Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

Performance máxima

Tempo estimado de leitura: 17 minutos.

Julho/2018 – A EF 300mm f/2.8 L IS II USM é a segunda geração da maior objetiva prime telephoto estabilizada, de grande abertura, da Canon. Maior que a EF 200mm f/2 L IS USM que já vimos por aqui, e menor apenas que as opções do então “super telephoto” prime (400mm ou maior), ela é uma atualização de 2011 sobre a primeira versão “image stabilizer” de 1999, que em si tomava o lugar da versão sem o estabilizador de 1987; todas parte do topíssimo de linha da Canon. Feitas para fotografar sujeitos à distância e com máxima necessidade de luz, elas são essenciais no kit de jornalistas de esportes, natureza e moda, quase restritamente no mercado profissional. Mas aproveitando a Black Friday da Canon do Brasil no ano passado, e a demanda por resolução da EOS 5DS, decidi substituir a zoom EF 70-300mm f/4.5-5.6 L IS USM – até então minha 300mm favorita – e inclui a prime no kit. Será que valeu a pena? Vamos descobrir! Boa leitura. (english)

CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

Em 24.8 x 12.8cm de 2.350 gramas de principalmente metais e vidros, eu nem preciso dizer que a EF 300mm f/2.8 L IS II USM é uma objetiva grande; parte da distinta série de primes telephoto brancas da Canon. Feita para abrigar as exigências de performance óptica e de foco automático, luminosidade e resistência mecânica do mercado profissional, na verdade a fabricante conseguiu trazer mais praticidade a Mark II, num equipamento mais fácil de usar. O segredo está na remoção do primeiro elemento óptico usado meramente como protetor dos vidros internos na objetiva antiga, para então um conjunto 13% mais leve que a geração passada; mais leve até que a 200F2 atual. Por isso a 300mm f/2.8 II é popular na linha EF por ser “a última” telephoto possível de trabalharmos nas mãos, sem o apoio do tripé, e está é uma das principais decisões de compra do modelo; nenhuma outra telephoto de grande abertura é tão fácil de usar, e faz sentido tê-la no kit sozinha, ou com os teleconversores 1.4X (equivalente aos 420mm f/4) e 2X (600mm f/5.6).

Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

Nas mãos a EF 300mm f/2.8 L II é evidentemente grande, embora incrivelmente bem equilibrada; ela é quase tão simples de usar quanto uma 70-200mm f/2.8, apesar de maior. Aqui demonstrada com a câmera EOS 5DS, por exemplo, o conjunto máquina + objetiva equilibra perfeitamente sobre o pé-de-tripé embutido na lente, sem “puxar” o corpo para a frente, excelente para “apontarmos” o viewfinder com agilidade ao sujeito. A mão esquerda “cai” sobre a área fixa no tubo de metal gelado, que separa as sete (!) “zonas” de operação da 300mm prime: (1) foco manual, (2) foco pré-ajustado e (3) foco desligado na frente; (4) chaves de estabilização e programação “preset” ao centro; e (5) pé-de-tripé, (6) baioneta de filtro e (7) foco automático atrás. Então parece difícil descrever (ou ler?) num texto, mas a realidade é esta: não há nada de “especial” na usabilidade da 300mm f/2.8, e tudo está no lugar de sempre, como toda objetiva telephoto da Canon.

Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

O foco manual é preciso e sem “folgas” entre a posição do giro do lado de fora e o ajuste do grupo óptico do lado de dentro, apenas gigante para apoiarmos as mãos. O anel tem o toque emborrachado com degraus finos que transmitem perfeitamente o também “emborrachado” giro das peças ópticas, mais preciso que os “micro-trilhos” que sentimos em algumas 70-200mm, por exemplo. O giro completo do foco mínimo de 2m até o infinito se dá em longos 210º, impossíveis de mudarmos com agilidade, mas exigidos pela precisão da curta profundidade de campo; um enorme desafio nesta distância focal & de grande abertura. A focagem também é totalmente interna e central, sem expansão ou movimentos do primeiro elemento, e oferece além da janela de distância com marcações em pés e em metros, a operação do tradicional “full time manual”. Mesmo com o motor de foco “acionado” é possível compensarmos a posição pelo anel, garantindo agilidade sob qualquer situação, sem mudarmos a chave traseira de seleção AF para MF.

Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

Adiante nós temos um fino anel metálico exclusivo das objetivas telephoto, chamado de “anel de preset”; visto a partir da EF 200mm f/2L IS USM. Diferente do anel de foco, o “preset” funciona com um giro curto de apenas 2º e limitadores de posição (ele não gira infinitamente para os lados), e usa uma mola interna para voltar ao ângulo inicial. A câmera “entende” o giro como um duplo controle eletrônico de direção e pressão, e aciona então o motor de foco; com duas funções. A primeira é o tal “preset”, que grava qualquer posição de foco pré-estabelecida através do botão SET, usada para retornar a objetiva a uma distância específica. Desta maneira basta girar o anel para a objetiva voltar rapidamente ao foco escolhido, sem depender do sistema de medição de contraste da câmera. É útil em eventos quais o fotógrafo fica “preso” no mesmo lugar, e já sabe a posição do sujeito na hora do click; como no “pit” do desfile de moda, ou atrás do gol em esportes de campo. Assim temos o foco instantâneo no sujeito, aumentando as chances de capturar a foto.

Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

Já a segunda função “powerfocus” foi novidade no lançamento desta objetiva, e usa o mesmo anel para controlarmos a focagem motorizada do grupo interno, usada durante a gravação de vídeos. Ativado pela terceira posição da chave “PF”, o powerfocus permite ou a transição suave de foco, girando de leve o anel para qualquer um dos lados (infinito ou foco próximo); ou a mudança rápida, com o anel na posição máxima. Desta forma conseguimos efeitos criativos de “focus pull” com movimentos precisos, sem gerar o anel de foco manual, e com resultados profissionais. Enquanto a velocidade esteja limitada a apenas duas, lenta ou rápida, ela é infinitamente superior ao ajuste do anel nas mãos, que nunca fica suave. E por fim na frente a Canon oferece ainda mais quatro botões no apoio da objetiva, programados para desligar o motor de foco. Eles são usados por fotógrafos que não separam a ação do “AF-ON” do botão do disparador no dedo indicador, mas que às vezes precisam interrompê-la. E dependendo do modelo da câmera, estes botões são programáveis para outros ajustes. Portanto tudo é flexível, para todos tipos de trabalho.

Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

Do lado de dentro a Canon usa na EF 300mm f/2.8 L IS II USM o típico motor de foco automático “ring-type” USM, sucesso da fabricante desde a década de 1980. Montado ao redor do grupo óptico interno, ele trabalha magneticamente para gerar força na peça apoiada sobre trilhos helicoidais, que movem-na para frente ou para trás a fim de focar a imagem; sem desalinhamentos; com torque máximo; e silêncio quase absoluto. Apesar de francamente não ser o AF mais rápido da Canon hoje (o “NANO USM” linear das EF 70-300II e EF-S 18-135mm é distintamente mais veloz, embora compatível apenas com grupos de focagem leve, como nestas zoom de abertura variável), evidentemente a EF300F2.8LII é muito, muito rápida. Sob mudanças curtas entre 2m e 6m, ou 6m até o infinito (inclusive com chave seletora para cada grupo de distância), a focagem é praticamente instantânea em toda câmera EOS. Mas por outro lado a precisão não impressiona, e notei outro desafio de usar uma 300mm f/2.8: esta não é das objetivas mais fáceis de focar.

“Ciclista” com a EOS 5DS + EF 300mm f/2.8 L II IS USM em f/2.8 1/1000 ISO500.

“Ciclista” com a EOS 5DS + EF 300mm f/2.8 L II IS USM em f/2.8 1/1000 ISO500.

Crop 50%, performance AI SERVO impressiona.

Crop 50%, performance AI SERVO impressiona. (clique para ver maior)

Vamos deixar clara uma coisa: não há nada de errado com a focagem automática da EF 300mm f/2.8 L II IS USM. O novo algoritmo de detecção é mais confiável para decidir entre mudanças finas ou bruscas rapidamente, de acordo com a distância do sujeito e, unido aos teleconversores 1.4X e 2X de terceira geração, aparentemente não há perda de performance AF. A focagem é segura, imediata confiável e sequer precisei ajustá-la com “microfoco”, pelo menos nas minhas câmeras recentes. Porém a distância focal longa e a grande abertura me pegaram de surpresa, e realmente a profundidade de campo curtíssima é um desafio nesta telephoto; quase como uma EF 85mm f/1.2 L II USM! Então qualquer respiro ou balanço do corpo pode tirar a foto de foco na hora da exposição, e notei as minhas primeiras fotos com a 300F2.8LII quase todas sem nitidez. Portanto vale a apreciação dos fotógrafos mais calejados: aquelas fotos incríveis em 300mm e f/2.8 são restritamente mérito deles, e não adianta depender somente do equipamento topo de linha.

“Ciclista II” com a EOS 5DS + EF 300mm f/2.8 L II IS USM + EF 2X III em f/5.6 1/1000 ISO2000 @ 600mm.

“Ciclista II” com a EOS 5DS + EF 300mm f/2.8 L II IS USM + EF 2X III em f/5.6 1/1000 ISO2000 @ 600mm.

Crop 50%, performance AI SERVO impressiona também com o teleconversor, sem perda de velocidade.

Crop 50%, performance AI SERVO impressiona também com o teleconversor, sem perda de velocidade. (clique para ver maior)

Já durante a focagem SERVO a performance assusta, e felizmente de maneira positiva. Testada com a EOS 5DS e o sistema AF SERVO III com algoritmo programável de velocidade, detecção e prioridade, a chance de acerto do foco em modo contínuo beira o 100%, o que é incrível! Para fotografar os ciclistas da Avenida Paulista a EF 300F2.8LII não mostra qualquer dificuldade em procurar, acompanhar, travar e disparar o foco, e impressiona o torque que sentimos nas mãos quando o grupo óptico gigante entra em ação. E também com o EF Extender 2X III e a distância resultante de 600mm f/5.6 a performance AF assusta pela chance de acerto constante em 100%, novidade nesta geração de objetiva “Mark II” e teleconversor “Mark III”. Portanto mais uma vez somos lembrados da popularidade da 300F2.8LII: com ela você tem uma 420mm f/4 (com conversor 1.4X) e uma 600mm f/5.6 (com 2X), e elimina a compra das objetivas maiores.

“Mata de Araucária” com a EOS 5DS + EF 300mm f/2.8 L II IS USM em f/4 1/1000 ISO100.

“Mata de Araucária” com a EOS 5DS + EF 300mm f/2.8 L II IS USM em f/4 1/1000 ISO100.

Crop 100%, a foto está fora de foco, um desafio ao sistema AF da câmera.

Crop 100%, a foto está fora de foco, um desafio ao sistema AF da câmera.

Outra função obrigatória da Canon no mercado telephoto é o estabilizador de imagem embutido, praticamente inventado na EF 70-300mm f/4-5.6 IS USM da linha intermediária de 1980. Implementado em virtualmente todas as objetivas EF telephoto desde então (com raras excessões), o módulo tem avançado geração após geração em termos de estabilização e qualidade da implementação. Na 300mm f/2.8 Mark II ele é praticamente de “última geração” com compensação taxada em até 04 stops (EV) sob abertura máxima f/2.8, e vem com modos dedicados para compensar a imagem nos dois eixos (modo 1); ou num eixo só para panning (modo 2); ou somente durante a exposição (modo 3), para não atrapalhar a composição de sujeitos em movimento. Um quarto modo automático detecta a presença do tripé e corrige somente a vibração do espelho, e a peça interna é silenciosa para gravação de vídeos com estabilização contínua. Porém assim como o foco automático, a operação do estabilizador não é tão “confiável” quanto eu gostaria. Novamente temos aprendizados, especialmente com a EOS 5DS de 50MP.

Mais uma vez, não me levem a mal: o estabilizador da EF 300mm f/2.8 L II IS USM é topo de linha, e um dos melhores do mercado telephoto. Baseado no mesmo módulo gigante da EF 200mm f/2 L – a única objetiva taxada em até 05 stops da Canon – a 300F2.8 mais longa é taxada em 1/180 (-1EV), 1/90 (-2EV), 1/45 (-3EV) e 1/20 (-4EV), para exposições absurdamente longas nesta distância focal. Porém assim como eu percebi no review da EOS 7D Mark II + EF 70-200mm f/4L IS USM, as câmeras recentes de “alta densidade” realmente são um desafio para imagens nítidas, e novas “regras” sobre a velocidade do obturador entram em prática neste nível de equipamento. Com a EOS 5DS o conjunto câmera + objetiva ultrapassa os 3.5kg, e não perdoa nem os braços mais musculosos; qualquer “cinco minutos” nas mãos vira um show de tremedeira. E por isso menos de 50% das minhas fotos em 1/80 (-2EV) saíram nítidas, sobrando outra dica nesta geração de alta resolução: o estabilizador não é um “aval” para fotografar enlouquecidamente, sem prestar atenção na exposição. Portanto use cautela a fim de extrair os melhores resultados da objetiva telephoto.

“S. do Rio do Rastro” com a EOS 5DS + EF 300mm f/2.8 L II IS USM em f/2.8 1/125 ISO160.

“S. do Rio do Rastro” com a EOS 5DS + EF 300mm f/2.8 L II IS USM em f/2.8 1/125 ISO160.

Crop 100%, apesar da exposição em apenas -1.5EV, o estabilizador não foi garantia da imagem nítida.

Crop 100%, apesar da exposição em apenas -1.5EV, o estabilizador não foi garantia da imagem nítida.

Já outros avanços são discretos na 300F2.8II, menores até que a 400F2.8II lançada no mesmo ano. A objetiva maior ganhou um novo anel de foco manual curvo e mais suave de segurar, além de parafusos de titânio – peças que ficaram de fora da 300mm Mark II. Enquanto os primeiro e último elemento agora são tratados quimicamente com fluorine, mais fácil de limpar ao repelir água, gordura e poeira que a primeira 300mm f/2.8 IS, talvez a Canon já esteja preparando uma nova versão Mark III com o design mais suave das objetivas recentes. Ao centro/trás o pé-de-tripé não removível gira com clicks precisos nas posições vertical e horizontal (retrato e paisagem) a cada 90º, e pode ser usado como alça de transporte da posição invertida. É nele que prendemos o tripé a fim de manter o equilíbrio do conjunto com a câmera, além da alça de transporte incluída.

Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

Logo atrás fica uma das melhores soluções para filtros do mercado telephoto, com um slot para vidros circulares de ø52mm, compatíveis com polarizadores ou ND. Eles vão num estojo anelar preso por molas e entre os dois últimos grupos ópticos, e são idênticos entre todas as objetivas dessa classe da Canon. O estojo é selado contra água e poeira, e muito mais prático de usar que outras objetivas telephoto, que exigem filtros imensos na frente (como a Sigma). Na baioneta de montagem a fabricante suporta também todos os teleconversores 1.4X e 2X, para as distâncias focais 420mm f/4 ou 600mm f/5.6 respectivamente e com impressionante performance AF na terceira geração. E o press-release de lançamento declara novas vedações contra água e poeira espalhadas pelos anéis, painéis de controle e baioneta, para trabalharmos sob situações adversas.

Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

Enfim a EF 300mm f/2.8 L II IS USM repete o mesmo kit “generoso” de acessórios do topíssimo de linha telephoto da Canon, como vimos em detalhes na EF 200mm f/2. No lugar de uma sacola mole para transporte a 300F2.8 vem com uma maleta rígida modelo 300B, acolchoada contra impactos. Ela tem alça de transporte lateral (na 200F2 era em cima) e fica “de pé” na lateral, mais compacta no porta-malas do carro, por exemplo. Cuide bem dela: a maleta custa US$400 comprada a parte, e é um pedido especial nas lojas. O parasol ET-120W II também é exclusivo e feito de fibra de carbono leve, preso pela pressão de um parafuso sobre o tubo da objetiva, que também pode ser montado “ao contrário” na objetiva; para então entrar na maleta para transporte. Também cuide bem dele: custa US$499 fora do kit! E uma nova “tampa” de nylon é ajustada por um velcro na frente do parasol, e previne impactos durante o transporte; ela toma lugar da cobertura de couro antiga.

Canon EF 300mm f/2.8 L II IS USM

O que a Canon oferece nas objetivas “primes-telephoto-brancas” é mais que o “topo de linha” das lentes EF e do mercado profissional como um todo. Com quase quatro décadas de experiência, boa parte destes modelos já está na sua terceira geração com tecnologias de foco e estabilização, construção e avanços de ergonomia, durabilidade e confiabilidade; exigidos pelo sempre-em-avanço mercado digital. A 300mm f/2.8 L II IS USM já está em 1/4 da sua vida (já são seis anos de introdução) mas poucas fabricantes oferecem algo semelhante hoje, ainda mais considerando os descontos de preço aplicados pela Canon. Então parece absurdo ter uma no kit pessoal, mas não é; a hora é agora (ou “foi” na Black Friday do ano passado) e faz todo sentido tê-la para fotografar as minhas paisagens em 50MP na 5DS. E como veremos opticamente, os limites da física estão colocados à prova. Será a EF 300mm f/2.8 L II IS USM a objetiva mais perfeita da Canon?

QUALIDADE DE IMAGEM

“S. do Rio do Rastro II” em f/6.3 1/640 ISO250; todas as fotos com a EOS 5DS; arquivos raw disponíveis no Patreon.

“S. do Rio do Rastro II” em f/6.3 1/640 ISO250; todas as fotos com a EOS 5DS; arquivos raw disponíveis no Patreon.

Com uma fórmula óptica simples de 16 elementos em 12 grupos, duas peças de fluorita artificial e coberturas químicas tecnológicas, evidentemente o que a Canon entrega na performance da EF 300mm f/2.8 L II IS USM é digno do mercado topíssimo de linha profissional. Você leva o que você está pagando e a qualidade de imagem é absolutamente impecável logo na abertura máxima – a “razão de ser” deste equipamento -; exigência para publicações de grande formato, impressas ou no papel. Mas não somente a prime é boa no f/2.8, ela leva adiante também a resolução nas bordas, virtualmente perfeitas onde nem a zoom 70-300L funciona no f/8. O controle de aberrações também é quase perfeito, sem linhas laterais coloridas, exceto mínimas bolhas discretas no desfoque, quando focamos na distância mínima. A distorção geométrica também é nula e o grupo óptico trabalha em conjunto com a rigidez mecânica para performance máxima. E esta é a utilidade da telephoto prime no kit: qualidade óptica sempre e em qualquer abertura.

“Serra” em f/4 1/320 ISO640.

“Serra” em f/4 1/320 ISO640.

Logo na abertura máxima a performance da EF300F/2.8LII impressiona, possivelmente a mais alta que já vimos no blog do zack. Adicionada ao meu kit para registrar restritamente paisagens sob a demanda de alta resolução da EOS 5DS e seus arquivos de 8688×5792 pixels, as vantagens da abertura f/2.8 se fazem claras logo nos ISOs mais baixos, depois que o sol se põe. Mas mais importante é a performance óptica nas bordas, e repito: nem a zoom EF70300L em f/8 entrega o que a prime faz em f/2.8! É incrível vermos cenas naturais com resolução de ponta a ponta do quadro mesmo numa abertura tão grande, e não importam as dificuldades da focagem com a profundidade de campo curta; vale totalmente a pena para a nova geração de equipamentos de alta densidade! É um prazer de trabalhar e determinante para alguns registros: sem o conjunto EOS 5DS e a EF 300mm f/2.8 L II IS USM, algumas das minhas imagens jamais seriam feitas.

“São Paulo” em f/2.8 1/125 ISO200.

“São Paulo” em f/2.8 1/125 ISO200.

Crop 100%, detalhe máximo do canto superior esquerdo, perfeito.

Crop 100%, detalhe máximo do canto superior esquerdo, perfeito.

“Mata” em f/2.8 1/400 ISO100.

“Mata” em f/2.8 1/400 ISO100.

Crop 100%, perfeição logo na abertura máxima, apesar da profundidade de campo curta.

Crop 100%, perfeição logo na abertura máxima, apesar da profundidade de campo curta.

“Rinpoche” em f/2.8 1/400 ISO400.

“Rinpoche” em f/2.8 1/400 ISO400.

Crop 100%, nitidez máxima no centro do quadro.

Crop 100%, nitidez máxima no centro do quadro.

Fechar a abertura meramente reduz a vinheta do f/stop f/2.8, e comprime levemente a profundidade de campo; esta sempre curta nesta distância telephoto. Totalmente aberta a 300F/2.8LII mostra cerca de -1EV de perda de luminosidade nas bordas, dados os limites físicos do primeiro elemento e das peças mecânicas internas (IS + AF), e um característico efeito “buraco de fechadura” é notado sob sujeitos lisos como céu e paredes; interessante para focarmos a atenção no sujeito ao centro do quadro; ou aumentarmos levemente a saturação das cores, direto na câmera. Mas logo em f/4 esta vinheta desaparece, e defeitinhos com aberrações e perda de nitidez próximos do foco mínimo também são corrigidos, para qualidade de imagem máxima. O diafragma circular de 9-lâminas faz um excelente trabalho em manter o desfoque suave, sem intromissão de linhas firmes, e é explorado por composições que aproveitam a profundidade de campo curta.

“Urubici” em f/6.3 1/320 ISO200.

“Urubici” em f/6.3 1/320 ISO200.

Crop 100%, performance aumenta pouco com a abertura do diafragma fechada.

Crop 100%, performance aumenta pouco com a abertura do diafragma fechada.

“Morro” em f/5.6 1/800 ISO400.

“Morro” em f/5.6 1/800 ISO400.

Crop 100%, ampliações gigantes a partir dos arquivos da objetiva prime.

Crop 100%, ampliações gigantes a partir dos arquivos da objetiva prime.

“Folha” em f/8 1/320 ISO320.

“Folha” em f/8 1/320 ISO320.

Crop 100%, máxima reprodução de detalhes na distância mínima de foco.

Crop 100%, máxima reprodução de detalhes na distância mínima de foco.

No foco mínimo de 2m o conjunto óptico tem ampliação máxima de 0.18x (não-macro), e então levamos o projeto ao limite; talvez a única posição não recomendada para qualidade de imagem máxima. Fotos de flores, pássaros pequenos e detalhes sofrem com uma leve perda de nitidez devido ao espalhamento da luz dentro do projeto óptico (e consequente perda de contraste), além da arquitetura do desastre para exaltar a única aberração gerada pelas duas peças de flourita artificial: as bolhas coloridas no segundo plano. Detalhes como galhos, penas e pétalas podem ganhar sim leves contornos verdes no segundo plano em desfoque, e não passam a mesma impressão de “clareza” de uma objetiva genuinamente macro. Por isso é interessante “testarmos” os limites do equipamento aqui nas fotos mundanas do blog do zack: não adianta usarmos as objetivas para o que elas não foram feitas, caso contrário as piores fotos vêm a tona.

“Foco mínimo” em f/2.8 1/1250 ISO100.

“Foco mínimo” em f/2.8 1/1250 ISO100.

Crop 100%, longe de uma macro, mas a performance pode agradar.

Crop 100%, longe de uma macro, mas a performance pode agradar.

“Pássaro” em f/2.8 1/500 ISO100.

“Pássaro” em f/2.8 1/500 ISO100.

Crop 100%, detalhes mínimos no segundo plano com CA axial.

Crop 100%, detalhes mínimos no segundo plano com CA axial.

“Pássaro II” em f/2.8 1/3200 ISO100.

“Pássaro II” em f/2.8 1/3200 ISO100.

Crop 100%, note a levíssima bolha verde no segundo plano.

Crop 100%, note a levíssima bolha verde no segundo plano.

A distorção geométrica também é nula, assim como a presença de CA lateral ou problemas graves com flaring. E estas são as maiores vantagens da prime sobre a 70-300L zoom, que sofria dos dois; a razão da telephoto ter conquistado um lugar na mochila. Os tratamentos químicos mais novos reduzem totalmente a incidência de reflexos internos entre os elementos gigantes da EF300F/2.8LII, bacanas para trabalharmos com composições criativas contra a luz e efeitos de “rim light”; muito usados pela nova geração de “fotógrafos do Instagram”. Mas são as cores que – como sempre – levam vantagem na Canon, e vemos claramente o limite do que é possível no telephoto; típico da fabricante. Parece fácil gerarmos fotos saturadas e vividas direto da câmera, mas não é. Estes elementos gigantes de vidro são fáceis fáceis de desalinhar e refletir a luz na posição errada, mudando a matiz dos tons nos sensores digitais. Mas a Canon entrega com maestria a performance numa objetiva telephoto, moderna, de grande abertura; tipicamente série L.

“Adorno” em f/2.8 1/60 ISO400; distorção geométrica nula!

“Adorno” em f/2.8 1/60 ISO400; distorção geométrica nula!

“Folhão” em f/2.8 em 1/200 ISO100; controle de reflexos contra a luz.

“Folhão” em f/2.8 em 1/200 ISO100; controle de reflexos contra a luz.

“Pôr-do-sol” em f/5.6 1/160 ISO100; cobertura SWC bem empregada nos elementos gigantes.

“Pôr-do-sol” em f/5.6 1/160 ISO100; cobertura SWC bem empregada nos elementos gigantes.

Por fim o uso com o teleconversor EF 2X III é exemplar, e a última argumentação a favor da EF 300mm f/2.8 L II IS USM no kit. A distância focal resulta em 600mm e a abertura máxima perde 2-stops de luz (f/4 -> f/5.6), para uma objetiva super telephoto muito parecida a linha dedicada prime da Canon; no caso a EF 600mm f/4L II IS USM. As mínimas aberrações da prime 300mm são discretamente ampliadas junto de uma leve perda de nitidez, exaltados aqui pelos meus testes com o sensor de altíssima resolução da EOS 5DS, e nas bordas os contornos firmes de prédios e montanhas ganham linhas coloridas do CA lateral; mas nada que não seja fácil de compensar no Adobe Photoshop. Aliás é mais fácil perdermos “qualidade de imagem” pelas dificuldades de trabalhar nestas distâncias extremas, como a distorção atmosférica e a ressonância do obturador (que faz a câmera tremer mesmo no tripé), do que por defeitos ópticos da objetiva; como sempre, praticamente perfeita. Então os resultados do conjunto servem para “praticar” as composições mais longas, e talvez justificar o investimento futuro nas objetivas ainda maiores. Vamos aguardar!

“Ciclista II” em f/5.6 1/1000 ISO2000, com uso do teleconversor EF Extender 2x III.

“Ciclista II” em f/5.6 1/1000 ISO2000, com uso do teleconversor EF Extender 2x III.

Crop 100%, detalhe na textura do braço do sujeito, muito boa na abertura máxima.

Crop 100%, detalhe na textura do braço do sujeito, muito boa na abertura máxima.

“Flor” em f/2.8 1/250 ISO100; desfoque não é dos mais suaves, típico do telephoto.

“Flor” em f/2.8 1/250 ISO100; desfoque não é dos mais suaves, típico do telephoto.

“Flor II” em f/2.8 1/320 ISO320.

“Flor II” em f/2.8 1/320 ISO320.

VEREDICTO

Evidentemente a performance da EF 300mm f/2.8 L II IS USM é o melhor que a Canon sabe fazer, tanto mecanicamente quanto ergonomicamente quanto opticamente; e dispensa recomendações. Se você precisa de qualidade máxima você sabe que encontrará por aqui, afinal o preço de ¥750.000 no lançamento – a mais cara 300mm da história – não escondia as pretensões da Canon para com o mercado profissional. Ela foi feita para acompanhar o primor técnico das câmeras digitais mais recentes, cheias de resolução como a EOS 5DS, e com elas você fará registros que nenhum outro equipamento conseguirá fazer. Seja na abertura máxima e a fotografia de esportes, em valores de ISO conservadores sob pouca luz; seja para fotografar paisagens com definição máxima de ponta a ponta do quadro; ou para experimentar o super-telephoto com os conversores compatíveis; a 300F2.8LIIISUSM é a “metade do caminho” para o lineup completo de objetivas da Canon; dos 10mm aos 800mm. Ela abre um “novo momento” da fotografia de qualquer kit, e vale totalmente a pena, para amadores e profissionais. Prepare o espaço na mochila, e boas fotos!