalhes estão lá permitindo operar com obturadores muito mais rápidos sem se preocupar com borrões ou falta de informação, e o CA axial que mata qualquer arquivo f/1.4 da Canon e Nikon é mais difícil de aparecer na Sigma DG HSM, na maioria das situações.

Isolar os detalhes é fácil com tanta resolução e bokeh agradável, com a EOS 5D Mark II em f/1.8 1/125 ISO320

Isolar os detalhes é fácil com tanta resolução e bokeh agradável, com a EOS 5D Mark II em f/1.8 1/125 ISO320

Crop 100%, CA axial aparece em situações de contraste, mas é menor que a maioria das outras lentes.

Crop 100%, CA axial aparece em situações de contraste, mas é menor que a maioria das outras lentes.

É literalmente uma nova filosofia para primes de grande abertura. Enquanto nas outras lentes o pensamento já leva a atenção para o centro em f/1.4, ou fechar instintivamente a lente para conseguir níveis aceitáveis no perímetro, a Sigma deixa isto para trás em qualquer abertura e os arquivos causam estranhamento. Tudo o que estiver no plano focal será revelado nos mínimos detalhes depois da ampliação e faz parecer que outras objetivas estão com defeito. Só lembro deste nível de desempenho óptico “bruto” em lentes prime Canon telephoto brancas, como EF 200mm f/2L IS USM e EF 300mm f/2.8L IS (I e II) USM para cima.

Resolução não é um problema mesmo em foco mínimo e abertura f/1.8, com a EOS 5D Mark II em 1/1250 ISO160

Resolução não é um problema mesmo em foco mínimo e abertura f/1.8, com a EOS 5D Mark II em 1/1250 ISO160

Crop 100%, reprodução de detalhes impressiona.

Crop 100%, reprodução de detalhes impressiona.

Fechar para f/2 e f/2.8 aumenta ainda mais a nitidez nas bordas levando o quadro todo para resolução máxima, bem antes das concorrentes que exigem f/5.6 (Canon L) ou mesmo f/8 (Nikon f/1.4G), proporcionando uma segunda quebra de paradigma. Enquanto nós geralmente trabalhamos com aberturas máximas para profundidade de campo curta e destacar o sujeito do fundo com o segundo plano desfocado, a nitidez da Sigma é tão alta que os sujeitos separam pela resolução. É quase o mesmo resultado das câmeras com sensor Foveon X3 em que os objetos saltam no quadro por motivos diferentes do desfoque. É no mínimo uma personalidade nova para as lentes e uma maneira interessante de trabalhar. Eu particularmente não gosto de fotos com profundidade de campo curtíssima, e ter a resolução como “recurso” para destacar os sujeitos é uma adição bem-vinda ao portfolio de “efeitos” que as objetivas podem produzir.

Abertura controla somente a profundidade de campo, com a EOS 5D Mark II em f/2.8 1/30 ISO640

Abertura controla somente a profundidade de campo, com a EOS 5D Mark II em f/2.8 1/30 ISO640

Crop 100%, contraste perfeito para o que está no plano focal.

Crop 100%, contraste perfeito para o que está no plano focal.

Vignetting é acentuado em f/1.4 e um pouco pior que a 35mm f/1.4L (o filtro apertado pode justificar); mas com comportamento típico, feche até f/4 para ele desaparecer. E linhas retas geralmente ficam retas no quadro todo, apesar de nem valer a pena comentar sobre isto afinal é simples de corrigir via software. Enfim uma lente com desempenho totalmente diferente do que estamos acostumados e uma filosofia nova de trabalho. Enquanto as outras objetivas são fáceis de trabalhar, a Sigma permite outros pensamentos na composição já que tudo estará perfeito no quadro todo, independente da profundidade de campo e posicionamento na foto. É a lente ideal para pensar antes de clicar e por consequência conseguir fotos melhores; o equipamento não trabalha sozinho e o fotógrafo está livre para atingir os resultados que quiser.

Vignetting acentuado em abertura f/1.4 com a EOS 5D Mark II 1.6 ISO160

Vignetting acentuado em abertura f/1.4 com a EOS 5D Mark II 1.6 ISO160

Crop 100% do canto do quadro. Nunca vi uma lente se comportar desta forma em f/1.4! O_o

Crop 100% do canto do quadro. Nunca vi uma lente se comportar desta forma, resolução total em f/1.4! O_o

Crop 100% da mesma foto com a Canon EF 35mm f/1.4L USM na EOS 5D Mark II em f/1.4 1.6 ISO160

Crop 100% da mesma foto com a Canon EF 35mm f/1.4L USM na EOS 5D Mark II em f/1.4 1.6 ISO160

Escada com a EOS 5D Mark II em f/1.4 1/400 ISO160

Escada, com a EOS 5D Mark II em f/1.4 1/400 ISO160

Crop 100%. CA axial em áreas de contraste e desfoque.

Crop 100%. CA axial em áreas de contraste e desfoque.

Crop 100%. CA lateral também presente e razoável.

Crop 100%. CA lateral também presente e razoável.

A mesma foto mas com a Canon EF 35mm f/1.4L USM e a EOS 5D Mark II em f/1.4 1/400 ISO160

A mesma foto mas com a Canon EF 35mm f/1.4L USM e a EOS 5D Mark II em f/1.4 1/400 ISO160

Crop 100%, o CA axial é muito maior e o CA lateral aparece junto.

Crop 100%, o CA axial é muito maior e o CA lateral aparece junto.

Crop 100%, CA lateral muito mais pronunciado na lente Canon.

Crop 100%, CA lateral muito mais pronunciado na lente Canon.

VEREDICTO

A Sigma 35mm f/1.4 DG HSM é um prazer de usar e garante os melhores arquivos entre as lentes de grande abertura nos 35mm, que eu já usei bastante. Na minha opinião é a distância ideal para trabalhar na rua porque inclui o cenário junto do sujeito, e permite a participação da luz na história da foto. Se por um lado ela não se comporta como outras lentes um pouco menores, é um equipamento de excelente construção e que não parece ficar devendo em operação na maioria das situações. Tanto faz se você precisa da profundidade de campo curta para o efeito bokeh em f/1.4 ou resolução máxima para destacar seu sujeito; a 35mm f/1.4 DG HSM ficará no kit para atender os dois cenários, e outros que vierem.

  • Construção - Excelente, produto de qualidade, mas com rosca de filtros de plástico e ø67mm
    80%
  • Usabilidade - Fácil de usar, anel de foco manual macio, pegada boa, mas AF Sigma
    70%
  • Qualidade de Imagem - Absolutamente impecável nesta classe de equipamento
    100%
  • Utilidade - Melhor relação custo/benefício nestas especificações
    100%
  • Recomendação Final - Recomendadíssima mas com ressalvas no AF e tamanho dos filtros
    87.5%