Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMC

Fisheye estereográfica full frame

Maio/2017 – A Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMC é a segunda objetiva fisheye de projeção estereográfica que vemos no vlog do zack. Apesar dos mesmos 180º de visão diagonal das também fisheye Canon EF 15mm f/2.8 e EF 8-15mm f/4L USM zoom, nem toda “fish” é formulada da mesma maneira, e existem vários tipos de projeção visual: uma equidistante, com imagem projetada na mesma proporção do centro às bordas, usada nas Canon; outra estereográfica, com imagem levemente “achatada” verticalmente, menos “distorcida” e usada nesta Rokinon; entre outras.

”São Paulo” com a Canon EF 8-15mm f/4L USM em 14mm (mais distorcida), e a Rokinon 12mm f/2.8 (menos distorcida), em f/8 1/160 ISO100.

Por esta razão todas tem a mesma cobertura de visão 180º, apesar da distância focal variar. São 15mm na Canon f/2.8, 14mm na zoom f/4L, e apenas 12mm nesta Rokinon, todas com cobertura “fisheye 180º” no formato full frame; ou 118º no APS-C. Uma ferramenta quase exclusiva no mercado, dada a projeção especial e o preço relativamente baixo no full frame (US$499, contra US$1248 na Canon 8-15mm f/4L), será que vale o investimento numa prime de operação manual, sem a praticidade do foco e abertura automatizados? Vamos descobrir! Boa leitura. (english)



CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMC

Em até 8.5 x 9cm com o para-sol e tampa frontal montados, ou apenas 6.9 x 7.2cm sem a tampa e o para-sol, ambos em pesadas 515g, a Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMS é no mínimo uma objetiva “séria”, pensada para quem trabalha com o formato full frame. Se fosse para usar no APS-C, eu recomendaria a diminuta Samyang 8mm f/3.5, muito menor e mais leve e, dependendo do quão “compacto” você queira viajar, esta Rokinon 12mm definitivamente não é o equipamento mais prático. Isso porque o design “fisheye” exige o elemento frontal convexo, delicado e protuberante, e por isso a tampa é bem grande; um saco na hora de guardá-la em mochilas mais apertadas. É o mesmo problema da também diminuta EF 8-15mm f/4 USM, a menor zoom “L” da Canon, que fica bem grandinha com a tampa montada. Só a vintage EF 15mm f/2.8 é menor no “full frame”, super compacta apesar da tampa de metal e o para-sol não removível. A Rokinon pede um espaço considerável da mochila, e algo a notar se portabilidade for importante para você.

Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMC

Nas mãos o peso de 515g traduz uma construção robusta de metal do lado de dentro, apenas com acabamentos de plástico e borrachas no anéis de operação manual (além do para-sol/tampa). O anel de foco manual domina o espaço de “pegada” do tubo externo, confortável e preciso de usar, bem equilibrado com as DSLR full frames. Os dedos caem suavemente na borracha “alta” com marcações do infinito ao foco mínimo de 20cm, claras e impressas no tubo, imprescindíveis para trabalhar com precisão, com ângulo de giro de cerca de 100º. Atrás, perto da câmera, o anel de controle da abertura tem apenas 8mm de espessura e é só de plástico, sem borracha, não tão confortável quanto o anel de foco. Ele tem clicks em cada 1/2 f/stop, exceto do f/2.8 ao f/4, que vão direto um para o outro. Infelizmente há pouco espaço “estático” no tubo da objetiva, o que dificulta um pouco a montagem na câmera; qualquer lugar que você segura, ela gira e pode escorregar. Mas no dia-a-dia tudo é  fácil de usar, como uma genuína prime 100% manual.

Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMC HANDS

Na hora de fotografar, as versões com mount EF, Pentax, Sony A e Sony E são todas manuais; apenas a versão Nikon recebe o chip AE para operar em Auto/P/A/S/M. O foco é manual, suave e gostoso de usar, com hard stops no infinito e no foco mínimo; nem muito solto, nem muito duro. O “hard stop” no infinito é uma das principais “funções” do modelo: ao invés do foco “ir” um pouco mais a frente do infinito, “problema” de outras objetivas que usam elementos de baixa dispersão e são um inferno para fotografar, por exemplo, astrofotografia, nesta Rokinon o foco no infinito é fixo; basta girar o anel até o tubo travar, para estrelas nítidas no horizonte. A partir daí você seleciona o f/stop no anel traseiro, para abrir e fechar o diafragma, de acordo com a “régua” de exposição do fotômetro da câmera. É bem mais fácil de usar que as Mitakon CREATOR, que insistem num chip “AE” na Canon, e exigem a seleção da abertura máxima na câmera.

Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMC

Enfim na frente o elemento óptico de ø69mm não aceita filtros, problema comum nas fisheyes full frame. Apesar do para-sol ser removível, não há um “trilho” de filtros como na maioria das ultra-grande angular retilíneas “low-cost”. Porém o mount de metal também não tem um espaço para colocar géis quadrados como nas Canon EF L e EF vintage, o que é um ponto negativo na Rokinon. E nada é declarado sobre “weather sealing”, com um mount “pelado”, sem vedações de borracha; o que é esperado para uma objetiva de US$499. Tudo é simplificado e fácil de usar na Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMC, porém com uma qualidade justa, robusta e confiável. Durante os testes ela parecia tão sólida quanto a Canon EOS 5DS usada para as fotos, as duas “firmes” na mochila, aguentando os solavancos de trilhas e noites abaixo de zero para fotografar as estrelas da Via Láctea. E como veremos nas imagens a seguir, a performance óptica também é confiável: cheia de resolução e nitidez, com poucas aberrações e fotos agradáveis de se ver.



QUALIDADE DE IMAGEM

“Getty” em 1/50 ISO200; objetiva não informa abertura para o EXIF, exceto quando anotado; todas as fotos com a Canon EOS 5DS; arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Getty” em 1/50 ISO200; objetiva não informa abertura para o EXIF, exceto quando anotado; todas as fotos com a Canon EOS 5DS; arquivos raw no Patreon.

Com um projeto óptico ousado de 12 elementos em 8 grupos, três peças “ED” de baixa dispersão, duas asféricas (AS) para alta resolução, e ainda um elemento com “nano coating” (NCS) e todos os outros com coatings integrados (UMC), a Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMC é uma sopa-de-letrinhas assustadora para as fabricantes principais, dada a tecnologia e a performance óptica. É interessante vermos todos estes elementos “high-end” dentro de uma objetiva “low-cost”: Canon e Nikon cobram “um extra” por peças especiais, culpando altos custos de produção. Mas as marcas alternativas as entregam mesmo em produtos mais em conta, como a Sigma e os vidros FLD/SLD; a Tamron e o coating eBAND; e agora a Rokinon. E a 12mm f/2.8 impressiona: embora a resolução seja menor que a Canon EF 8-15mm f/4L USM, ela é tão próxima que fica difícil reclamar; não por 1/3 do preço da zoom. As aberrações cromáticas são virtualmente idênticas entre as duas, e o flaring é agradável, com efeitos bonitos de ver. Se não fosse o contraste um pouco pobre contra a luz, sem dúvidas a Rokinon competiria pau-a-pau com as marcas mais caras.

“Getty II’ em 1/50 ISO125.

“Getty II’ em 1/50 ISO125.

Não que a resolução da Rokinon 12mm f/2.8 seja perfeita. Enquanto no centro ela é incrivelmente nítida, mesmo na abertura máxima, é nas bordas do f/2.8, digamos, em 12% do quadro (imaginem os quatro cantos do quadro e 3% de área a partir do ponto máximo, e multipliquem 3×4), que a resolução cai bastante, problema que não vi na Canon. Independente das variações de distância entre o sujeito do centro e das bordas, característica comum em quadros tão amplos, os limites do quadro tem aquela aparência “borrada” de um projeto óptico mal resolvido, com perda também de contraste, que não vemos em objetivas mais caras. Isto é inaceitável para trabalhos de precisão, como arquitetura industrial e produtos, mas serve para fotos descompromissadas de paisagens e astrofotografia. Em 80% do quadro os detalhes estarão intactos, e seria difícil pedir mais nesta faixa de preço. É a tal história do “custo vs. benefício”: se você precisa de 100% do quadro nítido, pague 3x mais pela Canon EF 8-15mm f/4L USM. Na Rokinon, obtém-se aquilo por que se pagou.

“Singular Plural” em 1/50 ISO320; anotação em f/2.8, área de baixa resolução destacada no quadro.

“Singular Plural” em 1/50 ISO320; anotação em f/2.8, área de baixa resolução destacada no quadro.

Crop 100%, no centro a resolução é excelente, mesmo na abertura máxima.

Crop 100%, no centro a resolução é excelente, mesmo na abertura máxima.

Crop 100%, mas nas bordas há poucas chances para os detalhes.

Crop 100%, mas nas bordas há poucas chances para os detalhes.

“Manequins” em 1/50 ISO640; anotação em f/2.8.

“Manequins” em 1/50 ISO640; anotação em f/2.8.

Crop 100%, centro é muito bom para uma objetiva low-cost.

Crop 100%, centro é muito bom para uma objetiva low-cost.

Crop 100%, mas as bordas realmente não funcionam.

Crop 100%, mas as bordas realmente não funcionam.

“Pão Nosso” em 1/50 ISO400; anotação em f/2.8.

“Pão Nosso” em 1/50 ISO400; anotação em f/2.8.

Crop 100%, a resolução assusta na 5DS de 50MP.

Crop 100%, a resolução assusta na 5DS de 50MP.

Crop 100%, perda total de detalhes nas bordas do full frame.

Crop 100%, perda total de detalhes nas bordas do full frame.

“Zion” em 15s ISO500; anotação em f/2.8.

“Zion” em 15s ISO500; anotação em f/2.8.

Crop 100%, centro mostra estrelas nítidas.

Crop 100%, centro mostra estrelas nítidas.

Crop 100%, mas nas bordas a resolução vai embora.

Crop 100%, mas nas bordas a resolução vai embora.

Fechar a abertura aumenta exponencialmente a resolução, tão próxima da Canon topo de linha que fica fácil a recomendação da Rokinon, pela projeção estereográfica. Em f/8 a resolução é excelente em 96% do quadro, incrível de ver nos sensor de 50MP da exigente Canon EOS 5DS. São TODOS os galhos de árvores, vincos de folhas e texturas de rochas em paisagens; prontos para impressão grande direto da câmera. Embora o contraste ainda seja mais alto na EF 8-15mm f/4L, que parece ter vidros mais “limpos” e mostra detalhes “clínicos”, perfeitos até em aberturas menores, esta Rokinon se aproxima muito da qualidade Canon. Pensando que a projeção da Rokinon é menos agressiva para desfazer o efeito fisheye via software (defish), a recomendação também é interessante para fotógrafos que tenham o orçamento apertado, mas que precisam trabalhar com a projeção retilínea no full frame. Neste caso, a Rokinon substitui uma 16mm f/2.8.



“Bryce Point” em 1/640 ISO100.

“Bryce Point” em 1/640 ISO100.

Crop 100%, resolução assustadora, junto de CA lateral.

Crop 100%, resolução assustadora, junto de CA lateral.

“Lâminas” em 1/160 ISO100.

“Lâminas” em 1/160 ISO100.

Crop 100%, nitidez invejável que só uma prime consegue fazer.

Crop 100%, nitidez invejável que só uma prime consegue fazer.

“Hoover Dam” em 1/400 ISO100.

“Hoover Dam” em 1/400 ISO100.

Crop 100%, impressões imensas com os arquivos desta prime.

Crop 100%, impressões imensas com os arquivos desta prime.

“Olho” em 1/200 ISO100.

“Olho” em 1/200 ISO100.

Crop 100%, linhas finas são perfeitamente reproduzidas na Rokinon 12mm.

Crop 100%, linhas finas são perfeitamente reproduzidas na Rokinon 12mm.

As aberrações cromáticas são inevitáveis no fisheye, e a Rokinon 12mm f/2.8 não foge à regra. As bordas do quadro mostram linhas coloridas magenta e verde em zonas de contraste, como janelas de prédios e árvores contra o céu, na mesma proporção das duas Canon EF; todas devem ser corrigidas via software antes da publicação. O interessante é ver o “sagittal comma flare razoavelmente bem controlado na 12mm f/2.8, que acompanha a lógica de resolução da abertura máxima: é mais fácil perdermos detalhes nos pontos extremos do quadro por causa da nitidez baixa, do que por aberrações ópticas complexas, dada a atenção especial com a geometria da Rokinon. Então enquanto eu não vá recomendá-la, de novo, para resultados de altíssima precisão, ela “dá um caldo” para fotografar as estrelas; um bônus com a abertura máxima f/2.8.

“Getty III” em 1/40 ISO100.

“Getty III” em 1/40 ISO100.

Crop 100%, linhas coloridas aparecem mesmo em contornos de baixo contraste.

Crop 100%, linhas coloridas aparecem mesmo em contornos de baixo contraste.

“Getty IV” em 1/40 ISO200.

“Getty IV” em 1/40 ISO200.

Crop 100%, CA lateral inevitável das fisheyes.

Crop 100%, CA lateral inevitável das fisheyes.

“Via Láctea” em 30s ISO800; anotação em f/2.8.

“Via Láctea” em 30s ISO800; anotação em f/2.8.

Crop 100%, pontos nítidos no centro do quadro.

Crop 100%, pontos nítidos no centro do quadro.

Crop 100%, e quase nenhum comma lateral, porém com distorção esférica.

Crop 100%, e quase nenhum comma lateral, porém com distorção esférica.

“Zion II” em 15s ISO500; anotação em f/2.8.

“Zion II” em 15s ISO500; anotação em f/2.8.

Crop 100%, estrelas firmes no centro.

Crop 100%, estrelas firmes no centro.

Crop 100%, mas borradas nas bordas.

Crop 100%, mas borradas nas bordas.

Por fim as cores e o flaring são interessantes no modelo. Os tons são bem equilibrados com o restante do mercado e não vi qualquer diferença entre as fotos da Rokinon 12mm e da Canon EF 8-15mm; as duas fáceis de trabalhar no pós-processamento. Mas o diafragma de 7 lâminas retas garante estrelas razoavelmente bem definidas, próprias para posicionar o sol ou outras fontes de luz criativamente no quadro. Então os reflexos internos (flaring) ganham cores aleatórias azuis, verdes e magenta, que seriam “feios” em outros projetos; mas não nesta Rokinon. Na verdade, esta é a ideia por trás do conjunto de tratamentos (coatings) diferente entre os vidros: nano (NCS) em um único elemento, e multi (UMC) nos demais. Desta forma mantemos o contraste bom mesmo contra a luz, mas não eliminamos todos os reflexos. Criativamente, cores e flaring trabalham para fotos interessantes, quando não podemos esconder as fontes de luz num quadro tão amplo.



“Vale” em 1/20 ISO125; estrela de 14 pontas e reflexos em formato de hexágono.

“Vale” em 1/20 ISO125; estrela de 14 pontas e reflexos em formato de hexágono.

“Ibirapuera” em 1/50 ISO100; anotação em f/8; sem estrelas na super-exposição.

“Ibirapuera” em 1/50 ISO100; anotação em f/8; sem estrelas na super-exposição.

“Esfera” em 1/50 ISO250; anotação em f/2.8; cores, cores e mais cores da Canon EOS.

“Esfera” em 1/50 ISO250; anotação em f/2.8; cores, cores e mais cores da Canon EOS.

“Cubo” em 1/50 ISO2000; anotação em f/2.8.

“Cubo” em 1/50 ISO2000; anotação em f/2.8.

VEREDICTO

A Rokinon 12mm f/2.8 ED AS IF NCS UMC é uma objetiva interessante por vários motivos. Primeiro, a projeção estereográfica é um diferencial na decisão de compra, com imagens de distorção mais agradável, apesar das linhas ainda circulares. É essencialmente diferente de qualquer oferta das marcas principais, que apostam no look fisheye “forte”, bem característico; mas não agrada a todos. Segundo, a abertura f/2.8 é quase um luxo hoje em dia, e poucas opções nativas tem tal flexibilidade para trabalhar sob pouca luz. Na Canon, por exemplo, somente a 15mm vintage era f/2.8, e ela custa cada vez mais caro no mercado de usadas. Terceiro, a construção da Rokinon sempre é boa: tubos internos de metal, peças de vidros bem alinhados, e operação manual fácil, bem acertada, sem segredos. Os iniciantes podem vê-la como ferramenta de aprendizado, e os profissionais podem confiar numa peça robusta para o dia-a-dia. Mas é o projeto óptico que “fecha o negócio” desta prime “low-cost”, que nem é tão low-cost assim: você paga por vidros de alta performance, geometria diferenciada e tratamento tecnológicos, e recebe resolução de sobra para  trabalhar. Portanto ela é uma recomendação fácil, única no mercado fisheye. Boas fotos!