Nikon AF-S 28-300mm f/3.5-5.6G ED VR

Paradoxo

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Janeiro/2016 – A Nikon AF-S Zoom-Nikkor VR 28-300mm f/3.5-5.6G ED (english) é um paradoxo no blog do zack. Uma objetiva super zoom, ultra flexível para câmeras FX full frame, ela consegue substituir virtualmente todas as lentes de um kit, dos 28mm grande angulares, bacanas para arquitetura e paisagens, até o super telephoto 300mm, legal para brincar com a compressão da perspectiva. Num site feito para ajudá-lo a decidir qual objetiva comprar, a 28-300mm pode facilmente ser a única resposta que você precisa, de iniciantes que ainda não exijam uma prime, a viajantes que não queiram carregar um kit completo com várias distâncias focais fixas na mochila.

“Galeria True Rouge, 2006” com a Nikon D750 + AF-S 28-300mm f/3.5-5.6G ED; a sequência de distâncias focais do grande angular ao telephoto.

Integrante da família AF-S G, ela é razoavelmente bem construída e cheia de tecnologias da Nikon. O motor SWM de foco automático embutido deixa-a compatível com qualquer DSLR. O módulo de estabilização VR II promete até 3.5 stops de compensação, obrigatório para fotografar com tranquilidade no telephoto. E três peças asféricas + dois vidros ED mantém a qualidade de imagem aceitável para uma zoom tão extrema em 10.7x, por menos de US$1000. Mas ela consegue cumprir a promessa de “coringa faz tudo”? Ou é pedir muito de uma única objetiva? Boa leitura!

CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Nikon AF-S Nikkor 28-300mm f/3.5-5.6G ED VR

Em 11.6 x 8.3cm fechada e 24.9 x 11cm aberta com o parasol, tudo em 800g, a AF-S VR 28-300mm f/3.5-5.6G ED é uma gigante pesada que acompanha outras zooms “especiais”. Mas ela é grande sem ser exagerada, muito mais próximas de objetivas intermediárias como a AF-S VR 24-120mm f/4G ED (10.4 x 8.4cm em 710g) do que ferramentas profissionais como as 70-200mm f/2.8, e cabe facilmente em cases feitos para uma única câmera; uma ótima alternativa para passar o final de semana sem carregar um monte de equipamentos. Com um mix de plásticos e metais, estes no primeiro tubo do lado de dentro, ela é bem feita para uma zoom na casa dos US$1000.

Nikon AF-S Nikkor 28-300mm f/3.5-5.6G ED VR

Nas mãos ela fica confortável com o anel de zoom frontal e anel de foco traseiro, botões laterais para AF/VR/LOCK, no geral o layout padrão das telephotos Zoom-Nikkor. De 28mm a 300mm ela expande suavemente sem girar os tubos, muito mais suave que a AF-S 70-300mm que testamos recentemente. Aquela objetiva toda de plástico e que custa metade do preço era dura para usar, mas esta 28-300mm não é; prova que do lado de dentro os trilhos e rolamentos são de metal, como você pode sentir no toque gelado do primeiro estágio do tubo de zoom. Ela não balança quando está totalmente aberta e dificilmente se desalinhará sozinha se você cuidar.

Nikon AF-S Nikkor 28-300mm f/3.5-5.6G ED VR

Do lado de dentro o motor SMW do sistema AF-S é silencioso e suave, próximo das objetivas mais caras. Ele é muito mais quieto que objetivas baratas como as primes de grande abertura AF-S DX 35mm f/1.8G e 50mm f/1.8G; e faz um barulho quase ultra-sônico similar a Micro-Nikkor 105mm f/2.8G. Mas ele não é dos mais rápidos e um pouco ruim para fotografar ação, especialmente se estiver longe do ponto certo. Pode levar cerca de um segundo do infinito ao foco mínimo de 0.5m, e fica ainda mais devagar se a câmera não encontrar o ponto certo de primeira. Mas é preciso e não tenho qualquer imagem fora de foco com a Nikon FX D750 do formato full frame.

Nikon AF-S Nikkor 28-300mm f/3.5-5.6G ED VR

O VRII é bem implementado e, de novo, muito mais quieto que objetivas mais baratas. A minha AF-S 70-300mm faz um click alto quando o módulo liga, e exige timming perfeito antes de iniciar a operação. Esta AF-S 28-300mm ainda precisa disto mas se livra do barulho. Os 3.5 stops de compensação funcionam mas lembre de engatar o VR quando estiver apontando-o para o sujeito, para melhores resultados. Eu não o usei para compensar a velocidade do obturador, uma vez que estava fotografando com o ISO-AUTO que manteve-o em 1/100. Mas o VR ajuda inclusive na composição, o mesmo resultado que você terá na hora de gravar vídeos nas DSLRs.

“Heliconia" com a Nikon D750 + AF-S 28-300mm f/3.5-5.6G ED em f/5.6 1/25 ISO 400 @ 300mm.

“Heliconia” com a Nikon D750 + AF-S 28-300mm f/3.5-5.6G ED em f/5.6 1/25 ISO 400 @ 300mm.

Crop 100%, the VRII module made a great job at stabilising the frame for a 1/25 shutter speed at the telephoto end.

Crop 100%, o módulo VRII fez um bom trabalho segurando o quadro no lugar para uma exposição 1/25 em 300mm.

Na frente os filtros de ø77mm não giram e o trilho é de plástico. O parasol incluído vai num trilho próprio e seu formato de pétala parece otimizado para o grande angular. A janela de distância em cima é fácil de ler, mas o anel de foco manual mostra um jogo entre o movimento do lado de fora e o grupo de focagem do lado de dentro. É ruim mas não necessariamente um problema, uma vez que o motor do sistema AF-S faz um bom trabalho. E atrás o mount de metal é robusto e o elemento traseiro protuberante, incompatível com teleconversores. Há ainda um anel de borracha que sela a objetiva ao corpo da câmera, mas nada é declarado sobre resistência a respingos e/ou poeira. Eu vi pedaços grandes de pó do lado de dentro da minha cópia, então cuidado.

Nikon AF-S Nikkor 28-300mm f/3.5-5.6G ED VR

No geral a AF-S 28-300mm é bem feita e se comporta muito melhor que outras zooms intermediárias, especialmente a AF-S 70-300mm, afinal estamos falando de US$1000. O anel de zoom da 28-300mm é mais suave, apesar de sofrer com zoom creep quando a câmera é carregada nos ombros; para isso existe uma chave de trava (LOCK) em 28mm. O motor SWM não ganhará nenhum prêmio de velocidade mas é preciso até em pouca luz, pelo menos com D750. E o VRII tem um atraso se você não acioná-lo apontando para o sujeito, apesar da excelente compensação de 3.5 stops. É uma boa objetiva de ter no kit e não desaponta como um equipamento high-end. 

QUALIDADE DE IMAGEM

“Galeria Miguel Rio Branco, 2010” em f/5.6 1/200 ISO3200 @ 32mm.

“Galeria Miguel Rio Branco, 2010” em f/5.6 1/200 ISO3200 @ 32mm. Todas as fotos com a Nikon D750; arquivos raw disponíveis no Patreon.

Com um complexo projeto de 19 elementos em 14 grupos, três peças asféricas e dois de vidro ED, além do Super Integrated Coating da Nikon, a AF-S 28-300mm f/3.5-5.6G empurra os limites do que a Nikkor consegue fazer no formato FX, seguindo os passos da famosa AF-S DX 18-200mm. É uma variedade de distâncias focais difícil de conseguir com qualidade e eu tenho de admitir que não esperava milagres de uma zoom 10.7x. Mas sinceramente os resultados me surpreenderam.

“Galeria Adriana Varejão, 2008” em f/5 1/250 ISO400 @ 82mm.

“Galeria Adriana Varejão, 2008” em f/5 1/250 ISO400 @ 82mm.

Mesmo na abertura máxima f/3.5 em 28mm, f/3.8 em 35mm, f/4.5 em 50mm, f/5 em 70mm, f/5.3 em 105 e f/5.6 de 200mm a 300mm, estou satisfeito com os resultados. Ok, ok, ela não é mais nítida nas bordas e o contraste pede ajustes saudáveis no computador para fotos impactantes. Mas na boa, qual objetiva que não se beneficia disto? Este é daqueles casos de custo/benefício com um flerte em resultados: você leva um set completo de distâncias focais numa única objetiva que grita “criatividade”; mas em troca não terá os arquivos ultra nítidos, clínicos, como das objetivas fixas. As fotos da AF-S 28-300mm funcionam com cores, detalhes bem renderizados e, de novo, resultados bacanas o suficiente para não riscá-la totalmente da lista de recomendações.

“Heliconia II” em f/5.6 1/100 ISO500 @ 300mm.

“Heliconia II” em f/5.6 1/100 ISO500 @ 300mm.

Crop 100%, the details are acceptable at the longer end.

Crop 100%, os detalhes são aceitáveis no final do telephoto.

“Tibouchina” em f/5.6 1/250 ISO200 @ 300mm.

“Tibouchina” em f/5.6 1/250 ISO200 @ 300mm.

Crop 100%, at close focusing distances the image quality suffers from the magnifying effect.

Crop 100%, em distâncias próximas de foco a qualidade de imagem sofre com o efeito de lupa.

“True Rouge, 1997” em f/5.6 1/200 ISO800 @ 28mm.

“True Rouge, 1997” em f/5.6 1/200 ISO800 @ 28mm.

Crop 100%, at the wide end the details are better when stopped down.

Crop 100%, no grande angular os detalhes são melhores com a abertura fechada.

Por mais que eu tenha tentado fazê-la parecer ruim, a AF-S 28-300mm simplesmente entregou bons resultados na abertura f/8. As bordas são aceitáveis por todo o range zoom se você manter o sujeito nos limites da profundidade de campo, que é bem curta no final de telephoto. As fotos são outro paradoxo uma vez que eu as fiz no Inhotim, um dos maiores espaços de arte contemporânea do mundo, e vi quatro exposições fotográficas no mesmo dia. E adivinhem só: nenhuma das fotos mostradas precisavam de nitidez nas bordas para serem consideradas obras-primas. Então veja a performance do equipamento como um bonus, e não como exigência para a fotografia.

“Brumadinho” em f/8 1/200 ISO100 @ 300mm.

“Brumadinho” em f/8 1/200 ISO100 @ 300mm.

Crop 100%, the telephoto is never really sharp, but take into consideration the distance and some atmospheric distortion.

Crop 100%, o fim do telephoto nunca é nítido, mas leve em consideração as distâncias e a distorção atmosférica.

“Brumadinho II” em f/8 1/160 ISO100 @ 300mm.

“Brumadinho II” em f/8 1/160 ISO100 @ 300mm.

Crop 100%, but there are enough details for cropping or prints.

Crop 100%, mas os detalhes são suficientes para cortar o arquivo e impressões.

“Alto do Mirante” em f/8 1/320 ISO100 @ 70mm.

“Alto do Mirante” em f/8 1/320 ISO100 @ 70mm.

Crop 100%, right before the telephoto range, it’s quite sharp for a zoom.

Crop 100%, no começo do telephoto ela é bem nítida para uma zoom.

Os interessados em aberrações ficarão mais que felizes em saber que a AF-S 28-300mm mostra um monte delas. A distorção geométrica é enorme em 28mm, com uma bolha notável nos quatro lados do quadro; desaparece em 35mm; e volta como “botão na almofada” (pincushion) dos 50mm aos 300mm. Aberrações cromáticas estão presentes como linhas coloridas nas bordas em contornos de alto contraste, visíveis virtualmente em todas as zoom (exceto talvez a Canon EF 24-70mm f/2.8L II USM). E algumas aberrações de eixo em distâncias próximas de foco também são visíveis, fazendo os detalhes parecerem sob uma lupa de ampliação em 300mm.

“Invenção da cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, 1977 II” em f/8 1/200 ISO100 @ 28mm; a very noticeable bulge at the wider end.

“Invenção da cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, 1977 II” em f/8 1/200 ISO100 @ 28mm; uma bolha notável no grande angular.

“Invenção da cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, 1977 III” em f/8 1/160 ISO100 @ 40mm; slight pincushion at the standard length.

“Invenção da cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, 1977 III” em f/8 1/160 ISO100 @ 40mm; um pouco de pincushion nas distâncias normais.

“Invenção da cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, 1977” IV” em f/8 1/160 ISO100 @ 62mm; more pincushion at the end of the standard.

“Invenção da cor, Penetrável Magic Square #5, De Luxe, 1977” IV” em f/8 1/160 ISO100 @ 62mm; mais pincushion no final das distâncias normais.

Finalmente o bokeh é interessante no telephoto, quando a profundidade de campo é curta e isola o sujeito do segundo plano. A abertura de nove lâminas não é necessariamente circular nem gera boas estrelas de luz em longas exposições noturnas. Mas as áreas de desfoque podem ser suaves, criando um fundo difuso para composições de cores com flores e outros objetos pequenos, um dos usos do telephoto. As bolhas de luz não são das mais suaves com o efeito “prato de bacteria”, mas aceitáveis para a maioria das situações. Até algumas primes topo de linha mostram esta característica, então não exigirei perfeição de uma super zoom 10.7x do formato FX.

“Plant IV” em f/8 1/100 ISO400 @ 300mm.

“Plant IV” em f/8 1/100 ISO400 @ 300mm.

Crop 100%, first I can’t complain about this lens sharpness…

Crop 100%, primeiro eu não posso reclamar da nitidez desta objetiva…

 Crop 100%, and second I can’t complaint about its abilities to melt the background away at the telephoto end.

Crop 100%, e segundo eu não posso reclamar da habilidade dela derreter o segundo plano para destacar o sujeito no telephoto.

“Plant V” em f/5.6 1/200 ISO1100 @ 300mm.

“Plant V” em f/5.6 1/200 ISO1100 @ 300mm.

Crop 100%, again, acceptable sharpness wide open at the frame center.

Crop 100%, novamente, nitidez aceitável no miolo do quadro.

Crop 100%, good bokeh at farther distances, weird on the close background.

Crop 100%, bokeh aceitável para longas distâncias, e estranho em elementos mais próximos.

“Flower” em f/5.6 1/1000 ISO400 @ 300mm; bokeh balls!

“Flower” em f/5.6 1/1000 ISO400 @ 300mm; bokeh balls!

Crop 100%, but not very smooth ones; but who cares?

Crop 100%, porém não muito suaves; mas quem se importa?

COMPARED TO: AF-S 70-300MM F/4.5-5.6G

Nikon AF-S Nikkor 70-300mm f/4.5-5.6 IF ED VR

A Nikon AF-S VR Zoom-Nikkor 70-300mm f/4.5-5.6G ED de US$499 é uma opção para fotógrafos do telephoto que não precisam da construção robusta e altíssima performance das zooms de mais de US$1899. Uma objetiva popular entre amadores e profissionais com orçamento apertado, às vezes rola a dúvida se a 28-300mm não é melhor, uma vez que faz a mesma coisa. Porém apesar do sistema de foco e do estabilizador semelhantes, não há como desviar das leis da física: opticamente a 70-300mm 4.3x é muito superior a 28-300mm 10.7x. (clique para maior)

"SPD" @ 70mm

“SPD” @ 70mm

Totalmente aberta a AF-S 28-300mm não se compara a 70-300mm: os detalhes saem borrados e as bordas são mais escuras.

No centro a AF-S 70-300mm é quase perfeita na abertura máxima enquanto a 28-300mm fica para trás.

Fechar a abertura ajuda a 28-300mm, mas a AF-S 70-300mm continua muito na frente.

"SPDII" at 300mm; notice the very dark corners with the AF-S 28-300mm.

“SPDII” em 300mm; note as bordas escuras da AF-S 28-300mm.

No final do telephoto as AF-S não competem: a 70-300mm muito mais simples é muito melhor.

Eu diria que a AF-S 28-300mm é aceitável, mas a 70-300mm se mostra muito melhor.

Próxima das bordas a 70-300mm se parece até com uma prime enquanto a 28-300mm fica lá para trás.

Na distância mínima de foco 0.5m e no telephoto a AF-S 28-300mm também se mostra muito mais ampla que a 70-300mm. A super zoom se parece uma objetiva 150mm apesar de dizer 300mm, e fará diferença para quem fotografa detalhes. Com o foco no infinito, porém, as duas são iguais.

"Details" with the AF-S 28-300mm f/3.5-5.6G ED at f/5.6 1/100 ISO1000 @ 300mm.

“Details” com a AF-S 28-300mm f/3.5-5.6G ED em f/5.6 1/100 ISO1000 @ 300mm.

"Details" with the AF-S 70-300mm f/4.5-5.6G ED at f/5.6 1/100 ISO1000 @ 300mm; a much tighter frame.

“Details” com a AF-S 70-300mm f/4.5-5.6G ED em f/5.6 1/100 ISO1000 @ 300mm; um quadro muito mais apertado.

"Details" with the AF-S 70-300mm f/4.5-5.6G ED at f/5.6 1/100 ISO1000 @ 170mm; trying to render the same focal length as the AF-S 28-300mm

“Details” com a AF-S 70-300mm f/4.5-5.6G ED em f/5.6 1/100 ISO1000 @ 170mm; tentando representar o mesmo enquadramento da AF-S 28-300mm.

VEREDICTO

Sinceramente a AF-S 28-300mm f/3.5-5.6G ED foi a minha primeira ultra-zoom no full frame e estou satisfeito com os resultados. A flexibilidade mais que supera os defeitos ópticos e até estes são pequenos depois de alguns ajustes no computador. A construção é ótima para uma zoom, sem qualquer jogo nos tubos com aplicação de metais nos lugares certos. Ela é pesada e feita para equilibrar com câmeras full frame, mas um prazer de usar, fácil de carregar. A verdade está nas fotos e, desculpe desapontá-los, elas simplesmente funcionam. Talvez não seja uma pérola de performance óptica bruta, mas esta não é a ideia. Para ser uma única objetiva para acompanhá-lo em viagens sem encher o saco, ela mais que cumpre a promessa. Portanto divirta-se e boas fotos!