Sigma 85mm f/1.4 ART DG HSM

Genuíno curto-telephoto de baixo custo

(Julho/2017) – A Sigma 85mm f/1.4 DG HSM é provavelmente a objetiva mais antecipada da linha Global Vision Art. Uma linha que apresentou os projetos de alta performance 24mm f/1.4, 35mm f/1.4 e 50mm f/1.4, todos opticamente impensáveis para o preço, e introduziu novas tecnologias de construção (TSC – “thermally stable composite”) e de foco automático (o motor HSM mais fino e com torque maior, usado pela primeira vez na zoom exótica 50-100mm f/1.8 DC), foi no mercado “curto-telephoto” que eles deixaram “o melhor para o final”, substituindo a 85mm f/1.4 EX DG HSM de 2010, e até apresentando uma nova 135mm f/1.8 DG Art HSM; ambas primes pensadas em fotografar pessoas. As Canon EF 85mm f/1.2 L II USM (US$1999) e Nikkor AF-S 85mm f/1.4G (US$1596) são essenciais no kit de retratistas, mas pedem um preço alto. Será que a Sigma de apenas US$1199 entrega um produto equivalente? Vamos descobrir! Boa leitura. (english)



CONSTRUÇÃO E OPERAÇÃO

Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM

Em 9.4 x 12.6cm de 1.130g de metais, plásticos, borrachas e muito vidro, a primeira impressão e mais importante comentário sobre a 85mm f/1.4 DG Art HSM é o tamanho; I-M-E-N-S-O para a especificação “85mm”. Sim, esta é a informação mais importante deste review, porque justifica 1) todas as decisões do design da objetiva, 2) a performance alta, tanto óptica quanto de foco automático e também 3) a usabilidade. Ela é grande por causa da fórmula óptica diferenciada, e depende destas duas tecnologias da Sigma (TSC e motor HSM de segunda geração) para ser um produto comercialmente viável, robusto, prático de usar. Nada balança fora do lugar e a precisão na construção bota inveja nas objetivas topo-de-linha das marcas principais. As fotos deste review não fazem jus ao tamanho real do produto, e esta é a principal característica do modelo: ela é grande para ser óptica e mecanicamente perfeita, e toda operação acompanha o tamanho.

Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM

Nas mãos o que a Sigma 85mm f/1.4 HSM tem de grande ela traduz numa ergonomia no mínimo questionável, apesar do design idêntico às outras Art. O projeto começa no mount de latão coberto por um anel metálico de proteção, que continua num curtíssimo tubo emborrachado, e abriga a janela de distância e o painel de controle do motor de foco; terminando no maior anel de foco manual que já vi numa 85mm. Em 6.6cm totais e com 5cm de área emborrachada, este anel é alto (0.5cm) e protuberante, parte confortável de usar, dado o tamanho, a precisão (são 150º de giro) e a suavidade; mas parte na contra-mão da ergonomia, visto que ele domina quase 70% da objetiva. É simplesmente muito fácil girá-lo e mudar a posição de foco acidentalmente, tornando difícil a simples decisão de como apoiar a objetiva: pela “pegada” direita da câmera, forçando o mount por causa do peso; ou pela mão esquerda, correndo o risco de mudar o foco sem querer? A Sigma não precisava ter feito um anel deste tamanho (não fez na 50mm Art), então fica um alerta: teste na loja antes de comprar. Ela é realmente grande, e pode não valer o sacrifício só pela performance.

Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM

Feita a decisão de compra, o que a Sigma fez na engenharia da 85mm f/1.4 DG Art HSM é simplesmente brilhante; impensável para a tecnologia de alguns anos atrás. Graças ao extensivo uso do plástico TSC (thermally stable composite), com as mesmas propriedades do alumínio, foi possível montar um projeto óptico imenso, menos suscetível a aberrações, nunca visto antes numa 85mm. Este projeto grande dispensa movimentos exóticos de focagem, como a Canon faz na EF 85mm f/1.2 L II USM, que tem elementos menores e pede por um design “float” no grupos independentes, para compensar as aberrações esféricas na imagem. Resultado: o anel de foco é “fly-by-wire” na Canon, desconectado do grupo interno, e o foco automático fica relativamente lento. Mas nada disso aconteceu na Sigma. Usando também a nova geração do motor de foco HSM, mais fino e com torque maior (pela primeira fez empregado na 50-100mm f/1.8 DC HSM), a Sigma resolve na “Art” os problemas (ou características?) da Canon L II: o projeto óptico é maior, mas ganha foco automático instantâneo; assustador para uma “marca alternativa” low-cost.



Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM AF

Aqui testada exclusivamente com a topo-de-linha Canon EOS 5DS, a chance de acerto do foco single foi de absolutamente 100%, e sempre instantâneo. Sim, vocês leram certo o comentário sobre o foco automático de uma Sigma: “acerto de 100%, e sempre instantâneo”. Mesmo em situações de baixa profundidade de campo, como retratos em close do rosto na abertura máxima, apenas com os olhos nítidos no sujeito, absolutamente nenhuma foto em foco single da 85mm f/1.4 Art saiu fora de foco; impressionante para uma prime de grande abertura. Sabe aquela técnica de usar o Live View para garantir capturar nítidas, dada a medição por contraste? Pois é, ela é desnecessária na 85mm Art, inclusive dando novo significado à fotografia pelo viewfinder nas DSLR (que vem sendo substituídas pelas câmeras “mirrorless”, com focagem híbrida phase + contraste). E como a focagem é instantânea, é possível também fotografar esportes, com maiores chances de acerto no foco SERVO, em cerca de 60% na Canon; muito boa para uma Sigma.

“Cabeça” com a EOS 5DS + Sigma 85mm f/1.4 DG HSM em f/1.4 1/640 ISO100; foco no ponto central, pelo viewfinder.

“Cabeça” com a EOS 5DS + Sigma 85mm f/1.4 DG HSM em f/1.4 1/640 ISO100; foco no ponto central, pelo viewfinder.

Crop 100%, precisão no olho, sem grandes esforços ou várias tentativas.

Crop 100%, precisão no olho, sem grandes esforços ou várias tentativas.

“Ciclista” com a EOS 5DS + Sigma 85mm f/1.4 DG HSM em f/1.4 1/640 ISO100; AF SERVO foco no ponto central.

“Ciclista” com a EOS 5DS + Sigma 85mm f/1.4 DG HSM em f/1.4 1/1000 ISO125; AF SERVO foco no ponto central.

Crop 100%, cerca de 60% de acerto, que pode melhorar com a técnica do fotógrafo e outros modos de seleção de pontos. (clique para ver maior)

Crop 100%, cerca de 60% de acerto, que pode melhorar com a técnica do fotógrafo e outros modos de seleção de pontos. (clique para ver maior)

Do foco infinito ao foco mínimo de 0.85cm, a Sigma 85mm f/1.4 Art completa os 150º de giro em cerca de 0.8s. E a Canon EF 85mm f/1.2L II USM completa do foco infinito ao foco mínimo de 0.95cm (mais longo), os 270º de giro em cerca de 1.8s. Os dois sistemas são essencialmente diferentes porque só do foco do 1m aos 2m, a Sigma tem cerca de 8º de giro; enquanto a Canon tem 170º [sim, são 170º (!) só para ir do 1m aos 2m na Canon EF L II USM]. Por causa do designfloat”, a Canon mantém performance alta em praticamente todas as distâncias de foco, exigido pela especificação “exótica” f/1.2. Mas a Sigma pensa diferente, e a performance óptica vem dos elementos maiores, apesar da especificação f/1.4 (menor que a Canon). Na prática isso faz toda a diferença para fotografar ação, já que há bem mais chances da Canon perder o momento ajustando o foco, enquanto a Sigma já está focada. Quem fotografa esportes indoor verá na Sigma a melhor opção de objetiva curto-telephoto de grande abertura, sem equivalentes nesta faixa de preço.

Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM

Enfim na frente, a 85mm f/1.4 Art aceita filtros bizarros de ø86mm; nunca vistos antes no meu kit. A Canon EF 85mm f/1.2 L II USM usa filtros “modestos” de ø72mm, e eu julgava excessivos os filtros de ø82mm das 16-35mm f/2.8 L II USM ou 24-70mm f/2.8 L II USM; mas ø86mm como os desta Sigma, eu nunca tinha visto. Eles vão na mesma rosca plástica de todas outras Sigma Art, que por sua vez vai dentro do trilho para para-sol (incluído na caixa), o que deixa o projeto ainda maior. E atrás, ao redor do mount, vemos uma borracha de vedação entre a objetiva e a câmera, apesar de nada ser declarado sobre resistência à respingos ou poeira (“weather sealing”); portanto evite fotografar sob situações adversas. O que a Sigma fez com a 85mm f/1.4 Art DG HSM é o ápice do que é possível com o tal “TSC” e o novo motor de foco HSM de segunda geração, os dois suportando o projeto óptico imenso, apesar da especificação mundana “85mm f/1.4”. A Canon teve de tomar decisões limitantes na 85mm f/1.2 L (corpo de metal, foco com designfloat” = AF lento e preço nas alturas), e a Nikon tem a Nikkor 85mm f/1.4G bem prosaica, apesar do preço. Mas a Sigma se diferenciou pela performance do projeto imenso, impossíveis sem estas tecnologias.



QUALIDADE DE IMAGEM

“Tokyo” em f/6.3 1/200 ISO100; todas as fotos com a Canon EOS 5DS. Arquivos raw disponíveis no Patreon.

“Tokyo” em f/6.3 1/200 ISO100; todas as fotos com a Canon EOS 5DS. Arquivos raw disponíveis no Patreon.

Com um projeto de 14 elementos em 12 grupos, duas peças de baixa dispersão, uma lente asférica e tratamento (coating) integrado em todos os vidros, a Sigma 85mm f/1.4 Art também se diferencia completamente do mercado na fórmula óptica. Enquanto a Nikon mantém “fiel às raizes” a Nikkor 85mm f/1.4G (duplo-Gauss com CRC e novos coatings), e a Canon simplesmente “aumenta” uma fórmula duplo-Gauss na EF 85mm f/1.2 L II USM (baseada na lendária EF 50mm f/1 L USM), a Sigma aposta numa genuína fórmula curto-telephoto, na verdade “miniaturizando” o design da 300mm f/2.8 EX APO DG HSM (US$3399). Ficam de fora os elementos exóticos FLD (que a Sigma diz ter a mesma performance da fluorita), e na prática nós temos uma objetiva acessível (em relação a 300mm) e de alta performance (maior resolução, menos aberrações); mas que gera um look (distorção esférica e bokeh) essencialmente diferente das outras 85mm do mercado. E esta é a decisão final de compra do modelo: ou você quer as fotos “chapadas” de uma genuína curto-telephoto (Sigma Art), ou as fotos com a distorção esférica das 85mm da concorrência.

SIGMA_85MM_F14_DG_HSM_ART_12_FORMULA

Créditos: Canon JAPAN, Nikon Europe e Sigma America.

Pelas fórmulas ópticas acima, fica fácil entender “qual é” a da Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM. Com elementos maiores e de curvatura menor, a “planificação” da projeção de imagem garante resolução de ponta a ponta do quadro, praticamente livre de aberrações. É a mesmíssima performance de uma objetiva telephoto mais longa (veja a fórmula da 300mm f/2.8 EX APO DG), mas miniaturizada na 85mm. Isso seria interessante para fotografar paisagens e produtos, com linhas totalmente retas e com desfoque neutro, sem distorções esféricas ou bolhas de luz em formato diferente. Mas para retratos, as nuances do bokeh e da projeção da imagem ficam prejudicadas: como a luz não passa de fato por alguma esfera (note o terceiro elemento da Canon), as luzes e linhas dos primeiros e terceiro planos (o que está na frente e atrás do sujeito) ficam “sem graça” na 85mm Art. Entendo os reviews que prezam a resolução da nova Sigma, mas não há qualquer característica marcante na imagem, como nas objetivas Canon EF e Nikkor.

“Nikko Pagoda” em f/2.8 1/100 ISO500.

“Nikko Pagoda” em f/2.8 1/100 ISO500.

Em abertura máxima de fato a resolução da Sigma 85mm Art é a maior que já vi numa objetiva f/1.4. Com o foco absolutamente preciso e aqui testada na DSLR de alta resolução Canon EOS 5DS, é bizarro ver tantos detalhes em exposições tão “abertas”, graças a total planificação do plano de imagem (pixels perfeitos de absoluta ponta a ponta do quadro). Tal performance é perfeita para fotografar paisagens distantes em pouca luz e com ISOs baixos, quando percebemos também como a 85mm Art sofre pouco com astigmatismo e “sagittal coma flare” (aquele que a Nikon resolve na Nikkor 58mm f/1.4G); apesar da vinheta acentuada, em cerca de -1EV nas bordas. Dada a profundidade de campo curta, nós vemos também vários casos de aberração cromática axial (primeiro e segundo plano em desfoque ganham bolhas roxas e verdes), e primária (zonas de contraste com linhas roxas), o que não dá um aval “100% clínico” a 85mm Art. A nova Sigma tem performance alta para fotografar de longe (paisagens), mas não é “um milagre” para fotografar de perto (retratos); certamente o design float do foco da Canon L se mostra útil nestes casos.

“New York” em f/1.4 1/100 ISO1250.

“New York” em f/1.4 1/100 ISO1250.

Crop 100%, linhas finas facilmente reproduzidas pela Sigma 85mm Art.

Crop 100%, linhas finas facilmente reproduzidas pela Sigma 85mm Art.

“Yokohama” em f/1.4 1/200 ISO200.

“Yokohama” em f/1.4 1/200 ISO200.

Crop 100%, perfeição no centro do plano focal.

Crop 100%, perfeição no centro do plano focal.

“Altar” em f/1.4 1/200 ISO250.

“Altar” em f/1.4 1/200 ISO250.

Crop 100%, resolução assustadora para a distância focal e grande abertura.

Crop 100%, resolução assustadora para a distância focal e grande abertura.

“Pagoda” em f/1.4 1/320 ISO100.

“Pagoda” em f/1.4 1/320 ISO100.

Crop 100%, mínimos detalhes mesmo fora do eixo central.

Crop 100%, mínimos detalhes mesmo fora do eixo central.

As aberrações cromáticas são uma surpresa no modelo, sem o aval “clínico” da 50mm f/1.4 Art. Tanto em zonas de contraste quanto em luzes simples no desfoque, é fácil vermos bolhas coloridas verde e magenta, junto de linhas roxas, que são resolvidas em objetivas telephoto mais caras que usam vidros “fluorite”; aqueles que a Sigma deixou de fora na 85mm Art (ela não tem peças FLD). Então enquanto as aberrações laterais são invisíveis no modelo (como qualquer prime 50mm de baixo custo), eu realmente não vejo motivo para substituir a Canon EF 85mm f/1.2 L II USM (notória pelas aberrações) por uma Sigma nova. SIM, as aberrações aparentemente são menores na Sigma, mas continuam à aparecer em itens cromados, retratos com acessórios etc; e darão o mesmo trabalho para corrigir que a Canon EF. É apenas em situações de baixíssimo contraste que a Sigma absolutamente não mostram qualquer aberração, mas se elas forem para acontecer, acontecerão nos dois projetos. A única solução é fechar a abertura, ou comprar uma Zeiss OTUS.



“New York II” em f/1.4 1/80 ISO2000.

“New York II” em f/1.4 1/80 ISO2000.

Crop 100%, astigmatismo e “sagittal coma flare” em baixa no projeto, apesar das aberrações visíveis.

Crop 100%, astigmatismo e “sagittal coma flare” em baixa no projeto, apesar das aberrações visíveis.

“Ginza” em f/1.4 1/80 ISO100.

“Ginza” em f/1.4 1/80 ISO100.

Crop 100%, aberração cromática secundária.

Crop 100%, aberração cromática secundária.

“Chinatown” em f/1.4 1/1600 ISO100.

“Chinatown” em f/1.4 1/1600 ISO100.

Crop 100%, apesar do projeto topo-de-linha, é fácil causar e ver aberrações cromáticas secundárias na 85mm Art.

Crop 100%, apesar do projeto topo-de-linha, é fácil causar e ver aberrações cromáticas secundárias na 85mm Art.

“DYLAN” em f/1.4 1/250 ISO100.

“DYLAN” em f/1.4 1/250 ISO100.

Crop 100%, “teste da tortura” evidentemente mostra casos de aberrações cromáticas.

Crop 100%, “teste da tortura” evidentemente mostra casos de aberrações cromáticas.

Fechar a abertura tem pouco impacto na resolução, e mostra ainda mais a alma “telephoto” da Sigma Art. Como a objetiva é fisicamente longa, a profundidade de campo muda pouco quando fechamos o diafragma. Então mesmo em f/4, f/5.6, f/6.3 – o limite da difração no sensor de 50MP da EOS 5DS – há “perda” de detalhes mais pela profundidade de campo curta (já que a imagem não estará focada de fato) do que por defeitos ópticos; algo a levar em consideração em fotografia de produtos, rua e paisagens. O que vai embora de fato é a vinheta acentuada, logo em f/2, e parte das aberrações cromáticas, invisíveis só em f/4. É interessante para fotografar uma ou outra imagem “ampla” (paisagens), mas não é o melhor uso do modelo: qualquer prime (e até algumas zoom) com abertura fechada mostra o mesmo pico de resolução em 85mm, então prefira a Sigma Art para situações de pouca luz, onde o “f/1.4 perfeito” de fato fará diferença nas imagens.

“Tokyo-to” em f/6.3 1/200 ISO100; através do vidro do mirante.

“Tokyo-to” em f/6.3 1/200 ISO100; através do vidro do mirante.

Crop 100%, resolução é absurda na 5DS e na Sigma Art 85mm.

Crop 100%, resolução é absurda na 5DS e na Sigma Art 85mm.

“Tokyo-to II” em f/6.3 1/320 ISO100; através do vidro do mirante.

“Tokyo-to II” em f/6.3 1/320 ISO100; através do vidro do mirante.

Crop 100%, pessoas e letras são reproduzidas a centenas de metros de distância.

Crop 100%, pessoas e letras são reproduzidas a centenas de metros de distância.

“Telhado” em f/6.3 1/160 ISO640.

“Telhado” em f/6.3 1/160 ISO640.

Crop 100%, texturas ricos em detalhes nas abertura otimizadas.

Crop 100%, texturas ricos em detalhes nas abertura otimizadas.

”Ponte” em f/1.4 1/250 ISO100; vinheta acentuada na abertura máxima, corrigida via software.

Os tratamentos ópticos (coatings) são uma expertise que a Sigma não demonstra na 85mm f/1.4 Art. Com elementos tão grandes, os vidros precisam ser quimicamente cobertos para que não reflitam a luz entre si, como os tratados pelos caríssimos Nano Crystal Coating da Nikon, ou o Air Sphere da Canon. Apesar da Sigma não explicar a tecnologia usada, a 85mm é até “resistente” a flaring mesmo contra a luz, mostrando poucas bolhas de luz coloridas com a luz presente no quadro. Mas há uma notável perda de contraste quanto fotografamos sem o para-sol, culpa também dos 14 elementos (em excesso) na fórmula. Novamente, são nestas situações que vemos como a fórmula óptica é genuinamente telephoto, com aqueles reflexos “esticados” das objetivas longas, que dominam todo o quadro e tiram parte do contraste (que exige boost via software); bem diferente dos círculos, feixes de luz e arco-íris nítidos das outras 85mm. É uma performance útil para paisagens na Sigma, mas não necessariamente boa para retratos de alto contraste.



”Jizo” em f/1.4 1/160 ISO400; contraste via software e resistência a reflexos.

”Placa” em f/1.4 1/80 ISO160; contraste via software e resistência a reflexos.

“Flaring” em f/1.4 1/160 ISO100; reflexos típicos do telephoto, sem forma definida.

“Flaring” em f/1.4 1/160 ISO100; reflexos típicos do telephoto, sem forma definida.

“Hokan-ji” em f/6.3 1/200 ISO100.

“Hokan-ji” em f/6.3 1/200 ISO100.

As distorções geométrica e esférica são praticamente nulas no modelo, dada a planificação da projeção da imagem, graças aos elementos de baixa curvatura, e tem impacto direto no bokeh; um pouco pobre nesta Sigma. Pela terceira vez, repito: é uma performance típica de uma fórmula “curto-telephoto”, e funciona bem para paisagens. Com as linhas retas, o horizonte fica perfeito em composições entre o céu e a terra, interessantes para mostrar proporções, dimensões e montanhas perfeitas. Mas tanta perfeição vai na contra-mão dos retratos: com tantas linhas retas, o desfoque no primeiro e no segundo plano não isola totalmente o sujeito, nem dá efeitos como o “swirly bokeh” (quando as “bolhas” de luz formam um círculo), ou “olhos de gato” acentuados nas bordas (distorção esférica). O diafragma de 9 lâminas até mantém o desfoque suave em distâncias curtas de foco, mas os elementos grandes demais e sem curvatura acentuada “repetem” linhas firmes de alto contraste. Resultado: bokeh sem graça como qualquer objetiva telephoto.

“XING” em f/1.4 1/100 ISO250; zero distorção geométrica, perfeita para linhas urbanas.

“XING” em f/1.4 1/100 ISO250; zero distorção geométrica, perfeita para linhas urbanas.

“XING II” em f/1.4 1/100 ISO320; mas ausência de distorção esférica deixa o bokeh sem graça.

“XING II” em f/1.4 1/100 ISO320; mas ausência de distorção esférica deixa o bokeh sem graça.

“Taxi” em f/1.4 ISO250 ISO100; o desfoque está lá, mas sem qualquer característica marcante.

“Taxi” em f/1.4 ISO250 ISO100; o desfoque está lá, mas sem qualquer característica marcante. (foto semelhante com a Canon EF 85mm f/1.2 L II USM)

“Flor” em f/1.4 1/160 ISO100; quanto menor a distância de foco, mais acentuado o desfoque.

“Flor” em f/1.4 1/160 ISO100; quanto menor a distância de foco, mais acentuado o desfoque.

Por fim as cores são o último desapontamento da Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM. O álbum de fotos claramente é “mudo” em comparação às outras 85mm do mercado, apesar do pós-processamento “pesado” nos sliderssaturation” e “vibrance” no pacote da Adobe. É impressionante como os arquivos relutam em saturar os amarelos e vermelhos, marca registrada das objetivas Canon EF e responsável por luzes e retratos vibrantes; na Sigma prevalecem os azuis e verdes, que dominam os cinzas e sombras. Mesmo sob plena luz do sol, próximo, durante ou após o pôr-do-sol, os arquivos não saem laranja-rosados, mas sim azuis-esverdeados, ruins na tela do computador e estranhos no papel. A Sigma até flertou com tons “quentes” na Art 24mm f/1.4 DG HSM, mas os resultados são inconsistentes na linha Global Vision; hora saturados, hora mudos. Os culpados? Os 14 elementos da prime low-cost, tratados (coatings) de qualquer jeito. Esta é diferença de uma Nikon ou Canon topo de linha, e a razão delas custarem uma fortuna: coatings especiais nos vidros.

”Taxi II” em f/1.4 1/30 ISO100; antes e depois do tratamento +25 vibrance e +25 saturation no Adobe Camera Raw.

“Kamakura” em f/1.4 1/2000 ISO100; +7 vibrance e +18 saturation no Adobe Camera Raw.

“Kamakura” em f/1.4 1/2000 ISO100; +7 vibrance e +18 saturation no Adobe Camera Raw.

“Flores” em f/1.4 1/80 ISO320; +15 vibrance e +13 saturation no Adobe Camera Raw.

“Flores” em f/1.4 1/80 ISO320; +15 vibrance e +13 saturation no Adobe Camera Raw.

“Neon” em f/1.4 1/3200 ISO100; +23 vibrance e +12 saturation no Adobe Camera Raw.

“Neon” em f/1.4 1/3200 ISO100; +23 vibrance e +12 saturation no Adobe Camera Raw.

VEREDICTO

A Sigma 85mm f/1.4 DG Art HSM é uma caixa de surpresas porque o projeto óptico “curto-telephoto” fica escondido em reviews que prezam-na pela resolução alta e foco automático rápido, sem de fato explicitar como as fotos saem sem graça com cores mudas, típicas de uma objetiva low-cost. O que a Sigma faz bem é a construção robusta do plástico TSC, elevando a cada geração a promessa da linha “Global Vision”: novos patamares de controle de qualidade e operação, raramente vistos em produtos até mais caros. A operação pode ser um pesadelo por causa do tamanho, cômico pensando hoje no mercado que preza tanto pela portabilidade, preferindo as câmeras “mirrorless”. Tudo isso serve para justificar o projeto óptico “curto-telephoto” imenso, interessante pela performance da resolução e controle de aberrações em f/1.4; mas infelizmente, só isso. Me impressiona poucos reviews comentarem das cores dos arquivos, que são ruins nesta Sigma, mas prezam pela resolução bruta, que não faz necessariamente fotos melhores.

Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM

A dúvida final é: para quem é a Sigma 85mm f/1.4 Art DG HSM? Considerando todo o mercado 85mm, sinceramente ela funciona bem para quem fotografa ação, e precisa do f/1.4 para aumentar a velocidade do obturador; ou precisa do projeto de alta resolução, compatível com as câmeras mais novas. Mas só. Enquanto evidentemente ela fará retratos como qualquer outra objetiva 85mm, é impossível recomendá-la no lugar de uma Nikon AF-S Nikkor 85mm f/1.4G, muito mais leve e prática de usar, apesar de manter a mesma performance de foco e qualidade de imagem; e nem comparem-na com a Canon EF 85mm f/1.2L II USM. A Canon oferece 50% mais luz e muita personalidade nas fotos, com aberrações esféricas interessantes no desfoque, profundidade de campo muito menor, e as cores, ah, sempre as cores da Canon. A Sigma 85mm Art é uma opção low-cost dos 85mm de grande abertura, mas não ficará no meu kit por causa das cores sem graça. Recomendo avaliar se apenas a resolução alta justifica a compra para você, e boas fotos!