XiaoYi Yi-M1

Negócio da China

Setembro/2017 – A Yi-M1 é a câmera mais barata já testada na história do blog/vlog do zack. Em apenas US$299 – o kit! – ela é fruto da marca chinesa XiaoYi, conhecida por suas “action cams” clones da GoPro, geralmente vendidas nos sites Aliexpress e Alibaba, bancada pela gigante Xiaomi,  aquelas dos smartphones super poderoso; mas com precinho camarada no mercado Android. Construída ao redor de um sensor Sony CMOS IMX269 com 20MP e formato 4:3, a Yi-M1 oferece controles completos de exposição manual e saída raw .DNG às fotos, assim como a desejada ultra-alta-definição 4K nos vídeos; especificações que só câmeras muito mais caras fazem nas marcas tradicionais, mas aqui num pacote bem mais acessível. Uma câmera sem espelho (“mirrorless”) baseada no design da Leica TL, ela tem baioneta de montagem para objetivas Micro Four Thirds, conexões sem fio Wi-Fi e Bluetooth, tela traseira de 3” e interface totalmente sensível ao toque, além de prometer até cinco fotos por segundo em disparo contínuo, com possibilidades fotográficas infinitas; tudo por um preço menor do que o mais básico dos smartphones. Mas como isso é possível? Será que funciona como prometido? Vamos descobrir! Boa leitura. (english)



CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

XiaoYi Yi-M1

Em 11.4 x 6.4 x 2.2cm na ponta mais fina, ou em 3.5cm no discreto grip da mão direita, em apenas 280g de principalmente plásticos, a Yi-M1 é uma típica câmera “mirrorless de entrada”; nem muito grande, incomoda de carregar por aí, nem muito básica, como o antigo mercado “point-and-shoot”. Enquanto a construção 100% plástico indique o primeiro corte em direção ao preço de US$299, na verdade a M1 se destaca pelo design minimalista e pela leveza, inspirados na Leica TL; aquela uma câmera de US$1700 e construída num bloco de alumínio anodizado, mas aqui na Yi-M1 uma carcaça plástica sinceramente tão bem feita quanto; impressionante para o preço. Todos os painéis são encaixados à perfeição, sem ondulações, e as chaves/discos de operação não balançam, melhores até do que as câmeras japonesas “de marca”. Nós já vimos Fujis (X-A2) e Canons (EOS M5) que custam duas, três vezes mais que M1, mas falham em entregar metade do que a XiaoYi fez. É a prova do ditado “menos é mais”, mas aqui multiplicada por 299x – o kit!

XiaoYi Yi-M1

Nas mãos a ergonomia é curiosa, porque a base do design da Yi-M1 já é em si um produto de vanguarda: a Leica T. A ideia da alemã é que a operação não-essencial (menus, ISO, etc.) seja feita pela tela traseira sensível ao toque, limitando a oferta de discos e botões, reduzindo as dimensões da câmera a um mero bloco retangular. Enquanto na frente-esquerda a pegada da mão direita tenha uma discreta área protuberante de pegada, com uma sutil textura emborrachada, distinta do restante do corpo, a maior parte do apoio na verdade deve pesar embaixo, sobre a mão esquerda; distribuída também à objetiva, à frente. Isso é interessante para deixar a máquina leve e portátil, para você carregar o dia todo com você, mas limita o equilíbrio somente às objetivas menores, tanto primes curtas do formato Micro Four Thirds, quanto zoom de abertura variável. É uma decisão coerente para com o preço, mas não se compara a uma mirrorless mais avançada.

XiaoYi Yi-M1 HANDS

Toda a operação da Y1-M1 segue a filosofia da Leica T, simplista e distribuída entre apenas dois discos de operação e quatro botões; e principalmente acessada pela tela traseira, sensível ao toque. Na frente o botão do disparador está dentro da chave liga/desliga, este com dois estágios, um para focar, outro para disparar; e aquela com um simples toque plástico “cromado”, com um movimento mínimo entre a posição ON e OFF. Como o botão de disparo é rente ao corpo, dentro da chave de ligar, ele tem um proposital balanço no eixo Y (afundo), a fim de se orientar à curvatura do dedo do fotógrafo; não é um defeito de fabricação como os discos que balançavam na EOS M5. Mas uma crítica está na operação da chave liga/desliga, que é muito fácil de ligar. Tomem cuidado com a máquina à tira-colo, passeando por aí, porque ela pode ligar sozinha e consumir a bateria à toa. Além disto a chave cromada implora para descascar (Fuji X-A2 também é culpada), então todo cuidado é pouco. Prefira carregar a câmera sempre à frente do corpo, pendurada no pescoço.



XiaoYi Yi-M1

Em cima a Yi-M1 tem dois discos de operação, um com os modos de exposição PASM e o botão de gravação de vídeo embutido; e o outro com controles variáveis. Estes discos são i-n-c-r-i-v-e-l-m-e-n-t-e sólidos, sem qualquer sinal de balanço, e ao mesmo tempo gostosos de usar, suaves no giro; a Sony poderia aprender como fabricá-los nas futuras A6#00, que hoje tem discos duros de girar nas A6300/A6500. O disco PASM tem clicks firmes e é auto-explicativo, e inclui ainda os modos: “cena”, com ajustes pré-programados de exposição; “panorama”, que tira fotos em sequência e as une numa foto grande angular; e o cômico “C – Super Professional Guide”, que sobrepõe guias de pose e composição na tela LCD, para o fotógrafo dirigir a modelo. Ao centro está o botão de gravação de vídeos, intuitivo, ergonômico e outra lição para a Sony que insiste em colocá-lo atrás do engate do dedão. E o disco lateral tem a mesma construção robusta do disco PASM, embora os clicks de rotação sejam mais suaves. Ele é usado para ajustar a abertura do diafragma ou a velocidade do obturador, ou ampliar a foto no playback, para verificar o foco.

XiaoYi Yi-M1

Atrás a Yi-M1 é dominada pela tela LCD de 3” na proporção 3:2, com 1.04 milhões de pontos e sensível ao toque; talvez o segundo “corte” em direção ao preço de US$299, depois da construção toda de plástico. A qualidade desta tela não é particularmente ruim: a resolução é alta, bacana para verificar o foco depois do click; e o brilho é razoavelmente alto para usar durante o dia. Mas o contraste é bem pobre, com cores lavadas e longe da realidade, e a resposta dos controles por toque não é das melhores. Como os ajustes do menu e a seleção das cenas/guias são feitos por swipes (arrastos), fica fácil ver como o painel da Yi-M1 tem um atraso na resposta; não estamos falando de um iPhone ou Android por aqui. E além disto esta tela não inclina para os lados, para tirarmos selfies ou gravarmos vídeos sozinhos, o que justifica o preço mais alto na concorrência.

XiaoYi Yi-M1

Ao lado da tela LCD nós temos os últimos dois botões (dos apenas quatro) da Yi-M1: o playback com o eterno triângulo virado a direita, e um bizarro “O” para deletar as fotos. As funções de ISO, white balance, menu, drive, etc., devem ser todos ajustados virtualmente pela tela LCD (mais sobre a interface, a seguir). À direita do corpo é dedicada a porta que guarda o único slot de cartão SD, e os plugs HDMI-micro e USB2.0; esta que carrega internamente a bateria BMX-10, e inclusive serve de alimentação à câmera, quando ligada na tomada. Mas infelizmente a porta HDMI serve somente para passar as fotos/vídeos na TV, ativando automaticamente o playback assim que você pluga o cabo; sem dar saída de vídeo em tempo real, por exemplo para um gravador externo. A bateria está taxada em apenas 900mAh mas serve para 380 fotos, apesar de nada ser declarado sobre o tempo de gravação de vídeos. Ela vai embaixo, numa porta suportada por molas, e protegida pela carcaça da câmera. E em cima a sapata de flash tem controle apenas para disparo de qualquer cabeça “hot-shoe” (nada de TTL), e está sozinha! Não há um flash embutido na M1, o que limita o uso.

XiaoYi Yi-M1

Enfim na frente o botão de liberação da objetiva não poderia ser mais simples, todo de plástico, e  com o mínimo de pressão; preocupante de trabalhar com objetivas de alto valor. Mas esta não é a ideia da Yi-M1. Como produto de US$299, ela é praticamente uma carcaça para acomodar o sensor Sony IMX269, com interface+tela+botões+discos dos mais simples e baratos possíveis, apesar da  elegância e da simplicidade; flertando com a filosofia de design da Leica, sem vergonha de copiar. O mais próximo que eu já usei de uma câmera assim foi a importantíssima Blackmagic Cinema Camera, que balançou o mercado cinematográfico ao oferecer vídeo raw Cinema DNG e 12-stops de dynamic range por menos de US$2000; e a XiaoYi tem o potencial de fazer a mesma coisa para as fotos e vídeos. Da mesma forma que a Blackmagic serve de aprendizado para trabalhar com máquinas mais caras, a Yi-M1 serve de câmera com recursos “topo de linha”; apenas sem o valor agregado das marcas principais. Impressiona a construção pelo preço baixo de US$299 – o kit!



PERFORMANCE – INTERFACE, USABILIDADE, VELOCIDADE

NOTA – Antes de falarmos sobre a performance e operação da Yi-M1, vale citar que a XiaoYi mantém uma comunidade ativa de desenvolvedores, que programam o firmware da M1 com novas funcionalidades, atualização após atualização. Eu comprei a câmera com o software 1.02-int, e ela já está na versão 2.0-int. “Int” significa “international”, e inclui outros idiomas além do Chinês; mas não o Português. :-/ Toda a argumentação a seguir será sobre estas duas versões 1.02 e 2.0.

XiaoYi Yi-M1

Além de ser uma câmera sem espelho (“mirrorless”), distinta de uma DSLR com viewfinder óptico e operação “ligada o tempo todo”, a Yi-M1 também exclue a maioria dos botões típicos de uma câmera digital, como menu, direcional, ISO etc; repensando toda a maneira como interagimos com a máquina fotográfica. Então não somente a XiaoYi ousou no preço de US$299 – o kit – , mas ela ousou também na operação da M1, baseada principalmente pela tela traseira sensível ao toque. Enquanto controles fundamentais para ligar/desligar, acionar o foco e tirar a foto, modo de exposição (PASM), selecionar a abertura/velocidade do obturador, e rever/deletar as fotos, ainda são feitos por botões físicos; qualquer outro ajuste mais “avançado” como ISO, compensação da exposição, modo de focagem, seleção de ponto de foco, fotômetro, balanço do branco etc. deve ser feito pela tela LCD. Portanto tudo é diferente na Yi-M1, e há uma curva de aprendizagem.

XiaoYi Yi-M1

A parte boa é que Yi-M1 tem uma performance aceitável. O ciclo de ligar e mostrar a imagem na tela traseira acontece em cerca de 2 segundos, notavelmente mais rápido que os 2-3s das Sonys topo-de-linha A6300/A6500; embora não tão instantâneo quanto uma Fujifilm (cerca de 0.5s na X-A2) ou Panasonic (cerca de 0.2s na GF3). Entre focar (mais a respeito, em seguida) e disparar, o intervalo é de cerca de 0.5 segundo com sujeitos estáticos, e praticamente não há lag (atraso) entre o apertar do botão, e capturar a foto propriamente dita. O movimento do obturador mecânico é razoavelmente suave, sem balançar a câmera, apesar da janela de apenas duas cortinas ter um distinto click seco, barulhento. A tela LCD fica preta depois da captura, mas logo em seguida o playback automático aparece, se estiver acionado. Em disparo “single” a câmera está pronta para disparar outra foto quase imediatamente, e opera da mesma forma que outras mirrorless.

XiaoYi Yi-M1

Em disparo contínuo, porém, a performance deixa a desejar. Por mais que a XiaoYi declare até 5 quadros por segundo de fotos sequenciais, a M1 simplesmente não funciona. Em modo raw, não mais que quatro (04) arquivos são disparados antes da câmera parar de fotografar, o que indica um buffer de apenas 120MB, visto que cada raw tem 32MB/cada. Porém mesmo em modo JPEG Super Fine, em que o tamanho dos arquivos cai para 6MB/cada, a performance é a mesma: a câmera dispara quatro fotos, e para; continuando em cerca de uma foto por segundo, ininterruptamente. Ou seja, não sei se é um problema no buffer, que não acomoda muitos arquivos, ou no software que não está otimizado para fotos sequenciais. Mas a minha M1 nunca disparou mais que 04 fotos seguidas, independente do formato. Portanto ela funciona para disparos únicos, sem grandes engasgos entre uma foto e outra, mas simplesmente não funciona em disparo contínuo, a 5fps.

XIAOYI_M1_18_CLICKS

A tela principal da Yi-M1 mostra a imagem na proporção 4:3 do sensor de formato “Micro Four Thirds”, no centro da tela LCD maio de proporção 3:2, com barras laterais pretas. Informações de ISO, foco, fotômetro e modo de exposição são sobrepostas em cima, numa barra fininha, e o balanço do branco, formato de gravação, espaço no cartão de memória, bateria remanescente e Wi-Fi aparecem embaixo, em outra barra. As informações de exposição aparecem pequenas do lado esquerdo, dentro de círculos com f/stop e velocidade do obturador, e o valor da exposição (EV); não há a tradicional “régua de fotometria” – … 0 … + de qualquer câmera do último século, e a única maneira de se orientar a exposição é olhando para o diminuto círculo EV, que mostra valores até -5.0. Estes círculos são interativos de acordo com o modo PASM, e você deve tocar na tela para ajustá-los, e então usar o disco lateral. Um detalhe, porém, é que em modo manual não há a função “previsão da exposição”, e mesmo que você prepare a exposição mais escura ou mais clara, o preview é sempre em 0EV. Então o fotógrafo deve prestar atenção no diminuto círculo “EV”.

XiaoYi Yi-M1

No firmware 2.0-int um quarto “botão” interativo foi adicionado ao lado direito da interface, e invoca um “quick menu”, parecido com o “Q” programado nas Canon EOS. Nele você tem atalhos sobre os modos de focagem, ISO, balanço do branco, drive, fotometria e qualidade de imagem, que  no firmware 1.02-int apareciam somente no menu principal; lento de ativar e um pouco bagunçado (mais sobre ele a seguir). O novo menu é ótimo para mudar os ajustes fundamentais de fotografia, mas não é customizável; ou seja, nada de configurar a câmera de acordo com o seu trabalho. Porém é um bom exemplo do que pode ser feito com as constantes atualizações de firmware, apesar de passar a impressão de “experimento” na M1, às custas da usabilidade.

XiaoYi Yi-M1

Acionar o menu principal acontece por um arrasto sobre a tela LCD, da esquerda para a direita, e invoca uma série de janelas horizontais, com o restante dos ajustes. Porém este gesto tem um notável atraso entre o movimento do dedo, e a resposta da interface da câmera, evidenciando limitações do hardware. Como todos os ajustes são feitos pelos dedos, a solução para ignorar toques acidentais foi atrasar toda a resposta da máquina, uma vez que é muito “pesado” para o processador rodar o tempo todo um algoritmo que ignore os toques. Então é só depois que deslizamos o dedo, e levantamos-o da tela, que a interface responde; na contra-mão da fluidez que estamos acostumados nos smartphones. Esta lógica continua por todos os sub-menus, que só “deslizam” depois do dedo fora da tela, além de não mostrarem um efeito “elástico” no limite das janelas, pra cima e pra baixo; ou o efeito “carrossel” em valores numéricos, como o relógio. Tudo é bem limitado apesar de eficaz, mas genuinamente low-cost na M1. Por US$299 - o kit!

XiaoYi Yi-M1

O menu principal traz 9 “botões” gráficos por janela, como sempre mal organizados. Por exemplo ISO, WB, fotometria, modo de focagem, disparo por toque, detecção de rostos, HDR, drive e conexão sem fio estão na primeira janela; enquanto time lapse, resolução do vídeo, ajustes básicos (?), bracketing, formato de arquivo, proporção da imagem, resolução da foto, flash (?) e formatar cartão estão na segunda; com assistência de foco, auto playback, grid, estabilizador e firmware na última janela. Ou seja, uma zona só! Ao invés de categorizá-los por “qualidade de imagem”, “setup” e “playback”, está tudo espalhado, sem qualquer lógica. Então prepare-se para passar alguns minutos procurando ajustes básicos como brilho da tela LCD, mas encontrar ajustes avançados como “Color Space” (Adobe RGB e sRGB) no mesmo menu do relógio. Cada submenu, porém, usa uma interface por textos e é operado por setas, inconsistente com o resto da interface.

XiaoYi Yi-M1

Enfim, depois de familiarizado com a interface, a vida do fotógrafo é até simples na M1. Mudar a exposição é intuitivo pelo disco lateral/traseiro no dedão, e quem está acostumado com os modos PASM se sentirá em casa. A fotometria é feita de três maneiras, multi, centro e spot, e ajustes avançados como ISO automático, bracketing e HDR estão todos lá, apesar de várias combinações não funcionarem. Por exemplo, o bracketing está disponível apenas para o modo de gravação JPEG, mas não raw; e o raw só é permitido na resolução máxima de 20MP, sem opções de tamanho, proporção ou gravação JPEG conjunta (raw+JPEG). Outras opções bizarras como JPEG 50MP (8160 x 6120) apenas interpola os arquivos nativos de 20MP com qualidade duvidosa, e o playback invoca controles completamente distintos do restante da interface, com uma aba lateral de informações acionada pelo disco lateral (?); ou um conversor raw > JPEG acionado por um longo toque (??) na tela. Enfim, deixo vocês descobrirem mais funções escondidas na Yi-M1.

PERFORMANCE – FOCO AUTOMÁTICO

XiaoYi Yi-M1

A Yi-M1 usa um sistema de foco automático por detecção de contraste, que “dirige” a objetiva para frente e para trás, até encontrar a nitidez máxima; portanto, o ponto em foco. Ela divide cerca de 80% do quadro em 81 pontos selecionáveis por toque (9×9), com opções de medição única, para disparar uma foto só; ou contínua, para acompanhar sujeitos em movimento. Além disso a interface oferece opções de foco manual, importantes no sistema Micro Four Thirds que tem objetivas sem botões; e assistência por peaking, que mostra um contorno em destaque sobre a área mais nítida. Mas ausências notáveis como a assistência por ampliação com “zoom” na área a ser focada, ou um modo tracking de sujeitos a partir da cor fazem falta no modelo, e novamente ela parece mais limitada do que deveria ser. No geral o foco da M1 funciona bem no dia-a-dia, mas não espere a mesma performance de uma mirrorlesstop”, com lógicas bem desenvolvidas de AF.

XiaoYi Yi-M1

A seleção da área de focagem é fácil. Ao ligar a câmera o modo automático é sempre ativado, e a máquina buscará contraste em qualquer lugar do quadro; independente de proximidade, cor, ou destaque do sujeito. Por isso este modo é particularmente ruim: é absolutamente imprevisível saber aonde irá focar! Uma função de detecção de rostos até ajuda em retratos e grupos de pessoas, dirigindo o foco para os sujeitos, mas ela facilmente se perde entre a pessoa atrás ou à frente. Então a melhor prática é sair do modo automático, tocando em qualquer lugar da tela LCD e selecionando um novo ponto de focagem. O botão “O” pode ser usado para mostrar todo o quadriculado de 9×9 pontos, mas não separa a operação do foco automático (AF) da exposição (AE), como numa câmera maior. Ainda por cima, nenhum modo sofisticado como tracking ou zona está presente na M1, então a operação é simplificada: escolha um único ponto, e inicie o AF.

XiaoYi Yi-M1

Vindo do firmware 1.02 para o 2.0-int, a velocidade na focagem melhorou na M1. Seja com o ponto único ou o rosto selecionado, a câmera leva pouco menos de meio segundo (0.5s) para focar em modo “Single AF”, o que é bom. Você aperta o botão e a câmera confirma – ou não – o foco, tudo em menos de 1 segundo. O interessante é este comportamento: “confirma ou não”. Mesmo que a câmera não encontre o foco, por exemplo em situações difíceis sob pouca luz, a velocidade de medição é a mesma; agilizando a decisão do fotógrafo sobre tentar de novo. Outras marcas optam por diminuir a velocidade no escuro, o que aumenta as chances de foco, mas não a XiaoYi. Se a câmera não conseguir focar, ela avisará rapidamente, para você tentar de novo. O manual de instruções declara a sensibilidade de até -4EV no escuro, mas deve ser um erro de digitação. Enquanto a M1 não tenha grandes problemas em lugares fechados (1EV), amplificando o sinal do sensor sob pouca luz, ela pede paciência à noite, especialmente com sujeitos em movimento.

XiaoYi Yi-M1

Em modo contínuo “Continuous AF”, aí a XiaoYi Yi-M1 simplesmente não funciona. A detecção somente por contraste vai na contra-mão de uma sistema contínuo de foco automático, já que o movimento “vai-e-volta” da objetiva não acompanha o movimento do sujeito; sem qualquer chance de acerto. Enquanto ele até poderia funcionar com mudanças leves de distância, como num retrato mais calmo, ou mudando somente a posição lateral do ponto (tracking nos eixos X e Y), o foco contínuo apenas serve mais para tirar a confirmação sobre o ponto selecionado, e ficar buscando o foco aleatoriamente – absolutamente impreciso, absolutamente imprevisível – do que detectar a distância correta do sujeito; quiçá prever o próximo ponto de foco (SERVO). Ou seja, nada de fotografar esportes, crianças correndo, amigos bêbados, nada… Aliás, eu não entendo nem porque as fabricantes insistem em colocá-lo neste tipo de câmera: Sony RX1R, Fujifilm X-A2 e Panasonic GF3 são todas baseadas no foco contínuo por contraste, que nunca funciona.

XiaoYi Yi-M1

Já a precisão da XiaoYi Yi-M1 é surpreendentemente boa. Aqui testada majoritariamente com a objetiva do kit XiaoYi 12-40mm f/3.5-5.6, o acerto do foco beirou os 90% nos mais de 900 quadros clicados para este review; muito bom! Claro, eu usei exclusivamente a seleção manual e o ponto central, e repetia a focagem quando a câmera errava o foco; pratica comum com qualquer equipamento – o fotógrafo tem de fazer a parte dele. Porém a M1 não é infalível, e algumas fotos com o foco confirmado na tela LCD, saíram fora de foco no arquivo, inexplicavelmente. Ao testá-la com as objetivas Panasonic G VARIO 14-45mm f/3.5-5.6 ASPH OIS e G 14mm f/2.5 ASPH, ambas Micro Four Thirds, notei que a Yi-M1 errava bem mais com a zoom 14-45mm, do que a prime 14mm. Portanto recomendo verificar SEMPRE o foco depois click, já que a experiência varia bastante com a Yi-M1, o que é esperado para este tipo e preço de equipamento. US$299. O kit!



PERFORMANCE – VÍDEO UHD 4K30P

XiaoYi Yi-M1

Os interessados em vídeos ficarão surpresos em saber que a Yi-M1 é capaz de gravar arquivos na resolução 4K UHD. Antes um luxo destinado a câmeras topo-de-linha, a XiaoYi aproveitou a performance do sensor Sony IMX269, e habilitou o 4K30P UHD na M1. Vamos a parte boa: a resolução 3840×2160 4KUHD roda à 30fps, e é gravada internamente no cartão de memória, em H.264 à 75Mbps. Há opções de 2K à 2048×1536 30P (4:3) e 1920×1080 60P, além de 1280×720 24P e 640×480 240P; todas estas com uma função de estabilizador digital. E só. Fim da parte boa.

A parte ruim é que o 4K misteriosamente está limitado a apenas 07 min. e 30 seg. de gravação, envelopado num único arquivo de 4.28GB, em MP4. Além disso, fora a velocidade 30P não há qualquer opção extra em 4K, como um desejável 24P. Quer mais? O vídeo 4K é conseguido através de um crop severo no sensor de fotos, cortando (sem trocadilhos) qualquer chance de takes grande-angulares. Mais? Não há qualquer ajuste manual de exposição (PASM), nem de balanço do branco, nem do foco; tudo é automatizado e imprevisível durante a gravação. MAIS? Não há ajustes do “perfil de imagem” do vídeo, aquele com opções de nitidez, contraste, cores etc; é tudo pré-programado de fábrica, assim como o redutor de ruídos, impossível de ser desligado. M-A-I-S? A saída HDMI não dá saída da imagem do sensor, impedindo o uso com um gravador externo. O estabilizador embutido não funciona no 4KUHD… A Yi-M1 não tem saída/entrada para fones…

XiaoYi Yi-M1

Pois é. Eu sinto as dores de quem pretendia usar a Yi-M1 como porta de entrada para o vídeo 4KUHD, mas não foi dessa vez. Se gravar takes longos não for a sua praia, mesmo dentro dos misteriosos 7 minutos e 30 segundos de gravação a câmera não permite controles manuais de exposição. Mesmo que você aceite a exposição automática, ela tem uma pegadinha: é somente com a abertura máxima da objetiva! Ou seja, se você usar uma prime de grande abertura, dependerá largamente da performance das lentes para atingir a qualidade esperada, além de lidar com a profundidade de campo curta, sempre! E mesmo que isso não seja problema, o foco automático é obrigatório, porém sem qualquer seleção de área (não existe a função “toque para focar”). E mesmo que você aceite 1) gravar takes curtos 2) na abertura máxima e com 3) foco automático, o white balance varia durante a gravação, especialmente sob iluminação artificial. É tudo desnecessariamente simplificado e imprevisível, e impossível de trabalhar com a M1.

O que nos leva a pergunta: o que dá pra fazer com o 4K da Yi-M1? Francamente, muita coisa! A parte técnica é a mais simples de responder: as gravações em 3840×2160 tem muito mais detalhes que qualquer DSLR Canon EOS em 1080P, por exemplo, e o salto na qualidade de imagem é exponencial. Assistir a um vídeo 4K da Yi-M1 num monitor grande e calibrado parece uma “janela” limpa, clara, nítida, perfeita em comparação à recentemente testada EOS T7i, que custa mais que o dobro da M1, ainda sem objetivas. Mesmo em ambientes sob pouca luz, com o ISO alto e misterioso (a Yi-M1 não mostra qual o ISO das gravações) e o redutor de ruídos ligado obrigatoriamente, as gravações simplesmente funcionam. O foco automático não é tão “nervoso” a ponto de destruir todas as gravações, e não é um problema, err, se você usar objetivas 100% manuais (foco e abertura). E criativamente as possibilidades são grandes, apesar dos controles automatizados. Enquanto evidentemente não dê para trabalhar, ou gravar um vlog, ou uma entrevista longa, ou substituir uma filmadora de verdade… Criativamente a M1 até funciona. E lembrem: um firmware pode resolver estas limitações, então fiquem atentos a XiaoYi.

“Tokyo” com a Xiaoyi Yi-M1; 4K screengrab. Clique para ver maior.

“Tokyo” com a Xiaoyi Yi-M1; 4K screengrab. Clique para ver maior.

“Koyasan” com a Xiaoyi Yi-M1; 4K screengrab. A resolução impressiona, assim como a compressão alta dos 75mbps. Clique para ver maior.

“Koyasan” com a Xiaoyi Yi-M1; 4K screengrab. A resolução impressiona, assim como a compressão alta dos 75mbps. Clique para ver maior.

“Mercado” com a Xiaoyi Yi-M1; 4K screengrab. Clique para ver maior.

“Mercado” com a Xiaoyi Yi-M1; 4K screengrab. Clique para ver maior.

“Dotonbori” com a Xiaoyi Yi-M1; 4K screengrab. Clique para ver maior.

“Dotonbori” com a Xiaoyi Yi-M1; 4K screengrab. Clique para ver maior.

Já as gravações em 2K e 1080P60/1080P30 revelam outras limitações da Yi-M1, talvez por uma questão de hardware, talvez por uma questão de software. O 2K é gravado na proporção nativa 4:3 do sensor, num arquivo 2048×1536, e segue o bitrate de 30Mbps, 40% do bitrate do 4K. Porém, o tempo limite de gravação está em 18 minutos e 56 segundos, mas dentro do mesmo arquivo de 4.28GB! Ou seja, há na verdade uma limitação do tamanho do arquivo, e não do tempo de gravação. Maas a gravação 1080P30 roda a míseros 15Mbps, e esta para em 29:59, num arquivo de menos de 3.5GB. Portanto a XiaoYi limitará a M1 ou 1) por tamanho de arquivo, em 4.28GB, ou 2) por tempo, de 29m59s. Nestes modos todos os controles continuam automatizados, apesar de habilitarem a função de estabilização eletrônica da gravação, caso a sua objetiva não tenha estabilizador. Funciona da mesma maneira que o “Digital IS” das Canon EOS com DIGIC7, mas não funciona no 4K. Enfim, a M1 funciona sim pelo 4K e 2K, se você limitar as possibilidades dentro dos controles automáticos, apesar de 1080P ser ainda mais limitado, em apenas 15Mbps.

EXTRA – CONEXÕES SEM FIO E APP

XiaoYi Yi-M1

Seguindo a lógica do “menos é mais” e com uma interface totalmente sensível ao toque, com poucos botões, natural a Yi-M1 também ser uma câmera 100% conectada, pronta para sincronizar com o seu smartphone. Enquanto módulos Wi-Fi e Bluetooth (LE, low-energy, no caso) estejam em praticamente todas as câmeras do mercado hoje, DSLR, mirrorless ou action cams, é sempre no software/app que as fabricantes falham, com a única excessão vindo da Canon, e o aplicativo “Camera Connect” (iOS e Android). As outras marcas simplesmente não funcionam: a Nikon está trollando com a tecnologia “SnapBridge”, incompatível com alguns smartphones antigos sem o Bluetooth de baixa energia, e com interface duvidosa nos que funcionam; o Fujifilm “Camera Remote” parece ter sido desenvolvido no mesmo “final de semana” do “PlayMemories Mobile“ da Sony, ambos de conexão instável. E boa parte do mercado fotográfico sequer usa estas funções, dando pouco incentivo às fabricantes em melhorar as coisas. Entra a XiaoYi e a Yi-M1.

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A XiaoYi oferece praticamente as mesmas capacidades de todas outras fabricantes: baixe um aplicativo no seu smartphone ou tablet (iOS ou Android), e os dois se comunicam para funções sem fio. A configuração é fácil, via Bluetooth no primeiro passo, e depois via Wi-Fi para transmitir mais dados. A imagem do que aparece na tela da câmera, aparece na tela do celular, e pelo aplicativo você conseguirá disparar a câmera à distância, mudar a exposição, a “qualidade” dos arquivos JPEG, o balanço do branco etc; tudo idêntico às outras marcas. Porém é a interface do aplicativo “YI Mirrorless” que a XiaoYi surpreende: talvez a mais clara e eficaz de todas as marcas, e ainda com ideias novas; embora potencialmente incompletas, implorando por atualizações futuras.

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Pelo menos na versão testada para iOS 10, mudar os parâmetros de exposição é elegante, com “sliders” gráficos de abertura do diafragma, velocidade do obturador e ISO; todos interativos na tela do celular. Até mudar entre os modos “PASM” pode ser feito a distância, dispensando o disco físico da M1. Alguns ajustes básicos como “qualidade de imagem” são feitos num menu à direita da interface principal, ativado pelo mesmo “swipe” da interface da câmera em si, coerente na operação. Mas a função mais interessante está no tal modo C – “Super Professional Guide”, que permite o download de templates gráficos de poses e composições, e que são sobrepostos na tela da M1 para guiar o fotógrafo e a modelo; copiando fotos já prontas. Este modo é evidentemente cômico por descaradamente copiar poses já batidas no mercado, mas se encararmos a máxima “a prática leva a perfeição”, ele pode ser bem-vindo aos iniciantes; as possibilidades são infinitas!

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Porém nem tudo é perfeito, e o aplicativo YI Mirrorless tem algumas limitações bem sérias, de partir o coração de futuros compradores. Primeiro, não há como disparar o vídeo a partir do celular, só as fotos; inaceitável! Imaginem os usuários que gostariam de usá-la num drone ou gravar um vlog sozinho, a M1 simplesmente não faz. Segundo, na função de playback/acesso das fotos à distância, nenhum dos arquivos raw .DNG, ou mesmo os vídeos 4K/2K/FHD/HD, aparecem para download ao celular; palhaçada pura! Aliás, toda e qualquer foto disparada a partir do aplicativo é feita em JPEG, o que limita ainda mais o uso, embora seja coerente com o destino das fotos (ninguém compartilha um raw no Instagram). Enfim, fica a esperança de uma atualização.



QUALIDADE DE IMAGEM

“Tsūtenkaku” em f/5.6 1/640 ISO200 @ 25mm. Todas as fotos com a Xiaoyi 12-40mm f/3.5-5.6. Arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Tsūtenkaku” em f/5.6 1/640 ISO200 @ 25mm. Todas as fotos com a Xiaoyi 12-40mm f/3.5-5.6. Arquivos raw disponíveis no Patreon.

A XiaoYi Yi-M1 usa um sensor Sony IMX269 capaz de dar saída raw 12-bit (não confundir com 12 stops de dynamic range) com dimensão 5200 x 3902, aparentemente o mesmo usado em outras câmeras Micro Four Thirds muito mais caras, como a top Olympus OM-D E-M1 Mark II (US$1999) e a Panasonic Lumix DMC-GX8 (US$999). Um sensor CMOS com a mesma tecnologia “EXMOR” usada em outras câmeras da Sony, a ideia é executar duas passagens de redução de ruído além da conversão análogo/digital (A/DC) na mesma placa, o que aumenta a qualidade de imagem. Um chip acessível, fácil de usar, praticamente uma commodity no mercado de semicondutores, a qualidade de imagem esta a par com o restante do mercado Micro Four Thirds: abaixo do APS-C, mesmo de entrada; mas acima da maioria dos smartphones, dadas as dimensões físicas do sensor. Na verdade impressiona que Olympus e Panasonic ofereçam uma performance tão baixa nas suas câmeras mais caras; mas como a performance é a alta na M1, de apenas US$299 – o kit!

“Senbazuru” em f/5.6 1/500 ISO200 @ 40mm.

“Senbazuru” em f/5.6 1/500 ISO200 @ 40mm.

O ISO-base da M1 está em 200, com a opção do valor 100 interpolado “pra baixo”, sem ganho de qualidade. Em ISO200 os arquivos tem a mesma qualidade dos CMOS daquela geração (2015), sem vazamento de luz entre os pixels; graduações de tons suaves das luzes às sombras; e aquela leve “textura” que o mercado fotográfico adorou em 2002, quando decidimos usar as digitais com sensor CMOS, no lugar do CCD. É neste valor-base que o queridíssimo dynamic range mantém a maior quantidade de detalhes nas luzes e nas sombras dos arquivos, mas com a performance genuinamente “Micro Four Thirds”: se vocês acham algumas full-frames ruins (e tem gente que acha!), e as APS-C “razoáveis”, este sensor MFT é no mínimo péssimo. Logo os valores modestos do Lightroom +2.00 (exposição) e +60 (sombras) revelam ruídos coloridos nas sombras, dando saudades dos +3.00 razoavelmente limpos das T6i/T7i/A6300/A6500; quiçá um +3.50 de uma 5D Mark IV; ou absurdos +5.00 da D800E. Certamente a Yi-M1 é mais flexível que um JPEG “clipado” de smartphone, mas não se enganem: o MFT ainda está atrás até do mais básico APS-C.

”Árvore” em f/3.5 1/100 ISO500 @ 12mm.

”Bar” em f/5.6 1/100 ISO800 @ 33mm.

”Arcade” em f/5.6 1/100 ISO200 @ 12mm.

”Estação” em f/5.6 1/800 ISO200 @ 18mm.

A resolução da Yi-M1 impressiona pela definição de detalhes e texturas dos arquivos em ISO-base, e até da quantidade de informações mantidas em ISOs mais altos; a grande vantagem de usar um sensor “grande”. Os arquivos 5200 x 3902 são “generosos” o suficiente para impressões imensas de 1.3 x 1 metro à 100DPI, e estão muito à frente dos smartphones, que estacionaram nos 12MP; não dá para aumentar a resolução dos celulares, sem perder qualidade de imagem sob pouca luz. Sujeitos detalhados como paisagens, moda e produtos, fotografia de rua e arquitetura se beneficiam da resolução alta, próprias até para trabalhar “de verdade” com os arquivos, apesar da classe low-cost da M1. O interessante é ver como este sensor mantém os detalhes visíveis até ISOs bem razoáveis, sem grandes impactos na resolução até ISO3200; desde que haja luz incidindo no sujeito. E em formato raw é possível trabalharmos até valores absurdos como o 25.600, obviamente cheio de ruídos, mas também com detalhes; colocando à prova os limites do sensor.

“Koyasan” em f/5.6 1/100 ISO2000 @ 12mm.

“Koyasan” em f/5.6 1/100 ISO2000 @ 12mm.

Crop 100%, resolução e detalhes de sobra em ISO2000.

Crop 100%, resolução e detalhes de sobra em ISO2000.

“Folhagem” em f/6.3 1/100 ISO640 @ 40mm.

“Folhagem” em f/6.3 1/100 ISO640 @ 40mm.

Crop 100%, as vantagens de um sensor “grande”: detalhes em ISO640.

Crop 100%, as vantagens de um sensor “grande”: detalhes em ISO640.

“Welcome” em f/5 1/100 ISO640 @ 18mm.

“Welcome” em f/5 1/100 ISO640 @ 18mm.

Crop 100%, detalhes no centro nítido da zoom do kit, com o poder dos 20MP da M1.

Crop 100%, detalhes no centro nítido da zoom do kit, com o poder dos 20MP da M1.

“Girassol” em f/5.6 1/100 ISO200 @ 40mm.

“Girassol” em f/5.6 1/100 ISO200 @ 40mm.

Crop 100%, detalhes imbatíveis de uma máquina fotográfica dedicada.

Crop 100%, detalhes imbatíveis de uma máquina fotográfica dedicada.

ISOs altos são uma surpresa na Yi-M1, e vão de encontro com a lógica “sensor grande = maior performance sob pouca luz”. Em registros em formato raw, valores modestos como ISO800, usados assim que o sol se põe e em conjunto de objetivas escuras f/3.5-5.6, permitem registros claros sem recorrer ao tripé; ainda sem incluir muitos ruídos nos detalhes. O ISO2000 impressiona pela qualidade das cores, sem qualquer mudança de tom das sombras; um salto à frente do APS-C de poucos anos atrás (EOS 60D, T3i). E até o ISO4000 (!) revela detalhes finos de contornos e letras à noite, ainda sem impacto nas cores, o que é incrível! É só nos valores insanos como ISO16000 pra cima, que perdemos de vez os detalhes na ampliação máxima dos arquivos, apesar das cores ainda parecerem razoáveis na maioria dos canais RGB. O sensor Sony IMX269 é tão flexível sob pouca luz, evidentemente dentro das expectativas para o formato Micro Four Thirds e depois da conversão dos arquivos raw, que sela o negócio da Yi-M1: ela é fantástica por US$299 – o kit!

“Shinobazunoike Bentendo” em f/5.6 1/100 ISO800 @ 40mm.

“Shinobazunoike Bentendo” em f/5.6 1/100 ISO800 @ 40mm.

Crop 100%, ruídos evidentes logo em ISO800 sob pouca luz, mas com retenção de detalhes.

Crop 100%, ruídos evidentes logo em ISO800 sob pouca luz, mas com retenção de detalhes.

“Lammtarra” f/5 1/100 ISO2000 @ 15mm.

“Lammtarra” f/5 1/100 ISO2000 @ 15mm.

Crop 100%, incrível definição das cores sob ISO2000.

Crop 100%, incrível definição das cores sob ISO2000.

“Folhas” em f/5.6 1/100 ISO4000 @ 22mm.

“Folhas” em f/5.6 1/100 ISO4000 @ 22mm.

Crop 100%, contornos precisos sob ISO400, cores intactas.

Crop 100%, contornos precisos sob ISO400, cores intactas.

“Sapatos” em f/5.6 1/100 ISO16000 @ 22mm.

“Sapatos” em f/5.6 1/100 ISO16000 @ 22mm.

Crop 100%, apesar do ISO extremo, cores intactas e vários detalhes.

Crop 100%, apesar do ISO extremo, cores intactas e vários detalhes.

“Revistas” em f/6.3 1/80 ISO25600 @ 14mm.

“Revistas” em f/6.3 1/80 ISO25600 @ 14mm.

Crop 100%, valor máximo do ISO ainda mantém detalhes, apesar dos ruídos óbvios.

Crop 100%, valor máximo do ISO ainda mantém detalhes, apesar dos ruídos óbvios.

As cores dos arquivos raw da Yi-M1 também são outra surpresa, porque os tons são saturados depois da conversão, com valores RGB absolutos, sem tendências específicas para uma só cor. Enquanto a Canon misture tudo com o vermelho, e equilibre os tons de pele com o rosa; a Nikon “puxe” tudo para o amarelo-esverdeado, e a Sony para o néon; e a Fuji tenha “mão pesada” com a saturação da tecnologia X-Trans; a M1 entrega graduações suaves de rosas, azuis, e verdes; sem interferência dos roxos, amarelos e laranjas; apesar de falhar terrivelmente nos tons de pele. As sombras das peles aparecem amarronzadas sob iluminação natural, em fotografia de rua sob o sol, e “puxam” para o marrom-esverdeado (!) sob iluminação eletrônica; tanto em espaço fechados,  quanto com o auxílio do flash. Apesar de não ter uma unidade embutida, a M1 é compatível até com o Canon 580EXII (em modo manual), e fica claro como ela falha em equilibrar o ponto do branco nos retratos. Enquanto os arquivos raw deem certa flexibilidade para tratarmos as cores no computador, os tons de pele não funcionam na M1; fiquem atentos de acordo com o trabalho.

“Asahi” em f/5.6 1/100 ISO500 @ 40mm; vermelhos intensos na conversão raw.

“Asahi” em f/5.6 1/100 ISO500 @ 40mm; vermelhos intensos na conversão raw.

“Lammtarra II em f/5 1/100 ISO400 @ 12mm.

“Lammtarra II em f/5 1/100 ISO400 @ 12mm.

“Hybrid” em f/5.6 1/400 ISO200 @ 24mm; amarelo-mostarda.

“Hybrid” em f/5.6 1/400 ISO200 @ 24mm; amarelo-mostarda.

“Trem” em f/7.1 1/320 ISO200 @ 28mm.

“Trem” em f/7.1 1/320 ISO200 @ 28mm.

“Argolas” em f/6.3 1/100 ISO250 @ 40mm.

“Argolas” em f/6.3 1/100 ISO250 @ 40mm.

“Centro” em f/6.3 1/100 ISO1000 @ 23mm; cores sob ISO1000.

“Centro” em f/6.3 1/100 ISO1000 @ 23mm; cores sob ISO1000.

“Arbusto” em f/6.3 1/100 ISO250 @ 25mm.

“Arbusto” em f/6.3 1/100 ISO250 @ 25mm.

“Flores” em f/5.6 1/200 ISO200 @ 40mm.

“Flores” em f/5.6 1/200 ISO200 @ 40mm.

“Bandeiras” em f/5.6 1/160 ISO200 @ 40mm.

“Bandeiras” em f/5.6 1/160 ISO200 @ 40mm.

Por fim o processador JPEG direto da M1 parece uma piada, e recomendo evitá-lo a todo custo. O engine JPEG é simplesmente agressivo com tudo: seja num registro em ISO-base 200, ou numa foto à noite em ISO máximo 25.600, ele “apaga” completamente qualquer textura/ruído do sensor CMOS da Sony, e os arquivos não parecem nem as “aquarelas” geradas pelos redutores de ruídos do passado; são ilustrações de cera pura! Os perfis de cor são selecionados por um swipe à direita na interface principal, e trazem apenas cinco opções: padrão, retrato, vivido, preto e branco natural, e preto e branco de alto contraste. Não há qualquer ajuste de nitidez, contraste, saturação e tons, nem como ligar/desligar o redutor de ruídos. E nenhuma função avançada como “Auto Lighting Optimizer” (Canon) ou “Active D-Lighting” (Nikon) tem equivalência na Yi-M1; muito menos ajustes avançados de vídeo S-Log (Sony) ou C-Log (Canon), para a gravação 4K. Então a recomendação é bem simples: desligue o JPEG, e trabalhe sempre em raw com a M1.

“Loja” em f/5.6 1/100 ISO200 @ 40mm

“Loja” em f/5.6 1/100 ISO200 @ 40mm.

Crop 100%, antes (esquerda) e depois da conversão raw, note a textura no raw.

“Asahi II” em f/5.6 1/100 ISO640 @ 40mm

“Asahi II” em f/5.6 1/100 ISO640 @ 40mm.

Crop 100%, arquivo raw parece mais orgânico, depois da conversão.

“Cintos” em f/5.6 1/100 ISO2000 @ 27mm.

“Cintos” em f/5.6 1/100 ISO2000 @ 27mm.

Crop 100%, JPEGs sob ISOs altos não funcionam; recomendo fotografar em raw.

“Restaurante” em f/5.6 1/100 ISO2000 @ 22mm.

“Restaurante” em f/5.6 1/100 ISO2000 @ 22mm.

Crop 100%, arquivo raw mantém a textura e detalhes apagados no JPEG.

“Porta” em f/5.6 1/100 ISO2000 @ 18mm

“Porta” em f/5.6 1/100 ISO2000 @ 18mm

Crop 100%, vantagem na nitidez dos arquivos raw é óbvia na Yi-M1.

VEREDICTO

A XiaoYi Yi-M1 coloca a prova diversas “máximas” do mercado fotográfico. Primeiro o DNA chinês: por mais que ela seja “xing-ling” (perdoem o preconceito), e esteja vestida “à caráter” (um clone da Leica T), a construção francamente é muito boa sob todos os aspectos, estruturais, de acabamento, ergonomia e operação; impressionantes para o preço de US$299. A operação vai na contra-mão do “em time que está ganhando, não se mexe”, e agradará mais os aventureiros: todos os controles são simplificados nas mãos, o que é bom, e a interface sensível ao toque funciona, apesar de rudimentar. Mas não é a mesma operação de uma DSLR/mirrorless séria, com uma régua de fotometria, apesar de não dever em nada na exposição manual; está tudo lá!

XiaoYi Yi-M1

O vídeo 4K ainda é “negócio de gente grande”, e a M1 pode não funcionar: é tudo automatizado, é tudo imprevisível, mas com esperanças de um novo firmware no futuro. A qualidade de imagem do 4K é sempre bem-vinda, e dá voltas sobre o 1080P de qualquer Canon EOS. E a qualidade de imagem das fotos segue à risca a ideia do “sensor maior, maior qualidade de imagem”, apesar de lembrar-nos que este é um dos menores formatos do mercado. Os arquivos são flexíveis e fáceis de trabalhar sim, mas não esperem milagres do Micro Four Thirds; “you get what you paid for”. O dynamic range é limitado no poder de recuperar sombras e luzes, e os ruídos aparecem logo nas correções mais conservadoras. Enfim a M1 funciona para iniciantes que não queriam (ou não possam) pagar o preço de uma câmera de marca, e funciona para usuários “avançados” em busca de diversão. É um verdadeiro negócio da China por apenas US$299 – o kit! – e boas fotos.