Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD

Grande-angular, de (relativa) grande abertura, estabilizada e APS-C

Agosto/2017 – A Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD, é a nova geração da zoom-ultra-grande angular estabilizada, própria para o formato APS-C. Seguindo os passos da renovada linha “SP” Super Performance, que conhecemos na prime 45mm f/1.8 Di VC USD, o design, a ergonomia, a operação e o controle de qualidade foram repensados para o mercado “premium low-cost”, no mesmo molde da Sigma com as linhas Global Vision Art, Contemporary e Sports; mais baratas que as equivalentes de marca, mas com qualidades tangíveis aos fotógrafos. Ficam para trás os anéis dourados e a operação ruim das Tamrons antigas, e chega o design sóbrio e a operação eficiente, não oferecidos nem pelas marcas principais no mercado APS-C. A Canon só tem a abertura f/3.5-4.5 na jurássica 10-22mm USM (US$649) de 2004, sem o estabilizador de imagem; e o IS só aparece na 10-18mm f/4.5-5.6 IS STM (US$279) de 2014, com abertura menor. A Nikon segue a mesma lógica nas 10-24mm f/3.5-4.5G de US$899, ou a nova 10-20mm f/4.5-5.6G VR de $309. Mas a Tamron une a abertura f/3.5 ao estabilizador, pelo preço de US$499. Oferecida nos mounts Canon EF e Nikon F, será que ela vale um lugar no kit? Vamos descobrir! Boa leitura. (english)



CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD

Em 8.4 x 8.2 cm de 440g de principalmente plásticos, a 10-24mm II chama a atenção pela qualidade da construção, sólida e precisa, sem ser pesada nem pretensiosa; uma peça bacana para estar o dia todo com você. Com a nova filosofia de designHuman Touch” (Toque Humano) da Tamron, todo o tubo externo tem uma espessura única, mais agradável ao toque das mãos, cedendo a esta lógica somente na parte da frente, onde vão rosqueados os enormes filtros de ø77mm, pensados em evitar o escurecimento das bordas. Ela é relativamente grande sem ser desconfortável, uma exigência mecânica para abrigar a distância focal dos 10mm, a abertura f/3.5, e os movimentos do estabilizador, o que contribui para a “pegada” suave nas mãos. Todo o acabamento do plástico é “quente”, quase emborrachado, e realmente um destaque nesta faixa de preço. Canon e Nikon, mais caras ou baratas, optam por plásticos duros nas objetivas EF-S/AF/AF-P DX, e impressiona a tecnologia da Tamron no material do acabamento externo da 10-24mm II.

Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD

Nas mãos a usabilidade é fantástica com o design e materiais bem pensados, um prazer de ficar o dia inteiro na câmera, com você. Na frente o anel de zoom gira dos 10mm aos 24mm em curtos 80º, e move o tubo interno para dentro (15mm) e para fora (10mm e 24mm), num sistema zoom-float; nem muito pesado, incomodo de usar, nem muito “liso”, fácil de mudar acidentalmente. O anel é emborrachado e gostoso de pegar, com tração de sobra nos dedos, sem escapar, e equilibra bem à frente, contra a câmera atrás. Na lateral esquerda estão as chaves de ajuste do estabilizador e do foco automático, e de novo superiores à Canon: grandes, suaves, e com o mesmo toque acetinado do tubo externo, melhores que a micro-chave da EF-S 10-22mm USM antiga. É fácil operar estes ajustes mesmo sob pouca luz, e fica um alerta para as marcas principais: está difícil engolir o que vocês oferecem no mercado APS-C, e eu não recomendo mais as objetivas EF-S/AF DX. O APS-C é melhor atendido pelas marcas alternativas, como Sigma e Tokina, e agora a Tamron.

Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD

Atrás está o anel de foco manual, que controla o grupo totalmente interno de foco da 10-24mm II. Este anel é relativamente fino e 100% plástico, não emborrachado, e curioso na operação: ao mesmo tempo que ele não é protuberante, rente à carcaça da objetiva, bom para não girar por acidente, mas ruim dada a tração pobre com os dedos, por outro lado ele também pode ser gostoso de usar, com precisão nos movimentos. É o melhor (ou o pior?) dos dois mundos, mas faz um bom trabalho: se você pretende usar o sistema de foco interno, nem lembrará do anel, que é discreto na objetiva; e quando precisar dele, a precisão é boa, apesar da pegada tosca. Ainda por cima ele suporta a operação “full time manual”, que permite ao mesmo tempo que a chave do motor HLD esteja em “AF”, o fotógrafo use o anel de foco manual, para compensar erros do foco da câmera. É muito melhor que o STM da Canon EF-S 10-18mm IS, “liso” e desconectado do grupo interno, ou o terrível “One-Touch Clutch Focus” das Tokina 11-20mm/11-16mm f/2.8 AT-X PRO. A Tamron está de parabéns na usabilidade desta geração, mesmo fora da linha Super Performance.



Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD

Do lado de dentro a Tamron traz o novo motor de foco HLD, distinto do USD que vimos nas SP 24-70mm f/2.8 e 45mm f/1.8. Enquanto o USD usa o mesmo princípio ultra-sônico da Canon USM, o HLD “High/Low Torque” da Tamron é equivalente ao STM das objetivas EF/EF-S, suave, preciso, silencioso; mas não particularmente rápido (embora também não seja devagar). Falar de foco automático é sempre difícil, porque são muitos fatores que influenciam na usabilidade, na precisão e na velocidade. Aqui testada com a Canon EOS T7i, por exemplo, praticamente todas as fotos do review saíram em foco, preciso e nítido, sem grandes esforços; tanto pelo módulo de 45-pontos, usado através do espelho, quanto pelo fantástico sistema Dual Pixel da Canon, usado durante a operação do Live View. Mas o HLD é notavelmente mais devagar que o USM da EF-S 10-22mm f/3.5-4.5, o que me impede de recomendá-la com segurança para quem fotografa esportes; a Canon “trava” o foco instantaneamente, enquanto a Tamron leva seus bons 0.5s para ir até o ponto certo. Pelo menos tudo funciona discretamente sem barulhos e vibrações, e o HLD é bem-vindo também durante à gravação de vídeos com o EOS Movie, com suavidade do Dual Pixel.

Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD

Ainda a Tamron emprega o estabilizador de imagem VC (Vibration Compensation) na 10-24mm II, taxado em até 4 stops; um dos melhores do mercado quanto à operação e a compensação. A Tamron na verdade é líder em performance nos módulos VC, sempre silenciosos e suaves para ligar/desligar, mas cada vez maiores, o que garante qualidade de imagem alta mesmo em objetivas exóticas; como as novas de grande abertura, ou esta grande angular. Daí a especificação 10-22mm foi possível com a abertura f/3.5 junto do estabilizador, coisa que Canon e Nikon não oferecem na linha deles. E na prática tudo funciona como esperado: é possível fazer capturas em quase 1/2 segundo à 10mm, totalmente dispensando o uso do tripé. E também durante a gravação de vídeos, ele é obrigatório para compensar pela tremedeiras em takes dinâmicos, feitos nas mãos. Assim como vimos na 45mm f/1.8 VC, o estabilizador robusto é a carta na manga da Tamron, e o grande motivo de tê-las no kit: especificações ousadas, amplas ou de grande abertura, e todas com estabilizador. A Sigma e a Tokina poderiam aprender uma ou outra coisa com o VC da Tamron.

“Itsukushima Shrine” com a EOS T7i + Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em 1/5 f/7.1 ISO400 @ 10mm.

“Itsukushima Shrine” com a EOS T7i + Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em 1/5 f/7.1 ISO400 @ 10mm.

Crop 100%, estabilizador VC “segura” facilmente 1/5 de segundo na Tamron 10-24mm II.

Crop 100%, estabilizador VC “segura” facilmente 1/5 de segundo na Tamron 10-24mm II.

Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD

Enfim na frente os filtros de ø77mm são gigantes, mas por um bom motivo: eliminar qualquer chance de vinheta nas fotos, com o escurecimento das bordas. Os elementos ópticos são claramente menores do que os ø77mm sugerem, então a lógica é esta: evitar vinheta. Eles vão dentro da rosca do gigante para-sol HB023, incluído na caixa, e permite o uso de polarizadores ou ND variáveis; muito úteis no grande angular. Atrás o mount de metal é incrivelmente bem feito e protegido por uma borracha de vedação, e a Tamron ainda declara anéis internos contra água e poeira; apesar deles não dispensarem a cautela quando fotografarmos sob os elementos. Também impressiona a qualidade e suavidade das tampas incluídas no kit, ambas extremamente robustas e pesadas, mas ao mesmo tempo suaves. A tampa traseira, por exemplo, tem cortes que fazem ela deslizar no mount, sem qualquer fricção. Além disto o primeiro elemento é coberto por fluorine, que repele água e gordura, mais fácil de limpar. São detalhes como a construção sólida e leve, o acabamento preciso e suave, a operação robusta e simples, e ainda o kit completo com o para-sol, que fazem da Tamron a próxima “Sigma Art” no mercado. Uma ótima alternativa low-cost e sem equivalentes nas marcas principais, uma recomendação fácil aos fotógrafos da era digital.



QUALIDADE DE IMAGEM

“Mall” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/5.6 1/8 ISO100 @ 10mm. Todas as fotos com a Canon EOS T7i; arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Mall” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/5.6 1/8 ISO100 @ 10mm. Todas as fotos com a Canon EOS T7i; arquivos raw disponíveis no Patreon.

Com impressionantes 16 elementos em 11 grupos, uma peça XLD (Extra Low Dispersion), uma LD (Low Dispersion), elementos asféricos e híbrido-asféricos, além da cobertura BBAR contra reflexos, a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 traz ao formato APS-C a equivalência da distância focal 16-38.4mm, ultra-grande-angular própria para trabalhar com as linhas do quadro em paisagens e arquitetura. Uma especificação obrigatória no kit, ela irá “mais ampla” que uma objetiva padrão 50mm, que “fecha” o quadro no sujeito, e os 10-20mm incluirão o espaço nas fotos; um desafio à criatividade na composição, e também um desafio técnico ao projeto. Mas opticamente a Tamron entrega: considerando a resolução altíssima das câmeras APS-C desta geração, é impressionante o que a 10-24mm II faz, com detalhes de sobra no quadro logo em abertura máxima; aberrações cromáticas discretas nas bordas; geometria fácil de corrigir com perfis eletrônicos; e controle do flaring. A Tamron é mais um exemplo de objetiva moderna como conhecemos na Canon EF-S 10-18mm STM, embora traga a benção do estabilizador, junto da abertura f/3.5-4.5 para todos.

“Miraikan” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/8 ISO100 @ 10mm.

“Miraikan” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/8 ISO100 @ 10mm.

Em abertura máxima, é fácil vermos o poder dos sensores APS-C dessa geração; desde que não olhemos para as bordas do quadro, que perdem detalhes na 10-24mm. O problema teoricamente não é nem óptico, mas sim físico. Dada a profundidade de campo curta em f/3.5, os sujeitos tridimensionais não cabem no plano de imagem, especialmente em composições dinâmicas que usem o ponto de fuga como elemento óptico, para dirigir a atenção do sujeito. Então é difícil reclamar da performance em f/3.5: ou o seu sujeito não cabe no plano de imagem, ou o problema está na composição. O interessante é vermos a vinheta bem controlada, sem perda de luz na abertura máxima, um problema até nas f/4.5-5.6 “de entrada” das marcas principais. É uma performance útil para trabalharmos sob pouca luz em espaços fechados, sem medo de usar a abertura máxima para reduzir o valor do ISO, portanto aumentando a qualidade de imagem. O projeto 10-24mm II é bem feito, e entrega de fato às vantagens da especificação. Mas cabe ao fotógrafo de fato extrair o melhor: para os melhores resultados no grande angular, de fato fechar a abertura tem a dupla função de aumentar a profundidade de campo, e a resolução do quadro.

“Incenso” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/3.5 1/320 ISO100 @ 10mm.

“Incenso” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/3.5 1/320 ISO100 @ 10mm.

Crop 100%, centro nítido na abertura máxima, usada para aumentar a velocidade do obturador.

Crop 100%, centro nítido na abertura máxima, usada para aumentar a velocidade do obturador.

“Dragão” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/3.5 1/30 ISO800 @ 10mm.

“Dragão” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/3.5 1/30 ISO800 @ 10mm.

Crop 100%, centro nítido, perfeito para fotografar sobre pouca luz.

Crop 100%, centro nítido, perfeito para fotografar sobre pouca luz.

“Venda” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/5.6 1/100 ISO400 @ 10mm.

“Venda” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/5.6 1/100 ISO400 @ 10mm.

Crop 100%, desde que o sujeito caiba na profundidade de campo, ele será nítido mesmo na abertura máxima.

Crop 100%, desde que o sujeito caiba na profundidade de campo, ele será nítido mesmo na abertura máxima.

“Borboleta” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/4.5 1/100 ISO100 @ 24mm.

“Borboleta” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/4.5 1/100 ISO100 @ 24mm.

Crop 100%, nitidez difícil, dada a profundidade de campo curtíssima.

Crop 100%, nitidez difícil, dada a profundidade de campo curtíssima.

Fechar a abertura dá um salto exponencial à resolução das bordas da Tamron 10-24mm II, e é recomendada para trabalhar quando as fotos forem impressas. Nesta geração de 24MP APS-C de 6000×4000, os arquivos podem sair clínicos mesmo no kit mais barato, não-full frame, úteis para fotógrafos de paisagens, produtos, arquitetura de interiores e rua, dispensarem 1) as limitações de uma prime fixa, numa distância só, ou 2) o investimento numa objetiva mais cara, como as alternativas da Canon e da Nikon. Enquanto eu não tenha usado a Nikon AF-S 10-24mm f/3.5-4.5G de US$899, vocês lembram dos resultados caóticos da Canon 10-22mm USM: sem detalhes nas bordas, mesmo nas aberturas otimizadas; um desastre na linha EF-S há 13 anos atrás. A Tamron se torna uma alternativa muito mais em conta, e também com performance maior, já que não temos opção na EF-S 10-18mm, que é mais escura. Então por hora ela a Tamron é a melhor opção para os fotógrafos Canon, que serão atendidos duplamente na 10-24mm II: abertura e estabilizador.



“Kiyomizu-dera” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/50 ISO100 @ 15mm.

“Kiyomizu-dera” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/50 ISO100 @ 15mm.

Crop 100%, resolução de sobra no formato APS-C e nesta objetiva da Tamron.

Crop 100%, resolução de sobra no formato APS-C e nesta objetiva da Tamron.

“Tokyo-to” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/7.1 1/320 ISO100 @ 10mm.

“Tokyo-to” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/7.1 1/320 ISO100 @ 10mm.

Crop 100%, resolução no quadro todo, apesar da aberração cromática lateral.

Crop 100%, resolução no quadro todo, apesar da aberração cromática lateral.

“Venda II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/7.1 1/40 ISO500 @ 10mm.

“Venda II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/7.1 1/40 ISO500 @ 10mm.

Crop 100%, linhas nítidas em praticamente todo o quadro, com a longa profundidade de campo.

Crop 100%, linhas nítidas em praticamente todo o quadro, com a longa profundidade de campo.

“Centro” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/7.1 1/60 ISO100 @ 10mm.

“Centro” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/7.1 1/60 ISO100 @ 10mm.

Crop 100%, resolução aceitável no quadro todo, pelo formato e preço.

Crop 100%, resolução aceitável no quadro todo, pelo formato e preço.

“Arcade” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/30 ISO400 @ 10mm.

“Arcade” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/30 ISO400 @ 10mm.

Crop 100%, fechar a abertura é ideal para a reprodução de todos os detalhes.

Crop 100%, fechar a abertura é ideal para a reprodução de todos os detalhes.

“Cartazes” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/30 ISO500 @ 24mm.

“Cartazes” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/30 ISO500 @ 24mm.

Crop 100%, mesmo no final do alcance, a zoom tem boa reprodução de detalhes para a fotografia de rua.

Crop 100%, mesmo no final do alcance, a zoom tem boa reprodução de detalhes para a fotografia de rua.

“Nikko” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/100 ISO100 @ 10mm.

“Nikko” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/100 ISO100 @ 10mm.

Crop 100%, resolução de um sensor com filtro low-pass, na Canon EOS T7i.

Crop 100%, resolução de um sensor com filtro low-pass, na Canon EOS T7i.

Aberrações cromáticas estão presentes no projeto 10-24mm II, uma constante em todo o mercado “ultra-grande-angular”; embora mais discretas do que nunca. Enquanto alguns fabricantes optem pelo controle eletrônico obrigatório nas objetivas mais amplas, a Tamron fez o melhor para entregar opticamente linhas coloridas reduzidas em zonas de contraste, de fato uma das menores que já vimos por aqui. Vindo dos reviews das Tokina 11-22mm f/2.8 AT-X Pro, EF 16-35mm f/4L IS USM e, por quê não incluir a EF-S 18-135mm f/3.5-5.6 IS USM (com 18mm e f/3.5), todas mais caras que esta Tamron, a 10-24mm II com certeza entrega CA lateral mais discreto que todas elas, e por um preço menor. Isso é especialmente útil durante a captura de vídeos com câmeras que não consigam corrigir aberrações direto nos arquivos (Blackmagic, RED com mount EF, EOS C) e, lembrando, a Tamron tem o estabilizador, para gravar nas mãos. É mais um exemplo de uso do projeto bem acertado, graças a óptica com peças de baixa dispersão, apesar do preço em conta.

“Centro II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/320 ISO200 @ 10mm.

“Centro II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/320 ISO200 @ 10mm.

Crop 100%, aberrações cromáticas laterais das mais discretas na Tamron 10-24mm II.

Crop 100%, aberrações cromáticas laterais das mais discretas na Tamron 10-24mm II.

“Pagoda” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/30 ISO100 @ 10mm.

“Pagoda” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/30 ISO100 @ 10mm.

Crop 100%, aberrações cromáticas mínimas no grande angular.

Crop 100%, aberrações cromáticas mínimas no grande angular.

“Miraikan II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/8 ISO100 @ 10mm.

“Miraikan II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/8 ISO100 @ 10mm.

Crop 100%, pior exemplo de aberrações cromáticas, em situação de extremo contraste.

Crop 100%, pior exemplo de aberrações cromáticas, em situação de extremo contraste.

“Flores” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/4.5 1/60 ISO100 @ 21mm.

“Flores” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/4.5 1/60 ISO100 @ 21mm.

Crop 100%, distância de 21mm praticamente sem aberração cromática.

Crop 100%, distância de 21mm praticamente sem aberração cromática.

As distorções geométricas são presentes na “ponta” ultra-grande-angular dos 10mm, e devem ser corrigidas eletronicamente; talvez a única compensação obrigatória no modelo. Apesar do projeto fisicamente longo (8.4cm), e com distância flange de sobra para os mount EF/F-mount, a Tamron mostra uma bolha visível em composições restritamente geométricas, especialmente nas linhas horizontais nos limites do quadro, que se curvam do centro às bordas, notadas por fotógrafos de arquitetura. Enquanto certamente não estamos falando de uma “fisheye”, e a performance seja muito melhor que por exemplo a EF-M 11-22mm f/4-5.6 IS STM, que é um exemplo de como o mercado mirrorless sofre com a geometria, outras objetivas mais caras e modernas, notavelmente no formato full frame, se saem bem melhor. Mas é um preço baixo que pagamos pela portabilidade e praticidade do APS-C, além do custo menor. Não dá pra ter tudo numa objetiva de US$499.



“Miraikan II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/8 ISO100 @ 10mm; antes e depois da compensação eletrônica.

“Para Cima” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/7.1 1/30 ISO200 @ 10mm; antes e depois da compensação eletrônica.

“Asakusa” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/3.5 1/30 ISO1000 @ 10mm; antes e depois da compensação eletrônica.

“Itsukushima Shrine II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/7.1 1/10 ISO400 @ 10mm; antes e depois da compensação eletrônica.

Por fim As cores são interessantes na 10-24mm II, graças ao tratamento BBAR exclusivo da Tamron. O BBAR (Broad-Band Anti Reflection) nada mais é que uma cobertura química aplicada nos vidros da objetiva, usada para: aumentar a transmissividade da luz, garantindo capturas nítidas; aumentar o contraste, garantindo cores fiéis; e evitar reflexos internos, que prejudicam estas duas qualidades. As cores da 10-24mm são praticamente idênticas às Canon ultra-grande-angulares, favoritas de fotógrafos de paisagem e cultura, pelo aspecto saturado, vivo das cores, em conjunto com os sensores das EOS digitais. Os reflexos também são praticamente nulos no dia-a-dia, e demonstram a tecnologia em ação, de longe um dos álbuns mais “limpos” no ultra-grande-angular, nesta faixa de preço. Com excessão de duas, três fotos em que eu inclui o sol no quadro, em nenhuma outra exposição eu notei fantasmas ou arco-íris falsos, um prazer de fotografar as iluminadas ruas japonesas. É a mesma performance de objetivas com vidros imensos, mas aqui reduzida no formato APS-C. O BBAR é uma excelente proposta da Tamron no mercado low-cost.

“Osaka” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/5.6 1/6 ISO200 @ 10mm; leves sinais de flaring.

“Osaka” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/5.6 1/6 ISO200 @ 10mm; leves sinais de flaring.

“Fushimi Inari” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/10 ISO200 @ 10mm; inclusão do sol gera flaring discretos.

“Fushimi Inari” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/6.3 1/10 ISO200 @ 10mm; inclusão do sol gera flaring discretos.

“Fushimi Inari II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/5.6 1/10 ISO100 @ 10mm; mas má posicionamento do sol pode eliminar todo o contraste.

“Fushimi Inari II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/5.6 1/10 ISO100 @ 10mm; mas má posicionamento do sol pode eliminar todo o contraste.

“Feira” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/3.5 1/100 ISO160 @ 10mm.

“Feira” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/3.5 1/100 ISO160 @ 10mm.

“Dotonbori” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/8 1/8 ISO100 @ 10mm.

“Dotonbori” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/8 1/8 ISO100 @ 10mm.

“Dotonbori II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/8 1/25 ISO100 @ 24mm.

“Dotonbori II” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/8 1/25 ISO100 @ 24mm.

“Dotonbori III” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/8 1/10 ISO100 @ 10mm.

“Dotonbori III” com a Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD em f/8 1/10 ISO100 @ 10mm.

VEREDICTO

A Tamron 10-24mm f/3.5-4.5 Di II VC HLD é um bom exemplo do que a tecnologia de uma marca alternativa consegue trazer ao mercado fotográfico, com um produto bem-feito, de alta qualidade e performance independente do preço mais em conta; impensável nas marcas principais Canon e Nikon. Não somente ela une a abertura f/3.5-4.5 ao estabilizador de imagem, especificação não vista nas linhas EF/EF-S ou F-mount, como a nova filosofia “Human Touch” impressiona pela solidez, precisão e ergonomia, seguindo os passos da Sigma na linha Global Vision. Enquanto Canon e Nikon relevam o mercado APS-C às câmeras de entrada (exceto 7D Mark II e D500), e oferecem objetivas ou muito caras, ou incompletas, as marcas alternativas levam o mercado a sério, com produtos de alta qualidade, independente do preço. E a 10-24mm funciona: tanto quem sofria com a performance óptica questionável da EF-S 10-22mm USM, quanto quem se via limitado com a abertura f/4.5-5.6 da 10-18mm IS STM, pode ver na Tamron uma opção fácil, que entrega maior performance. Para todos os fotógrafos, esta é a melhor opção no APS-C. Boas fotos!